A Porto (PSSA3) voltou à carteira recomendada de dividendos da Empiricus Research para setembro, ocupando a posição anteriormente destinada à Telefônica Brasil (VIVT3), dona da Vivo. Foi a única alteração realizada pela casa no início do mês, mantendo uma estratégia formada por oito ações com participações iguais de 12,5%.
Além da Porto, permanecem Axia Energia (AXIA3), B3 (B3SA3), Direcional (DIRR3), Itaú Unibanco (ITUB4), Multiplan (MULT3), Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3).
A mudança ocorre depois de a Telefônica Brasil apresentar a pior variação individual da carteira em agosto, com queda de 8,2%. No mesmo período, o portfólio de dividendos da Empiricus recuou 0,4%, enquanto o Ibovespa caiu 0,3%.
A diferença significa que a carteira ficou 0,1 ponto percentual abaixo do principal índice da Bolsa no mês. O desempenho negativo, entretanto, não alterou a estrutura básica da seleção: sete das oito posições foram mantidas para setembro.
A escolha da Porto coloca novamente no portfólio uma empresa que já havia integrado a estratégia da própria Empiricus anteriormente. Em maio deste ano, PSSA3 figurava na carteira de dividendos com peso de 12,5%, ao lado da própria Telefônica Brasil.
Porto retorna com lucro de R$ 879 milhões no segundo trimestre
A volta da Porto ocorre depois de a companhia registrar lucro líquido de R$ 879,4 milhões no segundo trimestre de 2026 e retorno sobre o patrimônio médio, o ROAE, de 22,1%.
Os números mais recentes ajudam a explicar um dos pontos centrais da tese apresentada para a empresa: a Porto deixou de depender exclusivamente do desempenho de seguros de automóveis e ampliou sua exposição a Saúde, serviços financeiros e prestação de serviços.
No segundo trimestre, o negócio de Seguros respondeu por lucro líquido de R$ 455,8 milhões, com ROAE de 32,9%.
Porto Saúde apresentou lucro de R$ 143,9 milhões e ROAE de 24%. Porto Bank registrou R$ 137,8 milhões de lucro e retorno de 16,3%, enquanto Porto Serviço lucrou R$ 50,2 milhões e apresentou margem Ebitda de 14,4%.
Somados, Saúde, Bank e Serviço produziram R$ 331,9 milhões de lucro no trimestre.
Um cálculo da Gazeta Mercantil mostra que essas três áreas corresponderam a aproximadamente 42% da soma dos resultados divulgados para os quatro principais negócios da Porto no período — Seguros, Saúde, Bank e Serviço. A comparação não representa a participação no lucro consolidado, porque existem ajustes corporativos e eliminações, mas ajuda a dimensionar a diversificação das fontes de resultado.
É justamente essa ampliação que reduz a dependência da companhia do seguro automotivo, segmento em que a Porto mantém posição de liderança.
Juros elevados também favorecem a tese da seguradora
Outro elemento utilizado na tese é a relação entre o negócio da Porto e o rendimento de suas aplicações financeiras.
Seguradoras recebem recursos antes de pagar parte relevante das indenizações, formando volumes financeiros que são aplicados durante esse intervalo. Em períodos de taxas de juros elevadas, a remuneração desses ativos pode aumentar a contribuição do resultado financeiro para o lucro.
A Empiricus considera essa característica especialmente relevante no ambiente atual e destaca que mais da metade do lucro antes de impostos da companhia é influenciada pelo rendimento das aplicações financeiras.
Isso cria uma particularidade em relação a empresas altamente endividadas, para as quais juros elevados normalmente significam aumento da despesa financeira.
No caso de uma seguradora com volume relevante de ativos financeiros, o efeito pode ocorrer também na direção contrária, elevando a receita produzida pelas aplicações.
Essa característica não elimina riscos. A rentabilidade do negócio continua dependendo de fatores como sinistralidade, competição, preços das apólices, crescimento das diferentes operações e comportamento da carteira de investimentos.
Ainda assim, ajuda a explicar por que a Porto volta a ocupar espaço em uma estratégia voltada a geração de caixa e distribuição de proventos.
Porto distribuiu R$ 1,84 bilhão em proventos em 2025
O histórico recente da companhia também fornece uma referência para investidores interessados em dividendos.
Segundo dados da própria Porto, a empresa registrou lucro líquido de R$ 3,381 bilhões em 2025 e distribuiu aproximadamente R$ 1,843 bilhão em proventos aos acionistas.
O payout informado foi de 55%.
Isso significa que pouco mais da metade do lucro daquele exercício foi destinada aos acionistas na forma de dividendos ou juros sobre capital próprio.
O dividend yield informado pela companhia para 2025 ficou em 5,9%, acima dos 5,6% registrados em 2024.
Os números revelam também uma evolução importante. Em 2023, a Porto havia distribuído R$ 965 milhões em proventos. Em 2024, o montante subiu para R$ 1,319 bilhão e, em 2025, alcançou R$ 1,843 bilhão.
Entre 2023 e 2025, portanto, o volume anual de proventos praticamente dobrou, com crescimento acumulado próximo de 91%.
O estatuto da companhia estabelece dividendo obrigatório mínimo correspondente a 25% do lucro líquido ajustado, embora a distribuição efetiva possa superar esse percentual dependendo dos resultados e das decisões da administração.
Saída da Vivo não significa deterioração operacional
A retirada da Telefônica Brasil da carteira ocorre após a queda das ações em agosto, mas não coincide com uma deterioração evidente dos principais indicadores operacionais da companhia.
A empresa encerrou o segundo trimestre com 118,8 milhões de acessos em operações móveis e fixas.
Somente no segmento móvel eram 105,1 milhões de linhas, equivalentes a 37,8% do total de acessos móveis ativos no país, segundo dados divulgados pela companhia.
A rede 5G alcançava aproximadamente 73% da população, enquanto a infraestrutura de fibra óptica chegava a 32 milhões de domicílios potenciais em 453 cidades.
Nos resultados do segundo trimestre, a Telefônica Brasil apresentou receita líquida próxima de R$ 15,8 bilhões e Ebitda em torno de R$ 6,6 bilhões, mantendo crescimento operacional na comparação anual.
Isso mostra que a substituição dentro de uma carteira recomendada deve ser interpretada como decisão de alocação, e não necessariamente como uma avaliação de deterioração estrutural da empresa retirada.
Uma casa de análise pode reduzir uma posição mesmo quando a companhia continua apresentando resultados positivos, caso identifique uma relação entre risco e retorno considerada mais atraente em outro ativo.
Neste caso, a Empiricus optou por substituir uma empresa de telecomunicações pela Porto, aumentando a exposição do portfólio a seguros e serviços financeiros.
Carteira concentra 37,5% em negócios financeiros e seguros
A estrutura de pesos iguais permite observar como a seleção ficou distribuída após a mudança.
Porto, Itaú Unibanco e B3 representam, juntas, 37,5% da carteira em uma classificação ampla de seguros, bancos e infraestrutura do mercado financeiro.
Direcional e Multiplan somam outros 25%, oferecendo exposição ao mercado imobiliário por meio de segmentos diferentes: incorporação residencial e shopping centers.
Petrobras e Vale correspondem, juntas, a 25% do portfólio, adicionando exposição a petróleo, minério de ferro e ao comportamento das commodities internacionais.
Os 12,5% restantes estão alocados na Axia Energia.
A divisão mostra que a carteira não é composta apenas pelas empresas com os maiores dividend yields observados no passado. Ela combina negócios de diferentes setores que, na avaliação dos analistas, possuem capacidade de geração de caixa e condições de distribuir capital aos acionistas.
Petrobras foi destaque positivo em agosto
O desempenho de agosto foi marcado por forte dispersão entre as ações selecionadas.
A Petrobras se destacou positivamente com a alta do petróleo provocada pela intensificação das tensões no Oriente Médio. A valorização da commodity favoreceu as ações da companhia e ajudou a compensar parte das perdas observadas em outros componentes.
Na outra ponta, além da queda de 8,2% da Telefônica Brasil, o Itaú sofreu com a piora da percepção sobre o ambiente de crédito brasileiro.
O próprio Ibovespa atravessou um mês volátil. O índice chegou a acumular perdas superiores a 6% durante a primeira metade de agosto antes de recuperar parte significativa do terreno posteriormente.
Questões fiscais domésticas, proximidade das eleições de 2026 e sinais de desaceleração econômica ajudaram a elevar a volatilidade, enquanto a segunda metade do mês foi beneficiada pela recuperação dos ativos brasileiros.
Para a Empiricus, o ambiente continua exigindo maior seletividade na escolha das empresas, principalmente diante de juros ainda elevados e de uma economia em desaceleração.
Peso igual limita impacto individual das posições
Uma característica relevante da carteira de setembro é a ausência de uma aposta dominante.
Com oito ações e alocação uniforme de 12,5%, nenhuma companhia isoladamente pode representar mais de um oitavo do portfólio no momento da montagem.
Isso reduz o efeito inicial de uma oscilação muito forte de apenas uma ação sobre o resultado geral.
Se uma posição, por exemplo, recuar 10% enquanto as outras sete permanecerem estáveis, seu impacto matemático sobre a carteira seria de aproximadamente 1,25 ponto percentual.
A mesma lógica funciona para uma valorização.
Esse desenho ajuda a entender por que a queda de 8,2% da Telefônica Brasil em agosto, embora relevante, não se traduziu em uma perda equivalente para toda a carteira.
O portfólio encerrou o mês com recuo de apenas 0,4%, graças à combinação do comportamento dos demais ativos.
Setembro começa com apenas uma troca
A manutenção de sete das oito posições indica que a Empiricus não realizou uma mudança generalizada de estratégia para setembro.
A decisão foi concentrada na troca de Telefônica Brasil pela Porto.
O movimento aumenta a exposição a uma companhia cujo resultado combina seguros, saúde, banco e serviços e que apresentou retorno sobre patrimônio superior a 20% no segundo trimestre.
Para o investidor, a composição da carteira deve ser entendida como uma recomendação produzida por uma casa de análise em determinado momento de mercado, e não como garantia de retorno ou de pagamento futuro de dividendos.
Distribuições anteriores não asseguram proventos futuros, e a rentabilidade de qualquer carteira dependerá tanto do comportamento dos preços das ações quanto das decisões das empresas sobre distribuição de capital.
Em setembro, o principal teste da mudança será verificar se a diversificação e o resultado financeiro da Porto conseguirão justificar sua volta ao portfólio e melhorar o desempenho de uma carteira que terminou agosto praticamente em linha com o Ibovespa.
Fontes:
Empiricus Research – carteira recomendada de dividendos, composição do portfólio e análise das ações selecionadas
Porto – resultados financeiros do segundo trimestre de 2026 e desempenho dos negócios de Seguros, Saúde, Bank e Serviço
Porto – histórico de dividendos e juros sobre capital próprio, payout e dividend yield
Telefônica Brasil – dados operacionais, cobertura de rede, base de acessos e informações corporativas do segundo trimestre de 2026









