A nova pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira, 25 de maio, mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança da disputa presidencial de 2026, com vantagem no primeiro turno e desempenho superior ao dos principais adversários testados em simulações de segundo turno. O levantamento também incluiu, pela primeira vez, o nome do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa como possível pré-candidato ao Palácio do Planalto.
No cenário estimulado de primeiro turno, Lula aparece com 41% das intenções de voto, contra 35% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Na sequência, aparecem Ronaldo Caiado (PSD), com 5%, Romeu Zema (Novo), com 4%, Renan Santos, do Missão, também com 4%, e Joaquim Barbosa, com 3%. Augusto Cury (Avante) e Cabo Daciolo (Mobiliza) registram 1% cada. Brancos, nulos e nenhum somam 6%, enquanto 2% não souberam ou não responderam.
A pesquisa foi realizada por telefone entre 22 e 24 de maio, com 2.045 eleitores. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04193/2026.
Lula abre vantagem no primeiro turno
O resultado de primeiro turno mostra Lula em posição mais confortável em relação ao principal adversário testado. A diferença numérica para Flávio Bolsonaro é de seis pontos percentuais, fora do empate técnico considerando a margem de erro máxima entre os dois candidatos.
O dado reforça a resiliência eleitoral do presidente em meio ao desgaste natural do governo e a um cenário político marcado por forte polarização. Mesmo com adversários de direita e centro-direita no levantamento, Lula concentra percentual superior a 40% e mantém liderança isolada.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, segue como o nome mais competitivo do campo bolsonarista. O senador aparece com distância relevante em relação aos demais candidatos de oposição testados, como Caiado, Zema e Renan Santos.
A presença de Joaquim Barbosa adiciona uma variável nova ao quadro eleitoral. Ex-presidente do STF e relator do mensalão, Barbosa tem reconhecimento nacional, mas aparece com percentual ainda baixo em seu primeiro teste na série.
Segundo turno tem Lula numericamente à frente de Flávio
Na simulação de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o presidente marca 47%, contra 43% do senador. Pela margem de erro, o confronto ainda configura empate técnico, mas a diferença numérica aumentou em relação ao levantamento anterior.
Na rodada anterior do BTG/Nexus, realizada em abril, Lula tinha 46% e Flávio Bolsonaro marcava 45%. Agora, o petista oscilou um ponto para cima, enquanto o senador recuou dois pontos. A distância numérica entre os dois passou de um para quatro pontos.
Brancos, nulos e nenhum somam 9% nesse cenário. Outros 1% não souberam ou não responderam.
A leitura política é que Lula ganha fôlego no confronto direto, enquanto Flávio Bolsonaro enfrenta pressão adicional em um momento de desgaste após a repercussão de episódios envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro. Pesquisas recentes também indicaram impacto negativo sobre o senador no período posterior às revelações envolvendo o caso.
Presidente vence Zema e Caiado nas simulações
O levantamento também testou outros confrontos de segundo turno. Contra Romeu Zema, Lula aparece com 49%, enquanto o ex-governador de Minas Gerais registra 38%.
Contra Ronaldo Caiado, o presidente marca 46%, ante 40% do ex-governador de Goiás.
Os números indicam que Flávio Bolsonaro permanece como o adversário mais competitivo contra Lula entre os nomes avaliados. Zema e Caiado têm presença no campo da direita e centro-direita, mas aparecem em situação menos favorável nas simulações de segundo turno.
A pesquisa reforça, portanto, um quadro em que o bolsonarismo ainda concentra a principal força de oposição, apesar do desgaste recente. Ao mesmo tempo, mostra dificuldade de nomes alternativos em furar a polarização nacional.
Joaquim Barbosa estreia com 3%
A inclusão de Joaquim Barbosa foi uma das principais novidades da rodada. O ex-ministro do STF aparece com 3% no cenário estimulado de primeiro turno.
O percentual é modesto, mas a presença de Barbosa testa uma hipótese de candidatura fora da polarização tradicional entre PT e bolsonarismo. O ex-ministro carrega imagem pública ligada ao Judiciário e ao combate à corrupção, mas ainda não tem estrutura partidária consolidada para uma disputa nacional.
No cruzamento de votos para um eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, os eleitores de Joaquim Barbosa se dividem com vantagem para o petista. Segundo os dados divulgados, 46% dos eleitores de Barbosa migrariam para Lula, enquanto 33% escolheriam Flávio.
Esse comportamento sugere que uma eventual candidatura de Barbosa poderia atrair votos de diferentes campos, mas seu eleitorado inicial tende a ter maior inclinação por Lula em uma disputa direta contra o senador do PL.
Recortes mostram força de Lula no Nordeste e entre mulheres
A pesquisa também mostra diferenças relevantes por região e perfil do eleitorado. Lula tem desempenho mais forte entre mulheres, eleitores com 60 anos ou mais, católicos, pessoas com ensino fundamental, eleitores com renda familiar de até um salário mínimo e desocupados.
No Nordeste, o presidente aparece com vantagem ampla em eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro: 59% a 32%. Entre mulheres, Lula registra 54%, contra 35% do senador.
Flávio Bolsonaro tem melhor desempenho entre homens, evangélicos, jovens de 16 a 24 anos, eleitores com ensino médio e pessoas de renda mais alta. No Sul, o senador aparece à frente, com 53%, contra 39% de Lula. No Norte/Centro-Oeste, Flávio registra 50%, ante 43% do presidente. No Sudeste, há empate numérico em 45% para cada um.
Os recortes confirmam a divisão social, regional e religiosa que tem marcado a política nacional nos últimos ciclos eleitorais.
Voto já aparece mais cristalizado
Outro dado relevante é o grau de decisão dos eleitores. Entre os entrevistados que escolheram um candidato, 70% dizem que a decisão está tomada e não deve mudar até a eleição. Outros 28% afirmam que ainda podem rever o voto.
Esse nível de convicção indica uma disputa com alto grau de cristalização, mesmo antes do início oficial da campanha. A polarização entre Lula e o campo bolsonarista segue estruturando o debate nacional e dificulta o crescimento de candidaturas alternativas.
Ainda assim, o cenário permanece sujeito a mudanças. Economia, inflação, emprego, renda, investigações, alianças partidárias, tempo de exposição e escolha de vices podem influenciar a corrida nos próximos meses.
Pesquisa reforça vantagem de Lula em cenário ainda competitivo
A pesquisa BTG/Nexus reforça a liderança de Lula na disputa presidencial de 2026, mas também mostra que o confronto com Flávio Bolsonaro segue competitivo no segundo turno.
Para o governo, os números indicam vantagem inicial e capacidade de resistência em diferentes segmentos do eleitorado. Para a oposição, o levantamento mostra que Flávio segue como nome mais forte contra o petista, mas enfrenta pressão após episódios recentes que afetaram sua imagem pública.
A entrada de Joaquim Barbosa no levantamento amplia o tabuleiro, embora ainda sem força suficiente para alterar a liderança dos dois principais polos.
A disputa pelo Planalto segue marcada por polarização, alto grau de decisão do eleitorado e vantagem numérica de Lula nos cenários testados. Os próximos levantamentos indicarão se a distância aberta pelo presidente se consolida ou se a oposição consegue recompor terreno com o avanço da pré-campanha.









