A Gafisa (GFSA3) anunciou neste sábado, 24 de janeiro de 2026, a eleição de Luis Fernando Garzi Ortiz para o cargo de diretor-presidente. A decisão foi tomada pelo Conselho de Administração na sexta-feira, dia 23, durante a eleição trienal da diretoria estatutária, realizada em razão do encerramento dos mandatos em curso. Ortiz substitui Sheyla Resende, que deixa a incorporadora após uma trajetória de 16 anos na companhia.
A mudança ocorre em uma etapa na qual a Gafisa busca consolidar o reposicionamento de seus negócios no mercado de imóveis de alto e altíssimo padrão, principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro. No fato relevante, a empresa apresentou a sucessão como um movimento de continuidade da gestão e informou que serão mantidos o plano de negócios, os lançamentos em andamento e os projetos futuros que já se encontram em desenvolvimento.
Ortiz atua na companhia desde 2011 e ocupava mais recentemente a vice-presidência de Negócios. Ao longo de sua trajetória, passou por áreas relacionadas à incorporação, aquisição de terrenos, desenvolvimento de projetos e expansão comercial, participando diretamente da estratégia adotada pela Gafisa para ampliar sua presença no segmento imobiliário de luxo.
A eleição não representa, portanto, a contratação de um executivo externo nem uma ruptura imediata com as diretrizes anteriores. A companhia optou por promover um profissional formado dentro de sua própria estrutura, com conhecimento dos empreendimentos em execução, das parcerias comerciais e do portfólio em desenvolvimento.
Conselho escolhe sucessor com trajetória interna
Engenheiro civil graduado pelo Instituto Mauá de Tecnologia, Ortiz possui formação executiva em Real Estate pela Universidade de São Paulo e em gestão empresarial e finanças corporativas pela Fundação Getulio Vargas. Segundo as informações institucionais da Gafisa, o executivo acumula 27 anos de experiência no setor imobiliário.
Ortiz ingressou na incorporadora em 2011, inicialmente com responsabilidades na aquisição de terrenos e na estruturação de novos negócios. A companhia atribui ao executivo participação em aquisições que somaram mais de R$ 2 bilhões em valor geral de vendas potencial.
A partir de 2014, ele assumiu a Gerência de Negócios e participou de lançamentos residenciais que, de acordo com a empresa, totalizaram cerca de R$ 3 bilhões em valor geral de vendas. Em 2019, passou a ocupar a Diretoria de Incorporação, com atuação sobre a carteira de empreendimentos imobiliários da Gafisa.
Ortiz tornou-se vice-presidente de Negócios em 2022, assumindo responsabilidades sobre diferentes áreas comerciais e imobiliárias. A companhia o identifica como um dos executivos envolvidos nas parcerias estratégicas e no reposicionamento da marca para o segmento de alto luxo.
Com a eleição para a presidência, o executivo passa a responder pela execução diária das diretrizes definidas pelo Conselho de Administração. A diretoria estatutária é responsável pela administração dos negócios, pelo acompanhamento das políticas corporativas e pela implementação dos planos aprovados pelos órgãos de governança.
Sheyla Resende encerra ciclo de 16 anos
Sheyla Resende deixa a presidência depois de uma trajetória iniciada como trainee. Durante os 16 anos em que permaneceu na Gafisa, ocupou diferentes funções e participou da reorganização das atividades da incorporadora.
A executiva assumiu a presidência em uma fase de redefinição do portfólio e de fortalecimento da atuação em empreendimentos de maior valor agregado. No comunicado sobre a sucessão, a companhia classificou a passagem de Sheyla como um “ciclo virtuoso” e destacou sua participação no reposicionamento da empresa entre as incorporadoras voltadas ao alto luxo.
A saída ocorre pelo encerramento do mandato, e não foi apresentada pela empresa como uma demissão decorrente de divergência estratégica. O fato relevante também não informou, até este sábado, qual será o próximo destino profissional da executiva.
Durante o período mais recente, a Gafisa ampliou a exposição de sua marca a projetos residenciais de padrão elevado, com arquitetura, localização e serviços direcionados ao público de alta renda. A empresa atribui parte dessa estratégia à gestão que agora se encerra e afirma que a nova presidência deverá dar continuidade ao direcionamento.
A transição interna reduz o período de adaptação normalmente associado à contratação de um presidente externo. Ortiz já participava das decisões sobre produtos, terrenos, lançamentos e parcerias, o que lhe permite assumir o comando com conhecimento prévio dos projetos em andamento.
Diretoria financeira também passa por mudança
A eleição de Ortiz não foi a única alteração aprovada pelo Conselho de Administração. Taimir Larissa Contro Barbosa foi eleita diretora financeira e diretora executiva responsável pela área de Controladoria.
Economista formada pela Universidade Estadual Paulista e também graduada em Ciências Contábeis pela Universidade Nove de Julho, Taimir possui MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getulio Vargas. Ela trabalha na Gafisa desde 2008 e acumula experiência nas áreas de controladoria e auditoria.
A concentração das responsabilidades financeiras e de controladoria coloca sob a mesma direção atividades ligadas à elaboração das demonstrações financeiras, acompanhamento orçamentário, controles internos, planejamento e relacionamento com auditorias.
A companhia não anunciou neste sábado novas metas de redução de despesas, endividamento, margens ou geração de caixa vinculadas à mudança. Também não apresentou projeções financeiras para a nova gestão. As prioridades objetivas deverão ser detalhadas por meio dos próximos resultados, apresentações corporativas ou novos comunicados ao mercado.
A escolha de uma profissional com trajetória interna segue a mesma orientação aplicada à presidência: preservar o conhecimento acumulado e manter a execução do planejamento já definido pela incorporadora.
Frederico Kessler e Carmelo Di Leta permanecem
Os demais integrantes da diretoria estatutária foram reconduzidos para o novo mandato. Frederico Pereira Kessler permanece como diretor vice-presidente de Negócios, com responsabilidades sobre as áreas de desenvolvimento imobiliário, produtos e operações comerciais.
Kessler possui experiência no mercado de incorporação e já passou por empresas como Rossi, Even e Brookfield, atual Tegra. Sua permanência mantém a estrutura responsável pela seleção de terrenos, desenvolvimento de produtos e condução dos empreendimentos.
Carmelo Aldo Di Leta continua como diretor de Relações com Investidores e diretor executivo responsável pela área jurídica. O executivo permanecerá encarregado da comunicação com acionistas e participantes do mercado de capitais, além das questões jurídicas e societárias da companhia.
A manutenção dos dois executivos reforça a opção por uma transição limitada nos principais cargos. A diretoria passa a ser formada por Ortiz na presidência, Taimir Barbosa na área financeira e de controladoria, Frederico Kessler na vice-presidência de Negócios e Carmelo Di Leta nas áreas jurídica e de Relações com Investidores.
Os mandatos iniciados em 23 de janeiro possuem duração de três anos, conforme a estrutura prevista pelo estatuto da companhia. Os diretores podem ser reeleitos pelo Conselho de Administração ao término do período.
Alto luxo permanece no centro do planejamento
A Gafisa declarou que a sucessão preserva o reposicionamento da empresa no segmento de alto luxo. A estratégia está concentrada principalmente em regiões valorizadas de São Paulo e do Rio de Janeiro, mercados nos quais a companhia mantém projetos residenciais e uma presença histórica.
A incorporadora foi fundada em 1954, no Rio de Janeiro, originalmente voltada à construção de empreendimentos de padrão elevado. Ao longo de sua trajetória, expandiu-se para São Paulo e passou a atuar em diferentes segmentos do mercado residencial.
Nos últimos anos, a empresa voltou a destacar o luxo como elemento central de sua identidade. A própria Gafisa associa essa etapa aos lançamentos Tom Delfim Moreira, em 2021, e Allard Oscar Freire, em 2024, empreendimentos utilizados como referências do reposicionamento da marca.
O segmento de maior renda possui características distintas do mercado imobiliário direcionado ao público de massa. Os projetos costumam exigir terrenos em localizações valorizadas, ciclos mais longos de concepção, arquitetura diferenciada e investimentos elevados em acabamento, paisagismo e serviços.
Essas características podem elevar o valor unitário dos imóveis, mas também aumentam a importância da escolha dos terrenos, do ritmo de vendas e do controle dos custos de construção. A capacidade de converter lançamentos em vendas e de administrar o capital empregado permanecerá entre os principais pontos de acompanhamento da nova gestão.
Companhia não divulga novas metas com a sucessão
O fato relevante concentra-se na composição da diretoria e na continuidade administrativa. Até este sábado, a Gafisa não anunciou mudanças no volume de lançamentos, na política comercial, no orçamento de investimentos ou na estratégia de financiamento.
A empresa também não apresentou orientação financeira associada à chegada de Ortiz. Não há, no comunicado, estimativas para receita, lucro, margem, geração de caixa ou redução do endividamento durante o novo mandato.
Dessa forma, ainda não é possível afirmar que a troca de presidente produzirá mudanças financeiras imediatas. Os efeitos dependerão das decisões que serão tomadas pela diretoria, da execução dos empreendimentos em andamento e das condições do mercado imobiliário.
A eleição foi divulgada em um sábado, sem negociação das ações da companhia na B3. A primeira reação dos investidores ao anúncio deverá ser observada no pregão de segunda-feira, 26 de janeiro, quando os papéis GFSA3 voltarem a ser negociados.
A movimentação das ações, contudo, poderá refletir também outros fatores, como juros, desempenho geral da Bolsa, condições de crédito, notícias sobre o setor imobiliário e eventuais comunicações adicionais da empresa.
Nova gestão terá de transformar continuidade em execução
Ao escolher um executivo que já participava da formulação da estratégia, a Gafisa procura evitar uma interrupção no desenvolvimento dos projetos. Ortiz assume conhecendo os terrenos, os lançamentos e as parcerias que integram o atual planejamento.
O desafio será executar essa carteira dentro dos cronogramas e custos previstos, manter o ritmo comercial e preservar a capacidade financeira da companhia. A continuidade anunciada pela empresa não elimina os riscos próprios do setor, como juros elevados, aumento dos custos de materiais e mão de obra, demora na aprovação de projetos e variações na demanda.
Para o mercado, os próximos indicadores relevantes serão os resultados operacionais e financeiros, o volume de lançamentos, as vendas contratadas, o nível de distratos, a evolução dos estoques e a geração de caixa dos empreendimentos.
A administração também deverá demonstrar como pretende equilibrar a concentração em produtos de alto valor com a necessidade de manter liquidez e disciplina na alocação de capital. O fato relevante não detalha eventuais ajustes no portfólio, mas afirma que os lançamentos em curso e os projetos futuros em desenvolvimento serão mantidos.
A posse de Luis Fernando Ortiz abre, assim, uma nova etapa administrativa sem alterar, ao menos neste primeiro anúncio, o direcionamento estratégico da Gafisa. A definição das prioridades financeiras e operacionais deverá aparecer nos próximos comunicados e resultados divulgados pela companhia.









