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Pague Menos aumenta lucro ajustado em 22,2% e reduz alavancagem no 2T26

Ebitda ajustado atingiu R$ 281,7 milhões, com margem de 6,5%, enquanto as vendas digitais superaram R$ 1 bilhão.

por João Souza
04/08/2026 às 10h53
em Empresas
Pague Menos (Pgmn3) Vê Lucro Ajustado Saltar 325,6% No 1T26 E Reforça Avanço Operacional - Gazeta Mercantil

A Empreendimentos Pague Menos S.A. (PGMN3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 73,6 milhões, avanço de 22,2% sobre o mesmo período de 2025. O resultado, divulgado em 3 de agosto, foi acompanhado por crescimento de 15,4% do Ebitda ajustado, para R$ 281,7 milhões, e pela redução da alavancagem financeira para 1,8 vez o Ebitda dos últimos 12 meses. A margem Ebitda alcançou 6,5%, 0,4 ponto percentual acima da registrada um ano antes e o maior nível trimestral informado pela companhia.

O lucro líquido contábil, preparado sob o IFRS 16, somou R$ 71,1 milhões, ante R$ 50,2 milhões no segundo trimestre de 2025. Para chegar ao lucro ajustado de R$ 73,6 milhões, a empresa excluiu R$ 1,8 milhão de efeitos do IFRS 16 e acrescentou ajustes gerenciais líquidos de R$ 700 mil. O relatório gerencial apresenta indicadores operacionais sob o IAS 17, enquanto as demonstrações contábeis seguem o padrão vigente.

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No primeiro semestre, o lucro líquido ajustado atingiu R$ 129,2 milhões, aumento de 76,3% em relação aos R$ 73,3 milhões apurados nos seis primeiros meses de 2025. O Ebitda ajustado acumulado chegou a R$ 486,4 milhões, alta de 23,3%, com margem de 5,7%, frente a 5,2% um ano antes.

Receita avança e despesas de venda perdem peso

A receita bruta totalizou R$ 4,343 bilhões entre abril e junho, crescimento de 9,3% na comparação anual. A receita líquida ficou em R$ 3,987 bilhões. O lucro bruto avançou 8,9%, para R$ 1,328 bilhão, mas a margem bruta recuou de 30,7% para 30,6%.

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Segundo a administração, a pequena redução da margem bruta refletiu o ajuste a valor presente, sem impacto de caixa, e a menor formação de ganhos inflacionários nos estoques após o reajuste de medicamentos de 2,7% em 2026, abaixo dos 3,6% aplicados no ano anterior. Redução de perdas, composição mais favorável das vendas e melhores condições comerciais compensaram parte dessas pressões.

A principal contribuição para a melhora operacional veio da diluição das despesas com vendas. Esse grupo somou R$ 924 milhões e passou a representar 21,3% da receita bruta, ante 21,7% no segundo trimestre de 2025. A despesa média mensal por loja cresceu 4,9%, para R$ 182 mil, abaixo da expansão das vendas. A companhia atribuiu o controle de custos a economias em fretes e adquirência, centralização de compras e estabilização do quadro operacional.

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A margem de contribuição subiu 0,3 ponto percentual, para 9,3%, e alcançou R$ 403,4 milhões, aumento de 12,6%. As despesas gerais e administrativas cresceram 6,6%, para R$ 121,7 milhões. Na comparação com o primeiro trimestre, a alta foi de 10,9%, associada a gastos pontuais com consultorias, honorários advocatícios e provisões para contingências.

Vendas em mesmas lojas desaceleram sobre base elevada

O crescimento de vendas em mesmas lojas ficou em 8% no segundo trimestre, abaixo dos 13% registrados nos três primeiros meses do ano e dos 18,1% observados no segundo trimestre de 2025. A Pague Menos atribuiu a desaceleração principalmente à base de comparação mais elevada, depois de um crescimento acumulado de 42% em três anos. As lojas maduras avançaram 7,8%.

A venda média mensal por unidade aumentou 6,9%, de R$ 800 mil para R$ 856 mil. O ticket médio ficou em R$ 95,40, alta de 4,8%, enquanto o volume de atendimentos cresceu 4,3%. A base de clientes ativos chegou a 22,6 milhões, expansão de 2,6%, e os clientes de cuidado contínuo somaram 6,4 milhões, 6,4% acima do número de um ano antes.

O desempenho por categoria foi desigual. Medicamentos genéricos cresceram 15,1%, beneficiados, segundo a companhia, pela ampliação das vendas do Farmácia Popular e por quebras de patentes. Higiene e beleza avançou 10%, medicamentos prescritos de marca cresceram 9,6% e os produtos isentos de prescrição tiveram alta de 4,7%.

A participação dos medicamentos análogos ao GLP-1 recuou de 9% das vendas no primeiro trimestre para 8,2% no segundo. A administração relacionou a perda de ritmo à base comparativa mais forte e ao reposicionamento de preços após a quebra de patente da semaglutida. Segundo a empresa, a redução de aproximadamente 40% no preço médio dessa molécula foi acompanhada pela duplicação do volume vendido e por aumento próximo de 50% no número de clientes.

Canais digitais superam R$ 1 bilhão no trimestre

As vendas pelos canais digitais alcançaram R$ 1,045 bilhão, alta de 40,6% em 12 meses, e passaram a responder por 24,1% da receita bruta, ante 18,7% no segundo trimestre de 2025. Foi a primeira vez que a operação digital superou R$ 1 bilhão em um único trimestre.

O comércio eletrônico concentrou 70% das vendas digitais e cresceu 39%. Dentro desse canal, o aplicativo respondeu por 63% das vendas e apresentou avanço anual de 77%. As plataformas parceiras representaram 14% do conjunto digital, depois de crescerem 58,4%. A companhia informou que cerca de 60% das vendas de medicamentos GLP-1 ocorrem por meios digitais, mas calculou que, mesmo sem essa categoria, o crescimento dos canais teria sido de 28%.

Mais de 80% dos pedidos foram entregues ou disponibilizados em até duas horas. A retirada em loja respondeu por 49% das encomendas digitais, ante 41% no primeiro trimestre, enquanto a entrega expressa representou 34%. O aumento da retirada reduz o custo de última milha e direciona fluxo de clientes às unidades físicas.

Com base em dados da IQVIA apresentados pela companhia, a participação nacional de mercado chegou a 6,7%, aumento de 0,13 ponto percentual em 12 meses, com ganho em todas as regiões. A Pague Menos afirmou ter crescido acima do mercado pelo 11º trimestre consecutivo.

Rede chega a 1.695 lojas e mantém conversões da Extrafarma

A rede encerrou junho com 1.695 lojas, sete a mais do que no fim de março e 38 acima do número de um ano antes. No trimestre, foram abertas oito unidades e fechada uma. Nos últimos 12 meses, a companhia contabilizou 43 inaugurações e cinco encerramentos.

Das 346 lojas ainda ativas originadas da aquisição da Extrafarma, 210 já haviam sido convertidas para a bandeira Pague Menos ao fim de junho. A empresa acelerou reformas principalmente no Ceará e no Maranhão e informou ter realizado 48 conversões nos trimestres recentes. O objetivo é reduzir diferenças de produtividade entre os dois portfólios.

A malha logística foi reforçada com a entrada em operação de um centro de distribuição na Paraíba. O novo ativo elevou temporariamente os estoques e o capital empregado: o prazo médio de estoques ficou em 104 dias, quatro dias acima do segundo trimestre de 2025. O ciclo de caixa operacional aumentou de 64 para 69 dias, embora tenha recuado três dias frente ao primeiro trimestre.

A companhia prevê concluir até o fim do terceiro trimestre a estabilização do novo centro de distribuição. Desconsiderado esse efeito, a administração estima que o prazo médio de estoques teria permanecido próximo ao nível de um ano antes. No primeiro semestre, os índices de ruptura e perdas caíram 10% e 12%, respectivamente.

Caixa cresce e dívida ajustada recua

A dívida bruta encerrou junho em R$ 1,581 bilhão, abaixo dos R$ 1,701 bilhão registrados um ano antes. Depois de caixa e equivalentes de R$ 113,3 milhões e do efeito de operações de swap, a dívida líquida ficou em R$ 1,488 bilhão. Com a inclusão de R$ 315,7 milhões em recebíveis antecipados, medida usada pela empresa para o indicador ajustado, o saldo alcançou R$ 1,803 bilhão.

A relação entre dívida líquida ajustada e Ebitda caiu de 2,6 vezes no segundo trimestre de 2025 para 1,8 vez. Sem as antecipações de recebíveis, o índice ficou em 1,5 vez. A companhia informou que esse foi o 12º trimestre consecutivo de redução da alavancagem e que o indicador acumula queda de 3,8 vezes desde o pico do primeiro trimestre de 2023.

O fluxo de caixa operacional somou R$ 188,8 milhões no trimestre, aproximadamente três vezes o valor de um ano antes. Em 12 meses, chegou a R$ 573,4 milhões, equivalente a 58% do Ebitda ajustado do período. A administração atribuiu a melhora principalmente ao capital de giro.

Os investimentos totalizaram R$ 130,9 milhões no primeiro semestre, alta de 84%. A infraestrutura de lojas, centros de distribuição e escritórios recebeu R$ 39,1 milhões; tecnologia, R$ 31,5 milhões; reformas, R$ 30,7 milhões; e expansão, R$ 29,5 milhões. No primeiro trimestre, a empresa já havia indicado a existência de novas lojas em diferentes fases de implantação, condicionadas à disciplina de capital.

A Pague Menos projeta acelerar gradualmente as inaugurações ao longo de 2026, mas vinculou um ritmo mais elevado de expansão, a partir de 2027, à conclusão dos investimentos logísticos e à manutenção da geração de caixa. A próxima etapa operacional formal é a estabilização do centro de distribuição da Paraíba até o encerramento do terceiro trimestre, período em que a companhia espera normalizar o estoque adicional associado à abertura da unidade.

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