A United Airlines (UAL) divulgou nesta quarta-feira, 15 de julho, em Chicago, lucro líquido de US$ 805 milhões no segundo trimestre de 2026 e elevou o piso de sua projeção de resultado para o ano. O avanço de 16% da receita, sustentado por tarifas mais altas, demanda corporativa e crescimento das cabines premium, foi insuficiente para neutralizar o salto de 84,1% da despesa com combustível. A companhia agora calcula que gastará quase US$ 6 bilhões a mais com querosene em 2026 do que estimava no início do ano, fator que derrubou margens e levou as ações a recuarem nas negociações após o fechamento de Wall Street.
A receita operacional da United Airlines (UAL) alcançou US$ 17,67 bilhões entre abril e junho, ante US$ 15,24 bilhões no mesmo período de 2025. O resultado mostrou que a empresa conseguiu ampliar o faturamento em ritmo superior ao crescimento da capacidade, mas também expôs a dificuldade de converter essa expansão em lucro diante da alta do petróleo.
O lucro líquido caiu 17,3% na comparação anual, dos US$ 973 milhões registrados no segundo trimestre de 2025 para US$ 805 milhões. O lucro diluído por ação recuou de US$ 2,97 para US$ 2,46.
Em bases ajustadas, o impacto foi mais acentuado. O lucro líquido ajustado diminuiu 48,7%, para US$ 649 milhões, enquanto o ganho ajustado por ação caiu de US$ 3,87 para US$ 1,99. Apesar da retração anual, o indicador ficou próximo do limite superior da faixa projetada pela companhia para o trimestre.
Combustível sobe 84% e absorve crescimento da receita
A principal pressão sobre o balanço da United Airlines (UAL) veio do combustível de aviação. A companhia gastou US$ 5,11 bilhões com querosene no segundo trimestre, aumento de US$ 2,34 bilhões em relação aos US$ 2,78 bilhões desembolsados um ano antes.
O preço médio pago por galão passou de US$ 2,34 para US$ 4,19, alta de 79,4%. O consumo de combustível cresceu apenas 2,7%, o que mostra que a elevação da despesa foi provocada predominantemente pelo preço do insumo, e não por uma expansão proporcional das operações.
A United Airlines (UAL) informou que conseguiu recuperar aproximadamente metade desse aumento por meio de tarifas, gestão de capacidade e crescimento das receitas por passageiro. Ainda assim, os custos operacionais avançaram 19,2%, para US$ 16,58 bilhões, ritmo superior ao crescimento de 16% do faturamento.
O lucro operacional recuou 17,3%, para US$ 1,10 bilhão. A margem operacional caiu de 8,7% para 6,2%, redução de 2,5 pontos percentuais.
No resultado ajustado, a deterioração foi ainda maior. O lucro operacional ajustado diminuiu 46,3%, para US$ 951 milhões, enquanto a margem operacional ajustada passou de 11,6% para 5,4%.
O custo por assento-milha disponível, indicador utilizado pelo setor para medir a despesa necessária para colocar capacidade no mercado, aumentou 15,2%. Excluídos combustível, itens especiais, participação nos lucros e determinadas despesas de terceiros, o custo unitário avançou 6,1%.
Receita de passageiros alcança US$ 16,1 bilhões
A receita de passageiros da United Airlines (UAL) somou US$ 16,10 bilhões, alta de 16,4% na comparação anual. O segmento respondeu por mais de 91% do faturamento operacional do trimestre.
A receita de cargas aumentou 22,6%, para US$ 527 milhões. Outras receitas operacionais, que incluem atividades relacionadas ao programa de fidelidade, serviços auxiliares e negócios associados às viagens, cresceram 7,7%, para US$ 1,05 bilhão.
A capacidade da companhia avançou 3,5%, enquanto o tráfego medido por passageiros-milhas pagas cresceu 3,8%. A taxa de ocupação passou de 83,1% para 83,4%.
O resultado mostra que a United Airlines (UAL) ampliou a receita em ritmo significativamente superior à oferta de assentos. A receita total por assento-milha disponível, conhecida como TRASM, subiu 12,1%. O rendimento médio por passageiro e milha também cresceu 12,1%.
A companhia transportou 48,69 milhões de passageiros no segundo trimestre, aumento de 5,4% sobre os 46,19 milhões registrados um ano antes.
As cabines premium tiveram alta de 16% na receita. O faturamento das tarifas Basic Economy cresceu 11%, assim como a receita de fidelidade. A demanda corporativa contratada avançou 27%, enquanto a receita unitária da cabine econômica aumentou 12%.
Esses indicadores reforçam a estratégia da United Airlines (UAL) de segmentar sua oferta, elevando a participação de produtos premium sem abandonar o crescimento da cabine econômica. A diversificação ajudou a sustentar o faturamento, mas não eliminou o efeito da energia sobre a rentabilidade.
Projeção anual passa de US$ 7 a US$ 11 para US$ 9 a US$ 11
Mesmo com o aumento dos custos, a United Airlines (UAL) elevou sua projeção de lucro ajustado por ação para 2026. A faixa, que em abril estava entre US$ 7 e US$ 11, passou para US$ 9 a US$ 11.
A revisão aumentou o piso da estimativa em US$ 2, mas manteve o teto. O movimento indica maior confiança na demanda e nas receitas, ao mesmo tempo que preserva margem de cautela diante da volatilidade do combustível.
Para o terceiro trimestre, a United Airlines (UAL) projeta lucro ajustado entre US$ 2,50 e US$ 3,50 por ação. A previsão considera preço médio de aproximadamente US$ 3,69 por galão de combustível, com base na curva futura do querosene da Costa do Golfo dos Estados Unidos em 14 de julho.
A companhia informou que a alta observada apenas desde o início de julho acrescentou US$ 575 milhões aos gastos projetados para o terceiro trimestre. O valor representa impacto estimado de US$ 1,12 no lucro ajustado por ação.
A dimensão dessa variação explica por que os investidores reagiram com cautela ao balanço. Embora o segundo trimestre tenha superado as expectativas e a projeção anual tenha melhorado, a faixa indicada para os três meses seguintes mostrou que o preço do combustível poderá continuar limitando o lucro.
Nas negociações após o fechamento do mercado, as ações da United Airlines (UAL) recuavam cerca de 2,4%. O movimento contrastou com a alta registrada pelos papéis durante a sessão regular e concentrou a atenção na capacidade da empresa de recompor suas margens.
Companhia pretende repassar custo até o quarto trimestre
A United Airlines (UAL) espera recuperar entre 80% e 90% do aumento da despesa com combustível no terceiro trimestre. Para os últimos três meses do ano, a projeção é de compensação integral.
A recuperação deverá ocorrer por meio de uma combinação de tarifas, maior participação de receitas premium, expansão do programa de fidelidade, demanda corporativa e ajustes na oferta de voos.
O presidente-executivo Scott Kirby afirmou que a companhia alterou rapidamente seus horários quando os preços do petróleo avançaram em março. A administração também manteve investimentos na experiência dos passageiros e na expansão de produtos destinados a clientes de maior valor.
A estratégia envolve riscos. O repasse do combustível às tarifas depende da continuidade da demanda, especialmente depois do pico das viagens de verão no Hemisfério Norte. Caso os consumidores reduzam as compras diante de preços mais altos, a companhia poderá ter dificuldade para recuperar integralmente os custos.
A United Airlines (UAL) indicou que pode superar o limite superior das projeções do terceiro trimestre e do ano caso os preços do combustível retornem aos níveis observados no começo de julho.
O cenário contrário também permanece relevante. Uma nova escalada do petróleo, causada por tensões geopolíticas ou restrições ao fornecimento, poderia aumentar a despesa e exigir novos cortes de capacidade.
Oferta de voos será revista diante do petróleo
A United Airlines (UAL) prevê reduzir a capacidade do quarto trimestre em relação à programação atualmente publicada. A revisão faz parte da gestão normal da malha, mas também responde ao preço elevado do combustível e à extensão de restrições da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos no Aeroporto Internacional O’Hare, em Chicago.
A companhia disse estar preparada para moderar adicionalmente a capacidade de curto prazo caso o querosene permaneça caro. Medidas semelhantes foram adotadas no segundo e no terceiro trimestres.
A redução de oferta é uma ferramenta importante para preservar tarifas e evitar excesso de assentos. No setor aéreo, companhias que mantêm capacidade elevada em períodos de aumento de custos podem ser obrigadas a disputar passageiros com descontos, comprimindo ainda mais as margens.
Em abril, a United Airlines (UAL) previa crescimento entre zero e 2% da capacidade no terceiro e no quarto trimestres. A atualização de julho abandonou essa indicação para o último período do ano e passou a prever uma oferta inferior à grade já disponibilizada ao mercado.
A estratégia será acompanhada pelos concorrentes. Uma redução coordenada da capacidade entre as grandes empresas aéreas americanas pode favorecer a recomposição das tarifas. Por outro lado, cortes mais agressivos de uma única companhia podem abrir espaço para rivais em rotas e aeroportos estratégicos.
Liquidez cresce para US$ 19,6 bilhões
A United Airlines (UAL) terminou junho com US$ 19,6 bilhões em liquidez disponível, incluindo caixa, aplicações de curto prazo e linhas de crédito não utilizadas.
O caixa e os equivalentes de caixa somavam US$ 10,17 bilhões. Os investimentos de curto prazo atingiam US$ 6,47 bilhões.
Durante o trimestre, a companhia levantou US$ 3,7 bilhões em novas operações bancárias privadas. Segundo a administração, os recursos funcionam como proteção contra a incerteza geopolítica e a possibilidade de uma alta extrema do petróleo.
Desde o início do segundo trimestre, a United Airlines (UAL) antecipou cerca de US$ 1 bilhão em dívidas de custo mais elevado. A empresa pretende usar parte da liquidez para continuar reduzindo passivos e financiar a entrega de aeronaves quando o preço do combustível se normalizar.
A dívida total, incluindo arrendamentos financeiros e outras obrigações, fechou o trimestre em US$ 26,5 bilhões. A alavancagem líquida dos 12 meses encerrados em junho ficou em 2,2 vezes, ante 2 vezes ao fim do primeiro trimestre.
A companhia gerou US$ 1,6 bilhão em fluxo de caixa operacional e US$ 322 milhões em fluxo de caixa livre no segundo trimestre. Para 2026, a projeção de investimentos ajustados foi fixada em aproximadamente US$ 7,5 bilhões, abaixo do limite anterior de US$ 8 bilhões.
Frota maior amplia exposição aos custos operacionais
A United Airlines (UAL) encerrou o trimestre com 1.122 aeronaves de linha principal e 430 aviões regionais. O planejamento prevê chegar ao fim de 2026 com 1.173 aeronaves principais e 442 regionais.
A frota de Boeing 737 MAX deverá aumentar de 283 para 323 unidades até dezembro. O número de Boeing 787 deve passar de 88 para 100, enquanto a quantidade de Airbus A321neo e A321XLR está prevista para subir de 71 para 88.
A companhia recebeu no trimestre seu primeiro Airbus A321XLR, modelo de corredor único desenvolvido para rotas de maior distância. A aeronave deverá começar a operar em voos domésticos no segundo semestre e ser direcionada a destinos internacionais no início de 2027.
A expansão da frota permite à United Airlines (UAL) renovar aviões antigos, reduzir custos unitários e ampliar a rede. Ao mesmo tempo, aumenta as necessidades de capital e a exposição financeira a eventuais quedas da demanda.
A empresa também instalou internet Starlink em 450 aeronaves e espera se aproximar de 1.000 aviões equipados até o fim do ano. A implantação em toda a frota está prevista para ser concluída em 2027.
Esses investimentos fazem parte da tentativa de elevar a fidelidade dos clientes e ampliar a receita por passageiro. O resultado do trimestre mostrou avanço dessas fontes de faturamento, mas também reforçou que melhorias comerciais não isolam uma companhia aérea das oscilações do petróleo.
Margens passam a definir reação dos investidores
O balanço da United Airlines (UAL) apresentou dois movimentos distintos. De um lado, a demanda permaneceu firme, a receita cresceu em todas as principais frentes e a projeção anual foi elevada. De outro, a despesa com combustível cresceu mais de US$ 2,3 bilhões em apenas um trimestre e reduziu quase pela metade o lucro ajustado.
A companhia demonstrou capacidade para elevar tarifas e recuperar parte da inflação de custos. O desafio será manter essa estratégia sem comprometer a ocupação ou perder passageiros para concorrentes.
O terceiro trimestre deverá funcionar como teste para a política de preços e capacidade da United Airlines (UAL). A empresa precisa recuperar até 90% do aumento do querosene para cumprir o plano apresentado aos investidores.
A manutenção da demanda corporativa, o avanço das cabines premium e o desempenho do programa MileagePlus oferecem proteção ao faturamento. A volatilidade do petróleo, porém, deverá continuar determinando quanto dessa receita chegará efetivamente ao lucro.
Com quase US$ 6 bilhões em despesas adicionais de combustível projetadas para 2026, a avaliação da United Airlines (UAL) deixa de depender apenas do crescimento da rede e passa a ser condicionada pela velocidade de recuperação das margens. Foi essa diferença entre uma operação comercial forte e um custo energético ainda imprevisível que comandou a reação do mercado ao balanço.








