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IMA-B 5+ lidera renda fixa em abril com alta de 2,2%, aponta Anbima

Índice que acompanha títulos públicos atrelados à inflação com vencimento acima de cinco anos supera o IMA no mês e mostra maior apetite ao risco em papéis longos

por Camila Braga
19/05/2026 às 09h15
em Mercados
Apenas 3 Em Cada 10 Brasileiros Têm Reserva Financeira, Mostra Anbima E Datafolha - Gazeta Mercantil

Os títulos públicos indexados ao IPCA com vencimento superior a cinco anos tiveram o melhor desempenho entre os principais índices de renda fixa da Anbima em abril, segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais. O IMA-B 5+, indicador que acompanha NTN-Bs de prazo mais longo, registrou alta de 2,2% no mês e acumulou ganho de 4,55% no ano, impulsionado pelo maior apetite dos investidores por ativos de maior duração em meio aos prêmios oferecidos na curva de juros.

O desempenho do IMA-B 5+ ficou acima do retorno do IMA, índice que reúne todos os títulos públicos federais em mercado. O IMA avançou 1,34% em abril e acumulou valorização de 4,44% nos quatro primeiros meses do ano. A diferença mostra que os papéis indexados à inflação de prazo mais longo ganharam força em um ambiente ainda marcado por incertezas domésticas e externas, mas com algum alívio na percepção de risco ao longo do mês.

Leia também: JHSF decola: aeroporto executivo vira termômetro da alta renda no Brasil.

Segundo a Anbima, a busca por vencimentos mais longos refletiu uma mudança de postura do mercado. Depois de semanas de cautela, investidores voltaram a avaliar oportunidades em ativos com maior sensibilidade à curva de juros, especialmente diante dos prêmios embutidos nos títulos públicos de prazo mais distante.

“A despeito das incertezas externas e domésticas, o mercado reverteu a postura das últimas semanas e mostrou maior apetite ao risco, estimulado pelos prêmios nos ativos de prazos mais longos”, afirmou Marcelo Cidade, assessor econômico da Anbima.

Títulos longos atrelados ao IPCA ganham força

O IMA-B 5+ acompanha o desempenho das NTN-Bs, títulos públicos federais indexados ao IPCA, com vencimento superior a cinco anos. Esses papéis costumam ter maior volatilidade porque são mais sensíveis às mudanças nas expectativas de inflação e juros reais de longo prazo.

Quando há queda nas taxas ou melhora na percepção sobre o prêmio exigido pelo mercado, os títulos mais longos tendem a apresentar valorização mais intensa. Por outro lado, em períodos de estresse, alta dos juros futuros ou deterioração fiscal, esses ativos também podem sofrer perdas mais expressivas.

Em abril, a combinação entre prêmios elevados e retomada parcial do apetite ao risco favoreceu os papéis mais longos. O resultado colocou o IMA-B 5+ na liderança mensal entre os índices de renda fixa acompanhados pela Anbima.

O movimento é relevante para investidores porque mostra que a renda fixa indexada à inflação voltou a ter destaque não apenas como proteção contra alta de preços, mas também como instrumento de ganho de marcação a mercado. Essa dinâmica, no entanto, exige maior tolerância à oscilação de curto prazo.

Para investidores conservadores, títulos mais longos podem não ser adequados quando há necessidade de resgate antes do vencimento. A rentabilidade pode variar de forma significativa no mercado secundário, dependendo das condições da curva de juros.

IMA-B 5 ainda lidera no acumulado do ano

Apesar da liderança do IMA-B 5+ em abril, o IMA-B 5 segue com melhor desempenho no acumulado do ano entre os subíndices do IMA. O indicador, que acompanha NTN-Bs com prazo de até cinco anos, subiu 1,32% no mês e acumulou valorização de 5,23% até abril.

O resultado mostra que os títulos indexados ao IPCA de prazo mais curto continuam oferecendo desempenho consistente no ano. Por terem menor duração, esses papéis tendem a sofrer menos com oscilações bruscas nos juros futuros do que os vencimentos mais longos.

A diferença entre o desempenho mensal e o acumulado do ano também revela uma mudança de composição no apetite do mercado. Enquanto os papéis curtos tiveram melhor relação entre retorno e risco nos primeiros meses, abril favoreceu títulos de maior prazo, que carregavam prêmios mais elevados.

Essa alternância é comum na renda fixa marcada a mercado. Em momentos de incerteza, investidores costumam buscar menor duração, reduzindo exposição a oscilações na curva. Quando os prêmios ficam atrativos, parte do mercado volta a alongar posições em busca de retornos maiores.

O comportamento dos índices da Anbima serve como referência para fundos de renda fixa, gestores, consultores e investidores que acompanham a evolução dos títulos públicos no mercado secundário.

LFTs mantêm avanço com perfil mais conservador

O IMA-S, índice composto por LFTs, também apresentou desempenho positivo. O indicador subiu 1,1% em abril e acumulou alta de 4,62% no ano. As LFTs são títulos públicos pós-fixados atrelados à taxa Selic e costumam ser usadas por investidores que buscam menor volatilidade.

Diferentemente das NTN-Bs e dos prefixados, as LFTs têm menor sensibilidade às variações da curva de juros. Por isso, costumam preservar melhor o capital em períodos de instabilidade, ainda que ofereçam menor potencial de ganho por marcação a mercado quando há fechamento de taxas longas.

O desempenho do IMA-S no ano reflete o ambiente de juros ainda elevados no Brasil. Com a Selic em patamar alto, títulos pós-fixados seguem atraentes para investidores conservadores e para estratégias de liquidez.

Mesmo com a recuperação dos papéis longos em abril, os ativos pós-fixados continuam ocupando papel relevante nas carteiras. Eles funcionam como colchão de segurança em cenários de incerteza fiscal, inflação persistente ou volatilidade externa.

Para o investidor pessoa física, a leitura dos índices reforça a importância de diversificar prazos e indexadores. Papéis atrelados à inflação, prefixados e pós-fixados respondem de forma diferente ao mesmo ambiente econômico.

Prefixados acima de um ano superam vencimentos curtos

Entre os títulos prefixados, o IRF-M 1+, que reúne papéis com vencimento superior a um ano, avançou 1,34% em abril. O resultado superou o IRF-M 1, indicador que acompanha títulos prefixados com vencimento de até um ano, que teve alta de 0,99% no mês.

No acumulado do ano, o IRF-M 1+ registra ganho de 3,4%, enquanto o IRF-M 1 acumula valorização de 4,31%. Assim como nos papéis atrelados à inflação, os prefixados de prazo mais curto mantêm desempenho mais forte no acumulado, mas os vencimentos mais longos ganharam tração em abril.

Os prefixados são especialmente sensíveis às expectativas sobre a trajetória da Selic. Quando o mercado passa a projetar juros menores no futuro, esses títulos tendem a se valorizar. Quando há revisão para cima das expectativas de juros, os preços podem cair.

A alta dos prefixados mais longos em abril sugere melhora pontual na avaliação de parte dos investidores sobre a relação entre prêmio e risco desses papéis. Ainda assim, o ambiente segue exigindo cautela, porque mudanças nas expectativas fiscais, inflacionárias ou externas podem alterar rapidamente a curva.

Para fundos de renda fixa, a decisão de alongar ou encurtar posições em prefixados depende da leitura sobre política monetária, inflação, risco fiscal e comportamento dos juros globais.

Debêntures sem incentivo fiscal sobem 1,4%

Nos títulos corporativos, o destaque positivo de abril ficou com o IDA-IPCA ex-Infraestrutura. O índice, que acompanha debêntures indexadas ao IPCA sem incentivo fiscal, registrou alta de 1,4% no mês e acumulou ganho de 4,81% no ano.

O resultado mostra que parte do crédito privado também se beneficiou da melhora de apetite por risco. Debêntures indexadas à inflação podem atrair investidores interessados em proteção contra o IPCA e em prêmios adicionais em relação aos títulos públicos.

Na sequência, as debêntures remuneradas pelo DI, refletidas no IDA-DI, tiveram desempenho positivo de 1,23% em abril e acumularam alta de 3,89% no ano. Esses papéis costumam ter menor volatilidade que debêntures de maior duração indexadas à inflação, mas dependem da qualidade de crédito dos emissores e da liquidez do mercado secundário.

O desempenho do crédito privado é acompanhado de perto por gestores porque indica o nível de demanda por risco corporativo. Quando o mercado está mais disposto a comprar debêntures, os spreads podem se reduzir, favorecendo empresas emissoras e investidores que já carregam esses papéis.

Ainda assim, o crédito privado exige análise de risco específica. Diferentemente dos títulos públicos, debêntures carregam risco de crédito das companhias emissoras, além de eventuais limitações de liquidez em momentos de estresse.

Debêntures incentivadas recuam e pressionam IDA Geral

Na direção oposta, o IDA-IPCA Infraestrutura, que acompanha debêntures incentivadas, recuou 0,62% em abril. Apesar da queda mensal, o índice ainda acumula variação positiva de 1,33% no ano.

O desempenho negativo das debêntures incentivadas pressionou o IDA Geral, índice que representa o desempenho médio das debêntures marcadas a mercado. O indicador fechou abril com alta de 0,38% e acumulou avanço de 2,71% no ano.

As debêntures incentivadas são emitidas para financiar projetos de infraestrutura e contam com benefício fiscal para pessoas físicas. Por isso, costumam ter forte demanda em períodos de busca por renda isenta. No entanto, também podem sofrer com mudanças na precificação de ativos de longo prazo, liquidez e percepção de risco dos emissores.

A queda em abril não elimina o papel desses ativos em carteiras de renda fixa, mas reforça que o benefício tributário não neutraliza riscos de mercado. Mesmo produtos isentos podem registrar perdas temporárias quando marcados a mercado.

Para investidores, o resultado do IDA-IPCA Infraestrutura serve como alerta sobre a importância de avaliar prazo, liquidez, emissor, estrutura de garantias e sensibilidade a juros antes de concentrar recursos em papéis incentivados.

Renda fixa reflete disputa entre prêmio, risco e juros

O desempenho dos índices da Anbima em abril revela um mercado de renda fixa mais disposto a assumir risco em ativos de prazo longo, mas ainda seletivo. O avanço do IMA-B 5+ mostra que os prêmios em NTN-Bs de vencimento superior a cinco anos voltaram a atrair investidores, enquanto os resultados acumulados no ano seguem favorecendo estratégias com menor duração em alguns segmentos.

A leitura também reforça a importância da marcação a mercado. Títulos públicos e privados podem apresentar ganhos expressivos em períodos de fechamento de taxas, mas também estão sujeitos a perdas quando há abertura da curva de juros.

Para gestores, o cenário exige equilíbrio entre proteção, rentabilidade e liquidez. Papéis pós-fixados continuam relevantes em carteiras conservadoras, enquanto títulos indexados à inflação e prefixados oferecem oportunidades para quem aceita maior volatilidade.

No crédito privado, o contraste entre a alta das debêntures IPCA sem incentivo fiscal e a queda das debêntures incentivadas mostra que a seleção de ativos permanece decisiva. A composição das carteiras, a qualidade dos emissores e o prazo dos papéis podem gerar resultados bastante diferentes dentro da própria renda fixa.

Com incertezas externas e domésticas ainda no radar, a evolução dos próximos meses dependerá da trajetória da inflação, das expectativas para a Selic, da percepção fiscal e do comportamento dos juros internacionais. Em abril, porém, os índices da Anbima indicaram que os investidores voltaram a olhar para os prêmios de longo prazo como uma oportunidade relevante no mercado de renda fixa.

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