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Home Economia

Operação Compliance Zero: PF investiga vazamento e fuga de ligados ao Banco Master

por Aparecida Garcia - Repórter
14/01/2026
em Economia, Brasil, Destaque, Notícias
Operação Compliance Zero: Pf Inicia Oitivas Sobre Fraude Bilionária No Caso Master-Brb - Gazeta Mercantil

PF investiga vazamento de dados na Operação Compliance Zero e mira fuga de alvos ligados ao Banco Master

A Polícia Federal (PF) deparou-se com um cenário alarmante nas primeiras horas desta quarta-feira (14), durante a deflagração da segunda fase da Operação Compliance Zero. O que deveria ser uma ação surpresa para desarticular um suposto esquema de fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro, transformou-se em uma investigação paralela sobre a integridade das próprias instituições. Há fortes indícios de que informações sigilosas sobre a Operação Compliance Zero tenham vazado antes da chegada dos agentes às ruas, permitindo que alvos estratégicos tentassem deixar seus domicílios ou até mesmo o país horas antes do cumprimento dos mandados.

A suspeita de vazamento coloca em xeque a blindagem da investigação e eleva a temperatura da crise institucional que envolve o sistema financeiro nacional. A Operação Compliance Zero, que já se desenha como um dos maiores golpes contra crimes de colarinho branco da década, agora precisa lidar não apenas com a complexidade financeira dos desvios, mas com a possibilidade de espionagem ou traição dentro dos órgãos de controle ou do judiciário.

A Coincidência nos Aeroportos e o Alerta da PF

O gatilho para a suspeita de vazamento na Operação Compliance Zero foi acionado nos aeroportos internacionais do país. Investigadores que monitoravam os passos dos envolvidos foram surpreendidos pela movimentação atípica de familiares e associados de Daniel Vorcaro na véspera da ação ostensiva.

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O caso mais emblemático envolve Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro. Ele foi localizado no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, com passagem comprada e pronto para embarcar rumo a Dubai. A escolha do destino e o timing da viagem — poucas horas antes de a Polícia Federal bater à porta dos investigados — acenderam o alerta vermelho na coordenação da Operação Compliance Zero. Dubai, nos emirados Árabes, é frequentemente citada em investigações internacionais como um destino complexo para extradições e recuperação de ativos, o que reforça a tese de uma tentativa de evasão planejada com base em informações privilegiadas.

Zettel chegou a ser detido na madrugada pelas autoridades, mas foi liberado logo em seguida, após os procedimentos legais. Contudo, o episódio lançou uma sombra de dúvida sobre quem teria alertado o núcleo próximo a Vorcaro sobre a iminência da segunda fase da Operação Compliance Zero.

Simultaneamente, no Rio de Janeiro, outra figura central da trama financeira foi interceptada. O investidor Nelson Tanure, também alvo desta etapa da Operação Compliance Zero, foi encontrado no Aeroporto do Galeão (Tom Jobim). Diferentemente de Zettel, Tanure estava prestes a embarcar em um voo doméstico com destino a Curitiba. Embora o destino fosse nacional, a movimentação na madrugada da operação é vista como suspeita pelos delegados responsáveis. Tanure teve seu aparelho celular apreendido para perícia técnica e foi liberado, mas sua presença em um terminal aeroportuário no exato momento em que a PF se mobilizava reforça a hipótese de que o sigilo da Operação Compliance Zero foi comprometido.

O Histórico de Fugas e a Reincidência na Operação Compliance Zero

A suspeita de vazamento e tentativa de fuga não é um elemento novo na narrativa que envolve o Banco Master e seus executivos. A primeira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro, já havia sido marcada por um episódio cinematográfico envolvendo o próprio Daniel Vorcaro.

Naquela ocasião, o banqueiro foi preso em flagrante, também no Aeroporto de Guarulhos. Segundo os relatórios de inteligência da Polícia Federal anexados aos autos da Operação Compliance Zero, Vorcaro estava prestes a embarcar em um avião particular com destino à Europa. A tentativa de saída do país ocorreu dias antes da deflagração oficial, sugerindo que o proprietário do Banco Master já possuía algum nível de informação sobre o cerco que se fechava.

a reincidência desse padrão de comportamento — a busca por aeroportos e destinos internacionais na iminência de ações policiais — é um dos pilares que sustentam a necessidade de medidas cautelares mais rígidas. Para os investigadores da Operação Compliance Zero, não se trata de coincidência, mas de um modus operandi que visa frustrar a aplicação da lei penal e garantir a impunidade através da evasão territorial. O fato de Vorcaro ter sido solto por ordem judicial dias após sua primeira prisão é um ponto de tensão entre a PF e o Judiciário, que agora se veem diante de novos indícios de risco de fuga por parte de seus familiares e sócios.

O Escopo da Segunda Fase da Operação Compliance Zero

Apesar das suspeitas de vazamento, a Polícia Federal cumpriu um extenso cronograma de diligências nesta quarta-feira. A segunda fase da Operação Compliance Zero é robusta e visa atingir o patrimônio acumulado através das supostas fraudes financeiras.

Por determinação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram expedidos 42 mandados de busca e apreensão. As ordens judiciais miram endereços residenciais e comerciais ligados a Daniel Vorcaro e a seu núcleo familiar direto, incluindo o pai e a irmã do banqueiro. A extensão das buscas aos familiares indica que a Operação Compliance Zero trabalha com a hipótese de confusão patrimonial e uso de “laranjas” para ocultar os ativos desviados da instituição financeira.

O impacto econômico da operação é monumental. A Justiça determinou o bloqueio de bens e valores que, somados, ultrapassam a cifra de R$ 5,7 bilhões. Esse montante estratosférico reflete a dimensão do rombo financeiro investigado pela Operação Compliance Zero. O sequestro desses bens é vital para garantir um eventual ressarcimento aos cofres públicos e aos credores lesados pelas operações do Banco Master.

A inclusão do STF na supervisão da Operação Compliance Zero demonstra a gravidade e a complexidade do caso. Normalmente, crimes financeiros são tratados na primeira instância federal, mas a magnitude dos valores, o envolvimento de múltiplas jurisdições e a conexão com outras investigações atraíram a competência da corte suprema, elevando o status jurídico do inquérito.

O Banco Master e a Fraude Bilionária

O centro gravitacional da Operação Compliance Zero é o Banco Master, uma instituição que passou de um player agressivo no mercado de crédito para o pivô de um escândalo nacional. A gênese da crise remonta a novembro, quando o Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial da instituição.

A decisão do BC não foi tomada de ânimo leve. Ela ocorreu após a descoberta de inconsistências graves e suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito do Master para o Banco de Brasília (BRB). A Operação Compliance Zero investiga a transação avaliada em R$ 12,2 bilhões, que teria sido inflada ou simulada para mascarar a insolvência do banco de Vorcaro e gerar lucros fictícios.

Para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o caso investigado pela Operação Compliance Zero tem potencial para ser classificado como a “maior fraude bancária” da história recente do país. A declaração do ministro coloca um peso político imenso sobre os ombros dos investigadores e do judiciário. Se confirmada a fraude nessa escala, o sistema financeiro brasileiro terá que rever seus mecanismos de auditoria e conformidade (compliance), justificando, ironicamente, o nome dado à operação policial.

A relação entre o Master e o BRB é o fio da meada que a PF tenta desenrolar. A Operação Compliance Zero busca entender como uma carteira de crédito podre ou superavaliada pôde ser negociada por valores bilionários sem que os alertas de risco fossem disparados nos sistemas de controle bancário. A suspeita é de que houve conivência interna e falsificação de documentos contábeis, crimes que ferem mortalmente a credibilidade do sistema bancário.

Disputa Institucional e Defesa

O desenrolar da Operação Compliance Zero também expõe uma disputa institucional latente. De um lado, a Polícia Federal e o Ministério da Fazenda pressionam por punições exemplares e pela recuperação dos ativos. De outro, decisões judiciais que permitiram a soltura rápida de Vorcaro após a primeira fase geram atritos e questionamentos sobre a eficácia da persecução penal no Brasil.

A defesa de Daniel Vorcaro, por sua vez, mantém uma postura de colaboração formal, embora critique o cerco estabelecido pela Operação Compliance Zero. Em nota divulgada à imprensa, os advogados do banqueiro afirmam que ele tem colaborado integralmente com as autoridades. Todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência”, diz o comunicado.

No entanto, a defesa ressalta um ponto crucial para o devido processo legal: a falta de acesso aos autos. Os advogados alegam que ainda não tiveram conhecimento integral das provas e das justificativas que embasaram a segunda fase da Operação Compliance Zero, o que dificultaria o exercício do contraditório. Essa reclamação é comum em operações de grande porte, onde o sigilo é mantido para garantir a eficácia das diligências, especialmente quando há risco de vazamento — risco este que, segundo a PF, concretizou-se nesta quarta-feira.

O Impacto do Vazamento nas Investigações

Se confirmado que houve vazamento de informações privilegiadas sobre a Operação Compliance Zero, as consequências podem ser devastadoras para o inquérito. A antecipação dos alvos permite a destruição de provas, a ocultação de bens móveis (como joias, dinheiro em espécie e obras de arte) e a coordenação de álibis entre os investigados.

A presença de Zettel no aeroporto com destino a Dubai é o indício mais forte de que o fator surpresa da Operação Compliance Zero foi comprometido. A Polícia Federal agora deve abrir uma apuração interna ou um novo inquérito para identificar a origem do vazamento. As possibilidades variam desde servidores do judiciário com acesso aos mandados até funcionários de órgãos de controle que participam da força-tarefa.

O vazamento não apenas atrapalha a coleta de provas, mas também coloca em risco a segurança dos agentes envolvidos na Operação Compliance Zero. Além disso, mina a confiança da sociedade nas instituições, sugerindo que o poder econômico dos investigados — capazes de movimentar bilhões — ainda possui tentáculos dentro do Estado capazes de antecipar ações policiais.

Consequências Econômicas e Sociais

O bloqueio de R$ 5,7 bilhões determinado no âmbito da Operação Compliance Zero é uma medida cautelar agressiva, mas necessária. O valor representa uma fatia significativa do PIB de muitos municípios brasileiros e dá a dimensão do capital que circulava à margem da legalidade.

A liquidação do Banco Master e as revelações trazidas pela Operação Compliance Zero afetam diretamente milhares de correntistas, investidores e detentores de títulos da instituição. A incerteza sobre a recuperação desses valores gera tensão no mercado e exige uma atuação rápida do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e do Banco Central.

Além disso, a operação lança luz sobre a vulnerabilidade dos bancos médios no Brasil. A Operação Compliance Zero serve como um alerta para o mercado de que práticas de alavancagem excessiva e maquiagem de balanços não serão toleradas. A “limpeza” promovida pela PF, embora dolorosa no curto prazo, é fundamental para a saúde de longo prazo do sistema financeiro.

O Futuro da Operação Compliance Zero

Com a segunda fase deflagrada e os bens bloqueados, a Operação Compliance Zero entra agora em uma etapa de análise minuciosa do material apreendido. Os celulares de Nelson Tanure e de outros investigados, documentos contábeis e registros de movimentação financeira serão cruzados para mapear o caminho do dinheiro.

A PF também deve intensificar o monitoramento dos passos de Daniel Vorcaro e seus familiares, visando impedir novas tentativas de fuga como a suspeitada no aeroporto de Guarulhos. A liberdade provisória dos investigados pode ser revista pelo STF caso fique comprovado que houve tentativa de evasão ou obstrução de justiça, elementos que justificariam prisões preventivas no escopo da Operação Compliance Zero.

A sociedade brasileira aguarda os próximos capítulos. A Operação Compliance Zero não é apenas sobre um banco ou um banqueiro; é sobre a capacidade do Estado brasileiro de impor a lei aos poderosos e garantir que fraudes bilionárias não fiquem impunes. O episódio do vazamento é um obstáculo grave, mas também pode servir como catalisador para um rigor ainda maior nas investigações que virão a seguir. O desfecho deste caso definirá novos parâmetros para o combate ao crime financeiro no Brasil.

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