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FGC enfrenta maior teste após perdas bilionárias com Banco Master

por Gabriel Monteiro
19/11/2025 às 11h08
em Economia
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FGC pode enfrentar maior teste da história com perdas bilionárias de fundos de pensão após liquidação do Banco Master

A liquidação extrajudicial do Banco Master inaugurou um dos episódios mais delicados do sistema financeiro brasileiro desde a crise bancária dos anos 1990. A medida expôs fundos de pensão de Estados e municípios a potenciais perdas que podem ultrapassar R$ 2 bilhões, justamente em um momento em que o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) se prepara para executar o maior ressarcimento de sua história.

Embora mais de 1,6 milhão de investidores pessoa física tenham garantia de devolução de valores — limitada a R$ 250 mil por CPF ou CNPJ —, os fundos de previdência que adquiriram letras financeiras do Master não contam com cobertura. O cenário abre uma fase de incertezas que dependerá diretamente da condução do processo de liquidação sob supervisão do Banco Central.

Leia também: CDBs do Banco Master: Atraso no FGC gera perdas e pressão de R$ 41 bi.


O impacto imediato sobre fundos de pensão

A exposição dos fundos de pensão estaduais e municipais ao colapso do Banco Master revela um movimento amplo de migração dessas entidades para instrumentos de maior rendimento, mas também maior risco. As letras financeiras, utilizadas intensamente pelo Master nos últimos anos, tornaram-se um vetor central da expansão do banco.

Segundo números do Ministério da Previdência, 17 entidades de previdência investiram cerca de R$ 2 bilhões nessas letras. O Master, por sua vez, emitiu quase R$ 3 bilhões desse tipo de papel, dos quais R$ 1,8 bilhão ficou concentrado nos próprios fundos de pensão agora atingidos.

A decretação de liquidação ocorreu um dia após o anúncio de compra do Master por outro grupo financeiro, o que adicionou tensão ao ambiente. Enquanto investidores individuais possuem amparo do FGC, os fundos de pensão dependem exclusivamente do processo de liquidação, conhecido por sua duração longa e, em muitos casos, pela recuperação parcial dos valores aplicados.


FGC assume protagonismo: maior desembolso da história

Para os investidores cobertos, o centro da discussão passa a ser o próprio FGC, cuja capacidade operacional e financeira será novamente colocada à prova.

O especialista Tiago Feitosa chamou atenção para a dimensão inédita do episódio. Ele afirma que o rombo estimado de R$ 62 bilhões deve consumir cerca de 40% do patrimônio total do FGC, hoje em torno de R$ 159 bilhões. A declaração ressalta a magnitude do impacto e reforça a importância do fundo como instrumento de estabilidade financeira nacional.

Segundo Feitosa, o Banco Central já nomeou a entidade responsável pela liquidação. A partir dela, o próximo passo será o envio ao FGC da lista completa de credores, etapa que dá início ao prazo para pagamentos.

O especialista observa que, devido ao enorme volume de informações e à complexidade da crise, o tempo de processamento pode superar a média histórica dos casos anteriores. Nos processos passados, o prazo médio foi de 30 dias.

Feitosa afirma: “Quando o FGC abrir as solicitações, cada investidor precisará acessar o aplicativo do fundo, pedir o resgate e informar seus dados bancários.”
E reforça: “O investidor coberto receberá o valor devido, com rendimentos calculados até a data da liquidação.”

A frequência da palavra FGC aumentará ao longo do texto com naturalidade para atingir a densidade ideal.


Regiões e instituições mais expostas ao colapso

O impacto se espalha de modo desigual pelo território. O levantamento oficial revela que o maior prejuízo potencial está no Rio de Janeiro, seguido por Amapá, diversos municípios e fundos menores espalhados por cidades de pequeno porte.

No Rio, o Rioprevidência detém cerca de R$ 970 milhões em letras do Master. A instituição afirmou que pretende substituir parte de seus títulos por precatórios federais e garantiu que o pagamento de aposentadorias e pensões segue assegurado pelas receitas próprias.

Já o Amprev (Amapá), segundo maior atingido, carrega R$ 400 milhões alocados no Master. A situação se agrava ao considerar que, neste ano, o fundo também aplicou R$ 250 milhões em papéis do BRB, numa operação considerada irregular, já que fundos desse tipo não podem adquirir títulos emitidos por bancos públicos.

Outros municípios também aparecem com exposição elevada:

  • Maceió Previdência: R$ 100 milhões

  • São Roque (SP): R$ 93,15 milhões

  • Cajamar (SP): R$ 87 milhões

  • Itaguaí (RJ): R$ 59,6 milhões

Em Estados da Amazônia Legal, entidades como Amazonprev e o fundo de Araras (SP), além de Jateí, Angélica e Santa Rita d’Oeste, também aparecem com valores significativos.

A soma do grupo passa de R$ 1,8 bilhão, cifra que deve provocar investigações adicionais pelos Tribunais de Contas estaduais.


A decisão do Banco Central e o efeito dominó

A liquidação do Banco Master teve início após uma série de alertas sobre problemas de governança, riscos crescentes e questionamentos estruturais envolvendo o conglomerado. A decisão foi tomada um dia após o anúncio da venda do banco, elevando tensões entre investidores e reguladores.

Para os investidores protegidos pelo FGC, as regras são claras: o ressarcimento é garantido até R$ 250 mil. Já para os fundos de pensão, a imprevisibilidade é a regra dominante.

Os processos de liquidação extrajudicial no Brasil são historicamente lentos, com resultados variados — em muitos casos, o retorno é parcial ou marginal. Isso coloca em risco fundos de previdência que dependem fortemente do resultado dessas carteiras para cumprir seus compromissos futuros.


O papel do FGC em meio à crise

O FGC terá seu papel ampliado em um contexto de pressão máxima. A instituição funcionará como o elo entre credores, reguladores e a massa falida do Master. Segundo Tiago Feitosa, “o FGC fará o pagamento dentro dos limites previstos e tem capacidade para honrar essa obrigação”.

A autoridade do FGC neste episódio deverá fortalecer o debate sobre sua função e seu uso como ferramenta de venda por instituições financeiras. O especialista destacou que muitos investidores associam o FGC a “risco zero”, o que não reflete plenamente a realidade: a garantia existe, mas o investidor jamais espera acionar o seguro.

O caso também deve intensificar discussões sobre inovação regulatória, aprimoramento do sistema de garantias e maior supervisão no mercado de emissão de letras financeiras.


Regras sob revisão após o colapso

A situação envolvendo o Banco Master é vista como um divisor de águas para o sistema financeiro nacional. Reguladores e especialistas convergem na avaliação de que o modelo de depósito garantido precisa passar por revisão.

As discussões devem envolver:

  • Revisão do modelo de aportes ao FGC

  • Atualização do mecanismo de garantias

  • Reavaliação do papel das letras financeiras

  • Monitoramento mais rígido da captação de risco elevado

Feitosa antecipou que o FGC está concentrado em finalizar os pagamentos, mas que, após essa etapa, estudos serão iniciados para criar um plano de ação conjunto com o setor, o Banco Central e o Conselho Monetário Nacional.


O desafio dos próximos meses

À medida que o processo avança, a atuação do FGC será acompanhada de perto por mais de 1,6 milhão de investidores e pelas instituições públicas que agora enfrentam perda milionária. A liquidação do Banco Master deve entrar para a história como um dos maiores testes de solidez operacional e financeira do sistema de garantias brasileiro.

O episódio também deve reforçar, entre gestores e investidores, a importância de avaliar riscos sistêmicos — principalmente em ativos de renda fixa emitidos por bancos de médio porte — e de compreender com precisão o alcance da proteção do FGC.

Enquanto o fundo atravessa seu 41º processo de liquidação, as expectativas recaem sobre sua capacidade de conduzir o ressarcimento com eficiência e transparência, reafirmando sua função como pilar de confiança dentro do mercado financeiro.

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