terça-feira, 13 de outubro de 2026
contato@gazetamercantil.com
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
GAZETA MERCANTIL
Home Política

PCC e Comando Vermelho dominam confronto entre Tarcísio e Haddad em debate de SP

Haddad diz que Comando Vermelho avança sobre SP; Tarcísio responde citando operações contra estruturas atribuídas ao PCC em combustíveis e ônibus.

por Júlia Campos
09/08/2026 às 21h32
em Política
Pcc E Comando Vermelho Dominam Confronto Entre Tarcísio E Haddad Em Debate De Sp - Gazeta Mercantil - Política

O combate ao crime organizado tornou-se um dos principais pontos de confronto entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) no primeiro debate da eleição de 2026 para o governo de São Paulo, realizado neste domingo, 9 de agosto.

Frente a frente quatro anos depois da disputa estadual de 2022, os dois candidatos utilizaram o avanço das facções criminosas para questionar a política de segurança do adversário e defender suas respectivas estratégias para o Estado.

Leia também: Haddad diz que “taxa das blusinhas” não foi criada por ele e cita Congresso e Tarcísio

Leia também: Guardar Dinheiro com Dívidas: É Possível? Veja Como Sair do Vermelho com Estratégia.

Durante o confronto direto, Haddad afirmou que o Comando Vermelho (CV) estaria ampliando sua presença em território paulista, especialmente no interior, e associou o problema à gestão da Segurança Pública no governo Tarcísio.

O governador respondeu concentrando sua argumentação no Primeiro Comando da Capital (PCC) e citou grandes operações realizadas contra estruturas financeiras atribuídas à facção nos setores de combustíveis e transporte público.

Leia também: SINAMOD: A Certificação Digital para Modelos, Digital Influencers e Youtubers.

O embate ocorreu durante o primeiro debate entre os candidatos ao Palácio dos Bandeirantes na campanha de 2026, promovido pela Band. O encontro começou às 20h e adotou blocos que permitiram confronto direto entre os adversários e administração do próprio tempo pelos candidatos.

Por trás da troca de acusações eleitorais, existem investigações de grande porte que mostram uma mudança importante na atuação das autoridades contra o crime organizado em São Paulo: o foco deixou de estar restrito ao tráfico de drogas e passou a alcançar empresas, fundos de investimento, instituições de pagamento, postos de combustíveis e concessionárias de transporte público.

Haddad diz que Comando Vermelho avança em São Paulo

Haddad colocou o Comando Vermelho no centro de sua crítica à atual política de segurança paulista.

Segundo o candidato petista, criminosos ligados à facção originária do Rio de Janeiro estariam entrando em São Paulo e avançando pelo interior.

A afirmação é politicamente relevante, mas precisa ser distinguida de uma medição oficial sobre controle territorial.

Há registros públicos de integrantes do Comando Vermelho localizados e presos em território paulista. A Prefeitura da capital, por exemplo, já informou a prisão de integrante da facção por meio do sistema de reconhecimento facial Smart Sampa.

Isso, isoladamente, não comprova a dimensão do avanço territorial mencionada por Haddad.

A Secretaria da Segurança Pública publica dados detalhados sobre homicídios, roubos, furtos, estupros, prisões e produtividade policial, mas as estatísticas públicas tradicionais não organizam o território paulista por domínio de facções criminosas.

Assim, a presença de integrantes do CV em São Paulo pode ser documentada, mas uma afirmação mais ampla sobre migração organizada da facção para o interior exige dados de inteligência policial que não aparecem, até o momento, consolidados nas bases públicas consultadas.

Tarcísio responde com ofensiva contra o PCC

Tarcísio rebateu direcionando a discussão para as operações realizadas contra a estrutura econômica do PCC.

O governador mencionou especificamente os setores de combustíveis e transporte coletivo, duas áreas que passaram a ocupar espaço central nas investigações contra a facção nos últimos meses.

No setor de combustíveis, a principal ofensiva começou com a Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025.

A ação reuniu Ministério Público de São Paulo, Receita Federal, Polícia Federal, polícias estaduais, Agência Nacional do Petróleo e outros órgãos para investigar um esquema de fraudes, sonegação e lavagem de dinheiro envolvendo diferentes elos da cadeia de combustíveis. A ANP informou oficialmente que os alvos incluíam empresas sob suspeita de controle pelo crime organizado.

A operação mostrou que o combate ao PCC havia deixado de ser apenas uma questão de apreensão de drogas ou prisão de integrantes da facção.

As investigações passaram a atingir o patrimônio e as estruturas empresariais utilizadas para movimentar e ocultar recursos.

Fluxo Oculto ampliou investigação sobre combustíveis

Em maio deste ano, uma nova fase aprofundou esse trabalho.

A Operação Fluxo Oculto investigou desvio de nafta utilizado para adulteração de combustíveis e mecanismos de lavagem de dinheiro.

A ação ocorreu em São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro e foi desenvolvida a partir de investigações da ANP e informações compartilhadas com o Ministério Público paulista.

As apurações alcançaram instituições de pagamento e fundos de investimento utilizados, segundo as autoridades, para ocultar beneficiários de recursos provenientes das atividades investigadas.

Quatro fundos envolvidos na investigação possuíam patrimônio estimado em aproximadamente R$ 205 milhões, de acordo com informações divulgadas pelas autoridades paulistas.

O episódio ajuda a explicar a ênfase dada por Tarcísio às operações contra a estrutura financeira das facções.

Transporte público virou outra frente de investigação

O segundo caso mencionado pelo governador ocorreu no transporte público paulistano.

Em 25 de junho, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil deflagraram a Operação Última Parada.

A investigação tem como alvo um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a Transunião, concessionária responsável por linhas de ônibus na Zona Leste da capital.

O Ministério Público informou que a investigação procura esclarecer a infiltração do PCC na companhia e o uso da empresa para movimentação de recursos relacionados à organização criminosa.

A operação atingiu também o vereador paulistano Senival Moura, eleito pelo PT.

Foi esse episódio que Tarcísio utilizou no debate para responder às críticas de Haddad.

Senival Moura foi preso na investigação

Senival foi preso temporariamente durante a Operação Última Parada.

As autoridades cumpriram mais de uma centena de mandados de busca e apreensão e determinaram bloqueios patrimoniais relacionados aos investigados. A investigação atribui ao vereador influência sobre a estrutura da Transunião, embora ele não aparecesse formalmente como controlador da companhia.

A trajetória de Senival também possui relação histórica com o setor.

A própria Câmara Municipal informa que ele começou a trabalhar com transporte público nos anos 1990 e esteve entre os fundadores do Sindicato dos Proprietários de Veículos Profissionais Autônomos. Ele foi reeleito para o sexto mandato em 2024.

A prisão, entretanto, não representa condenação.

Senival é investigado e tem direito à presunção de inocência. Sua defesa nega ligação com organização criminosa e sustenta que a origem de seu patrimônio e de suas movimentações financeiras será esclarecida no processo.

A prisão temporária chegou a ser prorrogada pela Justiça diante da existência de diligências ainda pendentes na investigação.

Operações não podem ser atribuídas exclusivamente ao governo

Há também uma precisão necessária na argumentação apresentada por Tarcísio.

As operações mencionadas pelo governador ocorreram durante sua gestão e tiveram participação de órgãos estaduais, incluindo Polícia Civil, Polícia Militar e Secretaria da Fazenda.

Mas elas não são exclusivamente operações do Governo de São Paulo.

Carbono Oculto e seus desdobramentos mobilizaram Ministério Público, Receita Federal, ANP e outras instituições estaduais e federais. A Última Parada é resultado de investigação conduzida pelo Gaeco em conjunto com a Polícia Civil.

A distinção é relevante porque o combate às estruturas financeiras do crime organizado depende justamente de cooperação entre órgãos com atribuições diferentes.

Haddad ataca gestão de Derrite

No outro lado do confronto, Haddad direcionou parte das críticas a Guilherme Derrite, que comandou a Secretaria da Segurança Pública durante grande parte do governo Tarcísio.

O petista afirmou que problemas dentro das próprias forças de segurança colocariam em dúvida a condução da política estadual e fez referência a investigações envolvendo vazamento de informações para integrantes do crime organizado.

Existem antecedentes documentados desse tipo de infiltração.

Em novembro de 2024, por exemplo, o Gaeco deflagrou uma operação para investigar obstrução da Justiça, violação de sigilo e corrupção depois que criminosos, inclusive ligados ao PCC, obtiveram acesso a informações sigilosas de processos judiciais.

Isso não significa, porém, que qualquer alegação mais ampla envolvendo oficiais ou comandos policiais possa ser automaticamente considerada comprovada.

Acusações específicas precisam ser vinculadas aos respectivos inquéritos e investigados, evitando transformar suspeitas individuais em atribuição de responsabilidade institucional.

PCC ocupa cada vez mais a economia formal

O pano de fundo do debate é uma transformação do próprio crime organizado.

As grandes investigações dos últimos anos mostram que o PCC não opera apenas em mercados ilícitos tradicionais.

Combustíveis, transporte público, instituições financeiras, fundos de investimento e empresas passaram a aparecer em operações de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial.

A Operação Carbono Oculto expôs suspeitas de infiltração em diferentes elos da cadeia de combustíveis. A Última Parada levou o mesmo debate ao sistema de transporte urbano de São Paulo.

Isso altera também o tipo de política pública necessária para enfrentar as organizações criminosas.

A prisão de integrantes continua sendo uma frente, mas investigações financeiras, rastreamento patrimonial, fiscalização tributária, controle societário e cooperação entre instituições ganham peso crescente.

Segurança vira campo central da eleição paulista

O primeiro debate mostrou que esse tema terá papel importante na campanha paulista.

Tarcísio tentará apresentar as grandes operações contra a estrutura econômica do PCC como resultado da política desenvolvida durante sua administração.

Haddad, por sua vez, procura deslocar o foco para possíveis falhas de controle institucional e para a capacidade de outras facções, especialmente o Comando Vermelho, ampliarem sua presença no Estado.

As duas narrativas deverão ser confrontadas com evidências diferentes.

No caso do PCC, existem operações e investigações públicas que comprovam a presença da facção em estruturas econômicas investigadas nos setores de combustíveis e transportes.

No caso do alegado avanço territorial do Comando Vermelho mencionado por Haddad, existem registros da presença de integrantes da facção em São Paulo, mas os dados públicos consultados não permitem, por enquanto, medir a dimensão territorial sugerida durante o debate.

É justamente essa diferença entre discurso eleitoral e evidência documental que deverá acompanhar o tema da segurança pública até outubro.

LEIA MAIS

Taxa De Juros - Gazeta Mercantil
Mercados

Juros futuros sobem mais de 20 pontos-base após pesquisas eleitorais

Nova pesquisa BTG/Nexus mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 48% das intenções de voto no segundo turno, contra 45% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Leia MaisDetails
Nunes Marques - Gazeta Mercantil
Política

Advogados acusam Nunes Marques de favorecer Flávio Bolsonaro em decisões do TSE

O grupo Prerrogativas acusa o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, de abuso de poder e de adotar decisões que, na avaliação do

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Política

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Os presidentes dos diretórios estaduais do MDB de dez estados das regiões Norte e Nordeste anunciaram, nesta terça-feira (13), apoio à candidatura do

Leia MaisDetails
Brasileiros Conservadores - Gazeta Mercantil
Política

Conservadorismo no Brasil atinge maior nível desde 2018, aponta Ipsos-Ipec

Pesquisa ouviu brasileiros sobre temas de costumes e valores, como aborto, casamento homoafetivo, pena de morte e redução da maioridade penal

Leia MaisDetails
Dolar Hoje - Gazeta Mercantil
Dólar

Dólar hoje (13/10): moeda fecha a R$ 5,02, sobe 0,74% e contraria queda no exterior após pesquisas eleitorais

O dólar encerrou o pregão desta terça-feira (13) em alta de 0,74%, cotado a R$ 5,0227 no mercado à vista, recuperando parte das perdas acumuladas na semana anterior,...

Leia MaisDetails

GAZETA MERCANTIL ENCERRADO

21:15:05
IBOV

IBOVESPA

B3
Consultando... buscando última cotação
$

DÓLAR

USD/BRL
Consultando... buscando última cotação
€

EURO

EUR/BRL
Consultando... buscando última cotação
₿

BITCOIN

BRL
Consultando... buscando última cotação
Gazeta Mercantil · dados de mercado
Sênior Sistemas Sênior Sistemas Sênior Sistemas
PUBLICIDADE

Veja Também

Petróleo Hoje - Gazeta Mercantil
Mercados

Petróleo hoje: Brent cai a US$ 105,69 e WTI sobe com tensão no Oriente Médio

Leia MaisDetails
Agronegocio - Gazeta Mercantil
Empresas

Bimbo expande agricultura regenerativa no Brasil e supera 500 mil hectares no mundo

Leia MaisDetails
Taxa De Juros - Gazeta Mercantil
Mercados

Juros futuros sobem mais de 20 pontos-base após pesquisas eleitorais

Leia MaisDetails
Nunes Marques - Gazeta Mercantil
Política

Advogados acusam Nunes Marques de favorecer Flávio Bolsonaro em decisões do TSE

Leia MaisDetails
Lula - Gazeta Mercantil
Política

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Leia MaisDetails

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco
Gazeta Mercantil Logo White

contato@gazetamercantil.com

Gazeta Mercantil — marca jornalística fundada em 1920, com continuidade editorial contemporânea no ambiente digital por meio do domínio oficial gazetamercantil.com.

EDITORIAS

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

Veja Também:

Petróleo hoje: Brent cai a US$ 105,69 e WTI sobe com tensão no Oriente Médio

Bimbo expande agricultura regenerativa no Brasil e supera 500 mil hectares no mundo

Juros futuros sobem mais de 20 pontos-base após pesquisas eleitorais

Advogados acusam Nunes Marques de favorecer Flávio Bolsonaro em decisões do TSE

MDB: dez diretórios declaram apoio a Lula, enquanto outra ala se alinha a Flávio Bolsonaro

Dinheiro esquecido em bancos chega a R$ 5,8 bilhões; veja como sacar

  • Anuncie Conosco
  • Política de Correções
  • Política Editorial
  • Política de Privacidade
  • Termos de Uso
  • Sobre a Gazeta Mercantil
  • Expediente
  • Política de Conflitos de Interesse

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP

  • Economia
  • Mercados
    • Dólar
    • Ibovespa
    • Fundos Imobiliários
    • Criptomoedas
  • Empresas
  • Negócios
  • Política
  • Brasil
  • Mundo
  • Tecnologia
  • Agronegócio
  • Trabalho
  • Saúde
  • Loterias
  • Esportes
    • Futebol
  • Cultura & Lazer
    • Filmes e Séries
  • Lifestyle
  • Anuncie Conosco

© 2026 GAZETA MERCANTIL - Marca jornalística fundada em 1920. Site oficial: gazetamercantil.com - Todos os direitos reservados. - ISSN 1519-0129 - contato@gazetamercantil.com - Grupo SMEdit - Av.Paulista 777 - Bela Vista - São Paulo - SP