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Petrobras (PETR4) perde quase R$ 100 bilhões em valor de mercado em maio

Estatal foi pressionada pela queda de mais de 17% do Brent, após avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã reduzir prêmio de risco no petróleo.

por Antônio Lima
29/05/2026 às 20h46
em Ibovespa
Edifício Sede Da Petrobras - Gazeta Mercantil - Site Oficial Gazeta Mercantil

Reprodução

A Petrobras (PETR4) encerrou maio com uma perda de R$ 98,1 bilhões em valor de mercado, depois de ter atingido recordes históricos durante a escalada das tensões no Oriente Médio. Ao fim do pregão desta sexta-feira (29), a estatal estava avaliada em R$ 576,5 bilhões, menor valor desde 6 de março.

A queda ocorreu em meio à forte correção dos preços internacionais do petróleo, provocada pela melhora das expectativas em torno das negociações entre Estados Unidos e Irã. No acumulado do mês, as ações ordinárias da Petrobras (PETR3) recuaram 14,62%, enquanto os papéis preferenciais da Petrobras (PETR4) caíram 14,43%.

Leia também: Mercado de petróleo perde US$ 207 bilhões com geopolítica e Petrobras surpreende.

O desempenho interrompeu uma sequência de valorização que havia colocado a companhia entre as principais beneficiadas pela disparada do petróleo. Desde o início do conflito envolvendo o Irã, em 28 de fevereiro, as ações da estatal vinham sendo impulsionadas pela elevação da commodity e pelo temor de restrições à oferta global.

Esse movimento perdeu força ao longo de maio. Os sinais de avanço diplomático levaram investidores a reduzir o prêmio de risco geopolítico incorporado aos contratos de petróleo, provocando uma correção nas cotações internacionais e atingindo diretamente os papéis da Petrobras na B3.

Leia também: Petrobras (PETR4), Marcopolo (POMO4), Lojas Renner (LREN3) e outros destaques corporativos desta sexta-feira (22).

Petrobras passa de recordes a forte perda de valor

A Petrobras registrou 12 recordes de valor de mercado durante o período de maior tensão no Oriente Médio. O maior valor foi alcançado em 13 de abril, quando a companhia encerrou o pregão avaliada em R$ 680,1 bilhões.

A valorização refletia a combinação entre petróleo mais caro, projeções de maior geração de caixa e procura por ações de empresas exportadoras e ligadas a commodities. A elevação do Brent tende a favorecer companhias petroleiras porque suas receitas e margens são sensíveis ao preço internacional do barril.

O cenário mudou em maio, à medida que a perspectiva de uma distensão entre Estados Unidos e Irã reduziu o temor de interrupções relevantes na produção e no transporte da commodity.

A retirada do prêmio geopolítico levou investidores a rever as projeções para o setor. A Petrobras, que havia se beneficiado diretamente da alta do petróleo, passou a enfrentar uma reprecificação de seus ativos.

A perda de R$ 98,1 bilhões mostra a dimensão do ajuste ocorrido desde o fim de abril. Em relação ao pico de 13 de abril, a redução do valor de mercado da estatal chegou a R$ 103,6 bilhões.

Brent registra maior queda mensal em dólares desde 2020

O contrato do petróleo Brent para agosto, referência internacional negociada em Londres, acumulou queda de 17,4% em maio e encerrou a sessão desta sexta-feira cotado a US$ 91,12 por barril.

Nos Estados Unidos, o contrato do petróleo WTI para julho recuou 16,8% no mês, fechando a US$ 87,36 por barril.

Segundo dados da Dow Jones Market Data, o Brent perdeu US$ 19 ao longo de maio, na maior queda mensal em dólares desde março de 2020. O WTI caiu US$ 17, maior recuo mensal desde novembro de 2021.

A forte desvalorização da commodity foi o principal fator de pressão sobre as ações da Petrobras. Embora o desempenho dos papéis também seja influenciado por produção, investimentos, política de preços, dividendos e governança, a cotação internacional do petróleo permanece como uma das principais variáveis utilizadas pelo mercado para avaliar a companhia.

Quando o petróleo avança, investidores tendem a projetar aumento de receita, resultado operacional e geração de caixa para empresas do setor. Uma queda acentuada produz o movimento contrário, com revisões de estimativas, preços-alvo e posições mantidas por fundos e outros participantes do mercado.

Negociações reduzem percepção de risco

A correção do petróleo ocorreu em meio ao avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã. Durante o período de maior tensão no Oriente Médio, o mercado temia consequências sobre a produção, o transporte marítimo e o fornecimento mundial da commodity.

Esse risco havia acrescentado um prêmio geopolítico às cotações. Com a possibilidade de uma saída diplomática, parte desse valor foi retirada rapidamente dos contratos futuros.

O impacto sobre a Petrobras foi direto. A estatal havia alcançado recordes de valor de mercado em um ambiente de petróleo mais caro e de maior incerteza sobre a oferta internacional.

Com a mudança da percepção dos investidores, os papéis passaram a refletir expectativas menos favoráveis para os preços do Brent e do WTI.

A correção de maio também demonstrou o grau de exposição da Petrobras a fatores externos. Mesmo com fundamentos operacionais próprios, a companhia permanece sensível a conflitos internacionais, decisões de grandes produtores e alterações nas perspectivas de oferta e demanda por petróleo.

Ações ficam entre os piores desempenhos do Ibovespa

As ações ordinárias da Petrobras acumularam queda de 14,62% em maio, registrando o 11º pior desempenho entre os ativos que integram o Ibovespa. Os papéis preferenciais recuaram 14,43% no mesmo período.

Como a Petrobras está entre as empresas de maior peso na Bolsa brasileira, movimentos expressivos em suas ações também influenciam o principal índice acionário do país.

A queda afetou investidores diretamente posicionados na companhia, além de fundos de investimento, ETFs e carteiras que acompanham a composição do Ibovespa.

A correção eliminou parte dos ganhos registrados durante a escalada do petróleo, mas a estatal encerrou o mês ainda entre as companhias de maior valor de mercado da B3.

O desempenho reforçou a necessidade de investidores acompanharem não apenas os indicadores operacionais da Petrobras, mas também o comportamento do petróleo, a taxa de câmbio, as decisões sobre dividendos e o ambiente político doméstico.

Queda amplia debate sobre risco e oportunidade

A perda de quase R$ 100 bilhões em valor de mercado não representa, isoladamente, uma deterioração das operações da Petrobras. O movimento refletiu principalmente a queda do petróleo e a retirada do prêmio de risco geopolítico que havia sustentado parte da valorização anterior.

A intensidade do recuo, contudo, ampliou o debate entre investidores sobre risco e oportunidade. Quedas acentuadas em empresas lucrativas e geradoras de caixa podem ser interpretadas como possíveis pontos de entrada, mas também evidenciam a volatilidade de companhias expostas a commodities.

No caso da Petrobras, a análise envolve variáveis como política de preços, plano de investimentos, estratégia de exploração, disciplina de capital e remuneração dos acionistas.

A empresa também permanece sensível ao ambiente político brasileiro. Discussões relacionadas a combustíveis, dividendos, investimentos e governança podem influenciar a percepção de risco e o preço das ações.

Em períodos de forte oscilação do petróleo, esses fatores passam a ser avaliados em conjunto com as mudanças no cenário internacional.

Petróleo volta ao centro da avaliação da Petrobras

O desempenho de maio recolocou o petróleo no centro da análise sobre as ações da Petrobras. Apesar de atuar também nos segmentos de refino, gás e energia, a estatal continua altamente dependente da exploração e produção da commodity.

A queda do Brent e do WTI mostrou que parte relevante da valorização registrada nos meses anteriores estava apoiada em um cenário excepcional de tensão geopolítica.

Quando esse fator perdeu força, o mercado revisou rapidamente suas expectativas para o setor e reduziu posições em empresas petroleiras.

A trajetória das ações nos próximos pregões dependerá da combinação entre preços do petróleo, câmbio, percepção de risco político e resultados operacionais da companhia.

Uma recuperação do Brent poderá devolver parte do valor perdido pela Petrobras. A permanência da commodity em patamares mais baixos, por outro lado, poderá continuar limitando o desempenho dos papéis.

A perda de R$ 98,1 bilhões em maio evidencia a velocidade com que o mercado reavalia empresas ligadas a commodities. Em pouco mais de um mês, a Petrobras passou de sucessivos recordes históricos a uma forte correção, acompanhando a mudança das expectativas sobre o petróleo e a geopolítica internacional.

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