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Paulo Figueiredo ataca Michelle Bolsonaro e diz que “mulher vota muito mal”

Influenciador criticou vídeos da ex-primeira-dama contra Flávio Bolsonaro, classificou Michelle como feminista e atribuiu ao eleitorado feminino parte da dificuldade enfrentada pelo senador nas pesquisas.

por Júlia Campos
30/06/2026 às 13h58
em Política
Paulo Figueiredo Ataca Michelle Bolsonaro E Diz Que “Mulher Vota Muito Mal” - Gazeta Mercantil

Paulo Figueiredo / Reprodução

O empresário e influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo criticou Michelle Bolsonaro e afirmou que mulheres, especialmente as solteiras, “votam muito mal”. As declarações foram feitas durante uma transmissão publicada na quinta-feira, 25 de junho, em seu canal no YouTube.

Figueiredo reagia aos vídeos nos quais a ex-primeira-dama relatou ter sido desrespeitada e afastada de decisões políticas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), escolhido pelo pai, Jair Bolsonaro, para representar o grupo político na disputa pela Presidência da República.

Leia também: Moção de aplausos a Nikolas: Duda Salabert ironiza participação do deputado em ato que levou à prisão de Bolsonaro.

Ao avaliar os efeitos eleitorais da crise familiar, o influenciador afirmou que Flávio já enfrenta dificuldades entre as eleitoras e que a manifestação pública de Michelle poderia ampliar o problema.

“Onde o Flávio vai pior é justamente no eleitorado feminino”, declarou Figueiredo. Na sequência, ironizou a atuação da ex-primeira-dama: “Parabéns! Bela ajuda”.

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Durante o programa, ele também chamou Michelle e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) de feministas e associou o feminismo a ideias de esquerda e a políticas de representação por gênero.

Figueiredo afirma que mulheres solteiras votam pior

A declaração de maior repercussão ocorreu quando Paulo Figueiredo passou a comentar diferenças de preferência eleitoral entre homens e mulheres.

“Mulher vota estatisticamente muito mal”, afirmou o influenciador, acrescentando que essa avaliação se aplicaria principalmente às mulheres solteiras.

Segundo ele, eleitoras casadas tenderiam a acompanhar o voto dos maridos, enquanto as solteiras seriam mais propensas a apoiar candidatos de esquerda.

Figueiredo apresentou a afirmação como uma conclusão estatística, mas, nos trechos públicos da transmissão, não indicou qual pesquisa ou levantamento específico utilizava como referência.

O influenciador também empregou expressões vulgares ao antecipar críticas de mulheres e feministas às suas declarações.

No Brasil, o voto é secreto, o que impede determinar diretamente em quem cada grupo demográfico votou. Pesquisas eleitorais e levantamentos realizados após as eleições, entretanto, permitem estimar diferenças de preferência por gênero, idade, renda, escolaridade e religião.

Essas pesquisas apontam diferenças entre homens e mulheres em determinadas disputas, mas não sustentam, por si só, a conclusão genérica de que um dos grupos “vota melhor” ou “pior”.

Influenciador volta a defender declaração

Após a repercussão da transmissão, Paulo Figueiredo voltou ao tema nas redes sociais e reafirmou sua posição.

Em publicação feita na segunda-feira, 29 de junho, ele intensificou o tom, repetiu que mulheres votariam mal e voltou a destacar as eleitoras solteiras.

Figueiredo atribuiu o comportamento eleitoral feminino ao que classificou como avanço de uma ideologia feminista. Ele também atacou profissionais da imprensa que repercutiram suas falas.

A manifestação ampliou a repercussão política do episódio, que passou a ser discutido tanto por críticos do bolsonarismo quanto por integrantes e antigos aliados do próprio campo conservador.

Michelle foi alvo após expor conflito com Flávio

As críticas de Paulo Figueiredo ocorreram um dia depois de Michelle Bolsonaro publicar dois vídeos sobre divergências internas na família e no Partido Liberal.

Nas gravações, a ex-primeira-dama afirmou que foi desrespeitada, maltratada e humilhada por Flávio Bolsonaro durante uma conversa telefônica.

Segundo Michelle, o senador disse que ela deveria permanecer fora das decisões partidárias e teria questionado sua experiência política.

A presidente do PL Mulher afirmou ter interpretado a conversa como uma indicação de que sua participação na campanha de Flávio não era desejada ou considerada relevante.

O conflito estaria relacionado às articulações do partido no Ceará e à definição de alianças para as eleições de outubro.

Flávio Bolsonaro negou ter tido a intenção de ofendê-la e posteriormente pediu desculpas caso suas palavras tivessem provocado esse efeito.

Apesar das tentativas de reduzir o desgaste, os vídeos tornaram pública uma disputa que até então permanecia restrita aos bastidores do grupo político.

Figueiredo critica atuação do PL Mulher

Durante a transmissão, Paulo Figueiredo também questionou a atuação do PL Mulher, braço feminino do Partido Liberal comandado por Michelle Bolsonaro.

Na avaliação do influenciador, a estrutura partidária não teria conseguido reduzir a resistência das eleitoras aos candidatos ligados à família Bolsonaro.

Ele perguntou o que o PL Mulher teria feito para melhorar o desempenho do partido entre as mulheres e respondeu que o resultado seria “zero”.

Michelle assumiu a presidência nacional do PL Mulher em 2023 e, desde então, percorreu diferentes estados para promover filiações, apoiar candidaturas conservadoras e aumentar a participação feminina no partido.

Sua atuação também ajudou a consolidá-la como uma das figuras mais populares do bolsonarismo, especialmente entre mulheres evangélicas e eleitoras conservadoras.

Esse capital político fez com que Michelle fosse mencionada em diferentes momentos como possível candidata presidencial, ao Senado ou à Vice-Presidência.

Atualmente, ela é apontada como candidata a uma vaga no Senado pelo Distrito Federal.

Flávio enfrenta rejeição elevada entre mulheres

O embate ocorre em um momento delicado para a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.

Pesquisa Datafolha realizada nos dias 17 e 18 de junho mostrou que 53% das mulheres afirmavam que não votariam no senador de forma alguma.

Entre os homens, a rejeição a Flávio era de 43%.

No caso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a situação era inversa. A rejeição feminina ao presidente estava em 40%, enquanto entre os homens alcançava 52%.

No eleitorado total, Flávio aparecia com 48% de rejeição, numericamente à frente de Lula, que tinha 46%. Os dois estavam tecnicamente empatados considerando a margem de erro.

O levantamento ouviu 2.004 pessoas em 139 cidades. A margem de erro era de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09956/2026.

Lula liderava cenários eleitorais

O mesmo levantamento indicava vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro nos cenários testados para a eleição presidencial.

No cenário considerado mais provável para o primeiro turno, Lula registrava 41% das intenções de voto, contra 31% de Flávio.

Em uma eventual disputa de segundo turno, o presidente aparecia com 47%, enquanto o senador tinha 43%.

A distância e a rejeição entre mulheres aumentaram a pressão sobre a campanha de Flávio para adotar uma estratégia específica voltada ao eleitorado feminino.

Entre as alternativas discutidas nos bastidores está a escolha de uma mulher para ocupar a candidatura à Vice-Presidência.

A participação de Michelle seria importante nesse processo por sua influência entre eleitoras conservadoras. O conflito público, contudo, colocou em dúvida o grau de envolvimento da ex-primeira-dama na campanha do enteado.

Figueiredo também ironizou relação de Michelle com Bolsonaro

Em outro trecho da transmissão, Paulo Figueiredo ironizou a maneira como Michelle costuma se referir ao marido, Jair Bolsonaro.

A ex-primeira-dama frequentemente chama Bolsonaro de “meu galego” em discursos e publicações nas redes sociais.

Figueiredo questionou a autenticidade da expressão e insinuou possuir informações não reveladas sobre a relação do casal, sem apresentar fatos ou detalhar a insinuação.

A fala reforçou o tom pessoal adotado pelo influenciador contra Michelle e ultrapassou o debate sobre as estratégias eleitorais do Partido Liberal.

Críticas também foram dirigidas a Damares Alves

A senadora Damares Alves também foi mencionada durante o programa.

Paulo Figueiredo afirmou que Damares e Michelle adotariam posições feministas, ainda que ambas estejam politicamente vinculadas ao conservadorismo e sejam críticas de movimentos feministas de esquerda.

Segundo o influenciador, defender direitos iguais entre homens e mulheres não seria, por si só, uma manifestação feminista. Ele argumentou, porém, que políticas de cotas e representação feminina defendidas pelas duas políticas estariam ligadas ao feminismo.

Figueiredo classificou o movimento como uma ideologia de origem marxista, afirmação recorrente em segmentos conservadores, mas contestada por pesquisadores que identificam diferentes correntes e períodos históricos dentro do feminismo.

Comparação com o eleitorado dos Estados Unidos

Ao tentar justificar sua declaração, Paulo Figueiredo também citou o comportamento eleitoral das mulheres nos Estados Unidos, país onde vive atualmente.

Ele afirmou que, caso apenas os votos femininos fossem considerados, candidatos democratas teriam vencido praticamente todas as eleições presidenciais recentes, com exceção do republicano Ronald Reagan.

A fala faz referência à chamada diferença de gênero observada nas eleições norte-americanas, nas quais mulheres vêm demonstrando, em média, maior apoio aos democratas do que os homens.

Essa diferença, porém, varia conforme o período, a candidatura, o estado, a raça, a religião, a escolaridade e o estado civil das eleitoras.

A preferência por um partido também não constitui critério objetivo para qualificar um voto como bom ou ruim.

Quem é Paulo Figueiredo

Paulo Figueiredo é empresário, comunicador e neto de João Baptista Figueiredo, general que governou o Brasil entre 1979 e 1985, no último período da ditadura militar.

Morando nos estados Unidos, tornou-se um dos principais aliados de Eduardo Bolsonaro e um interlocutor da família Bolsonaro com integrantes do movimento conservador norte-americano.

O influenciador mantém proximidade com apoiadores do presidente Donald Trump e participa de articulações políticas relacionadas ao bolsonarismo no exterior.

Nos últimos anos, ganhou visibilidade por meio de programas transmitidos pela internet, nos quais comenta decisões do Supremo Tribunal Federal, política externa, eleições e disputas internas da direita brasileira.

Declaração aumenta problema eleitoral do grupo

A fala de Paulo Figueiredo ocorre justamente quando a campanha de Flávio Bolsonaro tenta reduzir a resistência entre as mulheres.

Ao atacar Michelle, Damares e o comportamento eleitoral feminino, o influenciador ampliou um debate que pode dificultar a aproximação do candidato com esse segmento.

Mulheres representam mais da metade do eleitorado brasileiro e possuem peso decisivo em qualquer candidatura nacional.

O conflito expõe ainda uma divisão entre diferentes vertentes do bolsonarismo: de um lado, lideranças que buscam ampliar a presença feminina no movimento; de outro, aliados que tratam políticas de representação e organização de mulheres como concessões ao feminismo.

A maneira como Flávio Bolsonaro, Michelle e o Partido Liberal administrarão o episódio poderá influenciar o esforço da campanha para diminuir a rejeição feminina antes do início oficial da disputa presidencial.

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