O Ibovespa fechou em queda de 0,06%, aos 177.894,97 pontos, nesta terça-feira, 4 de agosto de 2026, na B3. O principal índice da Bolsa brasileira perdeu 105,27 pontos depois de superar os 180 mil pontos durante a sessão, sustentado inicialmente pelo avanço das bolsas de Nova York, mas pressionado no fechamento por Itaú Unibanco (ITUB4), Petrobras (PETR3; PETR4), Banco do Brasil (BBAS3) e Bradesco (BBDC4).
O índice abriu aos 178.002,55 pontos, praticamente no mesmo nível do fechamento anterior, de 178.000,24 pontos. No melhor momento, alcançou 180.679,47 pontos, o equivalente a uma valorização intradiária de aproximadamente 1,51%. A mínima foi registrada aos 177.580,77 pontos, antes de uma recuperação parcial no leilão de encerramento.
A amplitude de 3.098,70 pontos entre a máxima e a mínima mostra a mudança de direção da sessão. O ambiente externo favoreceu os ativos de risco no início do dia, com recordes em Wall Street e queda acentuada do petróleo, mas a composição do Ibovespa impediu que o índice brasileiro acompanhasse a alta internacional até o fechamento.
Fechamento do Ibovespa em números
- Pontuação final: 177.894,97 pontos
- Variação no dia: -0,06%
- Variação em pontos: -105,27 pontos
- Abertura: 178.002,55 pontos
- Máxima da sessão: 180.679,47 pontos
- Mínima da sessão: 177.580,77 pontos
- Fechamento anterior: 178.000,24 pontos
- Volume financeiro: R$ 16,20 bilhões
- Dólar comercial: R$ 5,131
- Variação do dólar: +0,87%
- Acumulado no mês: -0,06%
- Acumulado no ano: +10,41%
Ibovespa hoje devolve alta de 1,51%
O movimento do Ibovespa durante o pregão foi dividido em duas fases. A primeira refletiu a forte valorização dos índices norte-americanos e o avanço de ações ligadas à mineração e à siderurgia. A segunda foi marcada pela perda de força dos papéis de maior peso, sobretudo bancos e Petrobras, além da cautela antes da decisão do Comitê de Política Monetária.
Mesmo após alcançar 180.679,47 pontos, o índice não consolidou a entrada no patamar dos 180 mil. A diferença entre a máxima e o encerramento chegou a 2.784,50 pontos. O fechamento ocorreu apenas 314,20 pontos acima da mínima, indicando que a maior parte da valorização acumulada nas primeiras horas foi eliminada.
O desempenho também mostrou descolamento de Nova York. Enquanto Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq encerraram com altas expressivas, o mercado brasileiro permaneceu próximo da estabilidade pelo segundo pregão consecutivo. Na segunda-feira, o Ibovespa havia terminado praticamente sem variação.
O resultado de terça-feira levou o índice a acumular queda de 0,06% na semana e em agosto. No terceiro trimestre, iniciado em julho, a valorização ainda alcança 3,41%. No ano, o ganho é de 10,41%.
Bancos recuam antes de balanço do Itaú
As ações de bancos tiveram comportamento desigual, mas os papéis de maior participação no índice ficaram predominantemente no campo negativo. O Itaú Unibanco (ITUB4) caiu 2,48%, para R$ 42,10, antes da divulgação dos resultados do segundo trimestre, prevista para depois do encerramento do mercado.
O Bradesco (BBDC4) recuou 1,70%, a R$ 18,22, enquanto o Banco do Brasil (BBAS3) perdeu 1,32%, a R$ 20,99. A queda conjunta dessas ações exerceu pressão relevante porque Itaú, Bradesco e Banco do Brasil estão entre os ativos de maior peso na carteira do Ibovespa.
O Santander Brasil (SANB11) destoou do setor e avançou 0,59%, a R$ 29,10. A diferença de desempenho impede que o movimento seja atribuído de forma uniforme a uma única notícia bancária. A proximidade dos balanços e o posicionamento antes da decisão de juros ampliaram os ajustes específicos em cada papel.
As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro também encerraram sem direção única. O DI para janeiro de 2027 caiu 0,010 ponto percentual, para 13,795%, enquanto o contrato para janeiro de 2029 subiu 0,040 ponto, para 14,020%. O vencimento de janeiro de 2031 avançou 0,020 ponto, a 14,210%, e o de janeiro de 2035 recuou 0,025 ponto, para 14,385%.
O Copom conclui nesta quarta-feira, 5 de agosto, a reunião iniciada na terça. A Selic está em 14,25% ao ano desde a decisão de junho, quando o Banco Central reduziu a taxa em 0,25 ponto percentual. O comunicado da nova decisão será divulgado depois do fechamento do próximo pregão.
Petrobras cai com petróleo abaixo de US$ 80
A forte queda do petróleo no mercado internacional pressionou as ações do setor. A Petrobras encerrou com baixa de 0,97% nas ações ordinárias PETR3, cotadas a R$ 48,15, e de 1,28% nas preferenciais PETR4, a R$ 42,50.
O petróleo Brent para outubro caiu 5,26%, a US$ 79,36 por barril, voltando a ser negociado abaixo de US$ 80. O WTI para setembro recuou 5,69%, a US$ 75,77.
A baixa ocorreu em meio às expectativas de avanço nas negociações envolvendo Estados Unidos e Irã e de possível reabertura do Estreito de Ormuz. O movimento reduziu o prêmio geopolítico incorporado aos preços da commodity e afetou as produtoras de petróleo listadas na B3.
A Brava Energia (BRAV3) caiu 4,58%, para R$ 18,95, e apareceu entre as maiores perdas da carteira do Ibovespa. A PRIO (PRIO3) teve variação negativa mais limitada, de 0,09%.
A queda do petróleo teve efeitos diferentes sobre os mercados. Para as produtoras, representou redução no preço de referência da produção. Para os índices norte-americanos e os títulos do Tesouro dos Estados Unidos, o recuo diminuiu parte das preocupações com inflação e custos de energia.
Vale e siderúrgicas limitam queda
A Vale (VALE3) avançou 2,24%, a R$ 76,31, e foi um dos principais contrapesos às perdas de bancos e Petrobras. O papel abriu a R$ 76,11, alcançou máxima de R$ 76,91 e movimentou 19,78 milhões de ações.
O desempenho positivo ocorreu mesmo diante de um ambiente enfraquecido para o minério de ferro, pressionado internacionalmente pelo excesso de oferta. Não foi identificado, durante a apuração, um comunicado corporativo específico que isoladamente justificasse a valorização diária da Vale.
A Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3) liderou as altas do Ibovespa, com valorização de 6,21%, a R$ 4,79. A CSN Mineração (CMIN3) ficou em segundo lugar, com avanço de 3,14%, a R$ 5,91.
A valorização das companhias ligadas à mineração e à siderurgia ajudou o índice a reduzir as perdas causadas por bancos e petrolíferas, mas não foi suficiente para preservar os ganhos registrados na máxima da sessão.
Maiores altas do Ibovespa
A ponta positiva do índice reuniu companhias de mineração, siderurgia, saúde e locação de veículos:
- Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3): +6,21%, a R$ 4,79
- CSN Mineração (CMIN3): +3,14%, a R$ 5,91
- RD Saúde (RADL3): +2,97%, a R$ 19,41
- Localiza (RENT3): +2,60%, a R$ 39,09
- Vale (VALE3): +2,24%, a R$ 76,31
A BB Seguridade (BBSE3), embora fora das cinco maiores altas, também avançou 1,72%, a R$ 42,07, após a divulgação do balanço do segundo trimestre.
Maiores quedas do Ibovespa
A Marcopolo (POMO4) liderou as perdas, com queda de 10,43%, a R$ 4,81. O movimento ocorreu após o balanço trimestral apresentar redução de margens e do lucro, ampliando a reação negativa dos investidores aos números da fabricante de ônibus.
As cinco maiores baixas foram:
- Marcopolo (POMO4): -10,43%, a R$ 4,81
- Magazine Luiza (MGLU3): -4,65%, a R$ 4,92
- Brava Energia (BRAV3): -4,58%, a R$ 18,95
- MBRF (MBRF3): -4,35%, a R$ 16,93
- Cogna (COGN3): -3,00%, a R$ 2,26
No caso de Magazine Luiza, MBRF e Cogna, não foi localizado um fato corporativo único que permitisse atribuir integralmente as perdas da sessão. Os movimentos também refletiram ajustes de posições dentro da temporada de balanços.
Dólar sobe e fecha a R$ 5,131
O dólar comercial encerrou com alta de 0,87%, cotado a R$ 5,131 na compra e na venda. A moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 5,072 e a máxima de R$ 5,148.
A valorização do dólar diante do real contrastou com a alta das bolsas norte-americanas. O movimento reforçou a presença de fatores domésticos na formação do câmbio, incluindo a proximidade da decisão do Copom e o ajuste de posições antes da divulgação do novo comunicado de política monetária.
O índice DXY, que compara o dólar com uma cesta de moedas fortes, teve variação positiva de apenas 0,01%, aos 99,91 pontos. A diferença mostra que a depreciação do real foi mais intensa do que a movimentação internacional da moeda americana.
Wall Street fecha em recordes
As bolsas de Nova York encerraram com altas amplas, apoiadas por resultados corporativos, especialmente de empresas relacionadas à tecnologia e à infraestrutura para inteligência artificial, e pela redução dos preços do petróleo.
O Dow Jones subiu 1,71%, aos 54.085,88 pontos. O S&P 500 avançou 1,79%, para 7.736,52 pontos, enquanto o Nasdaq ganhou 2,59%, aos 26.584,99 pontos. Dow Jones e S&P 500 renovaram recordes de fechamento.
Entre os destaques estiveram Palantir e Caterpillar, que divulgaram resultados superiores às expectativas. A combinação entre balanços positivos, menores preços da energia e expectativas de avanço diplomático no Oriente Médio favoreceu a procura por ações nos Estados Unidos.
O impulso externo, contudo, teve efeito limitado na B3. As quedas de Petrobras, Itaú, Bradesco e Banco do Brasil, somadas à volatilidade provocada por balanços corporativos, neutralizaram a valorização de Vale, CSN e CSN Mineração.
O que acompanhar no próximo pregão
O principal evento desta quarta-feira será a decisão do Copom. Além da eventual alteração da Selic, o mercado avaliará o teor do comunicado, as indicações sobre o ritmo das próximas decisões e a leitura do Banco Central sobre inflação, atividade, câmbio e riscos fiscais.
A sessão também refletirá a repercussão do balanço do Itaú Unibanco, divulgado depois do fechamento de terça-feira, e a continuidade da temporada de resultados corporativos. A reação dos preços do petróleo às negociações envolvendo o Estreito de Ormuz seguirá como referência para Petrobras, Brava Energia e PRIO.
No exterior, os investidores continuarão acompanhando os resultados empresariais nos Estados Unidos, os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano e novos desdobramentos das tratativas com o Irã. A combinação desses eventos poderá alterar novamente a relação entre o desempenho de Wall Street e o comportamento dos ativos brasileiros.







