Erika Hilton (PSOL) foi reeleita deputada federal por São Paulo com 1.596.472 votos e estabeleceu um novo recorde feminino nas eleições para a Câmara dos Deputados. Com 100% das urnas contabilizadas no Estado, a parlamentar ultrapassou a marca de 1.078.666 votos obtida por Joice Hasselmann em 2018 e passou a ser a mulher mais votada da história do país para o cargo.
O resultado consolidou Erika como a segunda candidata a deputada federal mais votada de São Paulo em 2026. Ela ficou atrás apenas de Lucas Pavanato (PL), que recebeu 3.038.438 votos.
No cenário nacional, Erika terminou entre as três maiores votações para a Câmara, atrás de Nikolas Ferreira (PL-MG) e Pavanato. Os dois candidatos do PL superaram a barreira de 3 milhões de votos e também estabeleceram novas marcas históricas na disputa proporcional.
A votação de Erika representou 6,73% dos votos válidos destinados aos candidatos a deputado federal em São Paulo.
Mais do que garantir a reeleição, o resultado produziu uma mudança relevante no ranking histórico feminino da Câmara.
Erika supera recorde de Joice por mais de 500 mil votos
O recorde anterior pertencia a Joice Hasselmann.
Na eleição de 2018, então filiada ao PSL, Joice recebeu 1.078.666 votos em São Paulo. Até este domingo, nenhuma outra mulher havia ultrapassado aquela marca em uma disputa para a Câmara dos Deputados.
Erika chegou a 1.596.472.
A diferença é de 517.806 votos.
Isso significa que a parlamentar do PSOL superou o antigo recorde em aproximadamente 48%.
A comparação ganha dimensão adicional porque as duas marcas foram registradas no mesmo Estado, São Paulo, maior colégio eleitoral do país.
Joice havia conseguido sua votação histórica em uma eleição marcada pela ascensão do PSL e pela candidatura presidencial de Jair Bolsonaro.
Oito anos depois, Erika alcançou um resultado ainda maior a partir de um campo político praticamente oposto.
Votação é mais de seis vezes maior que a de 2022
O crescimento de Erika em relação à própria eleição anterior também foi expressivo.
Em 2022, quando conquistou seu primeiro mandato na Câmara, a parlamentar havia recebido 256.903 votos.
Quatro anos depois, chegou a 1.596.472.
Foram 1.339.569 votos adicionais.
Em termos proporcionais, a votação de 2026 foi aproximadamente 6,2 vezes a registrada quatro anos antes, uma expansão superior a 500%.
O salto chama atenção porque ocorreu durante o exercício do primeiro mandato federal, período no qual Erika ampliou sua exposição nacional e construiu uma presença digital que ultrapassou os limites do eleitorado tradicional do PSOL.
O resultado também demonstra que sua primeira eleição não representou apenas uma votação concentrada em um momento político específico.
Em 2026, a parlamentar ampliou substancialmente sua base eleitoral.
Pavanato lidera São Paulo
Apesar do recorde feminino, Erika não foi a candidata mais votada do Estado.
Lucas Pavanato, do PL, recebeu 3.038.438 votos e terminou na primeira posição na eleição paulista para a Câmara.
Erika ficou em segundo lugar com 1.596.472.
Sâmia Bomfim, também do PSOL, apareceu em terceiro lugar no Estado, com 583.107 votos.
Kim Kataguiri (Missão) recebeu 520.071, enquanto Tabata Amaral (PSB) terminou com 476.383 votos.
Os números mostram uma característica marcante da eleição paulista de 2026: candidatos com forte presença em redes sociais ocuparam as primeiras posições da votação nominal.
Pavanato e Erika, embora estejam em campos ideológicos opostos, construíram parte relevante de suas trajetórias políticas utilizando plataformas digitais como instrumento de mobilização, posicionamento político e comunicação direta com os eleitores.
Erika fica entre as três maiores votações do país
O desempenho também colocou Erika entre os candidatos mais votados do Brasil para deputado federal.
Nikolas Ferreira, do PL de Minas Gerais, terminou com mais de 3,1 milhões de votos.
Lucas Pavanato ultrapassou 3 milhões em São Paulo.
Erika apareceu logo depois, com quase 1,6 milhão.
Essa comparação é importante para corrigir uma interpretação que circulou durante as primeiras horas da apuração.
Quando a contagem paulista ainda estava em andamento, algumas publicações apresentaram Erika como “a deputada federal mais votada da história do Brasil”.
A formulação não é correta quando considerados homens e mulheres.
O recorde estabelecido por ela é entre as mulheres.
O marco geral da votação para deputado federal em 2026 pertence a candidatos que ultrapassaram a casa dos 3 milhões de votos.
Erika, entretanto, estabeleceu de maneira inequívoca o maior resultado feminino já registrado para a Câmara.
Marca histórica ocorre quatro anos após estreia na Câmara
Erika Hilton chegou à Câmara dos Deputados nas eleições de 2022.
Antes disso, havia sido eleita vereadora da cidade de São Paulo em 2020.
Sua trajetória política começou ainda antes, quando integrou a Bancada Ativista, mandato coletivo eleito para a Assembleia Legislativa de São Paulo em 2018.
Na eleição municipal de 2020, Erika recebeu mais de 50 mil votos e tornou-se uma das vereadoras mais votadas da capital paulista.
Dois anos depois, conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados.
A eleição de 2022 também teve significado histórico por ampliar a presença de pessoas trans no Congresso Nacional.
No primeiro mandato federal, Erika passou a ter projeção nacional em debates relacionados a direitos civis, trabalho, direitos da população LGBT, políticas sociais e fiscalização do governo.
Essa exposição foi acompanhada por forte crescimento de sua presença nas redes sociais.
PSOL coloca duas mulheres entre as mais votadas de São Paulo
O desempenho de Erika não foi isolado dentro do PSOL.
Sâmia Bomfim recebeu 583.107 votos e terminou como a terceira candidata mais votada para deputada federal em São Paulo.
Somadas, apenas Erika e Sâmia receberam mais de 2,17 milhões de votos.
O resultado deu ao partido duas posições entre as três maiores votações nominais do Estado, apesar de Lucas Pavanato, do PL, ter liderado a disputa com ampla vantagem individual.
A presença simultânea de Pavanato, Erika e Sâmia nas primeiras posições também evidencia a polarização ideológica na disputa paulista.
Os três possuem forte atuação digital e representam campos políticos claramente identificados.
Recorde anterior durava oito anos
A marca de Joice Hasselmann permaneceu por duas eleições gerais completas.
Em 2018, ela recebeu 1.078.666 votos e foi a segunda candidata a deputado federal mais votada de São Paulo, atrás de Eduardo Bolsonaro.
Naquele pleito, Eduardo recebeu 1.843.735 votos.
A votação dele também estabeleceu, naquele momento, um recorde masculino para deputado federal, superando a marca histórica de Enéas Carneiro.
O cenário mudou em 2026.
Pavanato e Nikolas Ferreira ultrapassaram o antigo recorde geral, enquanto Erika superou o recorde feminino de Joice.
A mesma eleição, portanto, produziu novos patamares tanto entre homens quanto entre mulheres na disputa pela Câmara.
Sistema proporcional transforma votação em força partidária
Apesar da dimensão individual do resultado, eleições para deputado federal obedecem ao sistema proporcional.
Isso significa que a votação de Erika não produz efeitos apenas sobre seu próprio mandato.
Os votos recebidos por cada candidato também entram no cálculo do desempenho do partido ou da federação na distribuição das cadeiras.
São Paulo elege 70 deputados federais, a maior bancada estadual da Câmara.
O número de vagas conquistadas por cada legenda depende da soma de votos partidários e nominais e dos mecanismos previstos pela legislação eleitoral para distribuição das cadeiras.
Candidaturas com votação muito elevada podem, portanto, exercer impacto sobre o desempenho coletivo de sua legenda.
A dimensão desse efeito depende do resultado total do partido e da aplicação dos quocientes e das regras de distribuição das vagas.
Uma votação que muda o patamar feminino na Câmara
O resultado de Erika Hilton altera a referência histórica para futuras candidaturas femininas à Câmara dos Deputados.
Durante oito anos, superar 1 milhão de votos já era suficiente para colocar Joice Hasselmann isoladamente no topo desse ranking.
Erika não apenas ultrapassou a barreira.
Chegou perto de 1,6 milhão.
A nova marca está mais de meio milhão de votos acima do recorde anterior e foi construída apenas quatro anos depois de sua primeira eleição para deputada federal.
Ao mesmo tempo, a eleição de 2026 mostra que o crescimento da representação e da votação feminina ocorre em um ambiente de competição cada vez mais influenciado pela comunicação digital e por candidaturas de grande alcance nacional.
Erika terminou atrás de dois candidatos homens no ranking geral, mas estabeleceu um patamar até então inexistente entre as mulheres.
Com 1.596.472 votos, a parlamentar inicia o próximo mandato com uma base eleitoral mais de seis vezes superior àquela que a levou pela primeira vez à Câmara em 2022.
Fontes
Tribunal Superior Eleitoral — totalização das Eleições Gerais de 2026.
Tribunal Superior Eleitoral — resultados das eleições de 2018, 2022 e 2026 para deputado federal.
Dados oficiais da apuração para deputado federal em São Paulo.
Câmara dos Deputados — trajetória parlamentar de Erika Hilton.
Registros históricos da votação de Joice Hasselmann em 2018.







