quarta-feira, 19 de agosto de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Política

Eduardo Bolsonaro joga Havaianas no lixo e reforça boicote à marca

por Carlos Menezes
22/12/2025 às 14h14
em Política
Eduardo Bolsonaro Joga Havaianas No Lixo E Reforça Boicote À Marca - Gazeta Mercantil - Política

O episódio em que o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) joga um par de sandálias Havaianas no lixo, em vídeo divulgado nas redes sociais, elevou o tom da disputa política em torno da marca e consolidou o boicote às Havaianas como um dos temas mais comentados do debate público às vésperas de 2026. O gesto simbólico não surgiu de forma isolada, mas como parte de um movimento mais amplo, impulsionado por lideranças da direita, que enxergam na mais recente campanha publicitária da empresa uma mensagem política subliminar contrária a valores conservadores.

A controvérsia tem como pano de fundo uma campanha estrelada pela atriz Fernanda Torres, na qual ela convida os brasileiros a não começarem o novo ano “com o pé direito”, mas “com os dois pés”. A metáfora, apresentada como uma mensagem de atitude e protagonismo pessoal, foi reinterpretada por políticos conservadores como um recado indireto ao cenário eleitoral de 2026. A partir dessa leitura, o boicote às Havaianas ganhou força nas redes sociais, misturando consumo, ideologia e identidade nacional.

O gesto de Eduardo Bolsonaro e seu simbolismo político

No vídeo que viralizou, Eduardo Bolsonaro aparece descartando as sandálias no lixo enquanto critica duramente a decisão da marca de associar sua imagem a uma atriz identificada com posições de esquerda. Para ele, a Havaianas teria se afastado de sua essência histórica ao abandonar a neutralidade e se alinhar, ainda que de forma indireta, a um campo político específico.

O parlamentar afirmou que sempre enxergou a sandália como um símbolo do Brasil, associado à informalidade, à cultura popular e à identidade nacional. Segundo ele, essa imagem teria sido “quebrada” pela campanha atual, o que justificaria sua adesão ao boicote às Havaianas. O ato de jogar o produto no lixo, embora simples, foi interpretado como um protesto performático, pensado para gerar repercussão e engajamento digital.

A leitura ideológica da campanha publicitária

O ponto central da crítica feita por Eduardo Bolsonaro e outros líderes conservadores está na interpretação do slogan da campanha. A frase “não comece o ano com o pé direito” foi vista como uma metáfora política, especialmente por fazer referência a 2026, ano de eleições presidenciais. Para esses críticos, em um país profundamente polarizado, expressões simbólicas não podem ser analisadas fora do contexto político.

Essa interpretação alimentou o boicote às Havaianas, ao reforçar a percepção de que a marca teria adotado um posicionamento ideológico disfarçado de publicidade. Mesmo sem menções explícitas a partidos ou candidatos, a campanha passou a ser tratada como um exemplo de ativismo corporativo, algo rejeitado por parcelas do eleitorado conservador.

A influência do senador Cleitinho Azevedo no movimento

Antes mesmo do vídeo de Eduardo Bolsonaro, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) já havia defendido publicamente o boicote às Havaianas. Em declarações nas redes sociais, o parlamentar mineiro acusou a marca de fazer “propaganda subliminar” contra a direita e de explorar o ambiente eleitoral para transmitir mensagens políticas.

Cleitinho argumenta que a escolha de Fernanda Torres como garota-propaganda não foi aleatória, mas estratégica, considerando o histórico de posicionamentos públicos da atriz. Na visão do senador, o conjunto da campanha — slogan, contexto eleitoral e escolha da celebridade — comporia uma narrativa alinhada a valores progressistas, o que justificaria a reação dos consumidores conservadores.

Polarização política e o consumo como arena de disputa

O boicote às Havaianas é mais um exemplo de como o consumo se tornou um campo de batalha ideológico no Brasil. Nos últimos anos, decisões de compra passaram a ser utilizadas como forma de protesto político, tanto à direita quanto à esquerda. Produtos e marcas deixaram de ser apenas bens de consumo para se tornarem símbolos carregados de significado político.

Nesse contexto, o gesto de Eduardo Bolsonaro dialoga com uma estratégia mais ampla de mobilização, na qual líderes políticos incentivam seus apoiadores a expressarem discordância por meio do boicote. A lógica é simples: pressionar economicamente empresas que, na visão desses grupos, ultrapassam a linha da neutralidade política.

A imagem da Havaianas como símbolo nacional

Parte da força do boicote às Havaianas está no valor simbólico da marca. As sandálias são reconhecidas internacionalmente como um ícone do Brasil, associadas à bandeira nacional, ao clima tropical e à cultura popular. Para críticos da campanha, essa associação histórica torna ainda mais sensível qualquer mensagem percebida como politizada.

Eduardo Bolsonaro destacou em seu vídeo que já viu estrangeiros usando Havaianas como demonstração de apreço pelo Brasil. Ao afirmar que essa imagem foi “quebrada”, ele reforça a narrativa de que a marca teria abandonado um símbolo de união nacional para adotar uma postura divisiva.

Liberdade de expressão versus reação do consumidor

O debate em torno do boicote às Havaianas também levanta questões sobre liberdade de expressão. Defensores da campanha argumentam que a publicidade se limita a uma mensagem motivacional e que a interpretação política é subjetiva. Para eles, boicotes baseados em leituras ideológicas seriam exagerados e prejudiciais ao diálogo democrático.

Por outro lado, apoiadores do boicote sustentam que consumidores têm o direito de reagir quando se sentem desrespeitados ou excluídos por mensagens de marcas. Nesse sentido, o boicote seria uma extensão da liberdade de escolha no mercado, não uma censura.

O silêncio da marca e seus efeitos

Até o momento, a Havaianas não se manifestou oficialmente sobre as críticas e sobre o boicote às Havaianas defendido por políticos da direita. O silêncio pode ser interpretado de diferentes formas: como estratégia para evitar ampliar a polêmica ou como dificuldade em responder a um debate altamente polarizado.

Especialistas em comunicação costumam apontar que, em situações assim, qualquer posicionamento pode agradar um lado e afastar outro. A ausência de resposta, portanto, também é uma escolha estratégica, ainda que carregue riscos reputacionais.

Impactos econômicos e reputacionais do boicote

Ainda é cedo para medir os efeitos concretos do boicote às Havaianas sobre vendas e resultados financeiros. Historicamente, boicotes políticos no Brasil tendem a gerar mais repercussão simbólica do que impacto econômico duradouro. No entanto, a visibilidade do caso e o envolvimento de figuras públicas aumentam o potencial de desgaste de imagem.

Mesmo que o impacto financeiro seja limitado, a marca passa a ser associada a um debate político específico, o que pode influenciar decisões futuras de marketing e comunicação.

O ambiente eleitoral como catalisador de conflitos

A proximidade das eleições de 2026 intensifica a leitura política de qualquer mensagem pública. O boicote às Havaianas surge, assim, como um sintoma de um ambiente em que publicidade, cultura e política se entrelaçam de forma quase inevitável.

Para líderes conservadores, a vigilância sobre símbolos culturais e marcas tende a aumentar à medida que o calendário eleitoral avança. Nesse cenário, campanhas publicitárias aparentemente neutras podem se transformar em gatilhos de mobilização política.

Um retrato do Brasil contemporâneo

O episódio envolvendo Eduardo Bolsonaro, Fernanda Torres e a Havaianas vai além de uma simples discordância sobre publicidade. O boicote às Havaianas reflete um Brasil fragmentado, em que símbolos nacionais, consumo e identidade política se misturam de maneira intensa.

Independentemente dos desdobramentos, o caso evidencia que, em tempos de polarização, até um par de sandálias pode se transformar em instrumento de disputa ideológica. O debate não se limita ao marketing, mas alcança questões profundas sobre pertencimento, representação e os limites da atuação das marcas na esfera pública.

Tags: boicote às Havaianasdireita boicota HavaianasEduardo Bolsonaro HavaianasFernanda Torres Havaianaspolêmica Havaianas campanhaPolítica

LEIA MAIS

Crise Na Propaganda Eleitoral: Dança Das Cadeiras Atinge Marqueteiros Políticos Em 2026 - Gazeta Mercantil
Política

Crise na propaganda eleitoral: dança das cadeiras atinge marqueteiros políticos em 2026

A campanha presidencial de 2026 mal começou oficialmente e alguns dos principais candidatos já passaram por uma dança das cadeiras em suas equipes de comunicação. Em pouco mais...

Leia MaisDetails
Renan Santos - Gazeta Mercantil
Política

Renan Santos defende fim da Justiça do Trabalho e diz que CLT ‘já era’

O candidato do Partido Missão à Presidência da República, Renan Santos, colocou a legislação trabalhista no centro de seu discurso nesta terça-feira (18) ao defender o fim da...

Leia MaisDetails
Deputado Gilvan Da Federal - Gazeta Mercantil
Política

STF torna Gilvan da Federal réu por injúria contra Lula

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta terça-feira (18) receber denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o deputado federal Gilvan da Federal (PL-ES) pelo...

Leia MaisDetails
Pablo Marçal - Gazeta Mercantil
Política

Pablo Marçal corrige patrimônio no TSE: R$ 7,4 bilhões viram R$ 149,9 milhões

Pablo Marçal (PRTB) apresentou nesta terça-feira, 18 de agosto, uma nova declaração de bens à Justiça Eleitoral e reduziu de aproximadamente R$ 7,4 bilhões para R$ 149,9 milhões...

Leia MaisDetails
Michelle Pede Voto Para Flávio Em Palanque De Arruda E Embaralha Alianças No Df - Gazeta Mercantil
Política

Michelle pede voto para Flávio em palanque de Arruda e embaralha alianças no DF

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro transformou nesta terça-feira, 18 de agosto, o lançamento de um comitê eleitoral em Brasília em um retrato das alianças cruzadas que marcam o início...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

01:37:41
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DOLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado

Veja Também

Crise Na Propaganda Eleitoral: Dança Das Cadeiras Atinge Marqueteiros Políticos Em 2026 - Gazeta Mercantil
Política

Crise na propaganda eleitoral: dança das cadeiras atinge marqueteiros políticos em 2026

Leia MaisDetails
Risco-País Da Argentina Volta Aos 511 Pontos E Mercado Aumenta Cautela Com Milei - Gazeta Mercantil - Economia
Economia

Risco-país da Argentina volta aos 511 pontos e mercado aumenta cautela com Milei

Leia MaisDetails
3 Funções Do Celular Que Você Deve Desligar Quando Não Estiver Usando - Gazeta Mercantil - Economia
Tecnologia

3 funções do celular que você deve desligar quando não estiver usando

Leia MaisDetails
Renan Santos - Gazeta Mercantil
Política

Renan Santos defende fim da Justiça do Trabalho e diz que CLT ‘já era’

Leia MaisDetails
Valuation: O Que É, Como Calcular E Quais Métodos Definem O Valor De Uma Empresa - Gazeta Mercantil
Negócios

Valuation: o que é, como calcular e quais métodos definem o valor de uma empresa

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Crise na propaganda eleitoral: dança das cadeiras atinge marqueteiros políticos em 2026

Risco-país da Argentina volta aos 511 pontos e mercado aumenta cautela com Milei

3 funções do celular que você deve desligar quando não estiver usando

Renan Santos defende fim da Justiça do Trabalho e diz que CLT ‘já era’

Valuation: o que é, como calcular e quais métodos definem o valor de uma empresa

Dólar hoje fecha a R$ 5,22 com tensão no Oriente Médio e ata do Fed no radar

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP