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Entregas da Embraer (EMBR3) no 4T25: Backlog Salta 42% e Citi Reitera Compra

por João Souza - Repórter de Negócios
28/01/2026 às 12h42
em Negócios, Destaque, Notícias
Entregas Da Embraer (Embr3) No 4T25: Backlog Salta 42% E Citi Reitera Compra - Gazeta Mercantil

Entregas da Embraer (EMBR3) no 4T25: Backlog da aviação comercial dispara 42% e consolida ano histórico

O fechamento do ano fiscal de 2025 trouxe ventos favoráveis para a indústria aeroespacial nacional, confirmados pelos dados operacionais mais recentes que detalham as entregas da Embraer. O desempenho da fabricante brasileira, cujas ações são negociadas na B3 sob o ticker EMBR3, foi dissecado em um relatório abrangente do banco Citi, que classifica o período como a “coroação” de um ano promissor. Para os investidores posicionados em EMBR3, os números do quarto trimestre (4T25) não apenas validam a tese de recuperação pós-pandemia, mas também apontam para um ciclo de crescimento sustentado, alicerçado em uma carteira de pedidos (backlog) robusta e diversificada.

A análise do comportamento das entregas da Embraer é fundamental para compreender a saúde financeira da companhia. O relatório assinado pelos analistas André Mazini, Kiepher Kennedy, Piero Trotta e Philip Nielsen destaca que todos os segmentos de atuação da empresa apresentaram crescimento anual. Ainda que esses avanços sejam descritos como moderados, situando-se na casa de um dígito, a qualidade do mix de produtos entregues e a recomposição da carteira de pedidos sinalizam uma eficiência operacional que o mercado vinha aguardando.

O Salto Estratégico na Aviação Comercial

O grande destaque do relatório do Citi recai sobre a divisão de Aviação Comercial, historicamente o motor de receita da companhia e principal driver para a valorização de EMBR3. A carteira de pedidos deste segmento registrou um salto expressivo de 42% em comparação ao ano de 2024, alcançando a cifra de US$ 14,5 bilhões. Este indicador é um preditor vital das futuras entregas da Embraer, garantindo previsibilidade de faturamento para os próximos exercícios fiscais.

Entretanto, a dinâmica trimestral apresentou o que os analistas chamaram de “movimentos mistos”. As entregas da Embraer e a composição do backlog foram influenciadas por novos contratos relevantes, como a adição de 23 aeronaves E195-E2 e quatro modelos E175 para a Air Côte d’Ivoire. Essa expansão na África é estratégica, mas foi contrapesada por ajustes no mercado doméstico e regional. Houve uma renegociação de 21 jatos E195-E2 com a Azul Linhas Aéreas, o que resultou em uma contração técnica de 5% na carteira de encomendas da aviação comercial, logo após a contabilização das entregas da Embraer já divulgadas.

Apesar dessa contração pontual, o saldo é amplamente positivo para o detentor de ações EMBR3. A capacidade da empresa de manter um fluxo constante de novos pedidos demonstra a competitividade da família E2 no cenário global, especialmente em um momento onde a eficiência de combustível e a sustentabilidade são critérios decisivos para as companhias aéreas renovarem suas frotas.

A Consistência da Aviação Executiva e o Guidance

Enquanto a aviação comercial lida com grandes volumes e negociações complexas, a unidade de Aviação Executiva da Embraer mostrou uma precisão notável no cumprimento de suas metas. As entregas da Embraer neste segmento totalizaram 55 jatos executivos apenas no quarto trimestre. Com esse impulso final, a companhia encerrou 2025 no limite superior do seu guidance anual, totalizando 155 aeronaves entregues, frente a uma faixa de projeção que oscilava entre 145 e 155 unidades.

Para o investidor de EMBR3, esse dado é sinônimo de credibilidade da gestão (management). Cumprir o topo do guidance em um ambiente de cadeia de suprimentos ainda desafiador reforça a capacidade de execução da empresa. No detalhamento das entregas da Embraer na aviação executiva, houve uma predominância clara de jatos leves, liderados pelo Phenom 300, que registrou 23 entregas no período. O Phenom 300 continua sendo o “best-seller” global da categoria, gerando caixa recorrente e margens saudáveis para a fabricante.

A divisão comercial também entregou números sólidos, com 32 aeronaves despachadas no trimestre, fechando o ano com 78 unidades. Embora este número esteja próximo ao piso da projeção anual (que era de 77 a 85 aeronaves), ele reflete a realidade de um mercado que ainda se ajusta, mas mantém a tendência de alta. O E195-E2, a “joia da coroa” tecnológica da empresa, respondeu pela maior parte dessas entregas da Embraer, com 15 unidades, consolidando-se como a espinha dorsal da receita futura.

A Métrica Book-to-Bill: Sinal Verde para Receitas Futuras

Um dos pontos mais celebrados no relatório do Citi é a relação book-to-bill (pedidos recebidos versus faturamento realizado). Segundo a análise, esse índice permaneceu acima de 1 vez em todas as divisões da companhia, o que é extremamente positivo para a tese de investimento em EMBR3.

Na Aviação Comercial, o índice atingiu impressionantes 2,8 vezes. Isso significa que, para cada aeronave que saiu da linha de produção nas entregas da Embraer, a empresa recebeu quase três novos pedidos firmes. Esse nível de demanda é um indicador antecedente de crescimento de receita. Na prática, a fábrica já tem produção garantida para anos à frente, reduzindo o risco ocioso. Na Aviação Executiva, o múltiplo foi de 1,1 vez, e na Defesa, 1,4 vez.

Esses números sinalizam ao mercado que as entregas da Embraer tendem a aumentar nos próximos períodos para dar conta da demanda reprimida. Para os analistas do Citi, isso “sinaliza potencial de crescimento de receitas nos próximos períodos”, reforçando a atratividade do papel EMBR3 para carteiras focadas em crescimento e valor industrial.

Investimentos em Capacidade Produtiva e Bens de Capital

A capacidade de realizar 85 entregas combinadas (comercial e executiva) em um único trimestre não é obra do acaso. O relatório destaca que esse volume evidencia a melhora significativa da capacidade produtiva da empresa. Nos últimos anos, a Embraer realizou investimentos robustos em bens de capital (Capex), modernizando suas linhas e otimizando processos.

Esses investimentos são cruciais para que as entregas da Embraer ocorram dentro dos prazos estipulados, evitando multas contratuais e garantindo a satisfação dos clientes. A eficiência fabril reflete-se diretamente na última linha do balanço, melhorando a margem operacional e o retorno sobre o capital investido, métricas observadas de perto por quem investe em EMBR3. A normalização progressiva da cadeia de suprimentos global também desempenha um papel chave, permitindo que a empresa transforme seu backlog em entregas efetivas com maior velocidade.

Defesa & Segurança: O Fator Geopolítico para 2026

Olhando para o futuro, o Citi identifica um vetor de crescimento que pode beneficiar substancialmente as ações EMBR3 a partir de 2026: a divisão de Defesa & Segurança. O aumento da volatilidade no cenário geopolítico global tende a aquecer a demanda por equipamentos militares modernos e versáteis.

No quarto trimestre de 2025, esta divisão apresentou desempenho sólido, contribuindo para o total das entregas da Embraer com seis aeronaves: dois cargueiros táticos multimissão C-390 Millennium (KC-390) e quatro aeronaves de ataque leve A-29 Super Tucano. O KC-390, em particular, tem se mostrado um competidor formidável no mercado internacional, conquistando contratos na Europa e na Ásia.

A perspectiva é que os governos acelerem seus programas de reaparelhamento militar diante das incertezas globais. Isso coloca a Embraer em uma posição privilegiada. O aumento das entregas da Embraer no setor de defesa não apenas diversifica as fontes de receita, mas também agrega alto valor tecnológico e margens diferenciadas, fortalecendo o case de investimento em EMBR3 como um ativo defensivo em tempos de crise global.

Visão do Citi e Valuation de EMBR3

Apesar do otimismo com os dados operacionais e com o ritmo das entregas da Embraer, a avaliação de preço das ações requer atenção. O Citi mantém a recomendação de compra para a Embraer (EMBR3), estabelecendo um preço-alvo de US$ 77 para os recibos negociados na NYSE.

É importante notar a nuance trazida pelo relatório: esse preço-alvo implica um potencial de desvalorização de 3,6% em relação ao fechamento do pregão da terça-feira mencionada. Isso sugere que o mercado, antecipando os bons resultados das entregas da Embraer, pode ter esticado o valuation no curto prazo. No entanto, a manutenção da recomendação de compra indica que, estruturalmente, o ativo continua atraente.

Investidores de longo prazo devem focar nos fundamentos: crescimento do backlog, liderança na aviação regional e executiva, e expansão na defesa. As oscilações de curto prazo em EMBR3 podem refletir realizações de lucro após o rali recente, mas a tendência subjacente, apoiada pela consistência das entregas da Embraer, permanece altista.

O Papel do E195-E2 na Estratégia de Longo Prazo

Dentro do mix das entregas da Embraer, o modelo E195-E2 merece uma análise à parte. Com 15 unidades entregues no trimestre, ele é o carro-chefe da retomada comercial. Este jato é reconhecido como a aeronave de corredor único mais eficiente e sustentável do mercado, oferecendo uma economia de combustível por assento superior aos concorrentes diretos.

Para a Embraer e seus acionistas (EMBR3), o sucesso do E195-E2 é vital. A aeronave permite que a empresa penetre em mercados onde a sustentabilidade ambiental é regulação estrita, como na Europa. Além disso, a operação do E195-E2 abre portas para receitas de serviços e suporte, uma linha de negócio de alta margem que cresce proporcionalmente à frota em operação. Portanto, cada unidade contada nas entregas da Embraer representa uma anuidade de serviços contratada para as próximas décadas.

Conclusão: Maturidade Industrial e Confiança do Investidor

O ano de 2025 encerra-se com a Embraer demonstrando maturidade industrial e resiliência comercial. As entregas da Embraer no 4T25 coroam um período de superação de desafios logísticos e de afirmação de seu portfólio de produtos. Com um book-to-bill saudável e um backlog recorde na aviação comercial, a visibilidade de receita para 2026 e além é clara.

Para o mercado financeiro e detentores de EMBR3, a mensagem é de confiança. A empresa conseguiu equilibrar crescimento em todos os segmentos, proteger suas margens e posicionar-se estrategicamente para capturar oportunidades no setor de defesa. Embora o valuation possa passar por correções técnicas no curto prazo, os fundamentos operacionais, evidenciados pelo volume e qualidade das entregas da Embraer, sustentam uma visão construtiva para o futuro da principal exportadora de tecnologia do Brasil.

A expectativa agora recai sobre a capacidade da empresa de manter esse ritmo e converter o robusto backlog em faturamento, mantendo a disciplina de custos. Se a tendência observada no 4T25 persistir, as entregas da Embraer continuarão a ser o principal catalisador para a performance das ações EMBR3 na bolsa de valores.

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