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Quem é Felipe Cançado Vorcaro, preso na nova fase da Operação Compliance Zero

Primo de Daniel Vorcaro é apontado pela PF como operador financeiro em investigação sobre supostos repasses ligados ao Banco Master e a Ciro Nogueira

por Júlia Campos - Repórter de Política
07/05/2026 às 17h22 - Atualizado em 15/05/2026 às 17h24
em Política, Destaque, Notícias
Felikpe Vorcaro - Gazeta Mercantil

Felipe Cançado Vorcaro, primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, foi preso temporariamente nesta quinta-feira, 7 de maio de 2026, durante a quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal com autorização do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Segundo a investigação, Felipe aparece como uma das figuras responsáveis pela operacionalização financeira de supostos repasses ligados ao Banco Master e a agentes políticos, incluindo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), também alvo de medidas cautelares na nova etapa da apuração.

A Operação Compliance Zero investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e organização criminosa envolvendo o antigo Banco Master, seus controladores, estruturas empresariais relacionadas e possíveis agentes públicos beneficiados. Na fase desta quinta-feira, a PF cumpriu dez mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal.

A decisão também autorizou o bloqueio de bens, direitos e valores estimados em R$ 18,85 milhões. O valor é tratado pelas autoridades como medida de preservação patrimonial enquanto os investigadores avançam sobre o suposto fluxo financeiro do esquema. Os investigados têm direito à defesa, e as suspeitas ainda dependem de confirmação por provas, manifestação do Ministério Público e análise judicial.

Felipe Vorcaro é apontado como operador financeiro

A Polícia Federal coloca Felipe Cançado Vorcaro como um dos personagens do núcleo financeiro-operacional da investigação. Segundo os elementos citados na decisão e em reportagens que tiveram acesso ao material, ele teria atuado na execução de pagamentos mensais associados à chamada “parceria BRGD/CNLF”.

Essa parceria aparece na apuração como um dos caminhos investigados para supostos repasses financeiros relacionados a Ciro Nogueira. A PF busca entender se os pagamentos tinham natureza lícita ou se representavam vantagens indevidas vinculadas à atuação política em favor de interesses do Banco Master.

Felipe é primo de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master e figura central do caso. A proximidade familiar e a atuação em estruturas ligadas ao grupo levaram os investigadores a aprofundar o papel dele no fluxo financeiro sob análise.

A prisão temporária foi determinada no contexto da necessidade de coleta de provas e preservação da investigação. Esse tipo de medida cautelar tem prazo determinado e não representa condenação. Sua finalidade é permitir que os investigadores avancem em diligências consideradas sensíveis.

PF investiga pagamentos mensais de R$ 300 mil a R$ 500 mil

Um dos pontos centrais da investigação envolve mensagens sobre pagamentos recorrentes ligados à “parceria BRGD/CNLF”. Segundo a PF, Felipe Cançado Vorcaro teria perguntado a Daniel Vorcaro, em junho e julho de 2024, se deveria continuar realizando repasses mensais de R$ 300 mil.

Em janeiro de 2025, ainda segundo a apuração, Felipe teria voltado a consultar Daniel sobre um possível aumento dos pagamentos para R$ 500 mil. A investigação afirma que Daniel respondeu que os repasses deveriam continuar porque se tratava de algo “muito importante”.

Esses registros são analisados pela PF como indícios de pagamentos regulares que poderiam estar associados a vantagens indevidas. A defesa dos envolvidos poderá contestar a interpretação das mensagens, a origem dos recursos e a finalidade dos repasses.

A apuração busca esclarecer se os valores citados estavam vinculados a contratos, investimentos, dividendos, prestação de serviços ou se funcionavam como mecanismo de remuneração ilícita a agentes políticos ou pessoas a eles relacionadas.

Empresas BRGD e CNLF entram no foco da investigação

A chamada “parceria BRGD/CNLF” citada pela PF envolve duas estruturas empresariais que aparecem no relatório. A BRGD S.A. é descrita como empresa brasileira com atuação em Minas Gerais e tinha como diretor Oscar Vorcaro, pai de Felipe Cançado Vorcaro.

Já a CNLF Empreendimentos Mobiliários era administrada pelo irmão de Ciro Nogueira, segundo a investigação. A PF aponta que a empresa não possuía funcionários registrados, elemento considerado relevante pelos investigadores para avaliar a substância econômica das operações.

A ausência de funcionários, por si só, não comprova irregularidade. No entanto, em investigações financeiras, empresas sem estrutura operacional podem ser examinadas para verificar se foram usadas em operações efetivas ou se serviram apenas como veículos de passagem, recebimento ou ocultação de recursos.

O objetivo dos investigadores é mapear contratos, transferências, participações societárias, dividendos, mensagens e documentos que possam indicar a real finalidade da relação entre as empresas.

Compra de ações da Green Investimentos está sob suspeita

Outro ponto citado na investigação envolve a compra de ações da Green Investimentos S.A. Segundo a PF, uma empresa ligada ao irmão de Ciro Nogueira teria adquirido 30% da Green por R$ 1 milhão.

A suspeita surgiu porque avaliação registrada junto à Comissão de Valores Mobiliários indicaria que essa participação valia cerca de R$ 13 milhões. Para os investigadores, a diferença entre o preço de aquisição e o valor estimado pode indicar possível vantagem econômica indevida.

Três meses depois da operação, Felipe teria informado Daniel Vorcaro de que a Green Investimentos havia recebido R$ 2,4 milhões em dividendos da Trinity Energias Renováveis S.A., empresa na qual detinha participação. Com 30% da Green, a empresa ligada ao irmão do senador teria direito a aproximadamente R$ 720 mil em dividendos naquele exercício.

Esse valor ficou próximo do total desembolsado na compra da participação, segundo os elementos citados na investigação. A PF apura se a operação teve motivação econômica regular ou se teria sido estruturada para transferir vantagem patrimonial de forma indireta.

“Contrato de gaveta” teria sido usado para evitar restrições

A investigação também aponta que os envolvidos teriam mantido a operação por meio de um “contrato de gaveta”. Segundo a PF, esse formato teria sido usado para evitar restrições previstas no acordo de acionistas e escapar de fiscalização regulatória.

Contratos privados não registrados podem existir em determinadas relações societárias, mas passam a ser examinados com maior rigor quando aparecem em investigações sobre ocultação de beneficiários, simulação de operações ou tentativa de driblar regras de governança.

No caso da Green Investimentos, os investigadores buscam esclarecer quem eram os beneficiários reais da operação, por que a aquisição teria ocorrido por valor inferior à avaliação apontada nos documentos e se houve tentativa de ocultar a participação de pessoas politicamente expostas ou relacionadas a agentes públicos.

A eventual irregularidade dependerá da comprovação de que a operação foi simulada, subfaturada ou usada para transferência indevida de valor. Essa análise ainda será feita no curso da apuração.

Episódio em Trancoso pesou na prisão temporária

A decisão do ministro André Mendonça também cita um episódio ocorrido durante a segunda fase da Operação Compliance Zero. Segundo a Polícia Federal, Felipe Cançado Vorcaro teria deixado o condomínio Terravista, na Bahia, minutos antes da chegada dos agentes federais.

Imagens de circuito interno teriam mostrado dois homens deixando o imóvel às 5h39 em um carrinho de golfe, após diversas consultas no celular. A equipe da PF chegou ao local às 5h59. Ainda de acordo com a investigação, o quarto atribuído a Felipe estaria com roupas de cama desarrumadas e ar-condicionado ligado.

Para os investigadores, o episódio indicaria tentativa de evasão ou de evitar o cumprimento de diligências. Esse ponto foi usado como elemento para sustentar a necessidade da prisão temporária na nova fase da operação.

A defesa poderá apresentar explicações alternativas para o episódio. Até eventual decisão definitiva, a narrativa permanece como um elemento investigativo citado pela PF e acolhido pelo relator para autorizar medida cautelar.

Saída da presidência da Green também entrou no radar

A investigação menciona ainda que Felipe Cançado Vorcaro deixou a presidência da Green Investimentos S.A. no dia seguinte à primeira fase da Operação Compliance Zero. Ele ocupava o cargo desde novembro de 2021.

Mudanças societárias ou administrativas próximas a operações policiais costumam ser examinadas por investigadores para verificar se representam reorganização ordinária ou tentativa de reduzir exposição de pessoas envolvidas. No caso de Felipe, a PF avalia a cronologia da saída em conjunto com outros elementos, como mensagens, pagamentos e estrutura societária.

A Green Investimentos aparece como uma das empresas relevantes na apuração por causa da venda de participação, da avaliação apontada junto à CVM e da distribuição de dividendos mencionada nos autos.

O papel exato de Felipe na companhia, nos contratos e nas decisões societárias ainda deve ser aprofundado com análise documental e eventual depoimento dos envolvidos.

Ciro Nogueira é alvo em frente política da operação

A nova fase da Operação Compliance Zero também atingiu Ciro Nogueira. A PF cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao senador, que é presidente nacional do PP e uma das lideranças mais influentes do Congresso.

A investigação apura se o parlamentar teria recebido vantagens indevidas para atuar em favor de interesses do Banco Master. Segundo a Agência Brasil, a PF afirma ter indícios de pagamentos mensais que variaram entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, além de outras benesses, como custeio de viagens internacionais, hospedagens, restaurantes, voos privados e uso de imóveis de alto padrão.

Ciro Nogueira nega irregularidades. A apuração ainda está em fase investigativa e depende de aprofundamento das provas. A eventual responsabilização do senador dependerá da análise da Procuradoria-Geral da República e de decisões do Supremo Tribunal Federal.

O caso tem forte impacto político porque envolve suspeita de influência privada sobre atuação parlamentar em temas de interesse do sistema financeiro.

Quinta fase amplia cerco ao Caso Master

A quinta fase da Operação Compliance Zero amplia o cerco sobre o Caso Master e desloca parte do foco para personagens que teriam operado os fluxos financeiros do suposto esquema. A prisão de Felipe Cançado Vorcaro indica que a PF busca avançar sobre a trilha do dinheiro e sobre as estruturas empresariais usadas nas operações investigadas.

A operação desta quinta-feira foi autorizada pelo STF e incluiu buscas contra Ciro Nogueira. A Reuters também reportou que a Polícia Federal cumpriu mandado de busca contra o senador em uma investigação que amplia o escrutínio sobre o Banco Master.

Para o sistema financeiro, o caso mantém pressão sobre temas como governança, fiscalização, relação entre bancos e agentes políticos, uso de estruturas societárias e transparência de operações com empresas relacionadas.

Para Brasília, a investigação reforça o potencial de desgaste institucional envolvendo parlamentares, partidos e interlocutores do mercado financeiro.

Prisão de Felipe Vorcaro reforça pressão sobre Banco Master e Brasília

Felipe Cançado Vorcaro passa a ocupar posição central na nova fase da Operação Compliance Zero por ser apontado como operador financeiro de supostos pagamentos ligados ao entorno de Daniel Vorcaro e a Ciro Nogueira. A prisão temporária coloca os investigadores em uma etapa voltada à coleta de provas, rastreamento de recursos e esclarecimento de operações societárias.

A apuração ainda depende de análise de mensagens, documentos, dados bancários, registros societários, contratos e material apreendido. Também será necessária a manifestação das defesas, do Ministério Público e do STF nas próximas etapas.

O caso combina três dimensões sensíveis: uma instituição financeira investigada, estruturas empresariais com movimentações sob suspeita e possível influência sobre agente político de alto escalão. Por isso, a quinta fase da Compliance Zero mantém o Banco Master no centro de uma crise que é, ao mesmo tempo, financeira, regulatória e política.

Tags: André MendonçaBanco MasterBRGDCiro NogueiraCNLFcorrupçãoDaniel VorcaroFelipe Cançado VorcaroGreen InvestimentosLAVAGEM DE DINHEIROoperação Compliance Zeroorganização criminosaPFPolícia FederalPolíticasistema financeiroSTF

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