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Petrobras (PETR4) lucra R$ 52,4 bilhões e aprova R$ 17,4 bilhões em proventos

Estatal registra alta de 97% no lucro do 2T26 e pagará R$ 1,34814262 por ação em dividendos e juros sobre capital próprio.

por João Souza
07/08/2026 às 09h16
em Empresas
Petrobras (Petr4) Lucra R$ 52,4 Bilhões E Aprova R$ 17,4 Bilhões Em Proventos - Gazeta Mercantil - Empresas

A Petrobras (PETR3; PETR4) encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 52,4 bilhões, alta de 97% em relação ao mesmo período do ano passado, e aprovou R$ 17,4 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio aos acionistas. Os números divulgados após o fechamento do mercado na quinta-feira (6) colocam a estatal entre os principais focos do pregão desta sexta-feira (7), enquanto investidores também aguardam novos dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos.

O Ebitda ajustado da companhia alcançou R$ 93,8 bilhões no período, enquanto o fluxo de caixa operacional somou R$ 61,8 bilhões, crescimento de 46% em 12 meses. Segundo a Petrobras, o desempenho financeiro foi favorecido principalmente pelo aumento da produção de petróleo e derivados, combinado a preços mais elevados do petróleo Brent no mercado internacional.

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Sem considerar eventos exclusivos reconhecidos no trimestre, o lucro líquido seria de R$ 55,8 bilhões. Na mesma base, o Ebitda ajustado alcançaria R$ 100,6 bilhões. A diferença mostra o efeito de itens específicos sobre o resultado contábil, embora os indicadores operacionais tenham avançado em diferentes áreas da companhia.

A produção própria de petróleo no Brasil chegou a 2,7 milhões de barris por dia, avanço de 15% sobre o segundo trimestre de 2025. A Petrobras também registrou recordes na produção total de óleo e gás natural, na produção operada e no volume próprio produzido no pré-sal, ampliando a geração de volumes disponíveis para processamento e exportação.

Petrobras aprova R$ 1,34814262 por ação em proventos

O Conselho de Administração aprovou R$ 17,4 bilhões em remuneração aos acionistas como antecipação relativa ao exercício de 2026. O pagamento foi declarado com base no balanço de 30 de junho e corresponde a R$ 1,34814262 por ação ordinária ou preferencial em circulação.

Para os investidores com ações negociadas na B3, a posição acionária considerada para recebimento dos recursos será a de 21 de agosto. Os papéis PETR3 e PETR4 passarão a ser negociados sem direito aos novos proventos a partir de 24 de agosto.

A distribuição será dividida em duas parcelas iguais de R$ 0,67407131 por ação. A primeira está programada para 23 de novembro e será paga integralmente na forma de juros sobre capital próprio.

A segunda parcela será paga em 21 de dezembro. Do total de R$ 0,67407131 por ação dessa etapa, R$ 0,47156696 serão distribuídos como dividendos e R$ 0,20250435 como juros sobre capital próprio. A parcela classificada como JCP estará sujeita à tributação prevista na legislação aplicável.

Os R$ 17,4 bilhões serão descontados da remuneração aos acionistas que deverá ser aprovada na Assembleia Geral Ordinária de 2027, referente ao exercício de 2026. Para esse cálculo, os valores serão atualizados pela taxa Selic desde as respectivas datas de pagamento até o encerramento do atual exercício social.

Política vincula distribuição à geração de caixa

A Petrobras informou que a nova remuneração está de acordo com sua Política de Remuneração aos Acionistas. Pelas regras vigentes, quando o endividamento bruto se encontra em nível igual ou inferior ao limite máximo estabelecido no plano estratégico e as demais condições são atendidas, a companhia prevê a distribuição de 45% do fluxo de caixa livre.

Ao fim de junho, a dívida bruta estava em US$ 70,8 bilhões. O valor permanece abaixo do teto de US$ 75 bilhões previsto no Plano de Negócios 2026-2030. A companhia mantém como referência a convergência do endividamento para US$ 65 bilhões ao longo do horizonte do plano.

A distribuição aprovada agora é superior aos R$ 9 bilhões em remuneração aos acionistas anunciados com base no primeiro trimestre de 2026. Na ocasião, foram definidos R$ 0,70097272 por ação, divididos em duas parcelas de R$ 0,35048636, com pagamentos previstos para agosto e setembro.

Consideradas as deliberações referentes aos dois primeiros trimestres, a Petrobras já aprovou cerca de R$ 26,4 bilhões em antecipações de remuneração relativas ao exercício de 2026. Os valores, porém, correspondem a decisões tomadas em momentos distintos, com bases contábeis e calendários próprios.

Para os detentores de ADRs negociados na Bolsa de Nova York, a data de registro relacionada aos proventos do segundo trimestre será 25 de agosto. Os pagamentos das duas parcelas ocorrerão a partir de 1º e 29 de dezembro, respectivamente.

Produção recorde sustenta avanço do resultado

O aumento da produção foi um dos principais componentes operacionais do trimestre. A produção total de óleo e gás natural chegou a 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia, enquanto a produção total operada alcançou 4,87 milhões de barris de óleo equivalente diários.

No pré-sal, a produção própria atingiu 2,78 milhões de barris de óleo equivalente por dia. Parte do avanço esteve relacionada à entrada e ao crescimento da produção de novas unidades, além de ganhos de eficiência em ativos existentes. Segundo a companhia, a melhora de 3,1% na eficiência operacional adicionou aproximadamente 70 mil barris por dia na comparação anual.

O campo de Búzios teve papel relevante nesse movimento. As plataformas instaladas no projeto chegaram a uma produção operada de 1,219 milhão de barris por dia em 26 de junho, período marcado pela entrada em produção da plataforma P-79. A unidade iniciou a produção de petróleo em maio.

Em Mero, outro ativo relevante do pré-sal da Bacia de Santos, a produção diária atingiu 788,4 mil barris em 23 de junho. O crescimento da oferta de petróleo também ampliou a capacidade exportadora da companhia. As exportações se aproximaram de um milhão de barris por dia durante o segundo trimestre.

A combinação entre produção maior, expansão das exportações e preço internacional mais elevado contribuiu para ampliar a geração de caixa da Petrobras. O efeito aparece no crescimento de 46% do fluxo de caixa operacional, que passou para R$ 61,8 bilhões.

Refinarias operam acima de 100% de utilização

O segmento de refino também registrou níveis elevados de atividade. O fator de utilização das refinarias chegou a 101,2% no segundo trimestre, com índices de 102,5% em abril e maio. O indicador pode superar 100% em razão de fatores técnicos relacionados à capacidade de referência das unidades e à eficiência operacional.

A produção de derivados atingiu 1,918 milhão de barris por dia, aumento de 5,6% sobre o primeiro trimestre deste ano. Cerca de 68% desse volume foi composto por diesel, gasolina e querosene de aviação, produtos classificados pela companhia entre os derivados de maior valor agregado.

A produção de diesel S10 atingiu média de 509 mil barris por dia, enquanto a de querosene de aviação chegou a 109 mil barris diários. Os dois volumes estabeleceram recordes trimestrais, segundo os dados operacionais divulgados pela Petrobras.

A maior utilização das refinarias também reduziu a necessidade de compras externas. As importações de derivados recuaram 40% em comparação com o primeiro trimestre de 2026. O movimento ocorreu simultaneamente ao crescimento da produção doméstica e à expansão da oferta realizada pelas unidades próprias.

Além do desempenho financeiro, a estatal recolheu R$ 88,6 bilhões em tributos federais, estaduais e municipais e em participações governamentais no segundo trimestre. O montante representa aumento de aproximadamente R$ 22 bilhões em relação ao mesmo intervalo do ano passado.

Investimentos chegam a R$ 26,7 bilhões no trimestre

Os investimentos somaram R$ 26,7 bilhões, equivalentes a US$ 5,3 bilhões, entre abril e junho. O segmento de Exploração e Produção concentrou 82% dos desembolsos, refletindo a estratégia de ampliar a capacidade produtiva e manter projetos de desenvolvimento em áreas consideradas prioritárias.

Entre os projetos que receberam recursos estão as plataformas P-80, P-82 e P-83, destinadas ao campo de Búzios. A entrada dessas unidades está prevista para 2027. Também houve investimentos na interligação de poços e na expansão da produção dos projetos Búzios 6, operado pela P-78, e Búzios 8, associado à P-79.

A companhia avançou ainda na contratação das plataformas P-81 e P-87, destinadas aos projetos Sergipe Águas Profundas I e II. Os contratos foram assinados em maio e fazem parte da ampliação da capacidade futura de produção da estatal.

No trimestre, a Petrobras também adquiriu novas participações exploratórias. Entre as operações estão a entrada e assunção da operação de um bloco offshore em São Tomé e Príncipe, a aquisição de uma parcela do Campo de Argonauta, na Bacia de Campos, e uma participação de 50% no bloco Itaimbezinho.

O próximo indicador externo relevante para os mercados nesta sexta-feira será divulgado pelo Departamento de Trabalho dos Estados Unidos. O relatório oficial de emprego referente a julho está programado para 9h30, pelo horário de Brasília. Até o início desta manhã, o dado ainda não havia sido publicado. Em junho, a economia norte-americana havia criado 57 mil vagas fora do setor agrícola, com taxa de desemprego de 4,2%.

A Petrobras fará às 11h30 desta sexta-feira a apresentação dos resultados do segundo trimestre a investidores e analistas. Depois da divulgação financeira e da aprovação dos R$ 17,4 bilhões em proventos, os próximos marcos societários serão a data-base de 21 de agosto, o início da negociação ex-direitos em 24 de agosto e os pagamentos previstos para 23 de novembro e 21 de dezembro.


Fontes:

  • Petrobras — Resultado do segundo trimestre de 2026
  • Petrobras — Aprovação de R$ 17,4 bilhões em remuneração aos acionistas
  • Petrobras / SEC — Form 6-K com calendário oficial de divulgação e webcast do 2T26
  • U.S. Bureau of Labor Statistics

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