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XP Inc lucra R$ 1,38 bilhão no 2T26 e supera projeções com receita de R$ 5,05 bilhões

Ativos de clientes chegam a R$ 2,2 trilhões com captação de R$ 28 bilhões e banco de atacado avança 32% no trimestre

por Sandro Dias
17/08/2026 às 18h31
em Empresas
Xp Inc Lucra R$ 1,38 Bilhão No 2T26 E Supera Projeções Com Receita De R$ 5,05 Bilhões-Gazeta Mercantil

A XP Inc. (XP) reportou lucro líquido ajustado de R$ 1,384 bilhão no segundo trimestre de 2026, avanço de 5% na comparação com o mesmo intervalo do ano anterior. A receita bruta somou R$ 5,056 bilhões, alta de 8% em 12 meses, enquanto os ativos totais de clientes alcançaram R$ 2,2 trilhões. O resultado foi divulgado nesta segunda-feira, 17 de agosto, após o fechamento do mercado.

O desempenho veio levemente acima do consenso compilado pela LSEG, que projetava lucro de R$ 1,365 bilhão. A diferença de R$ 19 milhões representa superação de 1,4% sobre a média das estimativas. O lucro antes de impostos ajustado totalizou R$ 1,565 bilhão, crescimento de 15% ano a ano, com margem de 30,9% sobre a receita bruta. O retorno sobre o patrimônio líquido atingiu 22,5% no trimestre.

A companhia, listada na Nasdaq sob o ticker XP e negociada no Brasil via BDR XPBR31, manteve a trajetória de expansão de base e de diversificação de receitas. A captação líquida total de R$ 28 bilhões praticamente triplicou em relação ao segundo trimestre de 2025, quando ficou em torno de R$ 9,3 bilhões, pelos cálculos da Gazeta Mercantil a partir da variação informada pela empresa.

Lucro supera projeções e mantém ROE acima de 22%

O lucro líquido ajustado de R$ 1,384 bilhão consolida o segundo trimestre consecutivo acima de R$ 1,3 bilhão para a XP. O avanço de 5% na base anual ocorre sobre uma base já elevada, em um contexto de juros ainda restritivos e maior concorrência por recursos no varejo financeiro.

O EBT ajustado de R$ 1,565 bilhão mostra aceleração superior à do lucro final, com alta de 15% ano a ano. O indicador reflete o resultado operacional antes da incidência de impostos e é acompanhado de perto pelo mercado por expor a rentabilidade do negócio principal. O ROE de 22,5% mantém a companhia entre as instituições financeiras com maior retorno sobre capital no país, ainda que abaixo dos níveis registrados em trimestres de pico de atividade do mercado de capitais.

No detalhamento divulgado pela empresa, o resultado por ação acompanha a evolução do lucro e é beneficiado por programas de recompra executados ao longo de 2025 e 2026. A XP já distribuiu cerca de R$ 10 bilhões entre dividendos e recompras nos últimos exercícios, segundo comunicados anteriores da administração.

Receita bruta avança para R$ 5 bilhões com varejo e atacado

A receita bruta de R$ 5,056 bilhões representa acréscimo de aproximadamente R$ 375 milhões em relação ao segundo trimestre de 2025. A composição mostra equilíbrio maior entre as linhas de negócio do que em anos anteriores, quando a dependência de corretagem e distribuição era mais acentuada.

O varejo, que inclui plataforma de investimentos, renda fixa, fundos, previdência, seguros e cartões, segue como maior gerador de receitas, impulsionado pelo aumento da base ativa e pela maior penetração de produtos de maior recorrência. O modelo de taxa fixa sobre ativos, que já responde por mais de 20% dos ativos do segmento em trimestres recentes, contribui para previsibilidade.

O banco de atacado respondeu por R$ 1,175 bilhão da receita no segundo trimestre, alta de 32% na comparação anual. A participação da unidade no total da receita bruta subiu para 23,2%, ante cerca de 19% um ano antes. O avanço foi liderado pelo segmento corporate, com operações de crédito, estruturação e serviços para empresas.

As despesas gerais e administrativas permaneceram sob controle, em linha com a estratégia de ganho de eficiência operacional comunicada desde 2024. A companhia tem reportado redução de custos em termos relativos, mesmo com investimentos em tecnologia e expansão de novas verticais.

Ativos de clientes chegam a R$ 2,2 trilhões e captação triplica

Os ativos totais de clientes, métrica que reúne AuC, AuM e AuA, atingiram R$ 2,2 trilhões, crescimento de 17% em 12 meses. Considerando o percentual informado, o montante adicionado em um ano foi de aproximadamente R$ 320 bilhões. Em relação ao primeiro trimestre de 2026, quando a base estava em R$ 2,14 trilhões, o crescimento trimestral foi marginal, indicando maior peso da valorização de mercado e da captação para sustentar a expansão.

A captação líquida total de R$ 28 bilhões no trimestre contrasta com o desempenho de períodos anteriores de maior volatilidade. O valor representa quase o triplo do registrado no segundo trimestre de 2025 e o dobro dos R$ 14 bilhões do primeiro trimestre de 2026, com aceleração de 94% na base sequencial. O indicador é considerado central para o modelo de negócios da XP, por antecipar receitas futuras com distribuição e assessoria.

A taxa de captação anualizada sobre os ativos manteve-se em patamar elevado, sustentada por aportes em renda fixa, fundos de crédito e produtos isentos, além da migração de recursos de outras instituições. A plataforma encerrou o trimestre com mais de 4,8 milhões de clientes ativos, conforme base histórica divulgada pela companhia, e ampliação do cross-sell de produtos bancários.

Banco de atacado e serviços para pessoa jurídica ganham tração

O segundo trimestre marcou a entrada formal da XP em serviços de adquirência e cartão para pessoa jurídica. A iniciativa integra a estratégia de ampliar a relevância da instituição na vida financeira de empresas, indo além da oferta tradicional de investimentos e crédito.

A vertical PJ inclui conta digital, gestão de caixa, pagamentos, crédito com garantias e, agora, soluções de recebimento. A companhia informou que continuará expandindo o portfólio para o público corporativo, em concorrência direta com bancos tradicionais e fintechs especializadas.

O banco de atacado tem sido apontado pela administração como vetor de crescimento estrutural. Com receita de R$ 1,175 bilhão entre abril e junho, a unidade registrou o terceiro trimestre consecutivo acima de R$ 1 bilhão. O desempenho foi atribuído a operações de mercado de capitais, securitização e crédito corporativo, em um semestre de maior volume de emissões de debêntures e de instrumentos de dívida no mercado local.

A diversificação para PJ também tem impacto sobre a margem. Produtos de adquirência e cartão tendem a gerar receita transacional e de float, enquanto o crédito corporativo, quando originado com critérios de risco conservadores, contribui para o spread sem pressionar o índice de inadimplência consolidado.

Em nota, o presidente-executivo da XP Inc., Thiago Maffra, afirmou que a companhia seguirá ampliando sua relevância na vida financeira dos clientes e fortalecendo sua posição para alcançar liderança em investimentos no Brasil ao longo da próxima década. O executivo destacou que o segundo trimestre reflete a combinação de crescimento de base, disciplina de custos e expansão em novas linhas.

Contexto competitivo e próximos passos

O resultado da XP ocorre em um ambiente de competição acirrada por ativos de varejo e de normalização do mercado de capitais após dois anos de maior emissão. A empresa disputa recursos com grandes bancos, corretoras independentes e plataformas digitais, em um cenário de taxa Selic ainda em dois dígitos e de busca do investidor por produtos de crédito privado.

A companhia mantém guidance implícito de crescimento de receita bruta entre R$ 22,8 bilhões e R$ 26,8 bilhões para o ano de 2026, com margem EBT entre 30% e 34%, conforme projeções apresentadas em documentos anteriores. No segundo trimestre, a margem ficou dentro da faixa, em 30,9%.

Entre os próximos passos formais, a XP realiza conferência com analistas e investidores nesta segunda-feira, às 17h no horário de Nova York, para detalhar o balanço e comentar perspectivas. A companhia também atualiza seu calendário de eventos corporativos com a divulgação das demonstrações financeiras intermediárias condensadas e da apresentação institucional.

O mercado acompanha ainda a alocação de capital da companhia. Em maio, a XP anunciou novo programa de recompra de R$ 1 bilhão e pagamento de R$ 500 milhões em dividendos, elevando para quase R$ 2,5 bilhões o volume de capital distribuído anunciado apenas em 2026. A estratégia combina retorno ao acionista com investimentos em tecnologia, dados e expansão do ecossistema bancário.

A avaliação de potenciais aquisições e a evolução da operação internacional permanecem no radar. O presidente-executivo afirmou em entrevista recente que a XP considera natural ter um banco nos Estados Unidos no futuro próximo, ainda sem decisão formal. A internacionalização de serviços para clientes de alta renda e a oferta de produtos offshore são vistas como frentes complementares ao negócio doméstico.

Fontes:

XP Inc – divulgação de resultados do segundo trimestre de 2026, receita bruta, lucro líquido ajustado, EBT e ativos totais de clientes

Reuters – apuração sobre lucro, estimativas LSEG, captação líquida e retorno sobre patrimônio da XP no segundo trimestre

Business Wire – comunicado oficial de resultados financeiros da XP Inc referentes ao segundo trimestre de 2026

XP Inc Relações com Investidores – calendário de resultados, apresentações institucionais e demonstrações financeiras intermediárias

 

Tags: banco de atacadoEmpresasMercado Financeiroresultados corporativosThiago MaffraXPXP IncXPBR31

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