A International Meal Company (IMC) iniciou 2026 com mais um passo em seu processo de reestruturação. A companhia, negociada na B3 sob o código MEAL3, anunciou em 30 de dezembro a venda de sua participação remanescente na operação do KFC no Brasil para a Kentucky Foods Chile, em uma transação avaliada em US$ 25 milhões.
O negócio, anunciado após o fechamento do mercado, prevê o pagamento de US$ 5 milhões à vista na assinatura do contrato. O restante será liquidado conforme as condições previstas no acordo. A conclusão ainda depende do cumprimento de condições precedentes e de aprovações regulatórias usuais.
Com a operação, a IMC deixará definitivamente o capital da operação brasileira do KFC, enquanto a Kentucky Foods Chile passará a deter o controle integral da rede no país. A transação aprofunda a estratégia de simplificação do portfólio da companhia e representa mais uma etapa de seu esforço de desalavancagem financeira.
Venda encerra parceria iniciada em março de 2025
A saída da IMC do KFC Brasil ocorre menos de um ano depois da reorganização societária que transferiu o controle da operação para a Kentucky Foods Chile.
Em março de 2025, a IMC anunciou a criação de uma joint venture para concentrar os ativos do KFC no Brasil. Na ocasião, a Kentucky Foods Chile adquiriu 58,3% da operação por US$ 35 milhões, enquanto a IMC permaneceu com 41,7% do capital da nova companhia.
O acordo original atribuiu um valor de US$ 60 milhões ao negócio do KFC no Brasil e tinha como objetivo acelerar a expansão da marca com o apoio de um operador especializado na rede na América Latina.
Agora, a venda da participação remanescente antecipa a saída completa da IMC da sociedade e transfere integralmente a operação para o grupo chileno.
A decisão também reduz a exposição da IMC a um negócio que, embora relevante em receita, exigia investimentos para expansão e competia por capital com outras marcas do portfólio.
IMC quer concentrar recursos em marcas próprias
A companhia afirmou que a operação permitirá reforçar sua estrutura de capital e simplificar a administração do grupo.
Segundo Alexandre Santoro, CEO da IMC, a venda representa um avanço no processo de redução da alavancagem e abre espaço para uma alocação mais concentrada de recursos.
“A conclusão da venda da participação na joint venture do KFC marca um avanço relevante no processo de desalavancagem da IMC”, afirmou o executivo em comunicado divulgado pela companhia.
Com a saída do KFC, a estratégia da IMC passa a concentrar investimentos em negócios considerados prioritários dentro de sua operação, com destaque para o Frango Assado.
O portfólio da companhia também inclui marcas como Pizza Hut, Viena, Batata Inglesa e Brunella. A reorganização ocorre em um momento em que grupos de alimentação e varejo têm buscado reduzir estruturas mais complexas e direcionar recursos para negócios nos quais possuem maior controle operacional e potencial de expansão.
A própria IMC já havia sinalizado, durante a primeira etapa da negociação com a Kentucky Foods Chile, que a parceria permitiria reduzir a necessidade de investimentos próprios na expansão do KFC.
Kentucky Foods Chile assume controle integral da rede
A compradora já era a controladora do KFC Brasil desde a conclusão da primeira etapa da operação em 2025. Com o novo acordo, passará a deter 100% do negócio.
A Kentucky Foods Chile atua como uma das principais operadoras da marca na América Latina. A experiência acumulada na gestão de restaurantes do KFC foi justamente um dos fatores apontados pela IMC quando anunciou a formação da joint venture.
Na operação original, a companhia chilena informou possuir mais de 550 restaurantes da marca em seu portfólio regional, levando ao negócio brasileiro experiência operacional e capacidade de investimento para acelerar a expansão da rede.
Para o KFC Brasil, a mudança consolida uma estrutura de comando única. A expectativa é que a nova controladora tenha maior liberdade para definir investimentos, expansão geográfica e estratégias operacionais para a marca no país.
Operação representa nova etapa da reestruturação
A venda do KFC se encaixa em um movimento mais amplo de reorganização da IMC.
O negócio permite à companhia transformar uma participação minoritária em recursos financeiros e, ao mesmo tempo, eliminar a necessidade de acompanhar futuros aportes necessários para a expansão da rede.
Na prática, a operação reduz a complexidade do portfólio e libera capital para outras frentes.
O impacto financeiro dependerá da conclusão do negócio e da destinação dos recursos, mas a estratégia declarada pela administração é utilizar a reorganização para fortalecer a estrutura de capital e ampliar a flexibilidade financeira.
Considerando as duas etapas anunciadas ao longo de 2025, a relação da IMC com a operação brasileira do KFC passou por uma mudança radical em menos de um ano: a companhia saiu de controladora integral da rede para sócia minoritária e, agora, acertou sua saída completa.
A primeira operação envolveu US$ 35 milhões pela aquisição de 58,3% da joint venture. A venda agora anunciada prevê outros US$ 25 milhões pela participação remanescente da IMC. Embora os valores façam parte de estruturas contratuais distintas, a sequência evidencia o processo de transferência integral da operação brasileira para a Kentucky Foods Chile.
O que muda para IMC e KFC em 2026
Para a IMC, o início de 2026 deverá marcar uma nova fase de concentração do portfólio. Sem participação no KFC Brasil, a companhia tende a direcionar sua atenção para marcas nas quais mantém controle direto e maior autonomia sobre a estratégia de expansão.
O Frango Assado aparece como um dos principais focos desse movimento, segundo a administração.
Já para o KFC, a consolidação do controle nas mãos da Kentucky Foods Chile cria uma estrutura operacional integrada ao grupo que já administra centenas de restaurantes da marca na América Latina.
A conclusão da venda, no entanto, ainda depende das condições previstas no contrato e das aprovações necessárias. Segundo as informações divulgadas no anúncio, o fechamento era esperado em prazo de até 90 dias, caso as condições precedentes fossem cumpridas.
A operação, portanto, encerra um ciclo para a IMC e abre outro para o KFC no Brasil. Enquanto a antiga controladora busca reduzir a complexidade do grupo e concentrar capital em suas marcas prioritárias, a Kentucky Foods Chile passa a assumir integralmente a responsabilidade pela expansão e pela gestão da rede no mercado brasileiro.










