quarta-feira, 29 de julho de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
Sem resultados
Todos os resultados
GAZETA MERCANTIL
Sem resultados
Todos os resultados
GAZETA MERCANTIL
Home Tecnologia

Google muda busca com IA e pressiona modelo de tráfego da mídia digital

Nova caixa de busca inteligente amplia respostas geradas por inteligência artificial e desafia sites, blogs, criadores de conteúdo e o mercado de anúncios baseado em cliques

por Daniel Soto
21/05/2026 às 12h10 - Atualizado em 16/07/2026 às 18h55
em Tecnologia,Notícias
Google - Gazeta Mercantil

O Google anunciou uma das maiores mudanças em seu buscador desde o início dos anos 2000 ao apresentar, durante o Google I/O, uma caixa de busca reformulada com inteligência artificial, capaz de ajudar o usuário a formular perguntas e receber respostas mais completas diretamente na página de resultados. A atualização altera a lógica tradicional da pesquisa online, baseada em palavras-chave e links para sites, e aumenta a pressão sobre veículos de mídia, blogs, produtores de conteúdo e anunciantes que dependem do tráfego orgânico gerado pelo buscador.

A mudança reforça a transição do Google para um modelo em que respostas geradas por IA passam a ocupar espaço central na experiência de busca. Na prática, em vez de apenas exibir uma lista de páginas, a ferramenta tende a responder dúvidas de forma mais direta, combinando informações, sugestões e recursos multimodais, como texto, imagem e vídeo.

Segundo Elizabeth Reid, vice-presidente de buscas do Google, a companhia está promovendo a maior atualização da caixa de busca em mais de 25 anos. A executiva afirmou que o objetivo é facilitar a formulação de perguntas, já que a curiosidade dos usuários nem sempre se encaixa em palavras-chave simples.

Busca inteligente vai além do autocompletar

O novo recurso não se limita ao autocompletar, função que há anos sugere termos enquanto o usuário digita. A caixa de busca inteligente usa IA para auxiliar na construção da pergunta, ampliar possibilidades de consulta e entregar resultados mais próximos da intenção do usuário.

O Google já vinha incorporando recursos de inteligência artificial à busca, mas a nova etapa aprofunda esse movimento. A empresa tenta reposicionar seu principal produto em um cenário em que ferramentas como ChatGPT e outros assistentes generativos passaram a disputar diretamente o comportamento de pesquisa dos usuários.

A mudança é estratégica. Por mais de duas décadas, o buscador funcionou como porta de entrada para a web, conectando usuários a sites, veículos de mídia, blogs, plataformas de vídeo e lojas online. Agora, parte dessas respostas pode ser resolvida dentro do próprio ambiente do Google, reduzindo a necessidade de clique em páginas externas.

Esse ponto é o que mais preocupa o mercado editorial. Se a resposta aparece pronta na página de busca, o usuário pode deixar de acessar o site que originalmente produziu ou organizou a informação. Para empresas que dependem de audiência, publicidade programática, assinaturas ou afiliados, a queda de tráfego pode afetar diretamente a receita.

Veículos de mídia buscam acordos com big techs

A mudança no buscador intensifica uma disputa já em curso entre empresas de tecnologia e produtores de conteúdo. Grandes grupos de mídia passaram a buscar acordos de licenciamento com big techs e empresas de IA, tentando estabelecer remuneração pelo uso de seus materiais no treinamento ou alimentação de modelos generativos.

Kenneth Corrêa, professor de MBAs da Fundação Getulio Vargas (FGV), avalia que a transformação coloca em xeque tanto grandes veículos quanto produtores menores. Segundo ele, grupos globais de mídia já perceberam o risco e passaram a negociar termos mais favoráveis para o uso de seus conteúdos por plataformas de inteligência artificial.

Corrêa cita o caso do New York Times, que manteve postura dura em disputas relacionadas ao uso de conteúdo por empresas de IA, mas também fechou acordo estratégico com a Amazon em 2025 para uso de seu conteúdo em modelos de IA e na Alexa. Para o professor, o movimento mostra que, com controle contratual e remuneração adequada, o licenciamento pode se tornar uma alternativa relevante para grandes redações.

Outros veículos internacionais também avançaram em acordos com empresas de tecnologia e IA generativa, como Financial Times, Associated Press, The Atlantic e Le Monde. No Brasil, o Estadão firmou parceria semelhante com o Google Gemini no ano passado.

Blogs e criadores menores devem sentir impacto maior

Embora grandes grupos de mídia tenham mais capacidade de negociação, o impacto pode ser mais severo para blogs, sites de nicho, influenciadores e criadores independentes. Muitos desses produtores dependem de tráfego orgânico para monetizar conteúdo por publicidade, afiliados, cursos, recomendações ou venda de produtos digitais.

A lógica anterior favorecia quem conseguia responder bem a dúvidas pesquisadas no buscador. Tutoriais simples, listas de recomendações, guias práticos e respostas objetivas eram formatos com alto potencial de atração de cliques. Com a IA respondendo diretamente na tela, parte dessa audiência pode desaparecer antes de chegar ao site de origem.

Corrêa afirma que blogs de nicho e youtubers que sobrevivem de responder dúvidas genéricas devem perder tração rapidamente. Segundo ele, se o modo de IA resolve a dúvida do usuário dentro da própria interface, o clique que geraria visualização, publicidade ou comissão de afiliados deixa de ocorrer.

Essa mudança altera a estratégia de produtores digitais. Em vez de apenas disputar posições por termos de busca, criadores terão de fortalecer marca, comunidade, recorrência, autoridade própria, newsletters, redes sociais, produtos exclusivos e formatos menos dependentes de pesquisas genéricas.

IA vira nova interface do usuário

Para Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação, a mudança do Google é uma correção de rota diante de um novo comportamento digital. A companhia tenta evitar ficar presa a um modelo de negócios construído no fim dos anos 1990, quando a busca por links patrocinados se tornou a principal engrenagem econômica da web.

Igreja destaca a frase “AI is the new UI”, expressão usada no mercado de tecnologia para indicar que a inteligência artificial está se tornando a nova interface do usuário. Em vez de navegar por menus, páginas e listas de links, o usuário passa a interagir com sistemas que interpretam intenções e executam tarefas.

Na prática, isso significa que a busca deixa de ser apenas uma página de resultados e passa a se aproximar de um assistente. O usuário formula uma demanda, recebe uma resposta estruturada e pode seguir para outras ações sem necessariamente abrir vários sites.

O movimento também reflete a pressão competitiva sobre o Google. Com usuários recorrendo a assistentes generativos para pesquisas, planejamento, comparação de produtos, resumos e tarefas do dia a dia, a empresa precisa preservar sua relevância como principal ponto de partida da internet.

Modelo de anúncios baseado em cliques entra em transição

A mudança na busca também atinge o mercado publicitário. O modelo tradicional do Google foi sustentado por anos pelo custo por clique, o CPC, e por leilões de palavras-chave. Anunciantes pagavam para aparecer em posições privilegiadas quando usuários pesquisavam determinados termos.

Com a IA ocupando espaço maior na experiência de busca, esse modelo passa por uma transição. Se o usuário recebe respostas completas dentro da própria interface, pode clicar menos em anúncios ou resultados patrocinados tradicionais. Isso obriga o Google a adaptar a monetização ao novo formato de interação.

Segundo Kenneth Corrêa, a empresa tenta levar os anúncios para dentro do fluxo de intenção dos agentes de IA. A publicidade deixaria de ser apenas um link patrocinado baseado em palavras digitadas e passaria a aparecer como recomendação integrada ao momento em que o assistente ajuda o usuário a executar uma ação.

Esse modelo pode incluir sugestões de produtos, serviços, reservas, compras, ferramentas e soluções dentro da própria jornada conversacional. O desafio será equilibrar monetização e confiança, já que usuários podem reagir negativamente se perceberem que respostas de IA estão excessivamente influenciadas por interesses comerciais.

Confiança e transparência serão pontos críticos

A expansão da IA na busca cria um dilema para o Google. A empresa precisa monetizar sua principal plataforma, mas também precisa preservar a percepção de neutralidade e utilidade do buscador. Quanto mais as respostas forem geradas e mediadas por IA, maior será a necessidade de transparência sobre fontes, recomendações e publicidade.

Para veículos de mídia, a preocupação é dupla. De um lado, há o risco de perda de tráfego. De outro, existe o debate sobre uso de conteúdo jornalístico por sistemas de IA sem remuneração proporcional ou sem exposição adequada das marcas produtoras da informação.

Esse impasse tende a alimentar novas negociações, disputas regulatórias e ações judiciais. Países, empresas e entidades do setor editorial já discutem mecanismos de remuneração, direitos autorais, transparência algorítmica e proteção da produção jornalística em ambientes de IA.

No mercado de publicidade, anunciantes também terão de se adaptar. A compra de palavras-chave pode perder parte da centralidade, enquanto ganham importância formatos integrados a jornadas de decisão mediadas por assistentes inteligentes.

Mudança no Google acelera nova disputa pela atenção online

A reformulação da busca do Google marca uma virada na disputa pela atenção na internet. A web baseada em links, tráfego orgânico e páginas de resultados passa a conviver com uma camada de respostas geradas por IA, capaz de reduzir etapas para o usuário, mas também de deslocar receita de quem produz conteúdo.

Para grandes grupos de mídia, a saída mais provável será ampliar acordos de licenciamento, fortalecer assinaturas, investir em marcas reconhecidas e negociar remuneração pelo uso de conteúdo. Para produtores menores, a adaptação será mais difícil e exigirá menor dependência de buscas genéricas.

A mudança também mostra que o Google não pretende apenas defender seu modelo histórico. A companhia está redesenhando seu principal produto para competir em um ambiente no qual assistentes de IA se tornam a nova porta de entrada para informação, consumo e serviços digitais.

Tags: big techsbusca do GoogleCPCGoogleGoogle I/OIªInteligência Artificialmercado editorialmídia digitalnegócios digitais.publicidade digitaltecnologia

LEIA MAIS

Eleições 2026 - Gazeta Mercantil
Política

TSE fecha acordo com 7 plataformas e cria rede de resposta rápida contra desinformação em 2026

O Tribunal Superior Eleitoral montou uma rede de cooperação com sete das maiores plataformas digitais em operação no Brasil para enfrentar conteúdos falsos, manipulados ou descontextualizados durante as...

Leia MaisDetails
Inteligencia Artificial
Tecnologia

Agente da OpenAI rompe sandbox, invade Hugging Face e usa cliente da Modal no ataque

Um agente de inteligência artificial operado pela OpenAI rompeu as limitações de um ambiente de testes, alcançou a internet e comprometeu parte da infraestrutura da Hugging Face durante...

Leia MaisDetails
Caiado Chama Convenção De Flávio Bolsonaro De “Rasteira” E Acirra Disputa Pela Direita - Gazeta Mercantil
Política

Caiado chama convenção de Flávio Bolsonaro de “rasteira” e acirra disputa pela direita

Ronaldo Caiado, candidato escolhido pelo PSD para disputar a Presidência da República, elevou nesta quarta-feira, 29 de julho, o confronto com Flávio Bolsonaro, do PL, ao classificar como...

Leia MaisDetails
Usp Cria Mapa Químico Para Rastrear Origem De Madeira Ilegal Da Amazônia - Gazeta Mercantil
Agronegócio

USP cria mapa químico para rastrear origem de madeira ilegal da Amazônia

Pesquisadores da Universidade de São Paulo desenvolveram um método capaz de restringir geograficamente a origem de madeira extraída da Amazônia a partir da composição química registrada na celulose...

Leia MaisDetails
Google É Multado Em € 890 Milhões E Terá 60 Dias Para Mudar Busca E Play Store Na Ue - Gazeta Mercantil
Empresas

Google é multado em € 890 milhões e terá 60 dias para mudar Busca e Play Store na UE

A Comissão Europeia aplicou duas multas que somam € 890 milhões ao Google por violações da Lei de Mercados Digitais, o DMA, e determinou que a empresa modifique...

Leia MaisDetails

Veja Também

Pix Virou Símbolo De Ameaça Ao Domínio Financeiro Dos Eua, Diz The Economist - Gazeta Mercantil
Economia

Pix deixa dinheiro vivo para trás e alcança 42% do e-commerce no Brasil

Leia MaisDetails
Governo Amplia Desenrola 2.0 Até 31 De Agosto E Mira 10 Milhões De Beneficiados - Gazeta Mercantil
Economia

Governo amplia Desenrola 2.0 até 31 de agosto e mira 10 milhões de beneficiados

Leia MaisDetails
Aegea Aprova Aporte De Até R$ 2,1 Bilhões; Itaúsa (Itsa4) Pode Elevar Participação - Gazeta Mercantil
Empresas

Aegea aprova aporte de até R$ 2,1 bilhões; Itaúsa (ITSA4) pode elevar participação

Leia MaisDetails
Eleições 2026 - Gazeta Mercantil
Política

TSE fecha acordo com 7 plataformas e cria rede de resposta rápida contra desinformação em 2026

Leia MaisDetails
Petrobras (Petr3; Petr4) - Gazeta Mercantil
Ibovespa

Petrobras (PETR4) bate recorde no 2T26 e eleva expectativa de novos dividendos

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Pix deixa dinheiro vivo para trás e alcança 42% do e-commerce no Brasil

Governo amplia Desenrola 2.0 até 31 de agosto e mira 10 milhões de beneficiados

Aegea aprova aporte de até R$ 2,1 bilhões; Itaúsa (ITSA4) pode elevar participação

TSE fecha acordo com 7 plataformas e cria rede de resposta rápida contra desinformação em 2026

Petrobras (PETR4) bate recorde no 2T26 e eleva expectativa de novos dividendos

Tesouro Direto volta a pagar mais de 8% acima da inflação; veja as taxas desta quarta

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

Sem resultados
Todos os resultados
  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP