O Ibovespa fechou praticamente estável nesta segunda-feira, 3 de agosto, aos 178.000,24 pontos, com valorização de 1,24 ponto e variação percentual de 0,00% na B3. A queda das ações da Vale (VALE3) e da Petrobras (PETR3; PETR4), pressionadas pela desvalorização do minério de ferro e do petróleo, impediu que o principal índice da Bolsa brasileira acompanhasse a alta expressiva registrada em Nova York. Bancos e Embraer (EMBJ3) compensaram parte do impacto negativo.
O índice começou o pregão aos 178.008,70 pontos e chegou à máxima de 178.556,60 pontos nos primeiros minutos de negociação. Depois, perdeu força e atingiu 176.783,14 pontos na mínima, queda intradiária de aproximadamente 0,68% em relação ao fechamento anterior. A recuperação ocorreu na parte final da sessão, quando o Ibovespa eliminou as perdas e encerrou apenas 8,46 pontos abaixo da abertura.
O movimento refletiu vetores opostos. A desvalorização das commodities atingiu empresas com peso elevado na carteira teórica, enquanto o recuo das taxas dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, a valorização das bolsas norte-americanas e a alta dos bancos deram sustentação ao mercado doméstico. O volume financeiro negociado no Ibovespa ficou em R$ 16,20 bilhões.
Fechamento do Ibovespa em números
- Pontuação final: 178.000,24 pontos
- Variação no dia: 0,00%
- Variação em pontos: +1,24 ponto
- Abertura: 178.008,70 pontos
- Máxima da sessão: 178.556,60 pontos
- Mínima da sessão: 176.783,14 pontos
- Fechamento anterior: 177.999,00 pontos
- Volume financeiro: R$ 16,20 bilhões
- Dólar comercial: R$ 5,087
- Variação do dólar: +0,34%
- Acumulado no mês: 0,00%
- Acumulado no ano: +10,47%
Ibovespa hoje devolveu perdas na reta final
A sessão começou com o índice em terreno positivo, mas a alta durou pouco. Depois de alcançar a máxima logo após a abertura, o Ibovespa passou a operar abaixo do fechamento anterior, acompanhando principalmente a deterioração das ações ligadas a petróleo, mineração e siderurgia.
A pressão se intensificou no início da tarde, quando Vale, Petrobras e Companhia Siderúrgica Nacional ampliaram as perdas. O índice chegou ao menor nível do dia, abaixo dos 177 mil pontos, antes de iniciar uma recuperação gradual. A melhora dos bancos e o avanço das ações da Embraer reduziram a pressão exercida pelas companhias exportadoras de commodities.
No ambiente doméstico, o Relatório Focus mostrou redução da projeção mediana para a inflação de 2026, de 5,12% para 5,03%. A estimativa para a Selic no encerramento do ano caiu de 14% para 13,75%. As revisões contribuíram para o movimento de baixa dos contratos de juros futuros, embora o cenário monetário permanecesse condicionado à reunião do Comitê de Política Monetária.
Petróleo e minério de ferro pressionam ações de peso
O petróleo teve uma das maiores quedas entre os ativos internacionais nesta segunda-feira. O contrato do Brent para setembro recuou 4,73%, para US$ 83,77 por barril, enquanto o WTI caiu 5,11%, para US$ 80,34.
A desvalorização ocorreu após sinais de retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã e a decisão do governo norte-americano de adiar novos ataques. A possibilidade de avanço diplomático e de normalização do tráfego no Estreito de Ormuz reduziu o prêmio de risco incorporado aos preços da energia.
O minério de ferro negociado na Bolsa de Dalian caiu 2,85%, para 698 iuanes por tonelada. A commodity acumulou a sétima sessão consecutiva de baixa, em um ambiente marcado por demanda fraca das siderúrgicas chinesas e aumento dos estoques nos portos do país.
A combinação foi particularmente negativa para o Ibovespa porque Vale e Petrobras representam parcelas relevantes da carteira. Na composição vigente, a Vale possui peso de 11,014%, enquanto Petrobras PN responde por 8,307% e Petrobras ON, por 4,700%. Juntas, as três ações representam aproximadamente 24% do índice.
Petrobras e Vale caem, enquanto bancos sustentam índice
As ações preferenciais da Petrobras fecharam em queda de 0,85%. Os papéis ordinários recuaram 1,04%. Além da queda do petróleo, as empresas do setor foram afetadas pela redução da percepção de risco de interrupção no fornecimento internacional.
A Vale caiu 2,15%, figurando entre as principais influências negativas do Ibovespa. O recuo do minério de ferro atingiu também empresas relacionadas ao complexo mineral e siderúrgico.
O setor bancário apresentou direção predominantemente positiva e ajudou a neutralizar as perdas das exportadoras. Bradesco (BBDC4) subiu 0,65%, Itaú Unibanco (ITUB4) avançou 0,69% e Santander Brasil (SANB11) ganhou 1,08%. O Banco do Brasil (BBAS3) destoou e caiu 0,37%.
O desempenho dos bancos teve efeito relevante porque o Itaú possui peso de 8,367% na carteira vigente do Ibovespa. O setor também foi favorecido pela redução dos juros futuros, movimento que tende a diminuir a pressão sobre a atividade econômica e sobre a qualidade das carteiras de crédito, embora os efeitos variem entre as instituições.
Hapvida lidera altas e Embraer avança 3,12%
A Hapvida (HAPV3) registrou a maior alta entre as ações integrantes do Ibovespa, com valorização de 5,59%, a R$ 11,91. Cury (CURY3) avançou 4,52%, para R$ 31,45, seguida pela C&A Modas (CEAB3), que ganhou 3,60%, a R$ 9,78.
Direcional Engenharia (DIRR3) subiu 3,52%, para R$ 11,75. A Embraer completou a relação das cinco maiores altas, com avanço de 3,12%, a R$ 89,60. O papel manteve a reação apoiada pelo volume de pedidos firmes divulgado recentemente pela fabricante de aeronaves.
Fora da carteira principal, as ações ordinárias da Randoncorp (RAPT3) dispararam 41,77% depois que o acionista controlador apresentou uma proposta de oferta pública de aquisição com troca por ações da Frasle Mobility (FRAS3). O movimento não entrou no ranking do Ibovespa porque o papel não integrava a composição usada para a classificação diária.
CSN lidera quedas após prévia operacional
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3) teve a maior queda do Ibovespa, com recuo de 6,82%, a R$ 4,51. A empresa divulgou uma prévia do segundo trimestre que ampliou as preocupações com a geração de caixa e com o aumento do endividamento.
A Prio (PRIO3) caiu 3,86%, para R$ 58,50, enquanto a PetroReconcavo (RECV3) perdeu 3,19%, a R$ 10,33. Os dois papéis acompanharam a queda do petróleo, que reduziu as referências de receita para as produtoras independentes.
A Vamos (VAMO3) recuou 2,40%, para R$ 3,26, e a Bradespar (BRAP4), acionista relevante da Vale, caiu 2,27%, a R$ 21,50. Não havia notícia corporativa específica confirmada para explicar integralmente os movimentos dessas duas ações.
Dólar sobe e juros futuros recuam
O dólar comercial fechou em alta de 0,34%, cotado a R$ 5,087 na compra e R$ 5,088 na venda. A moeda norte-americana oscilou entre R$ 5,053 e R$ 5,092 durante a sessão.
A valorização ocorreu apesar da queda dos rendimentos dos títulos públicos norte-americanos. O dólar também avançou diante de outras moedas emergentes, enquanto investidores ajustavam posições após as oscilações recentes provocadas pelo conflito no Oriente Médio.
Os contratos de juros futuros encerraram em baixa ao longo da curva. O movimento refletiu a queda dos Treasuries e as revisões apresentadas no Focus para inflação e Selic. As taxas finais individualizadas por vencimento não foram divulgadas até a conclusão da apuração.
Wall Street sobe com queda do petróleo
As bolsas de Nova York fecharam com altas amplas. O Dow Jones avançou 1,32%, aos 53.178,41 pontos, estabelecendo novo recorde de fechamento. O S&P 500 ganhou 1,48%, aos 7.600,50 pontos, e ficou próximo de sua máxima histórica. O Nasdaq subiu 2,13%, para 25.913,90 pontos.
A queda do petróleo reduziu as preocupações com uma nova aceleração inflacionária nos Estados Unidos e provocou recuo dos rendimentos dos Treasuries. Empresas de tecnologia, companhias aéreas e negócios intensivos em combustível estiveram entre os destaques positivos, enquanto o setor de energia apresentou desempenho inferior.
Na Ásia, os resultados foram mistos. O índice de Xangai caiu 0,59% e o Nikkei, de Tóquio, recuou 0,94%. Em Hong Kong, o Hang Seng avançou 0,48%. A negociação asiática também foi influenciada pela queda de empresas de semicondutores e pela desvalorização do minério de ferro.
Agosto começa estável após alta de 10,47% no ano
Como esta segunda-feira foi o primeiro pregão de agosto, a variação mensal ficou em 0,00%. No terceiro trimestre, o Ibovespa acumulava alta de 3,47%, enquanto o ganho desde o início de 2026 alcançou 10,47%.
O encerramento praticamente estável manteve o índice pouco abaixo dos 178.858,54 pontos registrados em 23 de janeiro, nível que representava o maior fechamento nominal confirmado pela B3 naquele momento. A máxima intradiária desta segunda-feira também permaneceu abaixo desse patamar.
Copom e balanços ficam no radar do próximo pregão
Na terça-feira, 4 de agosto, começa a reunião de dois dias do Copom. A decisão sobre a Selic será anunciada na quarta-feira, 5 de agosto. A taxa básica estava em 14,25% ao ano, depois de três cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual.
Os investidores também acompanharão a reação aos resultados trimestrais programados para depois do fechamento desta segunda-feira por BB Seguridade (BBSE3), Marcopolo (POMO4) e ISA Energia (ISAE4). No exterior, o andamento das negociações entre Estados Unidos e Irã continuará determinando o comportamento do petróleo e dos ativos expostos à inflação global.









