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Ibovespa sobe 0,52% e fecha aos 171 mil pontos apesar de tombo do Nasdaq

Queda dos juros futuros após a ata do Copom e alta da Petrobras sustentaram a Bolsa, enquanto Vale e Wall Street limitaram o apetite por risco.

por Camila Braga
23/06/2026 às 19h57
em Ibovespa
Ibovespa - Gazeta Mercantil

O Ibovespa hoje fechou esta terça-feira, 23 de junho de 2026, em alta de 0,52%, aos 171.258,87 pontos, no pregão da B3, sustentado pelo recuo das taxas de juros futuros, pela valorização da Petrobras e pela entrada de capital estrangeiro. O avanço ocorreu porque a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), apesar do diagnóstico duro sobre inflação e política fiscal, reduziu a percepção de uma nova elevação imediata da Selic. Com isso, o Ibovespa hoje contrariou o forte movimento de venda em Wall Street, especialmente nas ações de tecnologia e inteligência artificial.

Foi a segunda alta consecutiva do principal índice da Bolsa brasileira. Na segunda-feira (22), o Ibovespa havia avançado 1,21%, aos 170.370,38 pontos. Nesta terça, o índice oscilou entre 168.495 pontos e 171.720 pontos, com volume financeiro de aproximadamente R$ 21,3 bilhões.

Leia também: Ibovespa futuro hoje recua com tensão sobre tarifas dos EUA e balanço da Petrobras.

O desempenho do Ibovespa hoje expôs uma divisão clara entre os mercados. Enquanto investidores locais reagiram à perspectiva de que o Banco Central poderá interromper temporariamente o processo de ajuste sem retomar uma alta de juros no curto prazo, as bolsas americanas foram pressionadas por uma retirada intensa de recursos das empresas de tecnologia.

Ata do Copom derruba juros futuros e favorece ações domésticas

A ata da reunião de 16 e 17 de junho ocupou o centro das negociações desde a abertura. Na ocasião, o Copom reduziu a taxa Selic para 14,25% ao ano e afirmou que os próximos movimentos dependerão da evolução da inflação, da atividade, das expectativas e dos efeitos econômicos das tensões no Oriente Médio.

Leia também: Ibovespa cai com tombo do petróleo e pressão de Petrobras (PETR3;PETR4); dólar recua abaixo de R$ 5.

O Banco Central apontou que a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, que as expectativas permanecem acima da meta em todos os horizontes e que houve nova desancoragem nas projeções de longo prazo. Também reforçou a necessidade de disciplina fiscal e de políticas econômicas previsíveis, críveis e anticíclicas.

As expectativas reunidas pela pesquisa Focus estavam em 5,30% para 2026 e 4,10% para 2027. No cenário de referência do Copom, a projeção para o IPCA ficou em 5,2% em 2026 e em 3,7% no quarto trimestre de 2027. O comitê avaliou ainda que os riscos seguem mais elevados que o usual e com assimetria de alta.

Mesmo com esse tom, a reação da curva de juros foi de queda. O mercado concentrou-se na indicação de que o Banco Central considera trajetórias para a Selic com diferentes combinações de pausa e retomada do processo de calibração, sem sinalizar uma nova alta imediata.

Essa leitura reduziu parte dos prêmios embutidos nos contratos de Depósito Interfinanceiro. Para o Ibovespa hoje, a queda dos DIs foi relevante porque diminui a taxa usada para descontar resultados futuros das empresas e melhora, em termos relativos, a atratividade das ações diante da renda fixa.

O efeito apareceu em companhias dependentes do consumo, do crédito e da atividade doméstica. Vivara (VIVA3) avançou 4,64%, a R$ 21,88, enquanto Azzas 2154 (AZZA3) ganhou 3,61%, a R$ 20,10. Assaí (ASAI3) subiu 3,12%, a R$ 7,94, e Rumo (RAIL3) teve valorização de 3,45%.

Fluxo estrangeiro ajuda Bolsa a contrariar Wall Street

Outro componente favorável ao Ibovespa hoje foi a busca de investidores internacionais por diversificação fora das ações americanas de tecnologia. A liquidação de ativos ligados à inteligência artificial ampliou a pressão sobre empresas que haviam acumulado forte valorização e abriu espaço para realocação de capital em mercados com composição setorial diferente, como o brasileiro.

O Dow Jones caiu 0,09%, aos 51.666,84 pontos. O S&P 500 perdeu 1,44%, aos 7.365,46 pontos, e o Nasdaq recuou 2,22%, aos 25.587,04 pontos. A queda mais intensa no segmento tecnológico refletiu a preocupação com avaliações elevadas após o rali associado à inteligência artificial.

Investidores também ajustaram posições antes da divulgação, na quinta-feira (25), do índice de preços dos gastos com consumo pessoal, o PCE, principal referência de inflação acompanhada pelo Federal Reserve. Uma leitura mais forte pode ampliar as apostas em juros elevados nos Estados Unidos, fortalecer o dólar e reduzir a disposição para ativos de países emergentes.

Petrobras sobe após acordo com Pemex e compensa parte da queda da Vale

Entre as empresas de maior peso no Ibovespa hoje, a Petrobras (PETR4; PETR3) fechou em alta mesmo com o recuo do petróleo no exterior. As ações preferenciais da estatal, Petrobras (PETR4), subiram 0,41%, a R$ 39,33, enquanto os papéis ordinários, Petrobras (PETR3), avançaram 0,78%, a R$ 43,98.

A companhia recebeu apoio da assinatura de um memorando de entendimento com a mexicana Pemex. O acordo prevê cooperação estratégica e técnica na indústria de petróleo e gás, com avaliação de oportunidades em exploração e produção, campos maduros, refino, petroquímica, fertilizantes, processamento de gás, eficiência energética e redução de emissões.

O memorando não representa compromisso imediato de investimento. Para os investidores, porém, a parceria amplia as alternativas internacionais da Petrobras e pode criar oportunidades em águas profundas no Golfo do México, área na qual a empresa acumulou experiência tecnológica com o pré-sal.

O ganho ocorreu apesar da baixa de 0,93% do petróleo Brent para setembro, cotado a US$ 76,80 por barril. Como a Petrobras representa cerca de 12% da carteira teórica, sua valorização teve influência direta sobre o fechamento do Ibovespa hoje.

Na direção contrária, a Vale (VALE3) caiu 1,89%, a R$ 79,38, acompanhando a desvalorização do minério de ferro na China. O contrato mais negociado para setembro perdeu 0,54% em Dalian, para 738,5 yuans por tonelada, equivalentes a cerca de US$ 109.

Com participação próxima de 11% no índice, a mineradora limitou uma alta mais forte. A divergência entre Petrobras e Vale ilustrou o equilíbrio do Ibovespa hoje: a Bolsa encontrou apoio em petróleo, juros e fluxo estrangeiro, mas enfrentou resistência do minério.

MBRF lidera ganhos, enquanto Magazine Luiza e Usiminas recuam

A maior alta do Ibovespa hoje foi da MBRF (MBRF3), que disparou 9,88% e terminou cotada a R$ 16,80. A empresa de alimentos ficou à frente de Vivara (VIVA3), Azzas 2154 (AZZA3), Rumo (RAIL3) e Assaí (ASAI3) no ranking positivo.

Na ponta oposta, Magazine Luiza (MGLU3) liderou as perdas, com queda de 5,15%, a R$ 4,42. O recuo ocorreu mesmo em um dia de fechamento das taxas futuras, mostrando que a reação das ações sensíveis aos juros não foi uniforme.

Usiminas (USIM5) caiu 4,94%, a R$ 8,66. Hapvida (HAPV3) recuou 3,11%, a R$ 10,28, e Cogna (COGN3) perdeu 2,55%, a R$ 2,29. A Vale (VALE3), com baixa de 1,89%, completou a lista das cinco maiores quedas.

A amplitude dos movimentos mostra que o avanço do Ibovespa hoje não representou uma alta homogênea. No setor financeiro, o Índice Financeiro avançou 0,52%. O Itaú Unibanco (ITUB4) subiu 0,27%, a R$ 41,05, e o BTG Pactual (BPAC11) ganhou 1,13%.

Dólar sobe a R$ 5,1874 antes de dado de inflação dos Estados Unidos

O dólar à vista fechou em alta de 0,89%, cotado a R$ 5,1874, acompanhando o fortalecimento da moeda americana no exterior e a busca por proteção antes da divulgação do PCE.

A perspectiva de juros mais elevados nos Estados Unidos favorece os títulos do Tesouro americano e pode reduzir o incentivo para investidores assumirem risco em países emergentes. No mercado brasileiro, a queda dos DIs ajudou as ações, mas pode reduzir parte do diferencial de juros que favorece operações com o real.

Essa combinação explica por que o Ibovespa hoje avançou ao mesmo tempo que o dólar ganhou valor: cada mercado respondeu a uma parcela diferente do cenário doméstico e internacional.

Ata do Copom mantém juros e fluxo estrangeiro no centro da Bolsa

Com o fechamento desta terça-feira, o Ibovespa consolidou o segundo avanço consecutivo e preservou o patamar dos 171 mil pontos. O ganho de 0,52% mostrou capacidade de resistência da Bolsa brasileira diante do tombo das ações de tecnologia em Nova York, mas não eliminou a dependência do índice em relação a poucos ativos de grande peso.

Nos próximos pregões, a trajetória do Ibovespa seguirá condicionada à interpretação dos investidores sobre a política monetária brasileira, ao comportamento da curva de juros e ao fluxo estrangeiro. A ata não garantiu novos cortes da Selic, mas deixou aberta a possibilidade de pausas e retomadas no processo de calibração.

O cenário fiscal também permanece decisivo. O Banco Central advertiu que o enfraquecimento das reformas, a expansão do crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública podem elevar a taxa de juros neutra e reduzir a potência da política monetária.

No exterior, o PCE americano será o próximo teste relevante. O resultado poderá alterar as expectativas para o Federal Reserve, os rendimentos dos Treasuries e o dólar. Ao mesmo tempo, a continuidade da venda de ações de tecnologia pode manter o movimento de diversificação internacional que favoreceu o Brasil nesta sessão.

A combinação entre juros futuros em queda, Petrobras em alta e entrada de recursos externos permitiu que o Ibovespa hoje superasse a perda da Vale e a aversão global ao risco. A sustentação desse movimento dependerá de sinais adicionais de desinflação, maior previsibilidade fiscal e manutenção do fluxo para a Bolsa brasileira.

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