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PF aponta mesada de R$ 400 mil de Vorcaro a policial por dados sigilosos

Relatório enviado ao STF afirma que grupo ligado ao Banco Master teria usado agentes da ativa e aposentados para acessar sistemas internos da Polícia Federal

por Carlos Menezes
18/06/2026 às 12h46
em Política
Daniel Vorcaro - Gazeta Mercantil

A Polícia Federal apontou em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal que Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e seu pai, Henrique Vorcaro, teriam financiado um esquema de vazamento de informações sigilosas de investigações em curso, com pagamentos mensais de R$ 400 mil ao policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. O documento, encaminhado ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF, afirma que o grupo teria cooptado agentes da ativa e servidores aposentados para acessar sistemas internos da corporação, antecipar dados de apurações e obter informações sobre ordens judiciais.

Segundo a investigação, Marilson Roseno da Silva teria atuado como operador central do suposto esquema dentro da Polícia Federal. O policial aposentado é apontado como responsável por recrutar servidores, articular consultas indevidas a bancos de dados restritos e repassar informações de interesse de Daniel Vorcaro e de pessoas ligadas ao Banco Master.

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O relatório indica que o dinheiro destinado ao grupo seria repassado por Henrique Vorcaro, pai do banqueiro. A Polícia Federal sustenta que os pagamentos serviriam para manter fluxo contínuo de informações sigilosas, incluindo dados sobre investigações, movimentações internas da corporação e eventuais medidas judiciais em andamento.

Os investigados têm direito à defesa, e as conclusões da Polícia Federal ainda serão analisadas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Ministério Público. Até decisão judicial definitiva, as suspeitas devem ser tratadas como elementos de investigação, não como condenação.

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Relatório da PF atribui a Roseno papel central no vazamento

De acordo com a Polícia Federal, Marilson Roseno da Silva teria estruturado um sistema de vazamento a partir de sua rede de contatos na corporação. A apuração afirma que ele teria aproximado policiais da ativa e aposentados do grupo ligado a Vorcaro, com oferta de pagamentos, vantagens e repasses por Pix.

Entre os nomes citados no relatório estão o agente Anderson Wander da Silva e a delegada Valéria Vieira Pereira da Silva. Eles teriam sido procurados para colaborar com o esquema por meio do acesso a informações restritas disponíveis em sistemas internos da Polícia Federal.

A investigação também menciona os policiais federais aposentados Sebastião Monteiro Júnior e Francisco Pereira da Silva. Segundo a PF, ambos teriam se juntado ao grupo para auxiliar no acesso e na circulação de informações consideradas privilegiadas.

A suspeita é que a estrutura tenha funcionado como uma rede paralela de consulta, monitoramento e antecipação de atos investigativos. Para a PF, o objetivo seria favorecer Daniel Vorcaro, seus familiares e interesses ligados ao Banco Master em frentes de apuração que tramitavam sob sigilo.

Pagamentos mensais teriam sido feitos por Henrique Vorcaro

O relatório encaminhado ao STF aponta que os pagamentos ao grupo teriam sido realizados por Henrique Vorcaro. A Polícia Federal afirma que ele exerceria o papel de financiador da estrutura responsável por obter dados sigilosos.

As diligências indicam que Marilson Roseno recebia valores mensais que chegariam a R$ 400 mil. Mensagens analisadas pelos investigadores apontam cobranças feitas a Henrique em períodos de atraso, com sinais de que a continuidade do repasse de informações dependeria da manutenção dos pagamentos.

A PF também apura pagamentos adicionais, presentes e benefícios que teriam sido oferecidos a agentes da ativa. Em uma das linhas de investigação, os repasses por Pix aparecem como meio utilizado para tentar remunerar colaboradores internos.

O uso de agentes públicos para acessar informações sigilosas, se confirmado, pode caracterizar crimes como corrupção, violação de sigilo funcional, organização criminosa e obstrução de investigação. A tipificação final, porém, dependerá da análise do Ministério Público e das decisões do STF.

Sistema e-Pol teria sido usado para consultar investigações

Um dos pontos mais sensíveis do relatório envolve o suposto uso indevido do e-Pol, sistema interno da Polícia Federal que registra informações sobre inquéritos, procedimentos e ordens judiciais recebidas pela corporação.

Segundo a apuração, agentes da ativa teriam sido acionados para consultar dados relacionados a investigações em curso. O objetivo seria identificar medidas que pudessem afetar Daniel Vorcaro, familiares ou pessoas próximas ao grupo.

A Polícia Federal afirma que foi por meio desse tipo de acesso que Vorcaro teria tomado conhecimento de um mandado de prisão expedido contra ele. O documento teria sido posteriormente repassado a um site jornalístico, em uma movimentação que, segundo os investigadores, poderia ser utilizada na estratégia de defesa do banqueiro.

Essa suspeita coloca o caso em uma dimensão institucional sensível. O vazamento de ordens judiciais antes do cumprimento pode comprometer diligências, permitir fuga, destruir provas ou alterar o comportamento dos investigados.

André Mendonça determina prisões e afastamento de delegada

Diante do relatório da Polícia Federal, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou medidas contra policiais citados na investigação. Entre elas estão prisões preventivas de agentes apontados como integrantes do suposto esquema.

A delegada Valéria Vieira Pereira da Silva foi afastada da função. Segundo a PF, ela teria acessado informações internas e repassado dados de interesse do grupo investigado. A defesa dos citados poderá contestar as acusações no curso do processo.

A prisão preventiva é uma medida cautelar adotada antes de condenação definitiva e precisa ser justificada por requisitos legais, como risco à investigação, possibilidade de reiteração delitiva, ameaça à ordem pública ou risco de fuga. No caso, a decisão do STF busca preservar a apuração e impedir novos acessos indevidos a sistemas restritos.

A tramitação no Supremo decorre da conexão do caso com investigações mais amplas envolvendo o Banco Master, seus controladores e possíveis relações com agentes públicos. O ministro André Mendonça atua como relator da frente de investigação na Corte.

Caso atinge núcleo sensível da Polícia Federal

A suspeita de participação de policiais federais da ativa e aposentados amplia a gravidade institucional do caso. A Polícia Federal é responsável por conduzir investigações de alta complexidade, muitas delas envolvendo crimes financeiros, corrupção, lavagem de dinheiro e organizações criminosas.

Quando agentes públicos são investigados por supostamente vender acesso a informações internas, o impacto ultrapassa o caso individual. A suspeita afeta a confiança sobre a proteção do sigilo investigativo e sobre a integridade dos sistemas usados para apurar crimes.

A apuração também expõe a vulnerabilidade de bases digitais sensíveis. Sistemas como o e-Pol dependem de controles de acesso, rastreamento de consultas e auditorias internas para impedir uso indevido por servidores autorizados.

Para a PF, o caso exige resposta disciplinar, criminal e tecnológica. A identificação de acessos suspeitos, o bloqueio de credenciais e o rastreamento de consultas passam a ser medidas centrais para dimensionar o alcance do suposto vazamento.

Banco Master permanece no centro de apurações

O episódio é mais uma frente do Caso Master, que envolve investigações sobre fraudes financeiras, supostas relações indevidas com agentes públicos e tentativas de interferência em apurações. Daniel Vorcaro está preso em razão de decisões judiciais relacionadas ao caso.

O Banco Master passou por forte expansão nos últimos anos, mas entrou no centro de uma crise após questionamentos sobre sua estrutura financeira, operações e relações com atores do mercado e do poder público. O caso ganhou dimensão nacional porque envolve sistema financeiro, órgãos de controle, Justiça e figuras com trânsito político.

Para investidores e agentes do mercado, a investigação amplia a percepção de risco institucional associada ao colapso do banco. A suspeita de acesso indevido a informações da Polícia Federal adiciona uma camada penal e política a um caso que já tinha impacto financeiro relevante.

A eventual confirmação de pagamentos a agentes públicos para obter dados sigilosos pode reforçar a tese de que o grupo buscava não apenas administrar sua exposição regulatória e judicial, mas também antecipar movimentos de autoridades responsáveis por investigar o banco.

Vazamento pode configurar tentativa de obstrução

O acesso antecipado a mandados, inquéritos e ordens judiciais é tratado por investigadores como uma possível forma de obstrução. Em apurações criminais, o sigilo tem função objetiva: impedir que alvos sejam alertados antes da execução de medidas autorizadas pela Justiça.

Quando uma pessoa investigada recebe previamente informações sobre diligências, há risco de destruição de provas, combinação de versões, movimentação patrimonial, fuga ou alteração de rotinas. Por isso, o suposto vazamento de dados internos da PF é considerado um dos aspectos mais graves do relatório.

A Polícia Federal sustenta que o grupo teria se beneficiado de informações privilegiadas para acompanhar investigações e se preparar para atos de autoridades. A análise do STF deverá considerar se houve vantagem concreta, quem participou dos acessos e qual foi o papel de cada investigado.

A defesa dos envolvidos poderá questionar a origem das provas, a interpretação das mensagens e a existência de vínculo entre pagamentos e vazamentos. Essas discussões devem marcar a próxima etapa do processo.

Investigação aumenta pressão sobre estruturas de controle

O caso também deve pressionar a Polícia Federal a reforçar mecanismos de controle sobre seus sistemas internos. A rastreabilidade de consultas feitas por servidores é considerada essencial para identificar acessos sem justificativa funcional.

Em investigações de alta sensibilidade, o acesso a informações costuma ser restrito a equipes diretamente ligadas ao caso. Mesmo assim, servidores com permissões administrativas ou lotados em áreas específicas podem consultar registros se houver falhas de governança ou controles insuficientes.

A suspeita de que policiais aposentados teriam influenciado agentes da ativa evidencia outro problema: redes informais de relacionamento dentro de corporações públicas. A PF deverá avaliar se houve falhas individuais ou vulnerabilidades mais amplas de integridade institucional.

No campo jurídico, o relatório reforça a importância de medidas cautelares contra investigados com acesso a sistemas oficiais. O afastamento de função, a prisão preventiva e a apreensão de equipamentos são instrumentos usados para preservar provas e impedir continuidade de condutas suspeitas.

Desdobramento no STF pode ampliar alcance do Caso Master

A tramitação no Supremo deve definir os próximos passos da apuração. O relatório da Polícia Federal será analisado no contexto das investigações conduzidas sob relatoria de André Mendonça, que poderá manter, revisar ou ampliar medidas cautelares conforme novos elementos sejam apresentados.

O Ministério Público também terá papel central na avaliação das provas. Caberá ao órgão decidir se oferece denúncia, pede novas diligências ou arquiva pontos específicos caso entenda que não há elementos suficientes contra determinados investigados.

A defesa de Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro e dos policiais citados deve buscar demonstrar ausência de vínculo entre pagamentos e vazamentos, questionar a interpretação da PF e contestar a necessidade das prisões preventivas. Até o julgamento final, todos os investigados preservam a presunção de inocência.

O novo relatório amplia a dimensão institucional do Caso Master. A suspeita de que informações internas da Polícia Federal teriam sido compradas por um grupo ligado ao banco desloca parte da crise para dentro do aparelho de investigação do Estado e eleva a pressão sobre o STF, a PF e os órgãos de controle responsáveis por preservar o sigilo de apurações criminais.

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