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Tenda (TEND3) eleva guidance após receita recorde de R$ 1,29 bilhão no 2T26

Construtora amplia metas de vendas, Ebitda e lucro para 2026, enquanto Alea ainda consome caixa e tem projeção operacional reduzida.

por João Souza
05/08/2026 às 17h05
em Empresas
Tenda (Tend3) Eleva Guidance Após Receita Recorde De R$ 1,29 Bilhão No 2T26 - Gazeta Mercantil

A Construtora Tenda (TEND3) elevou suas projeções financeiras para 2026 após registrar receita líquida consolidada recorde de R$ 1,29 bilhão no segundo trimestre, crescimento de 30,1% sobre igual período de 2025. O balanço, divulgado na noite de terça-feira (4), também mostrou avanço das margens, geração total de caixa de R$ 78,3 milhões e aumento de 17,2% nas vendas líquidas. A companhia, concentrada em habitação popular, foi ainda incluída na primeira prévia da carteira do Ibovespa que entrará em vigor em setembro.

A revisão do guidance foi sustentada principalmente pelo desempenho da operação principal da Tenda. A faixa projetada para o Ebitda ajustado do segmento subiu de R$ 950 milhões a R$ 1,05 bilhão para R$ 1,1 bilhão a R$ 1,2 bilhão. A meta anual de vendas líquidas passou de R$ 5 bilhões a R$ 5,5 bilhões para R$ 5,5 bilhões a R$ 6 bilhões, enquanto a estimativa de lucro líquido consolidado, desconsiderando operações de swap, avançou de R$ 520 milhões a R$ 600 milhões para R$ 600 milhões a R$ 660 milhões.

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Os números exigem, porém, distinção entre o resultado contábil reportado e a medida excluindo os swaps. O lucro líquido consolidado foi de R$ 179,1 milhões, queda de 12,2% ante o segundo trimestre de 2025 e de 2,4% na comparação trimestral. Sem o efeito das operações de swap, o lucro alcançou R$ 161,3 milhões, aumento anual de 109,3% e avanço de 6% sobre o primeiro trimestre. A diferença decorre da contribuição financeira significativamente maior dos swaps no período comparável de 2025.

Receita e margem avançam com maior volume de obras

A receita líquida de R$ 1,29 bilhão também cresceu 8,9% em relação aos três primeiros meses de 2026. O lucro bruto ajustado consolidado somou R$ 481,3 milhões, alta de 51,6% em 12 meses, com margem de 37,3%. Na operação Tenda, excluído o projeto Pode Entrar, a margem bruta ajustada chegou a 40,4%, aumento de 3,9 pontos percentuais na comparação anual e de 1,8 ponto sobre o trimestre anterior.

A administração atribuiu parte da expansão das margens a ganhos de eficiência e economias capturadas na fase de entrega das obras. Ao mesmo tempo, advertiu que o patamar do trimestre não deve ser projetado integralmente para os períodos seguintes. Segundo a companhia, a tendência é de estabilização em nível um pouco inferior ao registrado entre abril e junho, o que limita uma leitura linear do resultado recorde.

O Ebitda ajustado consolidado atingiu R$ 275,2 milhões, crescimento de 64,9% ante o segundo trimestre de 2025 e de 7,2% na comparação trimestral. No segmento Tenda, que exclui a contribuição negativa da Alea, o indicador chegou a R$ 299,8 milhões, alta anual de 57,8%. A margem Ebitda ajustada consolidada passou de 16,8% para 21,3%, enquanto a margem da operação principal alcançou 24,9%.

A diferença entre o Ebitda consolidado e o do segmento Tenda decorre do desempenho deficitário da Alea. A subsidiária registrou Ebitda ajustado negativo de R$ 24,6 milhões e prejuízo líquido de R$ 29,9 milhões no trimestre.

Lançamentos crescem 59% e vendas chegam a R$ 1,4 bilhão

A Tenda lançou 17 empreendimentos no trimestre, com valor geral de vendas de R$ 1,766 bilhão. O montante aumentou 59,1% em relação ao segundo trimestre de 2025 e 20,8% sobre o primeiro trimestre de 2026. No primeiro semestre, os lançamentos consolidados alcançaram R$ 3,228 bilhões, expansão de 59,5% na comparação anual.

As vendas líquidas totalizaram R$ 1,402 bilhão entre abril e junho, alta de 17,2% em 12 meses, mas queda de 8,5% sobre o trimestre imediatamente anterior. A velocidade de vendas líquida ficou em 24,4%, abaixo da faixa de 25% a 30% considerada saudável pela administração. A empresa relacionou o indicador ao volume elevado de lançamentos no fim do trimestre e à decisão de elevar preços para proteger as margens diante da pressão de custos observada em março e abril.

O preço médio das vendas brutas chegou a R$ 241,8 mil por unidade, crescimento de 10,9% em relação ao mesmo período de 2025 e de 3,2% ante o primeiro trimestre. Com a redução do risco inflacionário percebida pela administração a partir de julho, a estratégia comercial passou a priorizar a retomada da velocidade de vendas. O desafio será acelerar a comercialização sem devolver os ganhos obtidos nas margens e no preço dos imóveis.

O banco de terrenos encerrou junho com potencial de R$ 33,768 bilhões em valor geral de vendas, alta anual de 29,3%. As aquisições do trimestre somaram R$ 6,459 bilhões em VGV, e as permutas representavam 68,1% do estoque.

Alea permanece como principal ponto de pressão

A operação industrializada de casas da Alea continuou em processo de estabilização. A companhia informou consumo de caixa de R$ 14,1 milhões, considerando a participação econômica da Tenda, redução de 5,4% em relação ao trimestre anterior. Na demonstração consolidada de fluxo operacional, a marca consumiu R$ 16,4 milhões, enquanto a operação Tenda gerou R$ 68,9 milhões, resultando em geração operacional consolidada de R$ 52,5 milhões.

A projeção anual de vendas líquidas da Alea foi mantida entre R$ 350 milhões e R$ 450 milhões. Em contrapartida, a faixa estimada para o Ebitda ajustado piorou: passou de resultado negativo entre R$ 70 milhões e R$ 50 milhões para perda entre R$ 90 milhões e R$ 70 milhões. O guidance de fluxo de caixa operacional, calculado segundo a participação da Tenda, permaneceu negativo entre R$ 80 milhões e R$ 60 milhões.

A administração afirmou que o objetivo para 2026 não é acelerar a expansão da Alea, mas criar estabilidade operacional e melhorar a economia por unidade antes de escalar o negócio. A subsidiária encerrou o trimestre com 17 canteiros ativos, dez da marca Alea e sete da Casapatio. A velocidade de vendas líquida atingiu 36,5%, e o preço médio avançou 3% sobre o primeiro trimestre, sinais comerciais positivos que ainda não foram suficientes para eliminar as perdas operacionais.

A deterioração da projeção de Ebitda mostra que a recuperação da subsidiária permanece incompleta. Enquanto a operação tradicional amplia margens e volumes, a Alea exige controle de despesas, ritmo seletivo de obras e disciplina de capital. A contribuição negativa reduz o Ebitda consolidado e adiciona risco de execução ao guidance do grupo, ainda que o consumo de caixa tenha diminuído.

Dívida líquida cai, mas inadimplência exige atenção

A dívida bruta consolidada encerrou junho em R$ 1,169 bilhão, queda de 17,4% em relação a março. Caixa, equivalentes e aplicações financeiras somavam R$ 865,4 milhões, levando a dívida líquida total a R$ 303,2 milhões, recuo trimestral de 6,7% e anual de 4%. A relação entre dívida líquida total e patrimônio líquido ficou em 19,8%, enquanto a dívida líquida corporativa sobre o patrimônio líquido foi de 1,9%.

A geração total de caixa foi de R$ 78,3 milhões, desconsiderada a recompra de ações. A geração operacional, de R$ 52,5 milhões, ficou abaixo dos R$ 112,2 milhões do primeiro trimestre, em meio ao pagamento sazonal de bônus e à compra de formas de alumínio para ampliar a capacidade de concretagem.

O principal risco destacado pela própria administração está na inadimplência das famílias. A provisão para perdas esperadas em créditos de liquidação duvidosa representou 2,7% da receita operacional bruta no primeiro semestre, ante 1,8% no mesmo período de 2025. A Tenda relacionou o aumento ao endividamento das famílias de menor renda e aos juros elevados, fatores que pressionam a capacidade de pagamento dos compradores.

A carteira consolidada de recebíveis de clientes chegou a R$ 1,188 bilhão no fim de junho, alta de 21,2% em 12 meses. O crescimento amplia a relevância das políticas de cobrança e concessão de crédito.

Entrada na prévia do Ibovespa ainda depende de confirmação

A B3 incluiu a ação TEND3 na primeira prévia da carteira do Ibovespa para o ciclo que começará em setembro, ao mesmo tempo em que indicou a saída de RECV3. A seleção preliminar reúne 78 papéis de 76 empresas e foi calculada com base no fechamento de 30 de julho. A presença na primeira lista não assegura a inclusão definitiva, porque a bolsa ainda divulgará novas prévias em 17 e 31 de agosto.

A carteira definitiva está prevista para 8 de setembro. Caso a entrada seja confirmada, fundos que replicam o Ibovespa tendem a ajustar suas posições para acompanhar a nova composição, o que pode ampliar a liquidez e gerar demanda técnica pelo papel. Esse efeito não altera, por si só, os fundamentos operacionais da construtora.

Para a Tenda, a combinação de expansão de receita, revisão do guidance e possível ingresso no principal índice acionário brasileiro amplia a visibilidade da companhia no mercado. O desempenho de 2026, contudo, dependerá da manutenção das margens na operação principal, da recuperação da velocidade de vendas, do controle da inadimplência e da estabilização da Alea. São esses fatores que determinarão se as novas projeções anuais serão cumpridas sem aumento relevante de alavancagem.

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