O maior prédio residencial do mundo poderá ser construído no Brasil. Projetada para ultrapassar os 500 metros de altura, a Senna Tower avança em Balneário Camboriú, no litoral de Santa Catarina, com a proposta de superar o Central Park Tower, de Nova York, atual detentor do recorde mundial entre os edifícios destinados predominantemente à moradia.
O empreendimento terá 228 unidades residenciais, incluindo apartamentos de alto padrão, mansões suspensas e coberturas triplex. O projeto comercial prevê cerca de 150 andares, enquanto cadastros técnicos internacionais indicam altura estimada de 544 metros e 135 pavimentos contabilizados conforme critérios próprios de engenharia.
Se as dimensões forem mantidas até a conclusão da obra, prevista para 2033, o maior prédio residencial do mundo ficará aproximadamente 72 metros acima do Central Park Tower, que possui 472,4 metros de altura.
Batizado em homenagem a Ayrton Senna, o edifício é desenvolvido pela FG Empreendimentos em parceria com a Senna Brands e investidores ligados à Havan. Além das residências, a torre reunirá espaços de lazer, gastronomia, entretenimento e uma área dedicada à trajetória do tricampeão mundial de Fórmula 1.
O maior prédio também representa uma aposta bilionária no mercado imobiliário de luxo. O projeto tem Valor Geral de Vendas estimado em R$ 8,5 bilhões e já teria alcançado R$ 2,48 bilhões em unidades comercializadas, segundo dados apresentados pelos responsáveis pelo empreendimento.
Torre brasileira pretende superar recorde de Nova York
O atual edifício residencial mais alto do mundo é o Central Park Tower, localizado na região conhecida como Billionaires’ Row, em Manhattan. Inaugurado em Nova York, o arranha-céu alcança 472,4 metros e reúne residências de alto luxo, hotelaria e espaços comerciais.
A Senna Tower foi projetada para ultrapassar essa marca. Com altura estimada de 544 metros, o edifício brasileiro entrará no grupo dos superarranha-céus, classificação internacional aplicada a construções com mais de 300 metros.
A diferença entre o número comercial de aproximadamente 150 andares e os 135 pavimentos registrados em cadastros técnicos está relacionada às metodologias utilizadas. Pavimentos mecânicos, mezaninos, áreas intermediárias e níveis sem ocupação residencial podem ser contados de formas diferentes.
Como a construção ainda está em andamento, a confirmação do recorde dependerá da conclusão da estrutura, da medição definitiva e da manutenção das características previstas no projeto.
O maior prédio terá 228 imóveis de luxo
A Senna Tower terá 228 unidades residenciais. O conjunto incluirá 204 apartamentos com até 400 metros quadrados, 18 mansões suspensas com áreas entre 420 e 563 metros quadrados, quatro coberturas duplex e duas megacoberturas triplex de aproximadamente 903 metros quadrados.
Os imóveis mais exclusivos poderão atingir valores próximos de R$ 400 milhões. O preço médio informado para o empreendimento está em torno de R$ 110 mil por metro quadrado de área privativa.
Esse valor coloca as unidades do maior prédio residencial projetado no Brasil em um patamar muito superior à média de Balneário Camboriú, cidade que já possui um dos metros quadrados mais caros do país.
O empreendimento terá ainda seis pavimentos de lazer, academia, áreas de convivência, salões de festas, espaços gastronômicos e ambientes de entretenimento. Parte da estrutura será aberta ao público, enquanto as áreas mais elevadas permanecerão reservadas aos moradores.
Engenharia enfrentará vento e oscilações em altura extrema
A construção do maior prédio residencial do mundo exigirá soluções de engenharia ainda pouco utilizadas na América Latina. Uma delas será o Tuned Mass Damper, sistema de amortecimento de massa instalado na parte superior da torre.
O equipamento funciona como um grande contrapeso. Quando o edifício se movimenta devido à força do vento, a massa se desloca na direção oposta, reduzindo a oscilação percebida pelos moradores.
O sistema é comum em grandes arranha-céus de países sujeitos a ventos intensos e terremotos. Na Senna Tower, será utilizado principalmente para ampliar o conforto nos pavimentos mais altos e preservar o desempenho estrutural da construção.
Quanto maior e mais estreito é um edifício, mais sensível ele tende a ser à ação do vento. Por isso, fundações, estrutura, fachada, elevadores, abastecimento de água, segurança contra incêndios e sistemas de evacuação precisarão ser dimensionados para uma torre com mais de meio quilômetro de altura.
Balneário Camboriú concentra alguns dos maiores edifícios do país
A escolha de Balneário Camboriú para receber o maior prédio residencial do mundo acompanha o processo de verticalização acelerada da cidade. A orla catarinense já abriga alguns dos edifícios mais altos da América Latina.
Entre os empreendimentos existentes estão as torres do Yachthouse, o One Tower e outros projetos residenciais com mais de 200 metros de altura. A Senna Tower, no entanto, elevará essa escala a um novo patamar.
Caso alcance os 544 metros previstos, o edifício terá mais que o dobro da altura de diversas torres que atualmente dominam a paisagem urbana da cidade.
Balneário Camboriú também figura entre os mercados imobiliários mais valorizados do Brasil. A oferta limitada de terrenos próximos à praia, a procura de compradores de outras regiões e o crescimento do segmento de alto padrão sustentam os preços elevados.
Vendas do maior prédio somam bilhões antes da entrega
A Senna Tower já teria vendido ao menos 60 das 228 unidades previstas. Os contratos somariam R$ 2,48 bilhões, incluindo dez das 18 mansões suspensas.
O valor corresponde a aproximadamente 29% do VGV estimado de R$ 8,5 bilhões. A média das unidades negociadas supera R$ 40 milhões, embora os preços variem significativamente conforme tamanho, andar, posição e categoria do imóvel.
Segundo informações divulgadas pela incorporadora, cerca de 80% dos compradores pretendem utilizar os imóveis como residência principal ou segunda moradia. Aproximadamente 10% das vendas foram realizadas para estrangeiros.
A comercialização antecipada é relevante para o financiamento de uma obra com prazo de vários anos. Ao mesmo tempo, os compradores ficam expostos ao cronograma da construção, a possíveis alterações técnicas e às condições econômicas até a entrega.
Ayrton Senna inspira arquitetura e identidade da torre
Embora o principal destaque do empreendimento seja a possibilidade de se tornar o maior prédio residencial do mundo, a identidade da torre está diretamente ligada à trajetória de Ayrton Senna.
O conceito arquitetônico foi desenvolvido por Lalalli Senna, sobrinha do piloto. A estrutura representa a chamada Jornada do Herói, com diferentes partes da construção simbolizando desafios, transformação e superação.
A base representa o início da trajetória. A mudança de forma ao longo do edifício simboliza os obstáculos enfrentados pelo personagem. O topo representa a realização do propósito e a permanência do legado.
O projeto prevê ainda um espaço imersivo dedicado à história do piloto, além da aplicação da marca Senna em experiências e ambientes do empreendimento.
Obra até 2033 definirá recorde mundial
A entrega da Senna Tower está prevista para 2033, embora cronogramas anteriores tenham mencionado a possibilidade de conclusão em 2032. Projetos dessa dimensão estão sujeitos a alterações provocadas por licenças, engenharia, disponibilidade de materiais, custos e ritmo de execução.
Até a finalização, o Central Park Tower continuará oficialmente reconhecido como o maior edifício residencial concluído do mundo.
O recorde brasileiro também dependerá de outros projetos internacionais. Novas torres poderão ser lançadas ou concluídas antes da entrega da Senna Tower, modificando a classificação mundial.
Ainda assim, a construção já representa uma mudança de escala para o setor imobiliário brasileiro. O maior prédio projetado para o país reúne engenharia de grande altura, imóveis avaliados em centenas de milhões de reais, investimento bilionário e uma marca conhecida mundialmente.
Se os 544 metros forem confirmados, Balneário Camboriú deixará de ser apenas uma cidade com alguns dos maiores arranha-céus da América Latina e passará a abrigar o maior prédio residencial do planeta.











