O Tesouro Nacional lançou no mês de maio o Tesouro Reserva, novo título público do Tesouro Direto voltado à formação de reserva financeira, com aplicação mínima de R$ 1, rentabilidade equivalente a 100% da Selic e possibilidade de resgate a qualquer momento. O produto foi lançado oficialmente em 11 de maio de 2026, em parceria com o Banco do Brasil, e passou a disputar espaço com a poupança, os CDBs e as chamadas caixinhas digitais dos bancos.
A chegada do Tesouro Reserva ao mercado marcou uma tentativa do governo federal de simplificar o acesso de pequenos investidores aos títulos públicos. A proposta é oferecer uma aplicação de baixo valor inicial, com liquidez diária, rendimento previsível e menor exposição à complexidade da marcação a mercado, mecanismo que altera diariamente o preço de títulos conforme as expectativas para juros e inflação.
O novo título tem vencimento de três anos, mas permite resgate antes do prazo sem descontos sobre o valor aplicado. Na prática, o Tesouro Reserva foi criado para funcionar como alternativa de reserva de emergência, principalmente para investidores conservadores que buscam segurança, liquidez e rendimento atrelado à taxa básica de juros.
No lançamento, a Selic estava em 14,50% ao ano, o que tornou o produto competitivo em relação a outras aplicações de renda fixa. A rentabilidade de 100% da Selic colocou o Tesouro Reserva no centro da disputa por recursos que hoje ficam na poupança, em CDBs de liquidez diária ou em contas digitais remuneradas.
Produto foi criado para simplificar a reserva financeira
O Tesouro Reserva é um título de dívida pública emitido pelo governo federal dentro da plataforma do Tesouro Direto. Ao aplicar no produto, o investidor empresta dinheiro ao Tesouro Nacional e recebe remuneração atrelada à Selic.
Segundo o Ministério da Fazenda, o objetivo do novo título é facilitar a formação de uma reserva financeira com simplicidade e previsibilidade. A aplicação mínima de R$ 1 reduz a barreira de entrada e permite que investidores iniciantes tenham acesso a um título público federal mesmo com valores muito baixos.
A estrutura do produto mira um público que tradicionalmente deixa dinheiro parado na poupança ou em soluções automáticas oferecidas por bancos digitais. A diferença é que, no Tesouro Reserva, o rendimento acompanha integralmente a Selic, enquanto a poupança costuma perder competitividade em cenários de juros elevados.
Outro ponto relevante é a experiência operacional. O sistema permite investir e resgatar recursos a qualquer hora do dia, todos os dias da semana, com exceção do intervalo entre 0h e 1h. Também há possibilidade de movimentação via Pix, o que aproxima o produto da dinâmica das fintechs e das plataformas digitais.
Tesouro Reserva rende 100% da Selic
A rentabilidade do Tesouro Reserva é equivalente a 100% da Selic. Isso significa que o rendimento acompanha a taxa básica de juros da economia, definida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central.
Em simulação divulgada pelo Tesouro Direto no lançamento, uma aplicação de R$ 10 mil no Tesouro Reserva chegaria a R$ 11.006,88 após 12 meses. O valor seria R$ 390,10 superior ao retorno estimado da poupança no mesmo período.
Essa comparação ajuda a explicar por que o produto foi lançado como concorrente direto da poupança. Apesar de ainda ser uma das aplicações mais populares do país, a caderneta tende a entregar retorno menor quando a Selic está em patamar elevado.
O Tesouro Reserva também compete com CDBs de liquidez diária. Esses papéis são emitidos por bancos e costumam remunerar o investidor com base em um percentual do CDI, taxa que acompanha de perto a Selic. Alguns CDBs podem pagar mais, mas o investidor precisa avaliar risco, prazo, liquidez, tributação e cobertura do Fundo Garantidor de Créditos.
Resgate a qualquer momento diferencia o novo título
Um dos principais atrativos do Tesouro Reserva é a possibilidade de resgate a qualquer momento. Embora o vencimento formal seja de três anos, o investidor pode retirar o dinheiro antes desse prazo sem desconto sobre o valor aplicado.
Essa característica é importante para quem pretende usar o produto como reserva de emergência. Recursos destinados a imprevistos precisam ter liquidez, ou seja, devem estar disponíveis rapidamente quando necessário.
O Tesouro Reserva também foi desenhado para reduzir a volatilidade percebida pelo investidor. Diferentemente de outros títulos do Tesouro Direto, o produto não expõe o aplicador à mesma complexidade da marcação a mercado no momento do resgate.
Em títulos prefixados ou indexados à inflação, o valor pode oscilar antes do vencimento. Isso ocorre porque o preço do papel muda conforme as condições de mercado. No Tesouro Reserva, a proposta é oferecer mais previsibilidade para o investidor que precisa aplicar e resgatar com flexibilidade.
Banco do Brasil iniciou oferta do produto
O Tesouro Reserva foi desenvolvido em parceria com o Banco do Brasil, que iniciou a oferta do novo título aos clientes. A liberação integral para correntistas começou em maio, antes do lançamento oficial realizado em 11 de maio de 2026.
Para aplicar, o cliente deve acessar a área do Tesouro Direto no aplicativo de investimentos, selecionar o Tesouro Reserva, informar o valor e confirmar a operação. A oferta em outras instituições financeiras depende da adesão e da implementação de cada banco.
A participação do Banco do Brasil deu ao produto uma base inicial relevante, já que a instituição tem ampla presença nacional e grande número de clientes no varejo. A expansão para outros bancos será decisiva para ampliar o alcance do Tesouro Reserva.
Quanto maior a adesão das instituições financeiras, maior será a capacidade do novo título de competir com produtos já incorporados à rotina dos investidores, como CDBs automáticos, contas remuneradas e caixinhas digitais.
Impostos seguem regra da renda fixa
O Tesouro Reserva segue a tributação tradicional dos investimentos de renda fixa. O Imposto de Renda incide apenas sobre os rendimentos, e não sobre o valor total aplicado.
A alíquota é regressiva. Para aplicações de até 180 dias, o imposto é de 22,5% sobre o ganho. Entre 181 e 360 dias, cai para 20%. De 361 a 720 dias, fica em 17,5%. Acima de 720 dias, recua para 15%.
Também há cobrança de IOF em resgates feitos nos primeiros 30 dias. Após esse período, o imposto deixa de ser aplicado. Essa regra reduz a atratividade para resgates muito curtos, embora o produto tenha liquidez diária.
Além dos tributos, há taxa de custódia da B3 de 0,20% ao ano. Aplicações de até R$ 10 mil, no entanto, são isentas dessa cobrança, o que favorece pequenos investidores e reforça a proposta de democratização do acesso ao Tesouro Direto.
Novo título aumenta disputa na renda fixa
O lançamento do Tesouro Reserva em maio ampliou a disputa por recursos de investidores conservadores. Com aplicação mínima de R$ 1, rendimento atrelado à Selic e resgate flexível, o produto entrou em uma faixa de mercado dominada por bancos, fintechs e produtos simples de renda fixa.
Para o Tesouro Nacional, o novo título pode ajudar a aproximar mais brasileiros dos títulos públicos. Para os bancos, representa uma alternativa adicional dentro das plataformas, mas também aumenta a comparação com produtos próprios, como CDBs e contas remuneradas.
A atratividade do Tesouro Reserva dependerá do nível da Selic, da adesão das instituições financeiras e da clareza com que o produto será apresentado ao investidor. Em um cenário de juros elevados, aplicações pós-fixadas continuam relevantes para carteiras conservadoras.
O produto também reforça uma mudança no comportamento do investidor brasileiro. Cada vez mais, a poupança perde espaço para alternativas com maior rendimento, liquidez e facilidade de acesso. Nesse ambiente, o Tesouro Reserva tenta ocupar uma posição direta: ser uma aplicação simples, segura e voltada à reserva financeira.








