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Motiva (MOTV3) tem lucro de R$ 663 mi no 2T26, supera consenso e ação dispara 4,7% com Fernão Dias

Resultado divulgado em 29 de julho supera consenso de R$ 541 milhões, Ebitda ajustado de R$ 2,37 bilhões reflete eficiência e concessão Minas_SP com capex de R$ 9,5 bilhões

por Alice Nascimento
30/07/2026 às 16h44
em Empresas
Motiva Motv3 Lucro 2T26 - Gazeta Mercantil

A Motiva Infraestrutura de Mobilidade (MOTV3), antiga CCR, registrou lucro líquido ajustado de R$ 663 milhões no segundo trimestre de 2026, crescimento de 67% em relação ao mesmo período de 2025 e 22% acima do consenso da Bloomberg de R$ 541 milhões. A divulgação ocorreu em 29 de julho de 2026, após o fechamento do mercado, no site oficial de relações com investidores da companhia, com videoconferência marcada para 30 de julho às 10h. O desempenho foi sustentado por Ebitda ajustado de R$ 2,37 bilhões, alta de 30,1% na base anual, margem de 65,3% contra 60,6% no 2T25 e incorporação da concessão Minas_SP, antiga Fernão Dias, que redefiniu o portfólio rodoviário e a projeção de investimentos da maior operadora de infraestrutura de mobilidade do Brasil.

O balanço consolida a nova fase da Motiva após a venda da plataforma de aeroportos para a mexicana Asur em novembro de 2025 e a aquisição de 100% da Autopista Fernão Dias por R$ 381 milhões da Arteris. A receita líquida ajustada, de R$ 3,74 bilhões, apresentou queda de 1,6% na comparação anual, mas veio praticamente em linha com as estimativas que já desconsideravam aeroportos como operação descontinuada. O resultado operacional líquido, desconsiderando o único ajuste extraordinário apontado pelo BTG Pactual, ficou 7% acima da projeção da casa, evidenciando controle de custos e reajustes tarifários.

Leia também: Motiva (MOTV3) paga dividendos acima do esperado, mas deve suspender proventos até 2026.

Fato Relevante da Motiva cita lucro de R$ 663 milhões e Ebitda de R$ 2,37 bilhões no 2T26

De acordo com a Central de Resultados da Motiva, o lucro líquido ajustado reflete a evolução consistente da eficiência operacional e a disciplina na alocação de capital. O Ebitda ajustado somou R$ 2,37 bilhões, com margem de 65,3%, avanço de 4,7 pontos percentuais em doze meses. No primeiro trimestre de 2026, a companhia já havia reportado R$ 627 milhões de lucro ajustado, alta de 16,3% ano a ano, e margem de 67,3%. A sequência mostra recuperação de rentabilidade após a reorganização societária e o fim de operações deficitárias como as barcas no Rio de Janeiro.

A Motiva encerrou 2025 com receita líquida ajustada de R$ 15,3 bilhões, crescimento de 5,2%, e lucro ajustado anual de R$ 2,2 bilhões, alta de 25%. No quarto trimestre de 2025, o lucro ajustado foi de R$ 606 milhões, crescimento de 68,3%, com margem de 62,4%. Esses números servem de base para a comparação do 2T26 e explicam por que o mercado esperava manutenção de margens elevadas. A empresa opera hoje rodovias, trilhos e serviços, com cerca de 4.600 quilômetros sob gestão e concessão até 2040 na nova Minas_SP.

Leia também: Apple (AAPL34) supera expectativas com lucro recorde e vendas históricas do iPhone no 2T25.

Para o investidor, o dado relevante é a conversão de receita em caixa. A Motiva reportou nos últimos trimestres relação Opex caixa sobre receita líquida ajustada em queda, uma das metas da Ambição 2035. No 2T26, o ganho de margem ocorreu mesmo com investimentos concentrados, o que indica alavancagem operacional. A dívida líquida consolidada, que era de R$ 32,3 bilhões ao fim do 2T25 com alavancagem de 3,7 vezes o Ebitda ajustado dos últimos doze meses, vem sendo administrada com captações via debêntures, BNDES e Banco do Nordeste, segundo documentos enviados à Comissão de Valores Mobiliários.

Receita de R$ 3,74 bilhões incorpora Minas_SP e tráfego resiliente de 3,2%

A receita líquida de R$ 3,74 bilhões foi impulsionada, segundo o BTG Pactual, por três vetores: incorporação da concessão Minas_SP, crescimento do tráfego comparável e reajustes tarifários, além de maior contribuição de novas concessões rodoviárias. O tráfego de veículos equivalentes cresceu 3,2% no comparativo anual, com destaque para a Via Dutra na região de São José dos Campos e a Serra das Araras. Nos cinco primeiros meses de 2026, a companhia acumulou 419,038 milhões de veículos equivalentes, avanço de 3% sobre 2025.

Leia também: Nike processa New Balance e Skechers por violação de patentes.

A concessão Minas_SP, referente à BR-381 entre Belo Horizonte e São Paulo, trecho de 569 quilômetros, foi arrematada com deságio de 17,05% sobre a tarifa básica de pedágio em leilão realizado na B3. O Ministério dos Transportes e a Agência Nacional de Transportes Terrestres formalizaram a transferência em 30 de março de 2026, com pacote de investimentos de R$ 14,8 bilhões previsto para modernização, ampliação de capacidade e segurança viária. A Motiva prevê para 2026 investir cerca de R$ 8,3 bilhões no consolidado, incluindo R$ 9,5 bilhões destinados à Fernão Dias ao longo do contrato.

A diretoria informou que o plano de melhorias da Fernão Dias exigirá US$ 1,92 bilhão, equivalente a R$ 9,5 bilhões, com investimento concentrado na recuperação da infraestrutura existente e otimizações futuras. O ativo passa a ser contabilizado integralmente a partir do segundo trimestre de 2026, o que explica parte da queda nominal de receita por mudança de base, mas eleva a previsibilidade de caixa de longo prazo. A companhia também destacou a expansão de receitas complementares, com 21,8% de alta em 2025, refletindo ampliação de área bruta locável em trilhos.

Capex da Fernão Dias tem economia de 20% e altera projeção do Citi para R$ 8,82 bilhões

O principal ponto de atenção apontado pelo Citi foi a atualização sobre capex e opex da Minas_SP. A empresa informou economia de 20% em relação ao estudo do governo: de R$ 7,7 bilhões em valores de março de 2023, ou R$ 8,82 bilhões na base do 2T26. O número ficou ligeiramente acima da expectativa do Citi, de R$ 8,5 bilhões na mesma base, mas a redução de 5% no opex foi marginalmente melhor que a projeção do analista Filipe Nielsen. A concessão deve começar com margens de Ebitda menores, evoluindo para níveis superiores no longo prazo.

Analistas do BTG Pactual, Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim, avaliaram que a inclusão do capex da Fernão Dias, cerca de R$ 9 bilhões, ocorreu conforme esperado. Para eles, o segundo trimestre representa bem a nova fase da Motiva, com receita e Ebitda praticamente em linha com estimativas que já incorporavam sólida eficiência operacional. A única surpresa foi o lucro líquido, 7% acima da projeção desconsiderando ajuste extraordinário simples.

A leitura de mercado é que a economia de capex preserva retorno sobre capital investido em um ativo considerado estratégico por conectar dois dos maiores PIBs do país. A Motiva destacou que não divulgou soluções de engenharia que reduziram o capex por considerar a informação material e potencialmente prejudicial à competitividade nos leilões previstos para 2026. O saldo de capex total da companhia, segundo levantamento citado em relatórios, se aproxima de R$ 60 bilhões, quase 1,9 vez seu valor de mercado, o que exige disciplina na execução.

Bradesco BBI assume 14,86% do Grupo Mover e elimina incerteza do bloco de controle

Em 28 de julho de 2026, a Motiva informou em fato relevante que o Grupo Mover, controlado por Sucea e Sincro, em recuperação judicial, assinou documentos vinculantes e definitivos para vender sua participação integral de 14,86%, equivalente a 300.149.832 ações ordinárias, para o Bradesco BBI. Como os demais integrantes do bloco de controle — Soares Penido, Itaúsa e Votorantim — optaram por não exercer direito de preferência, o Bradesco BBI foi confirmado como comprador, ainda sujeito a condições precedentes.

Para o BTG Pactual, o anúncio representa um marco. Pela primeira vez, uma construtora deixa de integrar o bloco de controle da companhia, eliminando fator de incerteza que pesava sobre a tese de investimento. O Safra avaliou a operação como evento administrável para minoritários, pois não aciona tag along nem oferta pública obrigatória, por não haver mudança de controle, apenas substituição de membro do bloco. A casa classificou a notícia como marginalmente positiva, por retirar da estrutura acionária um vendedor em situação financeira fragilizada por preço sem prêmio significativo de controle.

A entrada do Bradesco BBI, braço de investimentos do Banco Bradesco (BBDC4), é interpretada como movimento financeiro e não operacional, sem alteração de estratégia. A Motiva mantém gestão independente e foco em brownfields, projetos de expansão em ativos já existentes, com pipeline superior a R$ 20 bilhões apontado pelo BTG. A transação ocorre após a venda da plataforma de aeroportos, que passou a ser tratada como operação descontinuada, permitindo comparação mais limpa entre trimestres.

Ação MOTV3 sobe 4,73% a R$ 14,83 e analistas reiteram compra com alvo até R$ 20

No pregão de 30 de julho de 2026, as ações da Motiva (MOTV3) lideraram o Ibovespa desde a abertura, com alta de 4,73% a R$ 14,83 na máxima intradia por volta de 11h50, revertendo desempenho anual de 7% em 2026 contra 16% do Ibovespa em doze meses. O movimento refletiu a combinação de lucro acima do consenso, margem recorde e resolução do overhang do bloco de controle. O Safra, o BTG Pactual e o Citi reiteraram recomendação de compra, com preços-alvo de R$ 18,30, R$ 20,00 e R$ 16,20, respectivamente, implicando potencial de valorização de 29,2%, 41,2% e 14,4% sobre o fechamento de 29 de julho de R$ 14,16.

Para o Safra, os resultados reforçam capacidade de combinar crescimento operacional com expansão de margens mesmo em cenário de investimentos relevantes e aumento da alavancagem. Os analistas Luiz Peçanha e Arthur Godoy destacaram que a empresa segue negociando a níveis considerados atrativos em relação a títulos públicos indexados à inflação, o que reforça tese de valor para horizontes longos. O Citi ponderou que a concessão Minas_SP deve pressionar margens no início, mas melhorar rentabilidade à medida que obras de duplicação da Raposo Tavares, da BR-386 no Rio Grande do Sul e da Serra das Araras avancem.

O mercado monitora agora dois gatilhos: a execução do capex de R$ 8,3 bilhões previsto para 2026 e a formalização definitiva da entrada do Bradesco BBI no bloco de controle. A Motiva informou que pagará aproximadamente R$ 124 milhões em dividendos em 30 de abril de 2026, conforme aprovado em Assembleia Geral Ordinária, mantendo política de remuneração mesmo com ciclo de investimentos elevado. A companhia encerrou o primeiro trimestre com dívida líquida de R$ 25 bilhões, equivalente a 3,2 vezes o Ebitda ajustado, com tendência de redução segundo projeções de casas de análise.

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