Lula confirma “química” com Trump e sinaliza negociações sobre terras-raras
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (24/09/2025), após compromissos em Nova York, que realmente “pintou uma química” em sua breve conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a Assembleia Geral da ONU. Segundo o petista, o encontro que parecia improvável ocorreu de forma natural e pode abrir caminho para a superação do mal-estar recente entre os dois países.
Além da aproximação política, Lula mencionou a possibilidade de discutir temas estratégicos, como a exploração de minerais críticos e terras-raras, considerados essenciais para a indústria tecnológica e energética global. O presidente foi categórico ao afirmar que o Brasil não aceitará ser apenas exportador de minérios, mas quer firmar parcerias que agreguem valor à produção nacional.
O encontro entre Lula e Trump na ONU
Durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, Lula e Trump tiveram um breve contato que surpreendeu observadores internacionais. O republicano descreveu a conversa como “excelente” e ressaltou que percebeu uma boa conexão com o líder brasileiro.
Lula confirmou a impressão e declarou que a relação pessoal entre os dois pode ser um ponto de virada:
-
Para ele, 80% da relação humana é “química” e 20% emoção.
-
A harmonia entre líderes pode ajudar a restabelecer a cooperação entre Brasil e EUA, que têm mais de 200 anos de relações diplomáticas.
-
O petista acredita que o diálogo direto pode corrigir informações distorcidas que influenciaram decisões anteriores do governo norte-americano.
O papel das terras-raras na negociação
Um dos pontos mais relevantes abordados por Lula foi a exploração de terras-raras, minerais considerados estratégicos para a produção de baterias, semicondutores, equipamentos médicos e tecnologias verdes.
-
Quer atrair investimentos estrangeiros para exploração sustentável;
-
Não aceitará papel de mero exportador de matéria-prima;
-
Pretende estabelecer acordos de “ganha-ganha” com empresas internacionais;
-
Busca agregar valor à cadeia produtiva, transformando minerais em produtos de maior rentabilidade.
Segundo ele, o Brasil discutirá o tema com parceiros de todo o mundo, sem restrições geopolíticas, mas sempre preservando a soberania e o controle sobre suas riquezas.
Relação Brasil-EUA: superando o mal-estar
Lula apontou que Trump estaria mal informado sobre a realidade brasileira, insinuando que líderes como Eduardo Bolsonaro (PL-SP) influenciaram negativamente a visão do republicano. Para o presidente, a reaproximação com os EUA é fundamental para aliviar tensões diplomáticas e abrir uma pauta positiva entre as nações.
Entre os possíveis temas dessa pauta estão:
-
Comércio bilateral;
-
Cooperação tecnológica;
-
Projetos científicos conjuntos;
-
Investimentos em energia e sustentabilidade;
Otimismo e cautela
Apesar do clima de otimismo, Lula deixou claro que alguns temas são inegociáveis. A soberania e a democracia brasileiras, segundo ele, não entram na mesa de negociação.
O presidente também afirmou não temer constrangimentos em futuros encontros com Trump. Para Lula, ambos se tratarão com respeito, considerando a experiência e o peso institucional de seus cargos. Ele destacou ainda que, apesar dos 80 anos de idade de cada um, os dois líderes se sentem jovens e prontos para novos desafios.
O que esperar da reunião futura
Embora não tenha confirmado data nem formato, Lula sinalizou abertura para uma reunião presencial ou virtual com Trump nos próximos dias. A expectativa é de que o encontro possa:
-
Restabelecer confiança política;
-
Abrir espaço para cooperação em setores estratégicos;
-
Reduzir impactos das sanções impostas pelos EUA ao Brasil;
-
Posicionar o Brasil como protagonista na agenda global de minerais críticos e terras-raras.
O tom adotado por Lula mostra que a diplomacia brasileira busca equilibrar diálogo político com interesses econômicos, aproveitando a oportunidade para transformar uma relação desgastada em parceria estratégica.
A confirmação da “química” entre Lula e Trump, aliada à disposição de discutir terras-raras, sinaliza um possível recomeço nas relações entre Brasil e Estados Unidos. O tema dos minerais críticos amplia o debate para além da política, conectando diplomacia e economia em um cenário global marcado pela disputa por insumos estratégicos.
Se o encontro futuro realmente avançar, poderá representar não apenas a reaproximação entre dois líderes, mas também um marco para a posição do Brasil na geopolítica dos recursos naturais.






