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Trump anuncia novo presidente do Fed nesta sexta (30): Mercado aguarda substituto de Powell

por Eduardo Toscano
30/01/2026 às 01h26
em Mundo
Trump Anuncia Novo Presidente Do Fed Nesta Sexta (30): Mercado Aguarda Substituto De Powell - Gazeta Mercantil

Trump antecipa anúncio e revelará novo presidente do Fed nesta sexta-feira (30); mercado aguarda definição

O cenário econômico global amanheceu em estado de alerta máximo nesta sexta-feira. Em uma reviravolta estratégica típica de seu estilo de governar, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que revelará o nome do próximo presidente do Fed (Federal Reserve) na manhã desta sexta-feira, dia 30. A decisão, que é aguardada com ansiedade por economistas, investidores e chefes de estado ao redor do mundo, representa uma antecipação significativa no cronograma originalmente previsto pela Casa Branca.

A declaração foi feita a repórteres na noite de quinta-feira (29), momento em que Trump chegava para a estreia de um documentário sobre sua esposa, a primeira-dama Melania Trump. A informalidade do anúncio contrasta com o peso institucional da decisão. Horas antes, durante uma reunião de gabinete, o líder republicano havia sinalizado que a indicação do novo presidente do Fed ocorreria apenas na semana seguinte. Essa mudança repentina de timing sugere que o martelo foi batido e que Trump busca capitalizar politicamente a nomeação para acalmar ou estimular os mercados antes do fechamento semanal.

Leia também: Parceria Lula e Trump avança e negociações comerciais aceleram.

A escolha do próximo presidente do Fed é, sem dúvida, uma das decisões mais consequentes do mandato presidencial. O ocupante do cargo não apenas define a taxa básica de juros da maior economia do mundo — atualmente situada na faixa de 3,5% a 3,75% —, mas também atua como o guardião da estabilidade financeira global. Com o mandato do atual mandatário, Jerome Powell, encerrando-se em maio, a transição no comando da autoridade monetária americana torna-se o ponto focal de todas as análises macroeconômicas.

A Dinâmica Trump versus Powell e a Busca por Lealdade

A relação entre Donald Trump e Jerome Powell tem sido marcada por tensões públicas e divergências profundas sobre a condução da política monetária. Embora Powell tenha sido indicado pelo próprio Trump em seu mandato anterior, o presidente não poupou críticas ao atual presidente do Fed nos últimos anos. Trump rotulou Powell repetidamente de “politicamente enviesado” e tem defendido, de forma vociferante, que o Federal Reserve realize cortes agressivos nas taxas de juros para estimular o crescimento.

Leia também: Presidente do PT critica presidente do BC por envolvimento político.

Na visão de Trump, expressa durante a reunião de gabinete na última quinta-feira, a economia americana possui um potencial reprimido que poderia ser liberado com uma política monetária mais frouxa. O presidente chegou a afirmar que, com juros substancialmente mais baixos, o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos poderia crescer até 10% este ano — uma projeção que a maioria dos economistas ortodoxos considera excessivamente otimista, mas que reflete a pressão que o novo presidente do Fed enfrentará para alinhar as metas do banco central aos desejos do Executivo.

A escolha do novo presidente do Fed passa, portanto, pelo filtro da lealdade e do alinhamento ideológico. Trump busca alguém que não apenas possua as credenciais técnicas para gerir o sistema financeiro, mas que também esteja disposto a ouvir as demandas da Casa Branca por um dólar competitivo e taxas de juros que favoreçam a alavancagem corporativa e o consumo das famílias. A independência do Fed, um pilar da credibilidade econômica americana, estará sob escrutínio dependendo do nome anunciado.

Os Candidatos na Corrida pelo Comando do Banco Central

Nos bastidores de Washington e Wall Street, a bolsa de apostas para o cargo de presidente do Fed está aquecida. Quatro nomes despontam como os finalistas nesse processo de seleção rigoroso, cada um trazendo um perfil distinto que sinalizaria diferentes caminhos para a política monetária dos EUA.

Kevin Hassett: O Acadêmico Leal

Kevin Hassett, atual diretor do Conselho Econômico Nacional, é visto como um forte candidato devido à sua proximidade com Trump e sua defesa de políticas de oferta (supply-side economics). Sua nomeação como presidente do Fed sinalizaria uma gestão focada no crescimento econômico e, possivelmente, mais permeável às visões do presidente sobre desregulamentação e cortes de impostos como motores da economia, apoiados por juros baixos.

Kevin Warsh: O Pragmático de Wall Street

Kevin Warsh, ex-governador do Fed, traz a experiência de quem já esteve dentro da instituição durante momentos de crise. Warsh é respeitado pelos mercados financeiros e visto como um “falcão” (hawkish) em relação à inflação, mas também como alguém pragmático e com forte trânsito no Partido Republicano. Sua escolha para ser presidente do Fed poderia ser um aceno de Trump à estabilidade institucional, buscando um nome que agrada tanto a base política quanto os investidores de Nova York.

Christopher Waller: A Continuidade Técnica

Christopher Waller, atual governador do Fed, representa a opção mais técnica e de continuidade, embora com uma abordagem que pode diferir de Powell em nuances. Waller tem sido uma voz influente nas decisões recentes de política monetária. Escolhê-lo como presidente do Fed seria uma forma de manter a estrutura de pensamento do banco central, mas sob uma nova liderança que pode ser vista como menos “desgastada” aos olhos de Trump do que Powell.

Rick Rieder: A Voz do Mercado

Rick Rieder, executivo de alto escalão da BlackRock, corre por fora como a opção vinda diretamente do mercado financeiro. Gerindo trilhões de dólares em ativos, Rieder entende como poucos a mecânica dos juros e a liquidez global. Sua indicação para presidente do Fed seria uma ruptura com a tradição de nomear acadêmicos ou burocratas, colocando um gestor de ativos no comando da impressora de dinheiro. Isso poderia agradar Trump, que valoriza o sucesso empresarial, mas levantaria questões sobre conflitos de interesse e a visão de longo prazo da política monetária.

O Cenário Econômico e a Pressão pelos Juros

O contexto em que o novo presidente do Fed assumirá é desafiador. As taxas de juros atuais, entre 3,5% e 3,75%, são consideradas por Trump como um freio de mão puxado na economia. Embora a inflação tenha cedido em relação aos picos pós-pandemia, a batalha pela estabilidade de preços ainda exige vigilância. O mercado de trabalho americano mostra sinais mistos, e o crescimento global enfrenta ventos contrários.

A promessa de Trump de que a economia pode crescer 10% com juros menores coloca uma carga imensa sobre os ombros do futuro presidente do Fed. Se o escolhido ceder prematuramente às pressões por cortes drásticos sem a devida ancoragem das expectativas de inflação, o resultado pode ser um repique inflacionário desastroso. Por outro lado, se mantiver uma postura excessivamente rígida, pode entrar em rota de colisão direta e pública com o presidente, repetindo o ciclo de desgaste vivido por Powell.

A antecipação do anúncio para esta sexta-feira sugere que Trump quer definir logo essa pauta para focar em outros aspectos de sua agenda econômica e geopolítica. A urgência pode também estar ligada à necessidade de dar um sinal claro aos mercados antes da abertura das bolsas, tentando induzir um rali positivo no final da semana.

O Papel do Fed na Geopolítica Atual

Embora o foco principal do presidente do Fed seja a política doméstica (emprego e inflação), as decisões do banco central americano reverberam globalmente. O dólar forte ou fraco afeta as exportações de países emergentes, o custo das dívidas soberanas e o fluxo de capitais. Com tensões geopolíticas elevadas — incluindo a situação na Ucrânia, onde Putin prometeu uma trégua temporária, e a instabilidade no Oriente Médio com o Irã —, a estabilidade do sistema financeiro americano é vital.

O novo presidente do Fed terá que navegar não apenas os gráficos de inflação, mas também as implicações econômicas de tarifas comerciais, sanções e conflitos internacionais que Trump administra em paralelo. A coordenação, ou a falta dela, entre o Tesouro e o Fed será determinante para a resiliência da economia americana frente a choques externos.

Expectativas do Mercado para o Anúncio de Sexta-feira

Analistas de mercado passarão a manhã de sexta-feira monitorando cada palavra vinda da Casa Branca. A simples menção de um nome pode fazer o rendimento dos títulos do Tesouro (Treasuries) disparar ou despencar. Se Trump escolher um nome visto como excessivamente subserviente, o mercado pode cobrar um prêmio de risco maior nos juros longos, temendo a volta da inflação. Se escolher um nome ortodoxo, a bolsa pode reagir com cautela sobre a velocidade dos cortes de juros.

A figura do presidente do Fed é, em muitos aspectos, tão poderosa quanto a de chefes de estado. Sua caneta tem o poder de alterar o valor do dinheiro no tempo. A decisão de Trump de antecipar o anúncio demonstra que ele compreende esse poder e quer exercer sua prerrogativa de nomeação como uma ferramenta de alavancagem política e econômica imediata.

O mercado financeiro brasileiro também aguarda com atenção. A política monetária do novo presidente do Fed ditará o fluxo de dólares para mercados emergentes. Juros menores nos EUA tendem a beneficiar o Brasil, atraindo capital e aliviando a pressão sobre o câmbio. Portanto, o nome que será revelado nesta sexta-feira terá impacto direto na B3 e na cotação do dólar frente ao real.

A Importância da Independência do Banco Central

A discussão sobre o próximo presidente do Fed traz à tona o debate secular sobre a independência dos bancos centrais. A estrutura do Federal Reserve foi desenhada para isolar a política monetária das pressões políticas de curto prazo. Os mandatos dos governadores são longos e desencontrados dos ciclos eleitorais justamente para permitir decisões impopulares, porém necessárias (como subir juros para combater inflação).

Ao criticar Powell abertamente e prometer um crescimento de 10% condicionado a juros baixos, Trump desafia essa norma não escrita de distanciamento. O novo presidente do Fed terá a difícil tarefa de provar ao mercado que suas decisões são baseadas em dados econômicos (Data Dependent), e não em telefonemas do Salão Oval. A credibilidade da moeda de reserva global depende dessa percepção de autonomia.

Se o escolhido for alguém como Kevin Hassett ou outro lealista, a curva de aprendizado sobre como equilibrar a lealdade política com a responsabilidade fiduciária será íngreme. Se for Kevin Warsh ou Rick Rieder, o desafio será manter a comunicação clara com o mercado enquanto se gere a relação com um presidente volátil.

Um Momento Decisivo para a Economia

O anúncio desta sexta-feira (30) encerra meses de especulação e abre um novo capítulo na história econômica dos Estados Unidos sob a administração Trump. A substituição de Jerome Powell marca o fim de uma era de combate pós-pandêmico à inflação e o início de uma nova fase, onde o foco parece voltar-se agressivamente para o crescimento e a desregulamentação.

O perfil do novo presidente do Fed nos dirá muito sobre o que esperar dos próximos anos: uma política monetária experimental e expansionista ou uma gestão técnica e cautelosa? A resposta virá pela manhã, mas as consequências dessa escolha ecoarão por todo o mandato do próximo chefe da autoridade monetária.

Economistas alertam que a promessa de crescimento de 10% é audaciosa e que o uso da política monetária para tentar atingir tal meta artificialmente pode gerar desequilíbrios severos. Caberá ao novo presidente do Fed ser o adulto na sala, ou o facilitador da visão econômica de Trump. O mundo observa, e os mercados estão prontos para precificar essa nova realidade assim que o nome for pronunciado. A era Powell tem data para acabar em maio, mas a transição começa, de fato, agora.

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