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Ibovespa fecha em alta com payroll fraco e interrompe sequência de quedas

Principal índice da B3 avançou 0,64%, aos 172.787,62 pontos, depois de superar os 174 mil pontos durante a manhã; bancos, Petrobras e Vale sustentaram o resultado

por Camila Braga - Repórter de Economia
02/07/2026 às 19h58 - Atualizado em 17/07/2026 às 12h13
em Ibovespa,Destaque,Mercados,Notícias
Ibovespa - Gazeta Mercantil

O Ibovespa fechou em alta de 0,64% nesta quinta-feira, 02 de julho de 2026, aos 172.787,62 pontos. A Bolsa brasileira reagiu à criação de empregos abaixo do esperado nos Estados Unidos, que diminuiu a percepção de que o Federal Reserve precisará elevar novamente os juros em sua próxima reunião.

O alívio foi mais forte pela manhã. Pouco depois da divulgação do relatório oficial de emprego norte-americano, o índice chegou aos 174.425,69 pontos, avanço de 1,59% no melhor momento do pregão. A alta perdeu intensidade durante a tarde, quando o setor de tecnologia ampliou as perdas em Nova York.

Ainda assim, o principal indicador da B3 interrompeu uma sequência de três quedas. Na mínima, registrada no início da sessão, marcou 171.697,17 pontos.

O giro financeiro ficou em R$ 19,9 bilhões. O dólar comercial recuou 0,03%, cotado a R$ 5,208.

Ibovespa hoje em números

Fechamento: 172.787,62 pontos
Variação: alta de 0,64%
Máxima: 174.425,69 pontos
Mínima: 171.697,17 pontos
Fechamento anterior: 171.688,61 pontos
Volume financeiro: R$ 19,9 bilhões
Dólar comercial: R$ 5,208, com queda de 0,03%
Taxa Selic: 14,25% ao ano

Payroll surpreende e muda o humor dos mercados

A economia dos Estados Unidos abriu 57 mil vagas de trabalho fora do setor agrícola em junho. O número ficou bem abaixo da previsão mediana de 110 mil postos e indicou uma perda de velocidade das contratações.

Os resultados de abril e maio também foram revistos para baixo. A geração de empregos em abril passou de 179 mil para 148 mil, enquanto o dado de maio caiu de 172 mil para 129 mil vagas. Somadas, as revisões retiraram 74 mil postos dos números divulgados anteriormente.

A taxa de desemprego ficou em 4,2%. A participação da população na força de trabalho, por sua vez, recuou 0,3 ponto percentual, para 61,5%.

Os salários médios por hora aumentaram 0,3% no mês e 3,5% em 12 meses. A remuneração continuou crescendo, mas o número reduzido de contratações pesou mais na reação inicial dos investidores.

Antes do relatório, parte do mercado ainda considerava a possibilidade de uma elevação dos juros norte-americanos em julho. Depois da divulgação, aumentaram as apostas de manutenção da taxa no intervalo atual.

A leitura favoreceu ações e moedas de países emergentes. Com uma remuneração menor ou estável nos títulos dos Estados Unidos, ativos considerados mais arriscados podem voltar a disputar uma parcela maior dos recursos internacionais.

Isso não significa, porém, que o Federal Reserve esteja perto de cortar os juros. A inflação e os salários continuam sendo acompanhados, e a queda da participação na força de trabalho deixou o relatório menos favorável do que o número principal sugeria.

Alta perde força durante a tarde

A reação da Bolsa brasileira foi imediata. O Ibovespa saltou para além dos 174 mil pontos e o dólar chegou a ser negociado abaixo de R$ 5,16.

O avanço começou a diminuir quando as bolsas norte-americanas perderam fôlego. O Nasdaq aprofundou a queda, pressionado por empresas de tecnologia e fabricantes de semicondutores. O S&P 500 também devolveu os ganhos da abertura.

A mudança em Nova York levou investidores a reduzir posições antes do feriado prolongado nos Estados Unidos. Os mercados norte-americanos permanecerão fechados na sexta-feira, o que também favoreceu ajustes e realização de lucros no fim do dia.

Mesmo com a piora externa, o Ibovespa não voltou ao campo negativo. Ações de bancos, telecomunicações, energia e mineração ajudaram a sustentar o índice.

Bancos contribuem para o fechamento positivo

Os grandes bancos encerraram o pregão majoritariamente em alta e deram apoio ao Ibovespa.

O desempenho do setor foi moderado, sem movimentos bruscos, mas ganhou relevância pelo peso dessas empresas na composição do índice. As ações da própria B3 também estiveram entre as mais negociadas da sessão.

O mercado financeiro brasileiro recebeu algum alívio da queda inicial dos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano. Taxas menores no exterior reduzem a concorrência dos investimentos considerados mais seguros e podem favorecer o fluxo para mercados emergentes.

Durante a tarde, parte desse efeito foi devolvida. Ainda assim, o setor bancário conseguiu preservar ganhos suficientes para contribuir com o resultado positivo da Bolsa.

Telecomunicações e energia aparecem entre as maiores altas

As ações da Telefônica Brasil (VIVT3) e da TIM (TIMS3) ficaram entre os destaques positivos do Ibovespa, com valorizações próximas de 2%.

Empresas de telecomunicações costumam ser procuradas em sessões de maior incerteza por apresentarem receitas recorrentes e menor dependência das oscilações imediatas da atividade econômica.

A Taesa (TAEE11) também apareceu entre as principais altas. O setor elétrico recebeu recursos de investidores que buscavam companhias com maior previsibilidade de caixa e histórico de distribuição de dividendos.

A Totvs (TOTS3) completou o grupo de ações com desempenho mais forte. O papel avançou em uma sessão marcada por grande diferença entre as empresas de tecnologia negociadas no Brasil e as fabricantes de chips listadas nos Estados Unidos.

Maiores altas do Ibovespa

Telefônica Brasil (VIVT3): entre os principais ganhos do dia
TIM (TIMS3): alta próxima de 2%
Taesa (TAEE11): entre as maiores valorizações
Totvs (TOTS3): alta próxima de 2%

Varejo e consumo ficam sob pressão

A MBRF (MBRF3) liderou as perdas do pregão, em uma sessão de ajuste entre as empresas do setor de proteínas.

As ações haviam acumulado valorização nos períodos anteriores, abrindo espaço para realização de lucros. O recuo teve impacto limitado sobre o índice por causa do peso menor da companhia em relação aos bancos e às grandes exportadoras.

A Brava Energia (BRAV3) também terminou entre as maiores quedas. O papel oscilou em meio às dúvidas sobre o setor de petróleo e ao acompanhamento das condições operacionais dos ativos da empresa.

A Natura (NATU3) recuou pelo segundo pregão consecutivo, após uma sequência de oito altas. A companhia informou anteriormente que a Advent passou a deter participação equivalente a 6,6% de seu capital.

O Magazine Luiza (MGLU3) também fechou em baixa. A ação chegou a acompanhar o otimismo da abertura, mas perdeu força quando os juros futuros se afastaram das mínimas.

Maiores quedas do Ibovespa

MBRF (MBRF3): maior pressão negativa do pregão
Brava Energia (BRAV3): entre as principais quedas
Natura (NATU3): segundo recuo após oito altas
Magazine Luiza (MGLU3): terminou a sessão no campo negativo

Petróleo fecha com leve valorização

Os preços internacionais do petróleo oscilaram pouco durante o dia.

O Brent para agosto subiu 0,32%, a US$ 71,80 por barril. O WTI avançou 0,16%, cotado a US$ 68,69.

Compradores aproveitaram os preços mais baixos para reforçar posições antes do fim de semana prolongado nos Estados Unidos. O mercado também continuou acompanhando as negociações diplomáticas envolvendo Washington e Teerã e os riscos para o transporte da commodity pelo Oriente Médio.

A pequena valorização do petróleo evitou uma pressão adicional sobre as ações brasileiras do setor, mas não foi suficiente para determinar a direção do Ibovespa.

Dólar chega a cair abaixo de R$ 5,16

O dólar comercial fechou praticamente estável, com baixa de 0,03%, a R$ 5,208.

A moeda atingiu R$ 5,159 na mínima, logo após a divulgação do relatório de emprego. Na máxima, chegou a R$ 5,219.

A forte recuperação ao longo da tarde acompanhou a piora das ações de tecnologia nos Estados Unidos e a reavaliação dos detalhes do payroll.

O índice DXY, que compara o dólar com seis moedas fortes, caiu 0,50%, aos 100,88 pontos. A queda global da divisa norte-americana foi mais intensa do que a registrada diante do real.

Fatores domésticos e a redução do volume antes do feriado norte-americano limitaram a valorização da moeda brasileira.

Dow Jones sobe, mas tecnologia pesa no Nasdaq

As bolsas de Nova York fecharam sem uma direção única.

O Dow Jones avançou 1,14%, beneficiado por empresas ligadas à economia tradicional. O S&P 500 encerrou praticamente estável, com queda de 0,01%.

O Nasdaq recuou 0,80%, pressionado pelas ações de tecnologia e de fabricantes de semicondutores. A queda desses papéis foi determinante para a perda de força do Ibovespa durante a tarde.

O relatório de emprego reduziu as apostas em uma alta imediata dos juros, mas não produziu uma melhora uniforme no mercado acionário norte-americano. Empresas que haviam acumulado forte valorização passaram por realização de lucros.

Feriado nos Estados Unidos deve esvaziar o próximo pregão

Os mercados norte-americanos não funcionarão na sexta-feira, 3 de julho, em razão do feriado do Dia da Independência.

A B3 terá negociação normal, mas a ausência de investidores e referências dos Estados Unidos tende a reduzir o volume financeiro. Pregões com liquidez menor podem ampliar oscilações provocadas por ordens pontuais.

No Brasil, a curva de juros, o câmbio e o ambiente político permanecerão no radar. Os investidores também acompanharão os preços das commodities e os próximos sinais sobre a condução da política monetária norte-americana.

Depois da reação inicial ao payroll, o mercado ainda precisará decidir se a desaceleração das contratações representa uma mudança consistente no mercado de trabalho ou apenas uma leitura isolada.

 

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