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IBC-Br sobe 0,1% em maio e avanço da economia perde força no 2º trimestre

por Camila Braga
17/07/2026 às 09h43
em Economia
Banco Central - Gazeta Mercantil

Indicador do Banco Central acumula alta de 1,4% em 12 meses; indústria e serviços avançam, mas retração da agropecuária limita o resultado.

A atividade econômica brasileira avançou 0,1% em maio ante abril, na série com ajuste sazonal, informou o Banco Central nesta sexta-feira, 17 de julho de 2026, em Brasília. O resultado do IBC-Br mostrou crescimento da indústria, dos serviços e dos impostos sobre produtos, mas foi limitado pela retração da agropecuária, reforçando a leitura de que a economia continua em expansão, embora em ritmo mais moderado no segundo trimestre.

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Na comparação com maio de 2025, o IBC-Br cresceu 0,8%. Nos cinco primeiros meses de 2026, a alta acumulada chegou a 1,2%, enquanto o avanço em 12 meses ficou em 1,4%. As diferentes bases indicam que a atividade ainda opera acima do nível do ano anterior, mas sem repetir a aceleração observada no começo do ano.

O desempenho do IBC-Br em maio também representou desaceleração diante de abril, quando o índice havia subido 0,5% na margem. A perda de velocidade não significa, isoladamente, interrupção do crescimento, mas reduz a intensidade do impulso registrado na entrada do segundo trimestre.

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Agropecuária recua e limita avanço do IBC-Br

A abertura setorial do Banco Central mostrou queda de 1,0% no componente da agropecuária entre abril e maio, já descontados os efeitos sazonais. O recuo conteve parte dos ganhos observados nas demais áreas da economia.

A indústria avançou 0,4% no mês. O componente de serviços teve alta de 0,1%, enquanto os impostos sobre produtos também cresceram 0,1%. Excluída a agropecuária, o IBC-Br aumentou 0,2%, sinal de que a atividade urbana manteve expansão moderada.

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A composição é relevante porque a agropecuária costuma apresentar oscilações expressivas ao longo do ano, influenciada pelo calendário das safras, pelas condições climáticas e pela concentração da colheita de grandes culturas. Por essa razão, o Banco Central também acompanha o IBC-Br sem o setor agropecuário para avaliar a dinâmica da indústria e dos serviços.

O crescimento do IBC-Br ex-agropecuária evita uma leitura excessivamente negativa do resultado agregado. Ao mesmo tempo, a alta de apenas 0,2% mostra que a economia urbana não acelerou de forma disseminada. O quadro é de expansão contida, com diferenças entre setores e maior sensibilidade ao custo do crédito.

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Segundo trimestre mantém carregamento positivo

Apesar da desaceleração de maio, o nível médio do IBC-Br em abril e maio ficou aproximadamente 0,5% acima da média do primeiro trimestre, de acordo com cálculo feito a partir da série oficial. Caso o IBC-Br permaneça em junho no patamar de maio, o carregamento estatístico para o segundo trimestre também ficará próximo de 0,5%.

Esse efeito não equivale a uma previsão fechada para o Produto Interno Bruto. Ele mostra qual seria a variação média do IBC-Br no trimestre se não houvesse nova alteração no último mês do período. Revisões da série e diferenças metodológicas podem afastar o resultado do dado oficial do PIB.

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No primeiro trimestre, o IBC-Br cresceu 1,3% ante os três meses anteriores. O PIB calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística avançou 1,1% na mesma comparação, com altas de 2,0% na agropecuária, 1,0% na indústria e 0,5% nos serviços.

Frente ao primeiro trimestre de 2025, o PIB aumentou 1,8%. No acumulado de quatro trimestres, a expansão foi de 2,0%. O resultado confirmou uma entrada de ano mais forte, mas também revelou pontos de atenção, como a taxa de investimento de 16,5% do PIB, abaixo dos 17,6% observados um ano antes.

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Banco Central já projetava moderação da atividade

No Relatório de Política Monetária de junho, o Banco Central afirmou que os dados disponíveis para abril e maio apresentavam sinais mistos e apontavam, em conjunto, para crescimento menor no segundo trimestre do que no primeiro. O IBC-Br divulgado agora é compatível com essa avaliação ao mostrar avanço, mas com menor intensidade mensal.

A autoridade monetária elevou de 1,6% para 2,0% sua projeção de crescimento do PIB em 2026. A revisão refletiu a surpresa positiva do primeiro trimestre, a melhora das perspectivas para a agropecuária e a indústria extrativa e a expectativa de maior dinamismo da demanda interna.

Mesmo com a projeção mais alta para o ano, o Banco Central manteve a avaliação de que a política monetária restritiva e o baixo grau de ociosidade devem limitar o ritmo de expansão no segundo semestre. Juros elevados afetam consumo, financiamento, aquisição de bens duráveis e investimento empresarial.

O IBC-Br de maio reforça essa combinação. A economia não apresenta contração generalizada, mas começa a refletir com maior clareza os efeitos acumulados de um período prolongado de Selic elevada. Setores dependentes de crédito tendem a sentir esse processo antes de segmentos ligados às exportações ou às commodities.

IBC-Br entra no cálculo do próximo passo do Copom

O resultado será incorporado ao conjunto de informações analisado pelo Comitê de Política Monetária na reunião marcada para 4 e 5 de agosto. O Copom iniciou o ano com a Selic em 15% e manteve a taxa nesse patamar em janeiro. Em março, abril e junho, promoveu três cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual, levando o juro básico a 14,25% ao ano.

Uma atividade mais moderada pode reduzir pressões de demanda sobre os preços e ampliar o espaço para a continuidade do ciclo de cortes. Essa leitura, contudo, depende do comportamento da inflação, das expectativas, do câmbio, das contas públicas e das commodities, especialmente o petróleo.

O IPCA subiu 0,16% em junho e acumulou 4,64% em 12 meses. Embora a taxa mensal tenha desacelerado, a inflação acumulada continuou acima do teto de 4,5% do intervalo de tolerância em torno da meta de 3%.

No cenário de referência apresentado em junho, o Banco Central projetou inflação de 5,2% no encerramento de 2026 e de 3,7% no quarto trimestre de 2027, atual horizonte relevante da política monetária. A instituição atribuiu a revisão a surpresas no IPCA, maior estimativa para o hiato do produto, alta do petróleo e de outras commodities e persistência das expectativas acima da meta.

Atividade mais fraca não garante corte de juros

Para o Copom, o IBC-Br é uma peça importante, mas não determina sozinho a decisão sobre a Selic. Um crescimento menor pode favorecer a desinflação ao reduzir a capacidade de repasse de custos e moderar o consumo. Ainda assim, choques de oferta, desvalorização cambial e pressões fiscais podem manter os preços elevados mesmo com perda de ritmo da economia.

O mercado de trabalho permanece como ponto de atenção. Emprego e renda sustentam o consumo das famílias e reduzem a velocidade de transmissão dos juros para a atividade. Esse suporte ajuda a evitar uma desaceleração abrupta, mas pode prolongar a resistência da inflação de serviços.

A leitura conjunta sugere que o Banco Central terá de equilibrar dois movimentos. De um lado, o IBC-Br indica expansão mais lenta e efeitos crescentes da política monetária. De outro, a inflação segue acima do intervalo de tolerância, e as projeções oficiais ainda mostram convergência gradual para a meta.

Para investidores, essa combinação tende a manter elevada a sensibilidade dos juros futuros a cada nova leitura do IBC-Br. Dados mais fracos de atividade costumam reforçar apostas em redução da Selic, enquanto números mais fortes podem elevar a percepção de que a demanda continua pressionada.

Na Bolsa, setores como varejo, construção, educação e tecnologia tendem a reagir positivamente à perspectiva de juros menores. O efeito, porém, depende de a desaceleração ocorrer sem deterioração acentuada do emprego, da renda e da qualidade do crédito.

IBC-Br não substitui o PIB oficial do IBGE

Embora seja frequentemente chamado de prévia do PIB, o IBC-Br não é uma antecipação exata das Contas Nacionais. O indicador do Banco Central reúne informações mensais da agropecuária, indústria, serviços e impostos para oferecer uma leitura mais rápida da atividade.

O PIB é calculado pelo IBGE com metodologia mais ampla, detalhamento das óticas da produção, da demanda e da renda e incorporação de informações que não entram no IBC-Br da mesma maneira. As duas séries podem divergir tanto na magnitude quanto no sentido em determinados períodos.

O próprio Banco Central destaca que diferenças de cobertura, ponderação e ajuste sazonal exigem cautela. Por isso, o IBC-Br funciona melhor como termômetro de tendência do que como estimativa pontual do PIB.

A divulgação de maio preenche parte relevante do segundo trimestre, período em que o efeito dos juros elevados deve aparecer com maior intensidade. O IBC-Br de junho será divulgado em 17 de agosto e completará a leitura mensal antes da confirmação pelo PIB oficial.

Economia chega ao fim de maio com expansão moderada

O quadro formado pelo IBC-Br é de crescimento ainda positivo, sustentado pela atividade urbana, mas com menor impulso depois do avanço registrado no início de 2026. A retração da agropecuária reduziu o resultado do mês, enquanto indústria e serviços impediram uma leitura de estagnação mais ampla.

A trajetória dos próximos meses dependerá da intensidade do consumo, da capacidade de investimento das empresas, da evolução do crédito e do impacto das tensões externas sobre petróleo, câmbio e inflação. Também pesará a resposta da política monetária a um cenário em que atividade e preços começam a emitir sinais diferentes.

Com a Selic em 14,25%, inflação de 4,64% em 12 meses e o IBC-Br avançando apenas 0,1% em maio, o Banco Central entra na reunião de agosto diante de uma economia que perdeu velocidade, mas ainda não produziu evidências suficientes para eliminar os riscos inflacionários. O dado mantém aberto o debate sobre o ritmo dos próximos cortes e coloca a atividade no centro da decisão do Copom.

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