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Resgates em fundos de ações somam R$ 54,5 bilhões em 2025 apesar da alta histórica da Bolsa

por Álvaro Lima - Repórter de Economia
07/01/2026 às 12h36
em Economia, Destaque, Notícias
Resgates Em Fundos De Ações Somam R$ 54,5 Bilhões Em 2025 Apesar Da Alta Histórica Da Bolsa - Gazeta Mercantil

Fundos de ações encerram 2025 com resgates bilionários mesmo diante de forte alta da Bolsa

Os resgates em fundos de ações marcaram de forma contundente o desempenho da indústria de investimentos no Brasil em 2025. Mesmo com um ano histórico para o mercado acionário, impulsionado por sucessivos recordes do Ibovespa e uma valorização expressiva no acumulado de doze meses, os investidores retiraram R$ 54,5 bilhões líquidos dessa classe de fundos. O resultado contrasta fortemente com 2024, quando os resgates haviam somado R$ 16,2 bilhões, e revela um paradoxo que chama a atenção de analistas e gestores.

O dado evidencia uma dissociação relevante entre o desempenho da Bolsa e o comportamento do investidor brasileiro, especialmente o institucional. Em um ambiente marcado por elevada volatilidade política, expectativas eleitorais e mudanças no apetite ao risco, os resgates em fundos de ações se intensificaram, mesmo diante de retornos expressivos do mercado.

Um ano de recordes no Ibovespa, mas fuga dos fundos

O Ibovespa encerrou 2025 com uma valorização acumulada de 34%, após registrar mais de 30 recordes históricos ao longo do ano. Em condições normais, esse desempenho seria suficiente para atrair fluxo positivo para fundos de ações. No entanto, a realidade foi oposta.

Ao longo de 2025, os resgates em fundos de ações ganharam ritmo, refletindo uma postura mais cautelosa dos investidores. A saída líquida de R$ 54,5 bilhões expõe uma tendência de redução estrutural da exposição a fundos tradicionais de renda variável, mesmo quando o mercado apresenta resultados robustos.

Esse movimento sugere que muitos investidores preferiram realizar lucros diretamente via ações individuais ou migrar recursos para outras classes, em vez de manter posições em fundos geridos.

Dezembro mostra desaceleração, mas não reversão

No último mês de 2025, houve uma leve desaceleração no ritmo dos resgates em fundos de ações. Em dezembro, a saída líquida foi de R$ 2,3 bilhões, abaixo do registrado em novembro, quando os resgates alcançaram R$ 3,7 bilhões. Ainda assim, o valor permaneceu acima do observado em outubro, de R$ 1,6 bilhão.

A desaceleração, embora relevante, não foi suficiente para reverter o saldo negativo acumulado no ano. O dado indica que, mesmo com um cenário mais favorável no início do quarto trimestre, a confiança do investidor em fundos de ações permaneceu fragilizada até o encerramento do exercício.

Política e aversão ao risco no radar dos investidores

Um dos fatores determinantes para a intensificação dos resgates em fundos de ações no fim do ano foi o aumento da aversão ao risco em dezembro. A oficialização da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República em 2026 alterou significativamente a percepção de risco político.

O mercado interpretou o movimento como uma redução das chances de vitória de um candidato considerado mais alinhado à agenda pró-mercado. Com isso, estratégias conhecidas como “trade Tarcísio”, baseadas na expectativa de vitória do atual governador de São Paulo, perderam força, impactando diretamente o humor dos investidores.

Esse contexto político contribuiu para uma postura defensiva, reforçando a decisão de muitos cotistas de reduzir exposição a fundos de ações.

Fluxo de investidores: estrangeiros, locais e pessoas físicas

A análise dos fluxos na B3 ajuda a compreender melhor o cenário dos resgates em fundos de ações. Em dezembro, investidores estrangeiros foram vendedores líquidos de R$ 1,9 bilhão em ações brasileiras, revertendo o movimento positivo observado em novembro, quando haviam comprado R$ 2,1 bilhões.

Na contramão, instituições locais adquiriram R$ 2,9 bilhões em ações no mês, enquanto as pessoas físicas realizaram compras líquidas de R$ 3,9 bilhões. Esse comportamento evidencia que, apesar da saída dos fundos, houve interesse direto no mercado acionário, especialmente por parte do investidor individual.

No acumulado de 2025, os estrangeiros registraram compras líquidas de R$ 26,6 bilhões, reforçando o apetite internacional por ativos brasileiros. Já as instituições locais encerraram o ano como vendedoras líquidas de R$ 48,6 bilhões, enquanto as pessoas físicas somaram compras líquidas de R$ 7,3 bilhões.

Desalinhamento entre fundos e investidores diretos

O contraste entre os resgates em fundos de ações e o fluxo positivo de investidores diretos na Bolsa aponta para uma mudança estrutural no comportamento do investidor. Cada vez mais, pessoas físicas optam por investir diretamente em ações, reduzindo a dependência de fundos tradicionais.

Além disso, a performance desigual entre fundos, com alguns ficando atrás do índice de referência, contribuiu para a frustração de cotistas. Mesmo em um ano de forte alta do Ibovespa, muitos fundos não conseguiram capturar integralmente o movimento, o que reforçou a decisão de resgate.

Multimercados ensaiam reação em meio à volatilidade

Enquanto os resgates em fundos de ações dominaram o noticiário, os fundos multimercados apresentaram um desempenho ligeiramente distinto no fim do ano. Em dezembro, essa categoria registrou entrada líquida de R$ 3,7 bilhões, sinalizando uma possível retomada do interesse dos investidores.

Apesar disso, no acumulado de 2025, os multimercados também fecharam o ano no vermelho, com resgates líquidos de R$ 58,9 bilhões. O volume, no entanto, foi significativamente inferior ao observado em 2024, indicando uma melhora relativa.

Especialistas destacam que, em anos eleitorais, a flexibilidade dos multimercados tende a ser valorizada. A possibilidade de assumir posições diversificadas, incluindo proteção cambial e estratégias de juros, pode favorecer essa classe em ambientes de maior incerteza.

Renda fixa: o grande contraponto

Em contraste com os resgates em fundos de ações, os fundos de renda fixa encerraram 2025 com captação líquida de R$ 84,3 bilhões. Mesmo registrando saída líquida expressiva em dezembro, de R$ 76,3 bilhões, a classe se beneficiou do cenário de juros elevados ao longo do ano.

A atratividade dos retornos, aliada a um perfil de risco mais conservador, consolidou a renda fixa como a principal escolha dos investidores em 2025. Esse movimento reforça a leitura de que a busca por previsibilidade e menor volatilidade ainda prevalece no mercado brasileiro.

Retornos elevados, mas desafios persistem

Apesar dos resgates em fundos de ações, a classe entregou retornos expressivos em 2025, com alguns produtos alcançando ganhos de até 45%. Ainda assim, fundos considerados “estrelados” enfrentaram dificuldades para manter desempenho consistente e atrair novos recursos.

Esse paradoxo evidencia que retorno passado, por si só, não tem sido suficiente para reverter a desconfiança dos investidores. Questões como taxas de administração, volatilidade excessiva e comparações desfavoráveis com investimentos diretos continuam pesando na decisão dos cotistas.

Perspectivas para 2026 e o papel das eleições

O comportamento dos resgates em fundos de ações em 2026 deverá ser fortemente influenciado pelo cenário eleitoral. Historicamente, períodos de maior incerteza política tendem a provocar ajustes nas carteiras, com redução de exposição a ativos mais voláteis.

Por outro lado, estrategistas apontam que, caso haja maior clareza sobre o rumo da política econômica, os fundos de ações podem voltar a atrair recursos, especialmente se o mercado mantiver desempenho consistente.

A indústria de fundos, por sua vez, enfrenta o desafio de se reinventar, oferecendo produtos mais eficientes, transparentes e alinhados às expectativas de um investidor cada vez mais sofisticado.

Tags: fundos de ações 2025fundos multimercadosIbovespa 2025investidores na B3mercado acionário brasileiroresgates em fundos de açõessaída de recursos fundos

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Segundo A Versão Divulgada Pela Fintech, A Azara Capital Teria Adquirido A Naskar E Outras Empresas Do Grupo, Como 7Trust E Next, Assumindo A Responsabilidade Por Tratativas Voltadas Ao Ressarcimento Dos Clientes. O Caso, Porém, Passou A Levantar Questionamentos Sobre A Própria Azara Capital. A Empresa Não Apresenta Em Seu Site Nomes De Presidente, Diretores, Sócios Ou Responsáveis Pela Gestão. A Página Informa Um Endereço Em Miami, Nos Estados Unidos, Mas A Localização Indicada Aparece Associada Ao Ocean Bank, Banco Comercial Independente Da Flórida. Em Buscas Por “Azara Capital” Em Plataformas De Geolocalização, Não Há Indicação Clara De Sede Própria Da Companhia. Além Disso, A Presença Digital Da Empresa É Recente. O Perfil Da Azara Capital No Instagram Teria Sido Criado Há Poucos Meses E, Até A Manhã Desta Quinta-Feira, Contava Com Apenas Três Publicações. Após A Repercussão Da Suposta Compra Da Naskar, O Perfil Passou Por Alterações, Incluindo Arquivamento De Postagem, Mudanças Na Biografia, Remoção De Contas Seguidas E Bloqueio De Comentários. Naskar Deixou Investidores Sem Acesso Ao Aplicativo A Crise Da Naskar Começou Após A Fintech Não Realizar O Pagamento Mensal De Rendimentos Previsto Para 4 De Maio. Clientes Tentaram Contato Com Os Sócios Da Empresa Para Entender O Motivo Do Atraso, Mas, Segundo Relatos Reunidos No Texto-Base, Não Obtiveram Resposta. A Situação Se Agravou Quando O Aplicativo Da Naskar, Usado Pelos Investidores Para Acompanhar O Patrimônio Aplicado, Deixou De Funcionar Em 6 De Maio. Desde Então, Clientes Passaram A Relatar Dificuldade Para Acessar Informações Sobre Seus Saldos, Rendimentos E Eventual Cronograma De Devolução. A Naskar Atuava Há 13 Anos Captando Recursos De Clientes Com Promessa De Retorno De 2% Ao Mês, Patamar Muito Superior Ao Praticado Em Produtos Financeiros Tradicionais. Pela Estrutura Divulgada Aos Investidores, A Empresa Recebia Valores E Se Comprometia A Administrar O Patrimônio Dos Clientes, Pagando Rendimentos Mensais. O Modelo Atraiu Investidores De Diferentes Regiões Do País. A Crise, No Entanto, Expôs Riscos De Estruturas Privadas De Captação Com Promessa De Retorno Recorrente E Elevado. Quando Pagamentos Deixam De Ser Feitos, A Relação Entre Empresa E Cliente Rapidamente Passa Do Campo Comercial Para O Judicial E Regulatório. Segundo O Texto-Base, Os Valores A Serem Devolvidos Ou Ao Menos Esclarecidos Aos Clientes Superam R$ 900 Milhões. A Naskar, Por Sua Vez, Afirmou Que A Transação Com A Azara Capital Seria Uma “Operação Estratégica Voltada À Reorganização Das Atividades E À Continuidade Do Suporte Aos Investidores”. Azara Capital Não Informa Diretoria Nem Estrutura Operacional Um Dos Principais Pontos De Atenção É A Falta De Informações Institucionais Detalhadas Sobre A Azara Capital. O Site Da Empresa Não Informa Quem Ocupa Cargos De Comando, Quais São Os Responsáveis Pela Operação, Qual É A Estrutura Societária Ou Quais Executivos Responderiam Pelo Processo De Aquisição Da Naskar. Em Uma Operação Que Envolveria Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão E A Assunção De Passivos Com Milhares De Investidores, A Ausência De Dados Públicos Sobre Governança Amplia A Incerteza. Para Investidores E Credores, A Identificação Dos Responsáveis Pela Empresa É Elemento Básico Para Avaliar Capacidade Financeira, Histórico, Experiência E Responsabilidade Sobre Compromissos Assumidos. Outro Ponto Citado No Texto-Base Envolve O Endereço Físico Informado Pela Azara Capital. A Localização Indicada Em Miami Aparece Associada Ao Ocean Bank, Não A Uma Sede Própria Identificável Da Empresa. Buscas Por “Azara Capital” Em Aplicativos E Sites De Geolocalização Também Não Retornariam Resultados Consistentes. A Ausência De Presença Consolidada Em Plataformas Públicas Não Comprova, Por Si Só, Irregularidade. Ainda Assim, Em Uma Transação De Grande Porte Envolvendo Investidores Prejudicados, A Falta De Dados Verificáveis Aumenta A Necessidade De Esclarecimentos. A Reportagem Também Aponta Que A Azara Capital Não Aparece Como Regulada Ou Cadastrada Em Órgãos De Fiscalização Americanos Como A Securities And Exchange Commission E A Financial Industry Regulatory Authority. Essas Informações São Relevantes Porque A Empresa Se Apresenta Como Sediada Nos Estados Unidos E Vinculada Ao Mercado Financeiro. Perfil Em Rede Social Passou Por Mudanças Após Repercussão A Presença Da Azara Capital Em Redes Sociais Também Entrou No Centro Das Dúvidas. O Perfil Da Empresa No Instagram Teria Sido Criado Há Poucos Meses E Exibia Poucas Publicações Até A Divulgação Da Suposta Transação Envolvendo A Naskar. Durante A Quinta-Feira, Após O Nome Da Empresa Ganhar Repercussão, Foram Observadas Mudanças No Perfil. Uma Publicação Que Mencionava “Capital Rápido Para Negócios Imobiliários” Teria Sido Arquivada. A Conta, Que Seguia 18 Perfis, Deixou De Seguir Todos Eles. A Opção De Comentários Nas Publicações Também Foi Bloqueada. O Perfil Da Empresa Não Teria Conta Correspondente No Linkedin, Plataforma Normalmente Usada Por Instituições Financeiras, Gestoras E Empresas De Serviços Corporativos Para Apresentar Equipe, Histórico, Área De Atuação E Estrutura De Negócios. As Alterações Nas Redes Sociais Não Significam, Isoladamente, Irregularidade. No Entanto, Em Um Contexto De Crise Envolvendo Quase R$ 1 Bilhão Em Recursos De Investidores, Mudanças Rápidas Em Canais Públicos De Comunicação Tendem A Reforçar A Pressão Por Transparência. Para Os Clientes Da Naskar, A Principal Preocupação É Saber Quem Assumirá A Responsabilidade Pelos Valores Aplicados, De Onde Virão Os Recursos Para Eventual Devolução E Qual Será O Prazo Real Para O Início Dos Pagamentos. Douglas Silva De Oliveira Aparece Ligado À Azara Segundo A Apuração Mencionada No Texto-Base, O Empresário Douglas Silva De Oliveira Se Apresentava Como Responsável Pela Azara Capital. Em Perfil Pessoal No Instagram, Ele Declarava Ser Fundador E Diretor Da Instituição, Mas A Informação Teria Sido Retirada Horas Após A Divulgação Da Transação Envolvendo A Naskar. Douglas Silva De Oliveira Consta Como Administrador E Sócio-Administrador De 11 Empresas Brasileiras, Sediadas No Distrito Federal E Em Diferentes Estados. Várias Dessas Companhias Têm Capitais Sociais Milionários, Segundo Os Dados Citados No Texto-Base. A Ligação Entre Douglas, Azara Capital E Naskar Passou A Ser Observada Com Mais Atenção Justamente Pelo Tamanho Da Operação Anunciada. A Suposta Compra De Uma Fintech Em Crise, Com Milhares De Investidores Aguardando Reembolso, Exige Comprovação De Capacidade Financeira E Clareza Sobre A Estrutura Jurídica Da Transação. A Naskar Informou Que A Azara Capital Passaria A Ser Responsável Pelo Contato Com Clientes Interessados Em Saber Quando Terão Seu Dinheiro De Volta. A Fintech Também Afirmou Que As Tratativas Para Devolução Começariam A Partir Da Semana Seguinte Ao Anúncio. Até A Última Atualização Do Texto-Base, Representantes Da Azara Capital Não Haviam Respondido A Tentativas De Contato Por Telefone, Whatsapp E E-Mail. Operação Envolveria Naskar, 7Trust E Next A Transação Anunciada Pela Naskar Não Se Limitaria À Gestora. Segundo A Empresa, A Azara Capital Teria Adquirido Também Outras Duas Companhias Do Grupo: 7Trust E Next. O Objetivo Declarado Seria Reorganizar As Atividades, Consolidar Informações Operacionais, Revisar Processos Existentes E Avançar Na Liquidação Com Investidores. O Valor Informado Para A Operação É De Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão. A Cifra É Próxima Ao Montante Que Precisa Ser Devolvido Ou Explicado Aos Cerca De 3 Mil Clientes Da Fintech. Esse Alinhamento Entre Valor Da Transação E Passivo Estimado Aumenta A Importância De Documentação Verificável. Em Operações De Aquisição, Especialmente Quando Há Passivos Relevantes E Clientes Prejudicados, É Essencial Diferenciar Anúncio De Intenção, Assinatura De Contrato, Transferência Efetiva De Controle E Execução Financeira. Sem Esses Elementos, Investidores Seguem Expostos À Incerteza. A Naskar Disse Que Os Próximos Passos Envolveriam Continuidade Do Processo De Circularização, Consolidação De Informações Operacionais, Revisão Técnica Dos Processos E Liquidação Com Os Investidores. Circularização É Um Procedimento Usado Para Confirmar Saldos, Obrigações E Dados Junto Às Partes Envolvidas. Na Prática, Esse Processo Pode Ser Decisivo Para Definir Quanto Cada Investidor Tem A Receber, Quais Contratos Serão Reconhecidos, Qual A Ordem De Pagamento E De Que Forma Eventuais Divergências Serão Tratadas. Promessa De Rendimento De 2% Ao Mês Elevou Risco Da Operação A Naskar Construiu Sua Base De Clientes Oferecendo Retorno De 2% Ao Mês. Em Termos Financeiros, Esse Patamar Representa Uma Remuneração Elevada, Especialmente Quando Comparada A Alternativas Tradicionais De Renda Fixa E Produtos Bancários Regulados. Promessas De Retorno Acima Do Mercado Não Significam Automaticamente Fraude Ou Irregularidade, Mas Exigem Explicação Robusta Sobre Estratégia, Risco, Liquidez, Garantias E Fonte Dos Ganhos. Quanto Maior A Rentabilidade Prometida, Maior Tende A Ser A Necessidade De Transparência. No Caso Da Naskar, Os Clientes Aplicavam Recursos Esperando Receber Rendimentos Mensais. O Exemplo Citado No Texto-Base Mostra Que Um Investimento De R$ 1 Milhão Geraria Pagamento Mensal De R$ 20 Mil. Essa Previsibilidade De Fluxo Ajudou A Atrair Investidores, Mas Também Ampliou O Impacto Quando Os Pagamentos Foram Interrompidos. Durante Anos, Segundo Relatos, A Empresa Teria Funcionado Sem Grandes Problemas Para Os Clientes. A Quebra Do Padrão De Pagamentos No Início De Maio, No Entanto, Foi Suficiente Para Desencadear Uma Corrida Por Informações E Colocar A Empresa Sob Forte Pressão. Além Da Falta De Pagamento, A Interrupção Do Aplicativo Agravou O Cenário. Sem Acesso Ao Sistema, Investidores Ficaram Sem Uma Ferramenta Direta Para Verificar Patrimônio, Rendimentos E Movimentações. Caso Coloca Governança Da Suposta Compradora Sob Pressão A Suposta Compra Da Naskar Pela Azara Capital Poderia Representar Uma Alternativa De Reorganização Para A Fintech, Mas A Falta De Informações Públicas Sobre A Compradora Dificulta A Avaliação Da Operação. A Ausência De Executivos Identificados No Site, O Endereço Associado A Outro Banco, O Perfil Recente Em Rede Social E A Falta De Cadastro Aparente Em Órgãos Reguladores Americanos Formam Um Conjunto De Pontos Que Exigem Esclarecimento. Para Os Investidores, O Fator Central Continua Sendo A Devolução Dos Recursos. Qualquer Solução Dependerá De Cronograma, Comprovação De Caixa, Validação Dos Saldos E Formalização Das Responsabilidades Assumidas Pela Empresa Que Teria Comprado A Naskar. Para O Mercado Financeiro, O Caso Reforça O Debate Sobre Estruturas De Captação Privada, Fintechs Que Operam Fora Do Circuito Tradicional De Instituições Reguladas E Promessas De Rentabilidade Recorrente Acima Dos Padrões De Mercado. A Crise Também Pode Aumentar A Pressão Sobre Distribuidores, Intermediários E Empresas Que Apresentaram A Naskar A Investidores. Em Disputas Desse Tipo, Clientes Frequentemente Buscam Responsabilizar Todos Os Agentes Que Participaram Da Oferta, Recomendação Ou Operacionalização Dos Contratos. Enquanto A Azara Capital Não Apresentar Informações Verificáveis Sobre Sua Estrutura, Seus Executivos, Sua Autorização Regulatória E Sua Capacidade Financeira, A Suposta Aquisição Tende A Permanecer Cercada Por Dúvidas. O Desfecho Do Caso Dependerá Menos Do Anúncio Da Compra E Mais Da Comprovação De Que Há Recursos, Governança E Instrumentos Jurídicos Suficientes Para Devolver O Dinheiro Dos Investidores. - Gazeta Mercantil
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