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Flávio Bolsonaro admite cobrança a Vorcaro por filme de Jair Bolsonaro e nega irregularidade

Senador confirma contato com dono do Banco Master para viabilizar patrocínio privado de R$ 134 milhões; áudio divulgado pelo Intercept Brasil ampliou pressão política sobre o pré-candidato

por Júlia Campos
13/05/2026 às 20h53
em Política
Flávio Bolsonaro Admite Cobrança A Vorcaro Por Filme De Jair Bolsonaro E Nega Irregularidade - Gazeta Mercantil

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, admitiu nesta quarta-feira (13), em Brasília, ter mantido contato com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para articular apoio financeiro destinado à produção de um filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A relação veio a público após reportagem do portal The Intercept Brasil revelar mensagens, documentos e um áudio atribuído ao parlamentar, no qual ele cobra o envio de recursos relacionados ao projeto audiovisual. O valor negociado, segundo a apuração, chegaria a R$ 134 milhões. Flávio nega irregularidade, afirma que se tratava de patrocínio privado e diz não ter oferecido qualquer vantagem indevida ao banqueiro.

O caso colocou o Banco Master novamente no centro da disputa política em Brasília. Vorcaro está preso na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília, após desdobramentos de uma investigação sobre supostas fraudes financeiras envolvendo a instituição. O Banco Central decretou a liquidação do Master no fim de 2025, em meio ao agravamento da crise da instituição e ao avanço das apurações.

Leia também: Caso Banco Master: PF mira Vorcaro, Nelson Tanure e rombo de R$ 47 bilhões

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Em nota divulgada depois da publicação da reportagem, Flávio Bolsonaro confirmou o pedido de apoio financeiro e a relação com Vorcaro, mas sustentou que o contato ocorreu em âmbito privado. Segundo o senador, o objetivo era viabilizar um filme privado sobre a história do pai, sem uso de dinheiro público, incentivo fiscal ou Lei Rouanet.

Senador diz que pediu patrocínio privado

Na manifestação, Flávio Bolsonaro afirmou que conheceu Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Jair Bolsonaro já havia terminado e, segundo ele, não havia acusações públicas contra o banqueiro. O parlamentar disse ainda que o contato foi retomado em razão de atrasos no pagamento de parcelas do patrocínio prometido para a conclusão do filme.

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“É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet”, afirmou o senador na nota.

Flávio Bolsonaro também negou ter atuado para favorecer Vorcaro em troca do apoio ao projeto. Segundo ele, não houve intermediação de negócios com o governo, encontros privados fora da agenda nem recebimento de dinheiro ou vantagem pessoal.

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“Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, declarou.

Após a nota, o senador também divulgou um vídeo nas redes sociais repetindo a linha de defesa. Na gravação, afirmou que Vorcaro teria deixado de honrar parcelas pendentes do patrocínio e disse que havia contrato assinado para os repasses prometidos.

Áudio mostra cobrança por parcelas atrasadas

A reportagem do Intercept Brasil divulgou um áudio atribuído a Flávio Bolsonaro no qual o senador menciona a urgência dos pagamentos para a continuidade do filme sobre Jair Bolsonaro. Na mensagem, o parlamentar afirma ficar “sem graça” de cobrar Vorcaro, mas diz que o projeto estava em momento decisivo e que havia “muita parcela para trás”.

“Apesar de você ter dado a liberdade de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando. É porque está em um momento muito decisivo aqui do filme e, como tem muita parcela para trás, cara, está todo mundo tenso e fico preocupado com o efeito contrário com o que a gente sonhou para o filme”, disse o senador, segundo o áudio divulgado.

De acordo com a apuração, as conversas analisadas envolveriam mensagens de WhatsApp, documentos e comprovantes bancários. O material indicaria que parte do valor combinado teria sido paga entre fevereiro e maio de 2025. Outras publicações sobre o caso apontaram que cerca de R$ 61 milhões teriam sido efetivamente repassados, dentro de uma negociação mais ampla que poderia chegar a R$ 134 milhões.

A divulgação do áudio ampliou a pressão sobre Flávio Bolsonaro porque o senador já vinha tentando se distanciar publicamente do caso Banco Master. Em manifestações anteriores, ele defendeu a instalação de uma CPI para apurar as relações políticas e financeiras envolvendo a instituição.

Transferências teriam passado por empresa ligada a Vorcaro

Segundo a reportagem, o apoio ao filme teria envolvido transferências internacionais de uma empresa controlada por Daniel Vorcaro para um fundo sediado nos Estados Unidos. O Intercept Brasil informou que os recursos teriam saído da Entre Investimentos e Participações, empresa que atuava em parceria com companhias de Vorcaro, em direção ao Havengate Development Fund LP, fundo localizado no Texas.

Ainda conforme a apuração, o fundo seria gerido por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio Bolsonaro. O filme estaria sendo produzido no exterior, com atores e equipes estrangeiras, e teria previsão de lançamento ainda neste ano.

A estrutura internacional dos repasses adiciona uma camada de complexidade ao caso. Embora Flávio Bolsonaro afirme que o contrato era privado e voltado exclusivamente ao patrocínio de uma obra audiovisual, a origem dos recursos, o momento das transferências e a relação com um banqueiro posteriormente preso tendem a ser pontos de interesse para autoridades, adversários políticos e eventuais investigações parlamentares.

Até o momento, não há informação pública de que Flávio Bolsonaro tenha sido formalmente acusado de crime em razão do episódio. O senador nega irregularidades e afirma que o caso é diferente das relações que atribui a integrantes do governo Lula com Vorcaro. Investigados e citados em apurações têm direito à defesa e à presunção de inocência.

Caso atinge pré-campanha presidencial

A revelação ocorre em um momento sensível para Flávio Bolsonaro, que se apresenta como pré-candidato à Presidência da República. A eventual candidatura do senador é observada dentro do campo bolsonarista em meio às restrições políticas e judiciais enfrentadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

O impacto político do caso decorre de dois fatores centrais. O primeiro é o valor envolvido na negociação, considerado elevado para um projeto audiovisual privado. O segundo é a identidade do financiador: Daniel Vorcaro, banqueiro associado ao Banco Master, instituição que se tornou alvo de uma das principais crises financeiras e políticas recentes em Brasília.

A proximidade temporal entre as conversas, os pagamentos e o agravamento da situação do Banco Master pode alimentar questionamentos sobre eventuais expectativas de influência política. A defesa de Flávio Bolsonaro, por outro lado, sustenta que a relação era contratual, privada e sem contrapartidas públicas.

Para aliados do governo Lula, a divulgação do áudio abre espaço para ampliar a pressão sobre o bolsonarismo. Para a oposição, a estratégia de Flávio tem sido tentar reposicionar o caso como parte de um escândalo mais amplo envolvendo o Banco Master, cobrando a instalação de uma CPI e afirmando que as relações relevantes do banqueiro estariam em outros campos políticos.

Banco Master segue no centro de investigação

Daniel Vorcaro está preso em Brasília e negocia um possível acordo de delação premiada. O banqueiro se tornou personagem central nas investigações sobre o Banco Master, cuja liquidação foi decretada pelo Banco Central após a deterioração da instituição.

As apurações envolvendo o Master miram suspeitas de fraudes financeiras, operações irregulares e eventuais vínculos com agentes públicos e privados. O caso tem potencial para atingir diferentes grupos políticos, empresariais e financeiros, especialmente porque a instituição mantinha relações com investidores, fundos, empresas e interlocutores em Brasília.

A eventual delação de Vorcaro é acompanhada com atenção por parlamentares e agentes do mercado. Caso avance, o acordo pode trazer novos documentos, nomes e detalhes sobre a atuação do banqueiro, inclusive sobre pagamentos, contratos e articulações políticas.

Nesse contexto, a menção ao filme sobre Jair Bolsonaro adiciona um novo eixo à crise. A discussão deixa de se limitar ao colapso de uma instituição financeira e passa a incluir a relação entre um banqueiro investigado e um senador com ambições presidenciais.

Filme sobre Jair Bolsonaro entra na disputa política

O projeto audiovisual citado nas mensagens é descrito como uma produção internacional sobre a vida de Jair Bolsonaro. A obra, segundo as informações divulgadas, teria atores e equipe estrangeira, com previsão de lançamento ainda em 2026.

Para Flávio Bolsonaro, a busca de patrocínio seria parte de uma iniciativa legítima de viabilização privada de um filme sobre o próprio pai. Para críticos, a escala financeira do projeto e a participação de Vorcaro levantam dúvidas sobre a natureza do apoio e sobre eventuais interesses associados ao financiamento.

A defesa do senador insiste que não houve recursos públicos, renúncia fiscal ou promessa de benefício político. A reportagem do Intercept Brasil, por sua vez, aponta que as mensagens mostram uma interlocução direta entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, com cobranças por pagamentos e demonstrações de proximidade.

A controvérsia deve permanecer no debate político porque une três elementos de alta repercussão: a família Bolsonaro, a crise do Banco Master e a possibilidade de uma disputa presidencial em 2026. Mesmo sem acusação formal contra o senador, a divulgação do áudio fortalece a pressão por explicações adicionais sobre o contrato, os pagamentos e os participantes da operação.

Pressão sobre CPI do Master ganha novo capítulo

A reação de Flávio Bolsonaro foi tentar separar o patrocínio privado ao filme das suspeitas que envolvem o Banco Master. Ao defender a CPI do Master, o senador buscou deslocar o foco para uma investigação mais ampla sobre a atuação de Daniel Vorcaro e seus contatos políticos.

A instalação de uma comissão parlamentar, caso avance, pode ampliar o alcance institucional do caso. Uma CPI teria poder para convocar depoentes, requisitar documentos e examinar relações entre o Banco Master, agentes públicos, empresas privadas e operadores financeiros.

A estratégia também traz riscos para diferentes atores políticos. Uma apuração parlamentar pode atingir adversários do bolsonarismo, mas também pode aprofundar o escrutínio sobre o próprio Flávio Bolsonaro, especialmente após a divulgação das mensagens e do áudio.

Por ora, o caso segue em três frentes: a investigação criminal sobre o Banco Master, a possível delação de Daniel Vorcaro e a disputa política em torno da relação do banqueiro com figuras públicas. A admissão de Flávio Bolsonaro de que pediu patrocínio para o filme não encerra a controvérsia. Ao contrário, transforma a negociação de R$ 134 milhões em um dos pontos mais sensíveis da crise envolvendo o Banco Master em Brasília.

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