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Tarifa de Trump pode reduzir PIB de São Paulo e comprometer exportações brasileiras

por Gabriel Monteiro
15/07/2025 às 16h21
em Economia
Tarifa De Trump Pode Reduzir Pib De São Paulo E Comprometer Exportações Brasileiras Gazeta Mercantil - Economia

Tarifa de Trump: impacto direto na economia de São Paulo e no futuro das exportações brasileiras

A nova tarifa de Trump sobre produtos importados do Brasil, com alíquota de 50%, já provoca reações em todo o cenário político e econômico nacional. Em especial, o estado de São Paulo será o mais afetado pela medida, devido à sua forte dependência comercial com os Estados Unidos. Com previsão de início em 1º de agosto de 2025, a sobretaxa representa um risco significativo à balança comercial, à indústria e ao agronegócio paulista.

A decisão do presidente norte-americano Donald Trump de adotar uma política protecionista mais agressiva contra o Brasil gerou um alerta vermelho entre empresários, autoridades e analistas econômicos. A tarifa de Trump é vista como um duro golpe à competitividade brasileira em setores estratégicos, como o aeroespacial, farmacêutico, agroindustrial e eletrônico.

Leia também: Imóveis em São Paulo: 3 itens que definem o valor e a venda em 2026.

Por que São Paulo é o mais prejudicado pela tarifa de Trump?

São Paulo é o principal estado exportador do Brasil e possui laços comerciais históricos com os Estados Unidos. No primeiro semestre de 2025, as exportações paulistas para o mercado norte-americano somaram US$ 6,4 bilhões, representando quase 32% de todas as vendas externas brasileiras destinadas aos EUA.

Essa dependência torna o estado particularmente vulnerável à tarifa de Trump, uma vez que os setores mais afetados pela medida estão fortemente concentrados na economia paulista. Enquanto outros estados sofrerão impactos moderados, São Paulo poderá registrar uma retração expressiva em seu Produto Interno Bruto (PIB), além de perda de competitividade em mercados internacionais.

Leia também: Eleições em São Paulo: Ricardo Nunes Responde Críticas e Nacionaliza Debate no Segundo Turno.

Produtos mais afetados pela tarifa de Trump

A alíquota de 50% atinge diretamente produtos com alto valor agregado, muitos dos quais lideram a pauta de exportações de São Paulo. Entre os principais itens afetados pela tarifa de Trump estão:

  • Aeronaves da Embraer: responsáveis por cerca de 60% do faturamento da companhia com o mercado norte-americano.

  • Sucos de frutas, especialmente o de laranja, com forte presença no interior paulista.

  • Equipamentos de engenharia civil e componentes eletrônicos.

  • Produtos farmacêuticos desenvolvidos em polos tecnológicos de São Paulo.

Esses setores não apenas representam uma fatia expressiva das exportações paulistas, como também sustentam uma ampla cadeia produtiva que inclui desde fornecedores de matéria-prima até empresas de logística e transporte.

Impacto no PIB e na cadeia produtiva paulista

Um estudo do Núcleo de Estudos em Modelagem Econômica e Ambiental da Universidade Federal de Minas Gerais (Nemea-UFMG) aponta que a tarifa de Trump pode causar uma queda de até R$ 4,4 bilhões no PIB de São Paulo em 2025. Apesar do valor representar apenas 0,13% do total, o impacto é altamente concentrado em setores estratégicos e pode desencadear um efeito dominó na economia.

Essa retração atinge não apenas as grandes exportadoras, mas também micro e pequenas empresas integradas à cadeia produtiva, como fornecedores de peças, embalagens, software e serviços de transporte. A redução da atividade exportadora pode causar demissões, queda na arrecadação estadual e retração nos investimentos.

Embraer no centro da tensão com os EUA

Entre todas as empresas brasileiras, a Embraer é a mais diretamente afetada pela nova tarifa de Trump. Em 2025, a companhia já exportou mais de US$ 872 milhões em aeronaves para os Estados Unidos. Com a vigência da nova alíquota, contratos em andamento correm risco de revisão ou até cancelamento, o que pode comprometer o faturamento e a estabilidade da empresa.

Fontes internas da Embraer indicam que já há estudos para redirecionamento da produção a outros mercados e negociação com governos parceiros para compensar as perdas. O impacto também pode afetar os empregos diretos e indiretos gerados pela empresa em todo o estado de São Paulo.

Reações das entidades empresariais e do governo estadual

A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e a Faesp (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo) reagiram imediatamente ao anúncio da tarifa. Ambas cobraram uma resposta diplomática efetiva por parte do Governo Federal e destacaram a necessidade de afastar posicionamentos ideológicos em favor da estabilidade econômica.

O governador Tarcísio de Freitas também se posicionou, inicialmente criticando a lentidão do governo central, mas depois alinhou seu discurso à busca por soluções práticas para proteger os interesses do estado. Ele destacou a importância de preservar empregos e evitar o colapso de setores estratégicos. Tarcísio também articula com outros governadores uma frente conjunta de pressão diplomática sobre os EUA.

Caminhos possíveis: diplomacia, retaliação ou compensações internas

A primeira aposta das lideranças políticas e empresariais é a diplomacia, com abertura de diálogo direto com a Casa Branca. Espera-se que a pressão do setor produtivo dos próprios EUA, que depende de insumos e parcerias com empresas brasileiras, possa influenciar a reversão da medida.

Contudo, há também a possibilidade de o Brasil adotar medidas de retaliação comercial, acionando mecanismos como a Organização Mundial do Comércio (OMC). Essa alternativa, no entanto, é considerada arriscada, pois poderia ampliar o conflito e provocar prejuízos em outros setores da economia nacional.

Outra via discutida é a aplicação de compensações internas, como incentivos fiscais, linhas de crédito específicas para exportadores afetados e ações de estímulo à diversificação de mercados, especialmente para empresas que hoje têm alta dependência dos EUA.

Possíveis consequências políticas e estratégicas

A tarifa de Trump tem implicações que vão além da economia. Ela pode impactar o posicionamento do Brasil no cenário internacional e influenciar debates sobre política externa, acordos bilaterais e integração com blocos econômicos. O episódio reforça a urgência de diversificação de parceiros comerciais e maior presença do Brasil em fóruns multilaterais.

Além disso, o impacto no setor empresarial pode reconfigurar o cenário político nacional, com governadores e líderes de federações setoriais pressionando o governo federal por ações mais contundentes e menos ideológicas. O ambiente também é fértil para o surgimento de novos arranjos políticos com foco na defesa da indústria nacional.

Quais estados serão mais afetados depois de São Paulo?

Apesar de São Paulo liderar em perdas absolutas, outros estados também sentirão os efeitos da tarifa de Trump, como o Rio de Janeiro, cujas exportações para os EUA somam US$ 3,2 bilhões, e o Paraná, com forte presença do agronegócio e de indústrias de autopeças. Entretanto, nenhum outro estado deverá registrar perdas superiores a R$ 2 bilhões, segundo o estudo da UFMG.

A dimensão da perda, mesmo que menor, pode ser significativa em economias regionais menos robustas, com alto grau de dependência de um ou dois setores exportadores. Portanto, a reação dos governadores e das federações regionais tende a ganhar força nos próximos dias.

O Brasil precisa reagir com estratégia

A tarifa de Trump representa um teste de fogo para a diplomacia brasileira e para a maturidade das instituições econômicas do país. Não se trata apenas de uma questão comercial, mas de um desafio estratégico que exige respostas coordenadas, firmes e pragmáticas.

O impacto sobre São Paulo é apenas a ponta do iceberg. A medida pode gerar um efeito cascata que compromete a retomada do crescimento econômico nacional. Cabe agora ao Governo Federal, em articulação com os estados e o setor produtivo, buscar saídas que preservem empregos, garantam competitividade e posicionem o Brasil de forma sólida no comércio internacional.

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