terça-feira, 18 de agosto de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Mundo

Rússia enfrenta crise de combustível após ataques a refinarias; pressão sobre Putin cresce

Ataques a infraestrutura energética reduzem capacidade de processamento, levam a restrições de venda e geram efeitos econômicos e políticos

por Eduardo Toscano
02/07/2026 às 17h09
em Mundo
Rússia Enfrenta Crise De Combustível Após Ataques A Refinarias; Pressão Sobre Putin Cresce-Gazeta Mercantil
A Rússia, um dos maiores produtores de petróleo bruto do mundo, enfrenta uma crise de abastecimento de combustível que deixa de ser um problema técnico para se transformar em desafio político e econômico direto ao governo do presidente Vladimir Putin. Nos últimos meses, ataques com drones e mísseis lançados pela Ucrânia contra refinarias e instalações de processamento de derivados reduziram a capacidade produtiva do país, provocaram filas em postos de gasolina em dezenas de regiões e obrigaram as autoridades a adotar medidas emergenciais para evitar um colapso no fornecimento interno.
A estratégia de Kiev tem como objetivo ampliar o custo da guerra para Moscou, atingindo justamente a infraestrutura que gera receita e garante o funcionamento da economia e da logística militar. Até então, os efeitos mais visíveis do conflito se concentravam nas áreas próximas à linha de frente; agora, a escassez de combustível chega ao cotidiano da população em regiões centrais e até distantes da fronteira, como a Sibéria, mudando a percepção interna sobre o andamento da operação militar.

Ataques alcançam unidades estratégicas e distantes da fronteira

Desde o início do ano, a frequência e o alcance dos ataques contra o setor energético russo aumentaram de forma expressiva. Um dos episódios mais relevantes ocorreu em 18 de junho, quando drones ucranianos conseguiram ultrapassar camadas de defesa aérea e atingir diretamente a principal refinaria que atende a região metropolitana de Moscou. A instalação, responsável por grande parte do abastecimento da capital e de cidades vizinhas, teve parte de sua operação paralisada por reparos que devem durar semanas.
Além de unidades próximas ao centro econômico do país, os ataques passaram a alcançar regiões cada vez mais distantes. Refinarias localizadas na Sibéria, a mais de 1.900 quilômetros de Moscou, também foram alvo de ações que causaram danos em equipamentos e reduziram a capacidade de processamento. Esse deslocamento mostra, segundo analistas, que a capacidade de alcance dos sistemas de ataque ucranianos evoluiu, tornando mais difícil a proteção de toda a malha energética russa.
A ofensiva tem como premissa reduzir a disponibilidade de combustível tanto para uso civil quanto para a máquina de guerra. Ao limitar a produção interna, a Ucrânia busca pressionar o orçamento russo, que depende da venda de derivados para manter gastos militares e sociais em dia.

Restrições de venda e revisão de exportações entram em vigor

Com a queda da capacidade de refino, o governo russo viu a relação entre oferta e demanda ficar desequilibrada. Em resposta, as autoridades anunciaram restrições temporárias de venda de gasolina e diesel em mais de 40 regiões do país. Em algumas localidades, postos estão autorizados a comercializar apenas quantidades limitadas por veículo, medida que tenta evitar o esgotamento rápido dos estoques e a formação de filas ainda maiores.
A Rússia produz cerca de 10 milhões de barris de petróleo por dia, mas cerca de 40% de sua produção é exportada como bruto, enquanto a capacidade de transformação em combustíveis prontos fica concentrada em um número menor de unidades. Com parte dessas instalações fora de operação ou trabalhando com capacidade reduzida, a alternativa inicial do governo foi avaliar a possibilidade de importar derivados — uma medida incomum para um país produtor de petróleo — e limitar a saída de diesel e gasolina para o mercado externo.
Especialistas em energia alertam que a decisão de restringir exportações tem um custo: reduz a entrada de divisas em moeda forte, num momento em que o governo já enfrenta limitações por sanções econômicas internacionais. Por outro lado, manter o fluxo de vendas externas pode agravar a escassez interna e ampliar a insatisfação da população.

Impacto econômico e custos logísticos sob pressão

A redução da oferta de combustível já começa a gerar efeitos na atividade produtiva russa. Setores que dependem fortemente de transporte rodoviário, como agricultura e distribuição de mercadorias, relatam aumento de custos e dificuldades para cumprir prazos de entrega. Em regiões produtoras de grãos, onde a colheita está em andamento, a falta de diesel pode comprometer o ritmo de trabalho e até reduzir a quantidade de produtos que chegam aos portos para exportação.
Analistas econômicos avaliam que, se os ataques se mantiverem por mais meses, o impacto pode aparecer nos indicadores de crescimento e inflação. O combustível é insumo básico para quase todos os segmentos da economia; qualquer alta ou limitação de disponibilidade tende a repassar preços para alimentos, materiais de construção e serviços em geral.
Além disso, o governo russo precisará destinar recursos adicionais para reparos de equipamentos e fortalecimento da defesa aérea sobre as instalações energéticas — despesas que competem com outras prioridades do orçamento federal. Estimativas preliminares apontam que cada semana de paralisação de uma grande refinaria representa perdas de dezenas de milhões de dólares em receita e custos operacionais adicionais.

Guerra chega ao cotidiano e muda percepção interna

Durante os primeiros anos do conflito, o governo Putin conseguiu manter a sensação de estabilidade econômica e de normalidade na vida da maioria dos cidadãos russos. O aumento de salários no setor público, a manutenção de benefícios sociais e a taxa de câmbio relativamente estável ajudaram a conter a insatisfação, mesmo com as sanções internacionais.
A crise de abastecimento de combustível altera esse cenário. Ver filas em postos, ter que esperar horas para abastecer ou encontrar bombas fechadas torna os efeitos da guerra visíveis e diretos para pessoas que vivem longe da zona de combate. Esse tipo de dificuldade tende a gerar questionamentos sobre a duração do conflito e sobre a capacidade do governo de garantir serviços básicos.
A pressão política, por sua vez, cresce de forma gradual. Embora não haja manifestações de grande porte registradas até o momento, a repetição de problemas de abastecimento pode abrir espaço para críticas internas, mesmo dentro do círculo de apoio ao presidente.

Ucrânia defende estratégia; Moscou acusa ataque a infraestrutura civil

Para o governo da Ucrânia, os ataques contra refinarias e instalações de energia são uma resposta legítima à invasão iniciada pela Rússia em fevereiro de 2022. Em comunicados oficiais, autoridades de Kiev afirmam que a infraestrutura energética russa serve diretamente para sustentar a capacidade militar, gerando recursos e combustível para as operações no território ucraniano.
Já o governo de Moscou classifica essas ações como ataques contra instalações de uso civil, com risco de causar danos à população e ao meio ambiente. A resposta russa tem sido o aumento de ataques contra redes de energia e armazéns de suprimentos em território ucraniano, numa dinâmica que eleva a tensão e amplia o impacto da guerra sobre a infraestrutura de ambos os lados.
A continuidade da estratégia de Kiev vai depender, em parte, da capacidade de manter os sistemas de ataque operacionais e de alcançar alvos cada vez mais protegidos. Para a Rússia, o desafio passa por equilibrar a proteção da produção interna, a manutenção de receitas com exportações e a gestão da insatisfação social.

Desafio energético reforça dilemas econômicos e políticos

A crise no abastecimento de combustível coloca em evidência um ponto central da economia russa: apesar da grande reserva de petróleo bruto, o país ainda depende de uma rede de refino que não foi modernizada de forma abrangente nas últimas décadas. Muitas unidades operam com tecnologia antiga e são mais vulneráveis a danos causados por ataques ou falhas operacionais.
Com a redução da capacidade produtiva, o governo tem diante de si escolhas difíceis: manter o ritmo de exportações e aprofundar a escassez interna, ou limitar vendas ao exterior e abrir mão de divisas necessárias para equilibrar as contas públicas. Qualquer caminho escolhido trará consequências que podem ser sentidas tanto nos números econômicos quanto na percepção de governabilidade.
Para o Kremlin, o momento exige não apenas medidas técnicas de abastecimento, mas também uma comunicação que explique à população os motivos da escassez e mostre soluções concretas. Enquanto isso, a pressão externa e interna aumenta, e o setor energético permanece como o principal campo de batalha para definir o custo da guerra nos próximos meses.
Tags: Combustíveleconomia russaenergiaguerraMundorefinariasRússiaUcrâniaVladimir Putin

LEIA MAIS

Urânio - Gazeta Mercantil
Economia

Demanda por urânio pode mais que dobrar até 2040 com avanço da energia nuclear

A demanda mundial por urânio pode mais que dobrar até 2040 à medida que governos, empresas de energia e grandes consumidores de eletricidade ampliam investimentos em geração nuclear....

Leia MaisDetails
Nasa Conclui Artemis Ii, Primeiro Voo Tripulado À Lua Em 50 Anos, E Avança Para Base Com Gelo E Hélio-3-Gazeta Mercantil
Mundo

Após Artemis II, NASA acelera corrida por água lunar enquanto hélio-3 e datacenters orbitais ganham espaço

A conclusão da missão Artemis II em abril de 2026 colocou seres humanos novamente na vizinhança da Lua pela primeira vez desde a era Apollo e abriu uma...

Leia MaisDetails
O Preço Hídrico Da Ia: Data Centers Devem Consumir 9,3 Trilhões De Litros Até 2030-Gazeta Mercantil
Tecnologia

O preço hídrico da IA: data centers devem consumir 9,3 trilhões de litros até 2030

A inteligência artificial generativa transformou texto, código, imagem e vídeo em serviços disponíveis em segundos. Por trás dessa aparente instantaneidade, porém, cresce uma infraestrutura física intensiva em eletricidade,...

Leia MaisDetails
Donald Trump - Gazeta Mercantil
Mundo

Trump diz que EUA têm “controle total” sobre Estreito de Ormuz; petróleo sobe

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (12) que o país tem “controle total” sobre o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas...

Leia MaisDetails
Diesel - Gazeta Mercantil
Economia

Diesel russo redesenha mercado brasileiro e amplia espaço de novos importadores

A guerra na Ucrânia alterou de forma profunda o mercado brasileiro de combustíveis. O efeito mais visível apareceu nas importações de diesel: em poucos anos, a Rússia deixou...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

21:54:13
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DOLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado

Veja Também

3 Funções Do Celular Que Você Deve Desligar Quando Não Estiver Usando - Gazeta Mercantil - Tecnologia
Tecnologia

3 funções do celular que você deve desligar quando não estiver usando

Leia MaisDetails
Renan Santos - Gazeta Mercantil
Política

Renan Santos defende fim da Justiça do Trabalho e diz que CLT ‘já era’

Leia MaisDetails
Valuation: O Que É, Como Calcular E Quais Métodos Definem O Valor De Uma Empresa - Gazeta Mercantil
Negócios

Valuation: o que é, como calcular e quais métodos definem o valor de uma empresa

Leia MaisDetails
Dólar Hoje Fecha A R$ 5,22 Com Tensão No Oriente Médio E Ata Do Fed No Radar - Gazeta Mercantil - Tecnologia
Dólar

Dólar hoje fecha a R$ 5,22 com tensão no Oriente Médio e ata do Fed no radar

Leia MaisDetails
Deputado Gilvan Da Federal - Gazeta Mercantil
Política

STF torna Gilvan da Federal réu por injúria contra Lula

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

3 funções do celular que você deve desligar quando não estiver usando

Renan Santos defende fim da Justiça do Trabalho e diz que CLT ‘já era’

Valuation: o que é, como calcular e quais métodos definem o valor de uma empresa

Dólar hoje fecha a R$ 5,22 com tensão no Oriente Médio e ata do Fed no radar

STF torna Gilvan da Federal réu por injúria contra Lula

Ibovespa hoje cai pela 11ª sessão seguida e fecha aos 166 mil pontos; dólar sobe a R$ 5,22

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP