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Produção industrial cresce 4,3% em março e impulsiona expectativa de PIB mais forte

Avanço foi puxado pela indústria automotiva e por bens duráveis, enquanto setor mantém nível acima do pré-pandemia.

por Álvaro Lima
08/05/2026 às 07h48
em Economia
Produção Industrial Cresce 4,3% Em Março E Impulsiona Expectativa De Pib Mais Forte-Gazeta Mercantil

A produção industrial brasileira avançou 4,3% em março de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (7) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio acompanhado de crescimento em 19 dos 25 segmentos industriais pesquisados e reforçou a percepção de atividade econômica mais aquecida no primeiro trimestre do ano.

O desempenho foi impulsionado principalmente pela fabricação de veículos automotores, produção de alimentos e recuperação do setor de bens de consumo duráveis. Na comparação mensal, frente a fevereiro, a indústria registrou leve alta de 0,1%, marcando o terceiro avanço consecutivo e acumulando expansão de 3,1% no período.

A leitura do mercado é de que os números fortalecem as projeções de crescimento mais robusto do Produto Interno Bruto (PIB) no início de 2026, mesmo em um ambiente ainda marcado por juros elevados e desaceleração global.

Segundo o IBGE, todas as quatro grandes categorias econômicas apresentaram crescimento na comparação anual, enquanto 46 dos 80 grupos industriais pesquisados registraram expansão.

Calendário favoreceu avanço da indústria em março

Parte relevante do crescimento observado em março foi influenciada pelo efeito calendário. O IBGE destacou que o mês teve 22 dias úteis em 2026, contra 19 no mesmo período do ano anterior.

A diferença ocorreu porque o Carnaval de 2025 caiu em março, reduzindo o ritmo da atividade econômica naquele período.

Apesar do impacto estatístico, economistas avaliam que o resultado também reflete uma melhora disseminada da atividade industrial, especialmente em setores ligados ao consumo doméstico e à cadeia automotiva.

O gerente da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), André Macedo, destacou que o avanço foi relativamente espalhado entre os segmentos pesquisados, indicando continuidade da recuperação observada desde o início do ano.

Ainda assim, analistas ponderam que parte da força do indicador tende a perder intensidade nos próximos meses, à medida que os efeitos do calendário deixam de influenciar a base de comparação.

Indústria automotiva lidera recuperação do setor

O principal destaque da produção industrial em março veio da indústria automotiva. O segmento de veículos automotores avançou 18,7% na comparação anual e puxou o desempenho dos bens de consumo duráveis.

A fabricação de automóveis registrou crescimento expressivo de 38,9%, refletindo melhora nas cadeias de suprimento, recuperação da demanda doméstica e avanço da produção voltada ao mercado interno.

Também apresentaram desempenho relevante os segmentos de motocicletas, com alta de 34,7%, móveis, com crescimento de 11,4%, e eletrodomésticos das linhas branca e marrom.

O setor de bens de consumo duráveis interrompeu quatro meses consecutivos de retração e registrou sua maior expansão desde novembro de 2024.

Segundo André Macedo, gerente da PIM, o resultado sinaliza recuperação importante da produção ligada ao consumo das famílias, em um cenário de melhora gradual da renda e do mercado de trabalho.

A retomada da indústria automotiva também ocorre em meio à reorganização do setor no Brasil, com avanço de veículos híbridos e elétricos, além da ampliação de investimentos por montadoras estrangeiras.

Alimentos e derivados de petróleo sustentam atividade industrial

Além do setor automotivo, a indústria de alimentos teve papel relevante no desempenho da produção industrial em março. O segmento avançou 5,7% na comparação anual e ajudou a sustentar o crescimento disseminado da atividade fabril.

As atividades relacionadas a coque, derivados de petróleo e biocombustíveis também mostraram recuperação importante na comparação mensal, com avanço de 2,2% frente a fevereiro.

Segundo o IBGE, o segmento acumula expansão de 11,5% nos últimos quatro meses, indicando continuidade da retomada operacional em refinarias e cadeias associadas ao setor energético.

Já o setor de produtos químicos cresceu 4% na passagem mensal, revertendo parte da retração observada em fevereiro.

Analistas avaliam que a recuperação de setores ligados à indústria de transformação reforça sinais de resiliência da economia brasileira, mesmo diante do ambiente de crédito restritivo provocado pelos juros elevados.

Seis segmentos ainda registram retração

Apesar do avanço disseminado da indústria, alguns setores continuaram apresentando desempenho negativo em março.

Ao todo, seis das 25 atividades pesquisadas pelo IBGE registraram queda na comparação anual.

A principal retração ocorreu no segmento de celulose, papel e produtos de papel, que recuou 4,5%, pressionado pela menor produção de pastas químicas de madeira.

As indústrias extrativas também apresentaram desaceleração, com avanço mais moderado de 4,7%, enquanto segmentos ligados ao petróleo e biocombustíveis cresceram abaixo do observado em outras áreas da indústria de transformação.

Economistas observam que a recuperação industrial continua heterogênea e ainda depende fortemente de segmentos específicos ligados ao consumo interno e à cadeia automotiva.

A indústria brasileira permanece 13,9% abaixo do pico histórico registrado em maio de 2011, apesar de já operar 3,3% acima do nível pré-pandemia, observado em fevereiro de 2020.

Mercado revisa projeções para atividade econômica

Os números da produção industrial reforçaram expectativas de crescimento mais forte do PIB brasileiro no primeiro trimestre de 2026.

Nos últimos dias, outros indicadores de atividade também vieram acima das expectativas do mercado, incluindo dados ligados ao consumo e ao mercado de trabalho.

A leitura predominante entre economistas é de que a economia brasileira iniciou o ano em ritmo mais resiliente do que o inicialmente previsto, apesar do impacto da política monetária restritiva do Banco Central.

O avanço da indústria aumenta a probabilidade de revisões positivas para projeções de crescimento econômico em 2026, embora especialistas alertem para riscos relacionados ao cenário internacional, desaceleração global e custo elevado do crédito.

Ao mesmo tempo, indicadores mais fortes de atividade tendem a influenciar as expectativas para a trajetória da taxa Selic, especialmente em um momento de atenção do mercado sobre inflação de serviços e dinâmica fiscal.

Recuperação industrial reacende debate sobre competitividade

O desempenho da indústria em março também recolocou em discussão os desafios estruturais do setor produtivo brasileiro.

Embora os dados indiquem recuperação no curto prazo, especialistas apontam que a indústria nacional continua enfrentando gargalos relacionados à produtividade, custo de capital, infraestrutura e competitividade internacional.

A distância de quase 14% em relação ao pico histórico de produção registrado em 2011 evidencia que a recuperação ainda está longe de representar retorno pleno da capacidade industrial brasileira.

Nos últimos anos, o setor passou por mudanças importantes, incluindo avanço da digitalização, reorganização das cadeias globais de suprimentos e maior pressão competitiva internacional.

A expectativa do mercado é de que investimentos em infraestrutura, transição energética e modernização industrial possam contribuir para sustentar uma trajetória de crescimento mais consistente nos próximos anos.

Enquanto isso, os dados do IBGE reforçam que a indústria brasileira iniciou 2026 em ritmo mais forte do que o esperado, tornando-se um dos principais vetores de sustentação da atividade econômica no primeiro trimestre.

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