O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 41% das intenções de voto em um cenário estimulado de primeiro turno da eleição presidencial de 2026, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) registra 37%, segundo pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira, 24 de agosto. A diferença entre os dois principais nomes da disputa é de quatro pontos percentuais.
O levantamento ouviu 2.006 eleitores entre os dias 21 e 23 de agosto, por telefone. A margem de erro informada é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Os números mostram uma corrida presidencial concentrada nos dois primeiros colocados, que reúnem juntos 78% das intenções de voto no cenário estimulado apresentado aos entrevistados.
Na comparação informada pelo levantamento, Lula manteve os mesmos 41% registrados na rodada anterior, enquanto Flávio Bolsonaro passou de 36% para 37%. A oscilação de um ponto percentual do senador está dentro da margem de erro da pesquisa e, isoladamente, não permite afirmar que houve avanço estatisticamente significativo.
Os demais candidatos aparecem em patamares consideravelmente inferiores. Ronaldo Caiado (PSD) registra 5%, seguido por Pablo Marçal (PRTB), com 4%, e Renan Santos (Missão), com 3%. O levantamento também inclui Romeu Zema (Novo), Augusto Cury (Avante), Samara, da Unidade Popular, Rui Costa Pimenta (PCO) e Clariana Brandão (DC). Samara, Rui Costa Pimenta e Clariana aparecem com 1% cada.
Lula e Flávio concentram maior parte das intenções de voto
A configuração apresentada pela pesquisa indica forte concentração da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro neste momento da campanha. Somados, os dois alcançam quase oito em cada dez respostas no cenário em que os nomes dos candidatos são apresentados ao eleitor.
Esse grau de concentração reduz, pelo menos na fotografia captada pelo levantamento, o espaço disponível para candidaturas que tentam se apresentar como alternativas aos dois principais polos da eleição. Caiado, o terceiro colocado entre os percentuais informados, aparece 32 pontos atrás de Flávio Bolsonaro e 36 pontos atrás de Lula.
Pablo Marçal registra 4%, enquanto Renan Santos aparece com 3%. Os números mantêm os dois em uma faixa de intenção de voto distante da disputa pela liderança e mostram que o crescimento de uma terceira candidatura dependeria de mudanças relevantes na distribuição atual das preferências eleitorais.
Brancos e nulos representam 4% no cenário estimulado. Outros 3% dos entrevistados permanecem indecisos ou não apresentaram preferência entre os nomes disponíveis. Esse grupo é numericamente menor do que a diferença registrada entre Lula e Flávio Bolsonaro, embora possa ganhar importância à medida que a campanha avance e o eleitorado acompanhe debates, propaganda eleitoral e demais eventos da disputa.
Os dados precisam ser interpretados como uma fotografia do período entre 21 e 23 de agosto. Pesquisas eleitorais medem a intenção declarada no momento das entrevistas e não constituem projeção do resultado das urnas.
Pesquisa espontânea mostra distância maior entre os dois primeiros
Quando os pesquisadores não apresentam previamente os nomes dos candidatos, Lula aparece com 38% das citações espontâneas. Flávio Bolsonaro é mencionado por 31% dos entrevistados, o que amplia para sete pontos percentuais a distância numérica entre os dois nessa modalidade de pergunta.
A pesquisa espontânea costuma medir, entre outros fatores, a lembrança consolidada dos candidatos pelo eleitorado, porque a resposta não depende da apresentação de uma lista. Nesse cenário, os demais candidatos, considerados conjuntamente, somam 10% das respostas.
O percentual de entrevistados sem uma escolha definida também é maior na pergunta espontânea. Segundo os números informados, 15% não responderam ou não apresentaram espontaneamente um nome. Outros 6% declararam intenção de votar em branco ou anular o voto.
A diferença entre os resultados espontâneo e estimulado demonstra que a apresentação da lista de candidatos altera a distribuição das respostas. Lula passa de 38% na espontânea para 41% no cenário estimulado, enquanto Flávio Bolsonaro sobe de 31% para 37%.
O avanço de seis pontos de Flávio entre uma modalidade e outra é maior do que os três pontos observados para Lula. Isso indica que uma parcela dos entrevistados reconhece o senador como opção eleitoral quando seu nome é apresentado, embora não o mencione inicialmente sem estímulo.
A elevada concentração entre os dois também permanece evidente na espontânea. Lula e Flávio somam 69% das respostas mesmo sem a apresentação prévia dos nomes, porcentual muito superior à soma atribuída aos demais concorrentes.
Segundo turno entre Lula e Flávio fica em empate técnico
A disputa fica mais apertada quando os entrevistados são questionados sobre um eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. Nesse confronto, o presidente registra 46%, enquanto o senador aparece com 45%.
A diferença de apenas um ponto percentual está dentro da margem de erro de dois pontos, o que caracteriza situação de empate técnico no levantamento. Brancos e nulos chegam a 8%, enquanto 1% dos entrevistados não informou preferência.
Na comparação apresentada com a rodada anterior, Flávio oscilou um ponto percentual para cima, enquanto Lula variou um ponto para baixo. Como ambas as mudanças estão dentro da margem de erro, os dados não permitem afirmar isoladamente que tenha ocorrido uma alteração estatisticamente comprovada na correlação de forças entre os dois.
A diferença entre o primeiro e o segundo turno também mostra uma mudança na distribuição das preferências dos eleitores que, na etapa inicial, escolhem outras candidaturas. No cenário de primeiro turno, Lula e Flávio somam 78%. No confronto direto, os dois chegam conjuntamente a 91%.
Isso significa que parcela expressiva do eleitorado inicialmente distribuído entre outros nomes migra para um dos dois candidatos quando a escolha fica restrita à dupla. Ao mesmo tempo, o percentual de brancos e nulos sobe de 4% no primeiro turno estimulado para 8% no confronto direto entre Lula e Flávio.
Essa redistribuição será uma variável central caso os dois avancem para uma segunda votação. O comportamento dos eleitores de Caiado, Marçal, Renan Santos, Zema, Cury e das demais candidaturas poderá determinar o equilíbrio do confronto final.
Lula supera Caiado, Zema e Renan em confrontos diretos
A pesquisa também testou Lula contra outros adversários em cenários de segundo turno. Contra Ronaldo Caiado, o presidente aparece com 46%, enquanto o governador de Goiás registra 42%. A diferença numérica é de quatro pontos percentuais.
Em um confronto com Romeu Zema, Lula alcança 47%, ante 40% do adversário. A distância sobe para sete pontos, a maior entre os confrontos apresentados envolvendo os candidatos que aparecem com maior projeção no levantamento.
Contra Renan Santos, o presidente registra 47%, enquanto o candidato do Missão aparece com 35%. Nesse caso, a vantagem numérica de Lula chega a 12 pontos percentuais.
Os resultados indicam que o cenário mais equilibrado entre os confrontos diretos apresentados é justamente aquele entre Lula e Flávio Bolsonaro. A diferença de um ponto entre os dois é inferior às registradas nas simulações com Caiado, Zema e Renan.
Esse quadro ajuda a explicar a centralidade adquirida pela disputa entre o presidente e o senador. Enquanto as candidaturas alternativas buscam ampliar sua presença no primeiro turno, Lula e Flávio já aparecem próximos de uma divisão praticamente igual do eleitorado quando confrontados diretamente.
Oscilações permanecem dentro da margem de erro
A comparação entre as rodadas exige cautela porque as principais mudanças registradas são pequenas. No cenário estimulado de primeiro turno, Lula permanece em 41%, enquanto Flávio passa de 36% para 37%. A alteração de um ponto do senador é inferior à margem de erro declarada.
No segundo turno, a movimentação também é limitada. Lula oscila um ponto para baixo e Flávio um ponto para cima, produzindo o placar de 46% a 45%. Essas oscilações, tomadas individualmente, não representam evidência suficiente de mudança consolidada na preferência do eleitorado.
A estabilidade relativa dos dois líderes contrasta com uma campanha que entrou em fase mais intensa, com maior exposição dos candidatos e crescimento da cobertura sobre temas políticos e investigações envolvendo pessoas próximas ao governo. Os dados disponíveis, entretanto, não permitem estabelecer uma relação causal entre acontecimentos específicos e o comportamento das intenções de voto.
A pesquisa mede apenas a preferência declarada pelos entrevistados e não identifica, nos números fornecidos, qual evento teria provocado eventual alteração de voto. Associar oscilações a episódios determinados exigiria perguntas específicas sobre as razões da escolha eleitoral ou uma sequência mais longa de levantamentos capaz de demonstrar mudança consistente.
Com pouco espaço entre Lula e Flávio no confronto direto, novas rodadas deverão mostrar se a estabilidade observada até agora será mantida ou se a campanha produzirá alterações além da margem de erro. O dado mais imediato é que Lula permanece numericamente à frente no primeiro turno, enquanto a simulação de segundo turno com Flávio Bolsonaro segue em situação de empate técnico.








