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TOTVS lucra R$ 240,6 milhões no 2T26 e vê inteligência artificial acelerar vendas

Receita recorrente cresceu 15,3%, para R$ 1,78 bilhão, enquanto despesas financeiras ligadas à aquisição da Linx limitaram a expansão do resultado ajustado

por João Souza
06/08/2026 às 09h59
em Empresas
Totvs Lucra R$ 240,6 Milhões No 2T26 E Vê Inteligência Artificial Acelerar Vendas - Gazeta Mercantil

A TOTVS (TOTS3) registrou lucro líquido ajustado de R$ 240,6 milhões no segundo trimestre de 2026, crescimento de 5,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Na comparação com os três primeiros meses do ano, porém, o indicador recuou 11,1%.

O resultado ajustado, utilizado pela companhia para demonstrar o desempenho recorrente dos negócios, ficou abaixo do crescimento observado na receita e no resultado operacional. O principal fator de pressão foi a elevação das despesas financeiras após a emissão de debêntures destinada ao financiamento da aquisição da Linx.

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O lucro líquido contábil, calculado pelas normas societárias, alcançou R$ 688,5 milhões, avanço de 226,3% na comparação anual. A diferença entre esse valor e o lucro ajustado decorre principalmente de R$ 483,7 milhões em efeitos relacionados a operações descontinuadas, incluindo a venda da participação da TOTVS na Dimensa.

No primeiro semestre, o lucro líquido ajustado somou R$ 511,4 milhões, alta de 10,8% em relação ao mesmo intervalo de 2025. A margem líquida ajustada ficou em 12,5% no trimestre, queda de 0,9 ponto percentual em um ano.

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Receita líquida alcança R$ 1,92 bilhão

A receita líquida consolidada da TOTVS somou R$ 1,919 bilhão entre abril e junho, crescimento de 13,3% na comparação anual e de 1,6% em relação ao primeiro trimestre.

A receita recorrente avançou 15,3%, para R$ 1,781 bilhão, e passou a representar 92,8% do faturamento consolidado. No segundo trimestre do ano passado, essa participação era de 91,1%.

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Já a receita não recorrente recuou 7,9% em um ano e 9,4% na comparação trimestral, para R$ 138,4 milhões. O movimento está associado à estratégia da companhia de ampliar a participação de contratos recorrentes, que oferecem maior previsibilidade financeira e margens mais elevadas.

O lucro bruto ajustado atingiu R$ 1,405 bilhão, crescimento de 13,6%. A margem bruta ajustada avançou 0,3 ponto percentual, para 73,2%.

Os números apresentados pela companhia consideram informações pro forma para permitir a comparação entre os períodos. A partir do segundo trimestre, os resultados da Linx passaram a integrar os números consolidados da TOTVS, com os períodos anteriores ajustados para refletir a combinação dos negócios.

EBITDA cresce acima da receita

O EBITDA ajustado atingiu R$ 486,8 milhões no segundo trimestre, alta de 22,5% em relação aos R$ 397,5 milhões registrados um ano antes.

A margem EBITDA ajustada passou de 23,5% para 25,4%, expansão de 1,9 ponto percentual. Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, entretanto, o EBITDA caiu 2,1%, enquanto a margem recuou 0,9 ponto percentual.

A expansão anual da rentabilidade ocorreu porque as despesas operacionais cresceram em ritmo inferior ao da receita. Os gastos operacionais ajustados aumentaram 9,5%, para R$ 918,1 milhões, enquanto o faturamento avançou 13,3%.

Com isso, a proporção das despesas operacionais sobre a receita líquida caiu de 49,5% para 47,8%.

A companhia atribuiu o ganho de eficiência à integração das estruturas de Gestão, RD Station e Linx, à disciplina nas despesas comerciais e administrativas e ao uso de ferramentas de inteligência artificial nos processos internos.

Segundo a TOTVS, a receita líquida por funcionário cresceu 11% em relação ao segundo trimestre de 2025, com ganhos de produtividade em pesquisa e desenvolvimento, atendimento aos clientes, implantação de sistemas, vendas e áreas administrativas.

Provisões para perdas aumentam 70,5%

A melhora da margem operacional ocorreu apesar do aumento da provisão para perdas esperadas, que atingiu R$ 31,3 milhões no trimestre.

O valor foi 70,5% superior ao registrado no segundo trimestre de 2025 e 24,9% maior que o apurado entre janeiro e março deste ano.

A provisão passou a representar 1,6% da receita líquida, ante 1,1% um ano antes. A empresa relacionou o crescimento ao ambiente de crédito mais restritivo e à manutenção dos juros em níveis elevados por um período prolongado.

As despesas comerciais e de marketing aumentaram 3,3%, para R$ 397,8 milhões. Apesar do avanço nominal, a participação desses gastos na receita caiu de 22,7% para 20,7%.

As despesas gerais, administrativas e outras somaram R$ 147 milhões, alta de 11,9% na comparação anual.

Resultado financeiro limita expansão do lucro

O resultado financeiro ajustado da TOTVS ficou negativo em R$ 115,2 milhões no segundo trimestre. Um ano antes, a despesa financeira líquida havia sido de R$ 23,8 milhões.

As receitas financeiras cresceram 31%, para R$ 72,7 milhões, mas não foram suficientes para compensar a alta de 136,8% das despesas financeiras, que atingiram R$ 187,9 milhões.

A companhia atribuiu a deterioração principalmente à sexta emissão de debêntures, realizada para financiar a aquisição da Linx.

O aumento das despesas financeiras ajuda a explicar por que o lucro ajustado cresceu 5,9%, abaixo da expansão de 22,5% do EBITDA.

Parte do impacto foi compensada por uma redução da carga tributária, relacionada ao pagamento proporcionalmente maior de juros sobre capital próprio e ao aproveitamento de incentivos fiscais da Lei do Bem.

ARR chega a R$ 7,74 bilhões

A receita recorrente anualizada, conhecida pela sigla ARR, alcançou R$ 7,742 bilhões ao fim de junho, crescimento de 14% em relação ao segundo trimestre de 2025.

A adição líquida de ARR foi de R$ 209 milhões no trimestre. O volume considera novas vendas para clientes existentes e novos consumidores, reajustes de preços e cancelamentos de contratos.

A adição bruta de volume de ARR superou R$ 400 milhões, com crescimento anual de 28%. Segundo a TOTVS, o resultado representa mais de 5% de toda a receita recorrente anualizada acumulada pela companhia em 43 anos de operação.

A taxa de retenção ficou em 97,3%, ante 97,9% um ano antes. A redução de 0,6 ponto percentual foi associada à piora da capacidade financeira de parte dos clientes em um ambiente de juros elevados.

A TOTVS completou o 30º trimestre consecutivo de crescimento orgânico de dois dígitos da receita recorrente. Nos últimos 21 trimestres, a expansão permaneceu entre 15% e 25%, segundo a companhia.

Inteligência artificial impulsiona vendas

Os produtos classificados pela TOTVS como habilitadores de inteligência artificial passaram a ter participação maior na expansão dos negócios.

Essas soluções responderam por 28% da adição bruta de volume de ARR no segundo trimestre, acima dos 22% observados no quarto trimestre de 2025.

Entre o quarto trimestre do ano passado e o segundo trimestre de 2026, os habilitadores de inteligência artificial foram responsáveis por aproximadamente um terço do crescimento da receita recorrente do portfólio de Gestão, desconsiderando a Linx.

A participação dessas soluções na receita recorrente de Gestão passou de 17% em 2025 para 19% no primeiro trimestre e 19,4% no segundo trimestre deste ano.

A empresa citou como exemplos o aumento do consumo de interfaces de programação, a organização de bases de dados, a atualização de sistemas e as soluções relacionadas ao LYNN, plataforma de inteligência artificial lançada em fevereiro.

O crescimento do consumo dessas ferramentas passou de 50% no primeiro trimestre para 56% no segundo trimestre, em comparação com os respectivos períodos do ano anterior.

Linx supera margem de 20%

A TOTVS informou que a integração da Linx foi concluída e que a operação já começou a produzir sinergias nas despesas operacionais.

A margem da Linx ultrapassou 20% no segundo trimestre, com expansão superior a dois pontos percentuais em relação a março. A margem daquele mês já havia ficado mais de 3,5 pontos percentuais acima do nível médio do primeiro trimestre.

A companhia também alterou sua estrutura de apresentação de resultados. Os portfólios de Gestão, Linx e RD Station passaram a ser tratados como uma única unidade geradora de caixa, embora a empresa continue divulgando indicadores específicos quando considerados relevantes.

A integração combina soluções de gestão empresarial, varejo, marketing, vendas e relacionamento com clientes, além de unificar estruturas comerciais e administrativas.

Techfin registra prejuízo ajustado

A operação de serviços financeiros Techfin registrou EBITDA ajustado negativo de R$ 5 milhões no segundo trimestre, ante resultado positivo de R$ 2,4 milhões no mesmo período de 2025.

O prejuízo líquido ajustado da divisão foi de R$ 3,3 milhões. Um ano antes, a unidade havia apurado lucro de R$ 1,6 milhão.

O resultado foi pressionado pelo aumento das provisões para perdas esperadas, que praticamente dobraram, de R$ 13,5 milhões para R$ 26,7 milhões.

A receita líquida de funding, por outro lado, cresceu 24%, para R$ 103,5 milhões. A produção de crédito avançou 6,3%, para R$ 3,442 bilhões, enquanto a carteira líquida aumentou 9,2%, para R$ 2,757 bilhões.

A TOTVS afirmou que revisou parâmetros e limites de concessão diante da piora do mercado de crédito. Segundo a administração, as safras mais recentes de empréstimos já apresentam indicadores compatíveis com os padrões históricos da operação.

Fluxo de caixa livre cresce 49,5%

A geração operacional de caixa atingiu R$ 506,4 milhões no segundo trimestre, aumento de 42,1% em relação ao mesmo período de 2025.

O fluxo de caixa livre da empresa somou R$ 294,6 milhões, alta de 49,5% na comparação anual e de 50,2% ante o primeiro trimestre.

Os investimentos em ativos fixos e intangíveis totalizaram R$ 84,8 milhões, crescimento de 23,1% em um ano, mas redução de 37,9% na comparação trimestral.

A companhia havia concentrado investimentos em equipamentos durante os três primeiros meses de 2026, antes do lançamento de sua oferta de infraestrutura como serviço.

No acumulado do primeiro semestre, o fluxo de caixa livre chegou a R$ 490,7 milhões, avanço de 55,9%.

Dívida líquida cai para R$ 2,79 bilhões

A dívida bruta totalizou R$ 4,809 bilhões ao fim de junho, aumento de 203,4% em relação ao segundo trimestre de 2025 e de 3,8% na comparação com março.

Desse montante, R$ 4,743 bilhões correspondiam a debêntures. A alta anual decorre principalmente da emissão realizada para financiar a compra da Linx.

O caixa e os equivalentes de caixa atingiram R$ 2,020 bilhões, crescimento de 41% em relação ao primeiro trimestre.

A entrada de recursos proveniente da venda da Dimensa e a geração operacional de caixa contribuíram para reduzir a dívida líquida de R$ 3,199 bilhões em março para R$ 2,789 bilhões em junho, queda trimestral de 12,8%.

A redução ocorreu mesmo com a execução do maior programa de recompra de ações já realizado pela TOTVS.

TOTVS anuncia novo programa de recompra

O conselho de administração aprovou um novo programa de recompra de ações, anunciado oficialmente em 4 de agosto.

Segundo o presidente-executivo Dennis Herszkowicz, o novo programa é 50% maior que o anterior. A companhia argumenta que o valor de mercado das ações ainda não reflete o potencial de crescimento e geração de caixa do negócio.

O programa anterior, lançado em 2026, foi concluído em aproximadamente metade do prazo inicialmente previsto.

A administração calcula que, considerando os programas executados em 2024 e 2026 e a realização integral da nova recompra, a TOTVS terá adquirido e cancelado cerca de 70 milhões de ações, quantidade equivalente a quase 15% das ações em circulação no mercado.

A companhia encerrou junho com 599,4 milhões de ações ordinárias emitidas. Desse total, 4,4% estavam em tesouraria, enquanto o free float correspondia a 87% do capital.

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