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Geração Z prioriza crescimento na carreira ao escolher emprego, mostra pesquisa do CIEE

Levantamento aponta que oportunidade de desenvolvimento pesa mais que remuneração e flexibilidade para jovens de 14 a 24 anos.

por Daniel Wicker - Repórter
08/06/2026 às 14h19 - Atualizado em 17/07/2026 às 12h05
em Trabalho,Destaque,Notícias
Geração Z Prioriza Crescimento Na Carreira Ao Escolher Emprego, Mostra Pesquisa Do Ciee Levantamento Com Jovens De 14 A 24 Anos Indica Que Oportunidade De Desenvolvimento Pesa Mais Do Que Remuneração E Flexibilidade Na Decisão Sobre Onde Trabalhar A Oportunidade De Crescimento Profissional É O Principal Fator Levado Em Conta Por Jovens De 14 A 24 Anos Na Hora De Aceitar Ou Recusar Um Emprego, Segundo Pesquisa Realizada Pelo Instituto Locomotiva A Pedido Do Centro De Integração Empresa-Escola (Ciee), Divulgada Nesta Quarta-Feira (3). O Estudo Mostra Que, Embora Remuneração E Benefícios Sejam Considerados Importantes Por 79% Dos Entrevistados, O Fator Mais Decisivo Para A Escolha De Uma Empresa É A Possibilidade De Desenvolvimento Na Carreira, Contrariando A Percepção De Que A Geração Z Prioriza Sobretudo Home Office Ou Modelos De Trabalho Mais Flexíveis. O Levantamento Ouviu Jovens Em Todo O Brasil, Em Uma Faixa Etária Que Reúne Principalmente Integrantes Da Geração Z, Formada Por Nascidos Entre 1997 E 2009, E Parte Da Geração Alpha, Composta Por Nascidos A Partir De 2010. O Público Pesquisado Está Em Fase De Entrada No Mercado De Trabalho, Muitas Vezes Conciliando Emprego, Estágio Ou Aprendizagem Com Ensino Médio, Curso Técnico Ou Faculdade. Os Dados Indicam Que 98% Dos Jovens Sonham Em Trabalhar Em Empresas Que Valorizam O Desenvolvimento Profissional. A Pesquisa Também Mostra Que 54% Apontam A Oportunidade De Crescimento Como O Principal Critério Para Escolher Uma Vaga. A Boa Remuneração Aparece Em Segundo Lugar, Com 43% Das Respostas, Enquanto Um Ambiente De Trabalho Agradável Ocupa A Terceira Posição, Mencionado Por 31% Dos Participantes. A Flexibilidade De Trabalho, Frequentemente Associada Às Novas Gerações No Debate Corporativo, Aparece Apenas Em Quinto Lugar, Citada Por 20% Dos Jovens Como Fator Decisivo. Para O Ciee, O Resultado Relativiza A Ideia De Que Os Profissionais Mais Jovens Rejeitam Modelos Presenciais Ou Condicionam Sua Escolha Profissional Prioritariamente Ao Trabalho Remoto. Crescimento Profissional Supera Remuneração Na Decisão A Pesquisa Reforça Que A Entrada No Mercado De Trabalho Continua Sendo Vista Pelos Jovens Como Um Caminho De Construção De Carreira. Embora Salário E Benefícios Tenham Peso Relevante, A Possibilidade De Aprender, Evoluir E Ocupar Novas Posições Aparece Como Elemento Mais Determinante Na Escolha De Uma Empresa. Esse Dado Tem Impacto Direto Sobre Empregadores Que Disputam Talentos Em Início De Carreira. Empresas Que Oferecem Programas Estruturados De Estágio, Aprendizagem, Trilhas De Capacitação, Mentoria E Perspectiva Real De Progressão Tendem A Se Tornar Mais Competitivas Na Atração E Retenção Desse Público. A Remuneração Permanece Relevante. O Fato De 79% Dos Entrevistados Considerarem Salário E Benefícios Importantes Mostra Que A Geração Z Não Ignora Aspectos Financeiros. O Que O Levantamento Indica É Que A Compensação Econômica, Sozinha, Não Basta Para Definir A Empresa Ideal. Para Jovens Em Fase Inicial De Trajetória Profissional, O Primeiro Emprego, O Estágio Ou O Programa De Aprendizagem Costumam Ter Peso Estratégico Na Formação De Competências. A Escolha Da Empresa Pode Influenciar O Acesso A Novas Oportunidades, O Aprendizado Técnico, A Construção De Rede De Contatos E A Definição De Caminhos Profissionais. O Resultado Também Sugere Que Companhias Com Baixa Capacidade De Desenvolvimento Interno Podem Enfrentar Dificuldades Para Manter Jovens Talentos, Mesmo Oferecendo Remuneração Compatível Com O Mercado. Home Office Não Lidera Prioridades Dos Jovens Um Dos Pontos Centrais Do Levantamento É A Posição Da Flexibilidade Na Lista De Prioridades. Apesar De O Trabalho Remoto Ter Ganhado Força Desde A Pandemia E Continuar Sendo Debatido Por Empresas E Trabalhadores, Apenas 20% Dos Jovens Pesquisados Apontaram A Flexibilidade Como Fator Decisivo Na Escolha De Uma Vaga. O Dado Contrasta Com A Visão Recorrente De Que A Geração Z Teria Como Principal Demanda O Home Office Ou A Recusa A Modelos Tradicionais De Trabalho. Para O Ciee, A Pesquisa Mostra Um Quadro Mais Amplo E Menos Simplificado. Rodrigo Dib, Superintendente De Institucional Do Ciee, Afirma Que O Jovem De Hoje Busca Um Ambiente De Trabalho Saudável, Com Bom Clima, Respeito À Individualidade E Preocupação Real Com Seu Desenvolvimento. Segundo Ele, Esses Fatores Se Sobrepõem À Discussão Isolada Sobre Trabalho Presencial Ou Remoto. A Leitura Do Estudo Não Elimina A Importância Da Flexibilidade. O Dado Indica, Porém, Que Ela Aparece Como Parte De Um Conjunto Maior De Expectativas, E Não Como O Principal Critério De Decisão. Para Jovens Em Início De Carreira, A Convivência Presencial, A Troca Com Lideranças E O Aprendizado Prático Ainda Podem Ter Peso Relevante. Essa Constatação É Especialmente Importante Para Programas De Estágio E Aprendizagem. Nesses Formatos, O Desenvolvimento Profissional Depende Não Apenas Da Execução De Tarefas, Mas Também De Acompanhamento, Integração À Cultura Da Empresa, Feedbacks Frequentes E Exposição A Diferentes Áreas De Atuação. Ambiente Saudável Ganha Peso Na Retenção O Ambiente De Trabalho Aparece Entre Os Três Fatores Mais Citados Pelos Jovens. Para 31% Dos Entrevistados, Um Local Agradável É Decisivo Na Escolha De Uma Empresa. O Dado Reforça A Importância Do Clima Organizacional Na Atração De Profissionais Em Início De Carreira. Empresas Que Mantêm Ambientes Marcados Por Comunicação Ruim, Excesso De Pressão, Ausência De Feedback, Baixa Inclusão Ou Relações Hierárquicas Pouco Saudáveis Tendem A Enfrentar Maior Rotatividade Entre Jovens Trabalhadores. A Pesquisa Indica Que Esse Público Valoriza Não Apenas A Vaga Em Si, Mas A Experiência Cotidiana De Trabalho. O Tema Dialoga Com Mudanças Mais Amplas No Mercado. Nos Últimos Anos, Discussões Sobre Cultura Corporativa, Saúde Mental, Diversidade, Equilíbrio Entre Vida Profissional E Pessoal E Segurança Psicológica Passaram A Ocupar Espaço Maior Nas Estratégias De Recursos Humanos. Para A Geração Z, Essas Pautas Fazem Parte Da Avaliação Sobre O Futuro Profissional. A Permanência Em Uma Companhia Depende Da Percepção De Que O Ambiente Permite Crescimento Sem Comprometer Bem-Estar, Identidade E Qualidade Das Relações De Trabalho. Esse Comportamento Impõe Novos Desafios Às Lideranças. Gestores Que Lidam Com Jovens Profissionais Precisam Oferecer Orientação Clara, Metas Realistas, Escuta Ativa E Oportunidades De Aprendizado. O Modelo Baseado Apenas Em Cobrança E Execução Tende A Perder Eficácia Na Retenção Desse Público. Saúde Mental Passa A Ser Critério De Escolha A Saúde Mental Aparece Como Um Tema Central Na Pesquisa. Segundo O Levantamento, 98% Dos Jovens Concordam Que É Muito Importante Trabalhar Em Uma Empresa Que Valoriza Esse Aspecto. O Dado Mostra Que O Bem-Estar Psicológico Deixou De Ser Assunto Periférico No Mercado De Trabalho. A Preocupação Acompanha Um Movimento Institucional Mais Amplo. A Atualização Da Norma Regulamentadora Nº 1 Passou A Incluir Riscos Psicossociais Entre As Avaliações De Saúde Trabalhista, Ampliando A Responsabilidade Das Empresas Sobre Fatores Que Podem Afetar A Saúde Dos Trabalhadores. Entre Jovens Profissionais, A Atenção À Saúde Mental Pode Ter Relação Com A Fase De Transição Para A Vida Adulta, A Pressão Por Qualificação, A Instabilidade Econômica, A Busca Pelo Primeiro Emprego E A Necessidade De Conciliar Estudo E Trabalho. Esse Conjunto Torna O Início Da Carreira Um Período Particularmente Sensível. Para As Empresas, O Dado Representa Um Alerta. Políticas De Saúde Mental Não Podem Se Limitar A Campanhas Internas Ou Ações Pontuais. A Percepção Dos Jovens Tende A Ser Moldada Por Práticas Concretas, Como Carga De Trabalho, Qualidade Da Liderança, Canais De Apoio, Prevenção Ao Assédio, Respeito À Diversidade E Equilíbrio Entre Cobrança E Desenvolvimento. Dib Afirma Que As Companhias Que Quiserem Desenvolver E Reter Bons Talentos Desde Cedo Precisam Se Afastar De Estereótipos. Segundo Ele, É Necessário Olhar Para Cada Colaborador Como Único, Entender Motivações Individuais E Combinar Esse Cuidado Com Remuneração Justa. Renome Da Empresa Ainda Influencia Escolha A Pesquisa Também Aponta Que 24% Dos Jovens Citam O Renome E A Tradição Da Empresa Como Fator Relevante Na Escolha De Um Emprego. O Dado Aparece Em Quarto Lugar Na Lista De Prioridades, À Frente Da Flexibilidade De Trabalho. Esse Resultado Contraria A Percepção De Que Os Jovens Teriam Abandonado O Interesse Por Empresas Tradicionais. Apesar Do Avanço De Novas Formas De Renda, Profissões Digitais E Atividades Informais Ligadas À Internet, Companhias Reconhecidas Continuam Exercendo Atração Sobre Quem Está Começando A Carreira. Para Muitos Jovens, Trabalhar Em Uma Empresa De Nome Conhecido Pode Representar Acesso A Melhor Formação Profissional, Reputação No Currículo, Rede De Contatos E Maior Segurança. A Marca Empregadora Continua Sendo Um Ativo Importante Na Disputa Por Talentos. O Ciee Avalia Que As Novas Possibilidades De Renda Na Internet Não Significam Rejeição Ao Trabalho Formal. Elas Ampliam O Repertório De Alternativas, Mas Não Substituem Necessariamente O Desejo De Ingressar Em Empresas Estruturadas. A Informalidade, Segundo Essa Leitura, Não É Um Fenômeno Novo Na Economia. O Que Mudou Foi A Visibilidade De Algumas Atividades Digitais, Que Passaram A Ganhar Mais Repercussão Pública E A Alimentar A Percepção De Que Jovens Preferem Caminhos Totalmente Independentes. Empresas Precisam Rever Estereótipos Sobre A Geração Z Os Resultados Da Pesquisa Indicam Que A Geração Z Busca Desenvolvimento, Remuneração Justa, Ambiente Saudável, Empresas Reconhecidas E Algum Grau De Flexibilidade. A Combinação Desses Fatores Mostra Um Perfil Mais Pragmático Do Que A Caricatura Frequentemente Associada Aos Jovens No Mercado De Trabalho. Para Empregadores, O Estudo Sugere Que A Atração E A Retenção Desse Público Dependem Menos De Fórmulas Simplificadas E Mais De Uma Estratégia Consistente De Gestão De Pessoas. Crescimento Profissional, Saúde Mental E Clima Organizacional Aparecem Como Temas Centrais. A Disputa Por Jovens Talentos Tende A Crescer Em Um Mercado Marcado Por Transformação Tecnológica, Novas Competências E Mudanças Nas Relações De Trabalho. Empresas Que Conseguirem Oferecer Trilhas Claras De Desenvolvimento Podem Formar Profissionais Alinhados À Sua Cultura E Reduzir Custos De Rotatividade. Ao Mesmo Tempo, Companhias Que Tratam Os Jovens Como Um Grupo Homogêneo Ou Que Ignoram Suas Expectativas Correm O Risco De Perder Engajamento. A Pesquisa Mostra Que Esse Público Valoriza Pertencimento, Perspectiva E Respeito, Mas Também Considera Remuneração E Reputação Da Empresa. O Desafio Está Em Equilibrar Demandas Econômicas E Humanas. Para A Geração Que Entra Agora No Mercado, A Empresa Ideal Não É Definida Apenas Pelo Salário, Pelo Home Office Ou Pelo Nome Da Marca, Mas Pela Capacidade De Oferecer Um Ambiente Em Que Seja Possível Crescer, Aprender E Permanecer Com Saúde. Pesquisa Amplia Debate Sobre O Futuro Do Trabalho O Levantamento Do Ciee E Do Instituto Locomotiva Adiciona Novos Elementos Ao Debate Sobre A Geração Z No Mercado De Trabalho. Em Vez De Confirmar Estereótipos Sobre Baixa Adesão A Empregos Tradicionais Ou Preferência Absoluta Por Flexibilidade, Os Dados Mostram Jovens Interessados Em Carreira, Desenvolvimento E Ambientes Profissionais Mais Saudáveis. A Prioridade Dada À Oportunidade De Crescimento Indica Que A Entrada No Mercado Formal Ainda Tem Valor Estratégico Para Essa Geração. A Remuneração Continua Relevante, Mas Aparece Acompanhada De Expectativas Relacionadas A Formação, Reconhecimento, Saúde Mental E Clima Organizacional. Para Empresas, O Recado É Direto: Programas Voltados A Jovens Precisam Ir Além Da Contratação. A Permanência Desse Público Depende De Acompanhamento, Aprendizado, Liderança Preparada E Perspectiva Concreta De Evolução. Em Um Mercado De Trabalho Em Transformação, A Geração Z Não Parece Rejeitar Empresas Tradicionais. O Que A Pesquisa Mostra É Uma Exigência Maior Por Coerência Entre Discurso E Prática, Especialmente Quando O Assunto Envolve Desenvolvimento Profissional E Bem-Estar. - Gazeta Mercantil

A oportunidade de crescimento profissional é o principal fator levado em conta por jovens de 14 a 24 anos na hora de aceitar ou recusar um emprego, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva a pedido do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), divulgada na úlltima semana. O estudo mostra que, embora remuneração e benefícios sejam considerados importantes por 79% dos entrevistados, o fator mais decisivo para a escolha de uma empresa é a possibilidade de desenvolvimento na carreira, contrariando a percepção de que a geração Z prioriza sobretudo home office ou modelos de trabalho mais flexíveis.

O levantamento ouviu jovens em todo o Brasil, em uma faixa etária que reúne principalmente integrantes da geração Z, formada por nascidos entre 1997 e 2009, e parte da geração Alpha, composta por nascidos a partir de 2010. O público pesquisado está em fase de entrada no mercado de trabalho, muitas vezes conciliando emprego, estágio ou aprendizagem com ensino médio, curso técnico ou faculdade.

Os dados indicam que 98% dos jovens sonham em trabalhar em empresas que valorizam o desenvolvimento profissional. A pesquisa também mostra que 54% apontam a oportunidade de crescimento como o principal critério para escolher uma vaga. A boa remuneração aparece em segundo lugar, com 43% das respostas, enquanto um ambiente de trabalho agradável ocupa a terceira posição, mencionado por 31% dos participantes.

A flexibilidade de trabalho, frequentemente associada às novas gerações no debate corporativo, aparece apenas em quinto lugar, citada por 20% dos jovens como fator decisivo. Para o CIEE, o resultado relativiza a ideia de que os profissionais mais jovens rejeitam modelos presenciais ou condicionam sua escolha profissional prioritariamente ao trabalho remoto.

Crescimento profissional supera remuneração na decisão

A pesquisa reforça que a entrada no mercado de trabalho continua sendo vista pelos jovens como um caminho de construção de carreira. Embora salário e benefícios tenham peso relevante, a possibilidade de aprender, evoluir e ocupar novas posições aparece como elemento mais determinante na escolha de uma empresa.

Esse dado tem impacto direto sobre empregadores que disputam talentos em início de carreira. Empresas que oferecem programas estruturados de estágio, aprendizagem, trilhas de capacitação, mentoria e perspectiva real de progressão tendem a se tornar mais competitivas na atração e retenção desse público.

A remuneração permanece relevante. O fato de 79% dos entrevistados considerarem salário e benefícios importantes mostra que a geração Z não ignora aspectos financeiros. O que o levantamento indica é que a compensação econômica, sozinha, não basta para definir a empresa ideal.

Para jovens em fase inicial de trajetória profissional, o primeiro emprego, o estágio ou o programa de aprendizagem costumam ter peso estratégico na formação de competências. A escolha da empresa pode influenciar o acesso a novas oportunidades, o aprendizado técnico, a construção de rede de contatos e a definição de caminhos profissionais.

O resultado também sugere que companhias com baixa capacidade de desenvolvimento interno podem enfrentar dificuldades para manter jovens talentos, mesmo oferecendo remuneração compatível com o mercado.

Home office não lidera prioridades dos jovens

Um dos pontos centrais do levantamento é a posição da flexibilidade na lista de prioridades. Apesar de o trabalho remoto ter ganhado força desde a pandemia e continuar sendo debatido por empresas e trabalhadores, apenas 20% dos jovens pesquisados apontaram a flexibilidade como fator decisivo na escolha de uma vaga.

O dado contrasta com a visão recorrente de que a geração Z teria como principal demanda o home office ou a recusa a modelos tradicionais de trabalho. Para o CIEE, a pesquisa mostra um quadro mais amplo e menos simplificado.

Rodrigo Dib, superintendente de Institucional do CIEE, afirma que o jovem de hoje busca um ambiente de trabalho saudável, com bom clima, respeito à individualidade e preocupação real com seu desenvolvimento. Segundo ele, esses fatores se sobrepõem à discussão isolada sobre trabalho presencial ou remoto.

A leitura do estudo não elimina a importância da flexibilidade. O dado indica, porém, que ela aparece como parte de um conjunto maior de expectativas, e não como o principal critério de decisão. Para jovens em início de carreira, a convivência presencial, a troca com lideranças e o aprendizado prático ainda podem ter peso relevante.

Essa constatação é especialmente importante para programas de estágio e aprendizagem. Nesses formatos, o desenvolvimento profissional depende não apenas da execução de tarefas, mas também de acompanhamento, integração à cultura da empresa, feedbacks frequentes e exposição a diferentes áreas de atuação.

Ambiente saudável ganha peso na retenção

O ambiente de trabalho aparece entre os três fatores mais citados pelos jovens. Para 31% dos entrevistados, um local agradável é decisivo na escolha de uma empresa. O dado reforça a importância do clima organizacional na atração de profissionais em início de carreira.

Empresas que mantêm ambientes marcados por comunicação ruim, excesso de pressão, ausência de feedback, baixa inclusão ou relações hierárquicas pouco saudáveis tendem a enfrentar maior rotatividade entre jovens trabalhadores. A pesquisa indica que esse público valoriza não apenas a vaga em si, mas a experiência cotidiana de trabalho.

O tema dialoga com mudanças mais amplas no mercado. Nos últimos anos, discussões sobre cultura corporativa, saúde mental, diversidade, equilíbrio entre vida profissional e pessoal e segurança psicológica passaram a ocupar espaço maior nas estratégias de recursos humanos.

Para a geração Z, essas pautas fazem parte da avaliação sobre o futuro profissional. A permanência em uma companhia depende da percepção de que o ambiente permite crescimento sem comprometer bem-estar, identidade e qualidade das relações de trabalho.

Esse comportamento impõe novos desafios às lideranças. Gestores que lidam com jovens profissionais precisam oferecer orientação clara, metas realistas, escuta ativa e oportunidades de aprendizado. O modelo baseado apenas em cobrança e execução tende a perder eficácia na retenção desse público.

Saúde mental passa a ser critério de escolha

A saúde mental aparece como um tema central na pesquisa. Segundo o levantamento, 98% dos jovens concordam que é muito importante trabalhar em uma empresa que valoriza esse aspecto. O dado mostra que o bem-estar psicológico deixou de ser assunto periférico no mercado de trabalho.

A preocupação acompanha um movimento institucional mais amplo. A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 passou a incluir riscos psicossociais entre as avaliações de saúde trabalhista, ampliando a responsabilidade das empresas sobre fatores que podem afetar a saúde dos trabalhadores.

Entre jovens profissionais, a atenção à saúde mental pode ter relação com a fase de transição para a vida adulta, a pressão por qualificação, a instabilidade econômica, a busca pelo primeiro emprego e a necessidade de conciliar estudo e trabalho. Esse conjunto torna o início da carreira um período particularmente sensível.

Para as empresas, o dado representa um alerta. Políticas de saúde mental não podem se limitar a campanhas internas ou ações pontuais. A percepção dos jovens tende a ser moldada por práticas concretas, como carga de trabalho, qualidade da liderança, canais de apoio, prevenção ao assédio, respeito à diversidade e equilíbrio entre cobrança e desenvolvimento.

Dib afirma que as companhias que quiserem desenvolver e reter bons talentos desde cedo precisam se afastar de estereótipos. Segundo ele, é necessário olhar para cada colaborador como único, entender motivações individuais e combinar esse cuidado com remuneração justa.

Renome da empresa ainda influencia escolha

A pesquisa também aponta que 24% dos jovens citam o renome e a tradição da empresa como fator relevante na escolha de um emprego. O dado aparece em quarto lugar na lista de prioridades, à frente da flexibilidade de trabalho.

Esse resultado contraria a percepção de que os jovens teriam abandonado o interesse por empresas tradicionais. Apesar do avanço de novas formas de renda, profissões digitais e atividades informais ligadas à internet, companhias reconhecidas continuam exercendo atração sobre quem está começando a carreira.

Para muitos jovens, trabalhar em uma empresa de nome conhecido pode representar acesso a melhor formação profissional, reputação no currículo, rede de contatos e maior segurança. A marca empregadora continua sendo um ativo importante na disputa por talentos.

O CIEE avalia que as novas possibilidades de renda na internet não significam rejeição ao trabalho formal. Elas ampliam o repertório de alternativas, mas não substituem necessariamente o desejo de ingressar em empresas estruturadas.

A informalidade, segundo essa leitura, não é um fenômeno novo na economia. O que mudou foi a visibilidade de algumas atividades digitais, que passaram a ganhar mais repercussão pública e a alimentar a percepção de que jovens preferem caminhos totalmente independentes.

Empresas precisam rever estereótipos sobre a geração Z

Os resultados da pesquisa indicam que a geração Z busca desenvolvimento, remuneração justa, ambiente saudável, empresas reconhecidas e algum grau de flexibilidade. A combinação desses fatores mostra um perfil mais pragmático do que a caricatura frequentemente associada aos jovens no mercado de trabalho.

Para empregadores, o estudo sugere que a atração e a retenção desse público dependem menos de fórmulas simplificadas e mais de uma estratégia consistente de gestão de pessoas. Crescimento profissional, saúde mental e clima organizacional aparecem como temas centrais.

A disputa por jovens talentos tende a crescer em um mercado marcado por transformação tecnológica, novas competências e mudanças nas relações de trabalho. Empresas que conseguirem oferecer trilhas claras de desenvolvimento podem formar profissionais alinhados à sua cultura e reduzir custos de rotatividade.

Ao mesmo tempo, companhias que tratam os jovens como um grupo homogêneo ou que ignoram suas expectativas correm o risco de perder engajamento. A pesquisa mostra que esse público valoriza pertencimento, perspectiva e respeito, mas também considera remuneração e reputação da empresa.

O desafio está em equilibrar demandas econômicas e humanas. Para a geração que entra agora no mercado, a empresa ideal não é definida apenas pelo salário, pelo home office ou pelo nome da marca, mas pela capacidade de oferecer um ambiente em que seja possível crescer, aprender e permanecer com saúde.

Pesquisa amplia debate sobre o futuro do trabalho

O levantamento do CIEE e do Instituto Locomotiva adiciona novos elementos ao debate sobre a geração Z no mercado de trabalho. Em vez de confirmar estereótipos sobre baixa adesão a empregos tradicionais ou preferência absoluta por flexibilidade, os dados mostram jovens interessados em carreira, desenvolvimento e ambientes profissionais mais saudáveis.

A prioridade dada à oportunidade de crescimento indica que a entrada no mercado formal ainda tem valor estratégico para essa geração. A remuneração continua relevante, mas aparece acompanhada de expectativas relacionadas a formação, reconhecimento, saúde mental e clima organizacional.

Para empresas, o recado é direto: programas voltados a jovens precisam ir além da contratação. A permanência desse público depende de acompanhamento, aprendizado, liderança preparada e perspectiva concreta de evolução.

Em um mercado de trabalho em transformação, a geração Z não parece rejeitar empresas tradicionais. O que a pesquisa mostra é uma exigência maior por coerência entre discurso e prática, especialmente quando o assunto envolve desenvolvimento profissional e bem-estar.

Tags: CarreiraCIEEdesenvolvimento profissional.empregoestágioGeração ZHome OfficeInstituto Locomotivajovem aprendizjovensmercado de trabalhoremuneraçãoSaúde Mentaltrabalho

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