O governador de São Paulo, TarcÃsio de Freitas (Republicanos), ampliou para 15 pontos percentuais a vantagem sobre Fernando Haddad (PT) na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira, 8 de setembro. No cenário estimulado de primeiro turno, TarcÃsio tem 42% das intenções de voto, enquanto Haddad aparece com 27%.
Na rodada anterior, divulgada em 25 de agosto, o governador marcava 40% e Haddad já tinha 27%. A variação de dois pontos de TarcÃsio está dentro da margem de erro geral da pesquisa, de dois pontos percentuais para mais ou para menos, mas a abertura da vantagem vem acompanhada de um movimento mais claro em um segmento disputado pelas campanhas: os eleitores que não se identificam diretamente com os principais polos polÃticos.
Entre os independentes, TarcÃsio passou de 27% para 34%. Haddad percorreu o caminho inverso e caiu de 24% para 17%. Nesse recorte especÃfico, a margem de erro é de três pontos percentuais. A diferença ajuda a explicar por que a campanha do governador chega à reta final com uma posição mais confortável, enquanto o petista enfrenta o desafio de avançar para além do eleitorado mais identificado com Lula e o PT.
A Quaest ouviu presencialmente 1.800 pessoas com 16 anos ou mais no Estado de São Paulo entre os dias 4 e 7 de setembro. O nÃvel de confiança é de 95%. O levantamento foi contratado pelo Grupo Globo e registrado na Justiça Eleitoral sob o número SP-00959/2026.
TarcÃsio tem 42% e Haddad, 27%
No cenário estimulado, quando o entrevistador apresenta aos eleitores os nomes dos candidatos, o resultado é o seguinte:
| Candidato | Partido | Intenção de voto |
|---|---|---|
| TarcÃsio de Freitas | Republicanos | 42% |
| Fernando Haddad | PT | 27% |
| Carlos Machado | PCB | 1% |
| Izadora Dias | PCO | 1% |
| Policial Edjane | Agir | 1% |
| Vera Lúcia | PSTU | 1% |
| Vivian Mendes | UP | 0% |
| Indecisos | — | 14% |
| Branco, nulo ou não vai votar | — | 13% |
Os demais candidatos permanecem distantes dos dois primeiros colocados. Carlos Machado, Izadora Dias, Policial Edjane e Vera Lúcia registram 1% cada, enquanto Vivian Mendes não pontuou na rodada.
O levantamento mostra ainda um contingente relevante de eleitores sem decisão definitiva. São 14% de indecisos, enquanto outros 13% afirmam que votarão em branco, anularão ou não pretendem votar. Juntos, esses dois grupos representam mais de um quarto dos entrevistados, uma parcela capaz de influenciar o resultado conforme a campanha se aproxima do primeiro turno.
Vantagem permanece em eventual segundo turno
A liderança de TarcÃsio também aparece na simulação de confronto direto com Haddad. O governador registra 48%, contra 31% do candidato petista, uma vantagem de 17 pontos percentuais.
Na rodada anterior, os percentuais eram de 47% para TarcÃsio e 30% para Haddad. A distância, portanto, permanece praticamente estável.
No levantamento atual, 11% dizem que votariam em branco, anulariam ou não compareceriam, enquanto 10% permanecem indecisos.
A comparação das duas rodadas mostra que, até agora, a campanha não produziu uma mudança significativa na estrutura do segundo turno. Os dois candidatos oscilaram um ponto para cima, preservando a diferença de 17 pontos.
Esse cenário coloca pressão adicional sobre Haddad. Para reduzir a distância, o petista precisa não apenas consolidar os eleitores de esquerda, mas conquistar uma parcela expressiva dos independentes e dos eleitores que hoje não escolheram candidato.
Independentes explicam parte da melhora de TarcÃsio
O recorte por identificação polÃtica oferece uma das informações mais relevantes da pesquisa.
Entre os eleitores classificados como independentes, TarcÃsio subiu sete pontos, de 27% para 34%. Haddad perdeu sete pontos no mesmo grupo, passando de 24% para 17%.
A inversão amplia de três para 17 pontos a distância entre os dois nesse segmento.
O resultado é importante porque os eleitores fortemente identificados com Lula ou com o bolsonarismo tendem a apresentar escolhas mais consolidadas. Já o eleitorado sem identificação rÃgida costuma ser mais disputado durante a campanha e pode decidir eleições equilibradas.
TarcÃsio também consegue algum nÃvel de voto entre eleitores que se identificam com o campo adversário. Segundo a Quaest, o governador tem 12% entre os lulistas. Haddad, por sua vez, registra 5% entre os bolsonaristas. Como esses grupos têm amostras menores, a margem de erro sobe para seis pontos percentuais e as diferenças devem ser interpretadas com cautela.
Haddad enfrenta rejeição maior
Outro indicador que ajuda a explicar a vantagem do governador é a rejeição.
Segundo a pesquisa, 57% dos entrevistados dizem que não votariam em Fernando Haddad. A rejeição de TarcÃsio é de 37%.
A diferença de 20 pontos impõe uma dificuldade adicional à candidatura petista, sobretudo em um eventual segundo turno, quando o crescimento depende de atrair eleitores que inicialmente escolheram outros candidatos.
Rejeição não é o mesmo que intenção de voto. Um candidato pode ter alta rejeição e ainda assim preservar uma base eleitoral relevante. O indicador, entretanto, ajuda a dimensionar o espaço disponÃvel para crescimento e as dificuldades para conquistar eleitores fora do núcleo de apoio.
Para TarcÃsio, a rejeição menor amplia a margem para buscar votos entre independentes e eleitores de candidaturas menos competitivas.
Cenário atual favorece possibilidade de decisão no primeiro turno
Os números também colocam no radar a possibilidade de TarcÃsio tentar encerrar a disputa ainda no primeiro turno.
Para vencer sem segundo turno, um candidato precisa obter mais da metade dos votos válidos, que excluem votos brancos e nulos. A pesquisa mede intenção de voto antes da eleição e ainda registra 14% de indecisos, portanto não permite antecipar com certeza qual será a distribuição dos votos válidos em 4 de outubro.
Entre os entrevistados que atualmente indicam algum candidato, porém, TarcÃsio concentra parcela superior à metade. Isso torna a possibilidade de vitória no primeiro turno um cenário eleitoral relevante, mas ainda dependente do comportamento dos indecisos, da participação dos eleitores e das mudanças que podem ocorrer nas semanas finais da campanha.
Para Haddad, impedir uma definição antecipada passa necessariamente pela redução da vantagem do governador e pela conquista de parte dos eleitores ainda sem candidato.
Disputa paulista também influencia corrida presidencial
A pesquisa Quaest realizada em São Paulo mediu também a intenção de voto dos paulistas para a Presidência da República e mostrou uma disputa muito mais apertada do que a corrida estadual.
No cenário sem Pablo Marçal, Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 31% e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 30%. Como a diferença é de apenas um ponto percentual e a margem de erro é de dois pontos, os dois estão tecnicamente empatados no Estado.
Augusto Cury (Avante) aparece com 8%, seguido por Ronaldo Caiado (PSD), com 4%, Renan Santos (Missão), com 2%, e Romeu Zema (Novo), com 1%. Outros candidatos também registram percentuais menores.
Na rodada anterior, Flávio e Lula estavam próximos do mesmo patamar. O candidato do PL tinha 30%, enquanto Lula aparecia com 29% no cenário comparável.
Em uma eventual disputa de segundo turno entre os dois entre os eleitores paulistas, a vantagem de Flávio é mais ampla: ele aparece com 41%, contra 33% de Lula. Na pesquisa anterior, eram 40% para Flávio e 35% para o presidente.
São Paulo é o maior colégio eleitoral do paÃs e exerce peso decisivo na disputa nacional. O fato de TarcÃsio apresentar vantagem expressiva na corrida estadual enquanto Flávio e Lula travam uma disputa apertada pelo voto paulista mostra que os eleitorados das duas eleições não se comportam de maneira perfeitamente alinhada.
TarcÃsio tenta preservar vantagem na reta final
A pesquisa foi realizada justamente durante um perÃodo de forte exposição polÃtica do governador. TarcÃsio participou no domingo, 7 de setembro, do ato liderado por Flávio Bolsonaro na Avenida Paulista, em uma manifestação marcada por crÃticas ao presidente Lula e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
O governador mantém apoio à candidatura presidencial de Flávio, mas conduz simultaneamente sua própria campanha pela reeleição. A estratégia exige preservar a ligação com o eleitorado bolsonarista sem perder o espaço conquistado entre setores de centro e eleitores independentes.
Os números da Quaest sugerem que, por enquanto, esse equilÃbrio tem beneficiado TarcÃsio. O governador mantém forte vantagem sobre Haddad e apresentou crescimento justamente entre os independentes.
Para o candidato do PT, as semanas restantes exigem um movimento na direção oposta: reduzir a rejeição, recuperar terreno nesse eleitorado sem identificação polÃtica rÃgida e impedir que a eleição estadual seja definida antes de um eventual segundo turno.
A nova rodada não encerra a disputa, mas consolida uma tendência observada desde julho. TarcÃsio tinha 41% contra 26% de Haddad no levantamento divulgado no fim daquele mês, marcou 40% contra 27% em agosto e agora aparece com 42% diante dos mesmos 27% do petista.
Com menos de um mês até a votação, a principal mudança da pesquisa não está apenas nos dois pontos acrescentados ao governador, mas no lugar de onde eles parecem vir. O avanço entre os independentes amplia a vantagem de TarcÃsio justamente no grupo que tende a ser mais disputado na reta final e aumenta a pressão sobre Haddad para alterar a dinâmica da eleição paulista.








