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Ibovespa fecha com maior alta desde abril e dólar cai a R$ 5,00 com alívio externo

por Camila Braga - Repórter de Economia
20/05/2026 às 18h08 - Atualizado em 21/05/2026 às 02h17
em Ibovespa, Mercados
Ibovespa - Gazeta Mercantil

O Ibovespa fechou em forte alta nesta quarta-feira, 20 de maio, impulsionado pela melhora do apetite por risco no exterior, pela queda dos juros futuros e pelo recuo do dólar diante do real. O principal índice da Bolsa brasileira avançou 1,77%, aos 177.355,73 pontos, recuperando parte das perdas recentes e registrando a maior alta diária desde 8 de abril, quando havia subido 2,09%. O movimento ocorreu em meio ao alívio nos preços do petróleo, à expectativa por resultados da Nvidia nos Estados Unidos e a sinais de redução da tensão envolvendo o Estreito de Ormuz.

O dólar comercial encerrou o dia em queda de 0,74%, cotado a R$ 5,003, após oscilar entre mínima de R$ 4,999 e máxima de R$ 5,058. A moeda norte-americana acompanhou o enfraquecimento global do índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de divisas fortes.

A recuperação do Ibovespa veio depois de uma queda de 1,52% na véspera, quando o mercado brasileiro foi pressionado por aversão ao risco, saída de capital estrangeiro e deterioração do ambiente externo. Na sessão desta quarta-feira, o movimento foi praticamente generalizado: apenas quatro ativos do índice terminaram em baixa.

Alívio em Ormuz melhora humor global

O principal fator externo da sessão foi a percepção de alívio parcial no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais relevantes para o transporte global de petróleo e gás. A passagem de navios pela região reduziu, ao menos temporariamente, a percepção de risco sobre o fornecimento de energia.

O noticiário internacional também repercutiu declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre negociações com o Irã. Segundo informações citadas no mercado, Trump afirmou que as tratativas estariam em “estágios finais”, embora tenha voltado a ameaçar Teerã caso um acordo não seja alcançado.

A combinação de expectativa diplomática e retomada parcial do fluxo marítimo derrubou os preços do petróleo. O WTI fechou abaixo de US$ 100 por barril, enquanto o Brent também recuou de forma expressiva.

A queda da commodity teve efeito duplo sobre os mercados. De um lado, aliviou preocupações inflacionárias globais, favorecendo ativos de risco. De outro, pressionou ações de petroleiras, especialmente Petrobras (PETR3; PETR4) e PRIO (PRIO3), que ficaram entre as poucas baixas do Ibovespa.

Wall Street sobe antes do balanço da Nvidia

Nos Estados Unidos, os principais índices acionários encerraram o dia em alta firme. O Dow Jones subiu 1,31%, o S&P 500 avançou 1,08% e a Nasdaq ganhou 1,55%.

A sessão em Wall Street foi marcada pela expectativa em torno do balanço trimestral da Nvidia, uma das companhias mais relevantes para o mercado global de tecnologia e inteligência artificial. Investidores aguardavam os números após o fechamento dos mercados, em busca de sinais sobre a continuidade do ciclo de investimentos em infraestrutura de IA.

A Nvidia se tornou referência para o rali das ações de tecnologia nos últimos anos. Por isso, seus resultados passaram a ter impacto amplo sobre o sentimento de mercado, especialmente em relação à sustentabilidade dos lucros das grandes empresas ligadas ao setor.

Além da Nvidia, os investidores acompanharam a ata da última reunião do Federal Reserve. O documento mostrou uma postura cautelosa das autoridades monetárias dos Estados Unidos, com preocupação persistente em relação à inflação e aos impactos do conflito no Oriente Médio sobre preços de energia.

Ainda assim, a ata não foi suficiente para interromper o movimento positivo dos ativos de risco. A queda dos rendimentos dos Treasuries e o recuo do petróleo prevaleceram sobre o tom mais duro do banco central norte-americano.

Bancos e varejo sustentam alta da Bolsa brasileira

No Brasil, o avanço do Ibovespa foi sustentado principalmente por bancos, varejistas, empresas ligadas ao mercado doméstico e ações de maior beta. O movimento refletiu a queda dos juros futuros e a melhora do ambiente externo.

Entre os grandes bancos, Banco do Brasil (BBAS3) subiu 2,32%, Bradesco (BBDC4) avançou 2,70%, Itaú Unibanco (ITUB4) ganhou 2,29% e Santander (SANB11) teve alta de 2,62%. O setor financeiro costuma ter peso relevante no Ibovespa e foi determinante para a recuperação do índice.

A B3 (B3SA3) também teve forte desempenho, com alta de 5,66%, figurando entre os principais ganhos do dia. A ação foi beneficiada pela melhora do humor com ativos locais e pela leitura de que uma recuperação do volume financeiro na Bolsa pode favorecer a companhia.

No varejo, Lojas Renner (LREN3) avançou 7,77%, Magazine Luiza (MGLU3) subiu 3,70% e Azzas 2154 (AZZA3) ganhou 4,37%. Fora do Ibovespa, Casas Bahia (BHIA3) disparou 23,81%, em movimento de forte recuperação após quedas recentes.

A melhora das empresas de consumo foi favorecida pela queda dos DIs. Juros futuros menores tendem a beneficiar companhias mais sensíveis ao crédito, à renda disponível e à percepção de crescimento econômico.

Vale sobe com minério e Petrobras cai com petróleo

Entre as blue chips, Vale (VALE3) fechou em alta de 1,21%, acompanhando o desempenho positivo do minério de ferro no mercado internacional. A mineradora ajudou a sustentar o Ibovespa, embora o protagonismo do dia tenha ficado com bancos e ações domésticas.

Na direção oposta, Petrobras (PETR3; PETR4) caiu em meio ao recuo expressivo do petróleo. Petrobras (PETR3) perdeu 3,85%, enquanto Petrobras (PETR4) recuou 3,23%. Os papéis ficaram entre as únicas quedas do índice.

PRIO (PRIO3) também terminou no vermelho, com baixa de 1,00%. A queda das petroleiras refletiu o ajuste nos preços internacionais da commodity, após sinais de reabertura parcial de Ormuz e redução temporária do prêmio de risco geopolítico.

Apenas quatro ativos do Ibovespa encerraram a sessão em baixa: Petrobras (PETR3), Petrobras (PETR4), SLC Agrícola (SLCE3) e PRIO (PRIO3). O movimento contrastou com a sessão anterior, quando apenas quatro ações haviam subido.

Fora do índice, o destaque negativo foi Estrela (ESTR4), que caiu 33,48% após pedido de recuperação judicial. Apesar da forte queda percentual, o volume financeiro do papel foi baixo.

Dólar cai, mas permanece perto de R$ 5

O dólar comercial voltou a cair diante do real, acompanhando a perda de força da moeda norte-americana no exterior. A divisa fechou a R$ 5,003, praticamente no limite psicológico de R$ 5.

A queda ocorreu após uma sessão anterior de forte alta, em meio a tensões políticas e aversão ao risco. Nesta quarta-feira, o fluxo externo mais favorável, o alívio nos preços do petróleo e o desempenho positivo de Wall Street ajudaram moedas emergentes.

Mesmo com a baixa, o dólar segue em patamar elevado. A proximidade de R$ 5 reflete a combinação de incertezas fiscais no Brasil, juros ainda altos nos Estados Unidos e cautela dos investidores estrangeiros com mercados emergentes.

Dados do Banco Central mostraram fluxo cambial positivo de US$ 1,588 bilhão em maio até o dia 15. Pelo canal financeiro, houve saída líquida de US$ 2,492 bilhões, enquanto o canal comercial registrou entrada de US$ 4,080 bilhões.

No acumulado do ano, o Brasil registra fluxo cambial total positivo de US$ 14,896 bilhões. A entrada comercial tem ajudado a compensar a saída financeira, mas o investidor estrangeiro segue seletivo em relação à Bolsa brasileira.

Juros futuros recuam por toda a curva

Os juros futuros encerraram a sessão em baixa ampla, em linha com o alívio global e a queda dos rendimentos dos Treasuries. A curva brasileira, porém, permaneceu em patamar elevado, com taxas ainda próximas das faixas de 13% e 14%.

A redução dos DIs favoreceu setores sensíveis ao ciclo de juros, como varejo, construção civil, consumo e pequenas empresas. Esses segmentos tendem a reagir positivamente quando o mercado reduz a percepção de aperto monetário prolongado.

A queda dos juros também contribuiu para a recuperação do índice de small caps. O SMLL encerrou a sessão com alta de 3,74%, aos 2.299 pontos, em desempenho superior ao Ibovespa.

O IFIX, índice de fundos imobiliários, subiu 0,88%, aos 3.850,07 pontos, também beneficiado pela queda dos juros futuros. Fundos imobiliários costumam reagir positivamente quando há alívio na curva, porque a renda fixa perde parte da atratividade relativa.

Apesar do movimento positivo, analistas seguem atentos à trajetória da inflação, ao câmbio e à condução da política monetária no Brasil e nos Estados Unidos.

Fluxo estrangeiro ainda preocupa mercado local

A alta do Ibovespa trouxe alívio pontual, mas não eliminou a preocupação com a saída de capital estrangeiro da Bolsa brasileira. Segundo analistas citados no mercado, mais de R$ 22 bilhões já deixaram o mercado acionário local em meio ao aumento da aversão ao risco.

O movimento reforça a percepção de que o investidor estrangeiro segue cauteloso com ativos brasileiros, especialmente diante de incertezas políticas, fiscais e externas.

A recuperação desta quarta-feira, portanto, foi vista mais como ajuste após quedas recentes do que como mudança definitiva de tendência. O desempenho dos próximos pregões dependerá da combinação entre fluxo externo, preços das commodities, câmbio, juros e notícias corporativas.

A máxima intradiária do Ibovespa foi de 178.198,87 pontos, enquanto a mínima ficou em 174.279,39 pontos. O volume financeiro somou R$ 28,40 bilhões.

Na semana, o índice acumula leve alta de 0,04%. Em maio, ainda registra queda de 5,32%. No segundo trimestre, perde 5,39%, mas no acumulado de 2026 mantém ganho de 10,07%.

PMIs e balanço da Nvidia devem orientar próxima sessão

A agenda da quinta-feira terá divulgação de PMIs de indústria e serviços, indicadores que ajudam a medir o ritmo da atividade econômica nas principais economias. Os dados serão acompanhados em um ambiente ainda sensível à inflação global, ao petróleo e aos sinais de política monetária.

O mercado também deve reagir aos resultados da Nvidia, divulgados após o fechamento da sessão nos Estados Unidos. A leitura dos números e das projeções da companhia pode influenciar diretamente ações de tecnologia, bolsas globais e o apetite por risco.

No exterior, a tensão envolvendo Irã, Estados Unidos e o Estreito de Ormuz continuará no radar. Qualquer nova escalada pode recolocar pressão sobre petróleo, inflação e juros globais.

No Brasil, investidores devem seguir atentos ao comportamento do dólar, ao fluxo estrangeiro na B3 e à curva de juros. Depois da maior alta diária desde abril, o Ibovespa entra na próxima sessão tentando confirmar se a recuperação foi apenas técnica ou se há espaço para recomposição mais ampla dos ativos locais.

Tags: B3bancosbolsa brasileiraDólarestreito de OrmuzIbovespaJuros FuturosMercado FinanceiromercadosNvidiaPetrobrasPetróleoValeWall Street

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