O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, confirmou nesta terça-feira (19) que se reuniu com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, após a primeira prisão do empresário no âmbito da Operação Compliance Zero. Segundo o parlamentar, o encontro teve como objetivo encerrar a participação de Vorcaro no financiamento da cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Vorcaro havia sido preso pela primeira vez em novembro de 2025, por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e ficou detido por dez dias. Posteriormente, foi solto por determinação do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, mas voltou a ser preso em março de 2026, na terceira fase da operação.
A confirmação do encontro ocorre após reportagens revelarem mensagens de áudio enviadas por Flávio Bolsonaro a Vorcaro, nas quais o senador solicitava recursos para pagar parte dos custos de produção do filme sobre seu pai. Segundo as reportagens, o banqueiro teria acertado aporte de R$ 134 milhões para a produção, dos quais ao menos R$ 61 milhões teriam sido liberados.
Flávio diz que reunião serviu para encerrar participação de Vorcaro
Ao falar com jornalistas, Flávio Bolsonaro afirmou que procurou Daniel Vorcaro para “botar um ponto final” na participação do banqueiro no projeto. O senador disse que, se tivesse sido avisado sobre a gravidade das suspeitas envolvendo o Banco Master, teria buscado outro investidor antes.
Segundo Flávio, todos os encontros com Vorcaro trataram “única e exclusivamente” do filme sobre Jair Bolsonaro. O parlamentar afirmou que, no momento em que aceitou a participação do banqueiro no projeto, considerava Vorcaro uma pessoa “acima de qualquer suspeita”.
A versão do senador é que a aproximação ocorreu em 2024, após o fim do governo Bolsonaro e antes de a Polícia Federal e o Poder Judiciário reunirem provas sobre o caso envolvendo o Banco Master. A investigação apura suspeitas de irregularidades no conglomerado financeiro, apontadas como potencialmente uma das maiores fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional.
Flávio também informou que pediu à produtora do filme uma prestação de contas transparente do orçamento da produção. Segundo ele, eventuais lucros futuros do projeto deverão ser colocados à disposição da Justiça.
Áudios revelaram pedido de dinheiro a Vorcaro
A confirmação do encontro ocorre depois da divulgação de áudios em que Flávio Bolsonaro pede recursos a Daniel Vorcaro para o filme sobre Jair Bolsonaro. Até a revelação das mensagens, o senador dizia não ter relação com o banqueiro.
Após a divulgação dos áudios, Flávio passou a admitir o contato com Vorcaro. O parlamentar sustenta que a relação se limitou ao projeto audiovisual e nega qualquer irregularidade.
Segundo o texto-base, reportagens do The Intercept Brasil apontaram que Vorcaro teria concordado em destinar R$ 134 milhões à produção. Desse total, ao menos R$ 61 milhões teriam sido efetivamente liberados por meio de empresas e fundos de financiamento.
Flávio afirmou que Vorcaro cumpriu os repasses até maio de 2025, quando os pagamentos começaram a atrasar. De acordo com o senador, ele passou então a cobrar uma definição sobre a continuidade do financiamento.
Mário Frias e Thiago Miranda são citados no caso
O deputado federal Mário Frias (PL-SP), produtor-executivo e roteirista do filme, afirmou que a apresentação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro foi feita pelo publicitário Thiago Miranda.
Miranda é dono da agência MiThi e é apontado como suspeito de ter contratado influenciadores digitais para uma campanha contra o Banco Central em favor do Banco Master. Em novembro de 2025, o Banco Central oficializou a liquidação extrajudicial de instituições financeiras do conglomerado Master.
O próprio Thiago Miranda confirmou a veículos de imprensa que intermediou o aporte milionário de Vorcaro no filme sobre Jair Bolsonaro. A versão foi confirmada por Flávio Bolsonaro.
Segundo o senador, Miranda afirmou conhecer uma pessoa que já havia investido em outros filmes e o apresentou a Vorcaro. Flávio declarou que, à época, o banqueiro circulava em eventos empresariais e políticos, inclusive com presença de ministros e empresários, além de patrocinar eventos de emissoras de televisão.
Caso afeta pré-campanha presidencial
A repercussão do caso ocorre em um momento sensível para Flávio Bolsonaro, que aparece como pré-candidato à Presidência da República pelo PL. A primeira pesquisa divulgada após as revelações mostrou queda do senador nas intenções de voto.
Segundo levantamento Atlas/Intel citado no texto-base, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 47% das intenções de voto no primeiro turno, contra 34,3% de Flávio Bolsonaro. A diferença entre os dois chegou a 12,7 pontos percentuais.
Em abril, Flávio registrava 39,7%, o que indica queda de 5,4 pontos em um mês. Nas simulações de segundo turno, Lula venceria o senador por 48,9% a 41,8%. No levantamento anterior, os dois estavam tecnicamente empatados.
A pesquisa também indicou que Flávio Bolsonaro perderia para Fernando Haddad caso o ministro da Fazenda fosse o candidato do governo. O resultado ampliou a leitura de desgaste político do senador após a repercussão das relações com Vorcaro.
Banco Master está no centro da Operação Compliance Zero
Daniel Vorcaro é investigado no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas envolvendo o Banco Master. O caso ganhou dimensão nacional por envolver o sistema financeiro, decisões judiciais, liquidação extrajudicial de instituições do conglomerado e suspeitas de prejuízos bilionários.
A primeira prisão de Vorcaro ocorreu em novembro de 2025. Após dez dias detido preventivamente, ele foi libertado por decisão do TRF da 1ª Região. Em 4 de março de 2026, voltou a ser preso na terceira etapa da operação.
Flávio Bolsonaro afirmou que, após a primeira prisão de Vorcaro, percebeu que a situação era “muito mais grave”. O senador disse que o áudio revelado foi enviado em um momento em que o filme corria risco de ser encerrado por falta de definição sobre os pagamentos.
A defesa de Vorcaro não foi citada no texto-base. Como a investigação ainda está em andamento, os envolvidos têm direito à defesa, e eventuais responsabilidades dependem da conclusão das apurações e de decisões judiciais.
Senador nega irregularidades
Flávio Bolsonaro nega ter cometido irregularidades. O senador afirma que sua relação com Daniel Vorcaro foi limitada à busca de financiamento privado para o filme sobre Jair Bolsonaro.
Segundo o parlamentar, não houve oferta de vantagem em troca do aporte, e os encontros com o banqueiro trataram apenas do projeto audiovisual. Flávio também afirmou que pediu à produtora prestação de contas transparente dos recursos.
A defesa política do senador tenta separar o financiamento do filme das investigações sobre o Banco Master. O problema, para Flávio, é que a sequência de revelações contrariou declarações anteriores nas quais ele negava relações com Vorcaro.
Essa mudança de versão aumenta o desgaste público e político. Em ano de movimentação pré-eleitoral, a associação com um banqueiro investigado por suspeitas graves tende a ser explorada por adversários e acompanhada de perto pelo mercado e por aliados.
Repercussão pressiona oposição
O caso também pressiona o campo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio vinha sendo tratado como uma das alternativas do PL para a disputa presidencial, mas a queda nas pesquisas e a repercussão dos áudios podem afetar sua capacidade de consolidação como candidato.
A relação com Vorcaro passou a ser analisada não apenas como uma questão jurídica, mas também como um fator político-eleitoral. O episódio pode impactar a narrativa da oposição, a articulação com partidos aliados e a confiança de setores que avaliam a viabilidade de uma candidatura.
A pesquisa Atlas/Intel mostrou perda de força de Flávio em relação a Lula e piora nas simulações de segundo turno. O dado reforça a percepção de que o caso produziu efeito imediato no ambiente político.
Para o governo, a crise envolvendo Flávio pode reduzir a pressão eleitoral no curto prazo. Para a oposição, aumenta a necessidade de avaliar alternativas e estratégias de contenção de danos.
Caso Vorcaro ganha peso institucional
A investigação envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master já tinha relevância pelo impacto sobre o sistema financeiro. Com a confirmação de encontros e pedidos de recursos para o filme de Jair Bolsonaro, o caso ganhou peso político adicional.
A conexão entre financiamento privado, produção audiovisual, pré-candidatura presidencial e investigação financeira amplia a complexidade do episódio. Órgãos de investigação deverão apurar eventuais fluxos de recursos, contratos, intermediários e destinação dos valores.
A prestação de contas solicitada por Flávio Bolsonaro à produtora pode se tornar um elemento importante para esclarecer a origem, a aplicação e a eventual devolução de recursos relacionados ao projeto.
Enquanto isso, a repercussão pública deve continuar. A sequência de fatos pressiona o senador, mantém Daniel Vorcaro no centro do noticiário e amplia o interesse político sobre a Operação Compliance Zero.
Flávio tenta conter desgaste após revelações
Ao confirmar o encontro com Vorcaro, Flávio Bolsonaro buscou apresentar a reunião como uma tentativa de encerrar a participação do banqueiro no filme. A explicação, porém, ocorre depois de o senador ter passado a admitir contato com Vorcaro apenas após a divulgação dos áudios.
O episódio mantém o pré-candidato sob pressão. A queda nas pesquisas, a repercussão das mensagens e a ligação com um investigado em caso de grande repercussão financeira criam um ambiente desfavorável para sua pré-campanha.
A partir de agora, o caso dependerá de três frentes: a evolução das investigações sobre o Banco Master, a prestação de contas da produtora do filme e a resposta política do PL diante do desgaste de Flávio Bolsonaro.
Até lá, a confirmação do encontro com Daniel Vorcaro mantém o senador no centro de uma crise que combina política, sistema financeiro, investigação judicial e disputa presidencial.









