A Vivara (VIVA3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido gerencial de R$ 156,7 milhões, avanço de 0,9% sobre o mesmo período do ano passado. A receita líquida cresceu 9,5%, para R$ 833,1 milhões, enquanto o Ebitda aumentou 4,9%, para R$ 205,4 milhões. O avanço operacional, porém, foi acompanhado por uma redução de 1 ponto percentual na margem Ebitda, que passou de 25,7% para 24,7%.
Os valores apresentados pela administração até a seção operacional do relatório excluem os efeitos da norma contábil IFRS 16 sobre os contratos de aluguel das lojas, da fábrica e do escritório. Nas informações financeiras submetidas à Comissão de Valores Mobiliários, que incorporam integralmente a norma, o lucro líquido consolidado foi de R$ 151,7 milhões, ante R$ 151,1 milhões no segundo trimestre de 2025, crescimento de 0,4%.
A diferença entre os dois números não representa divergência no balanço, mas decorre das métricas adotadas pela companhia para acompanhar o desempenho gerencial. O lucro de R$ 156,7 milhões é calculado antes dos efeitos do IFRS 16, enquanto o resultado de R$ 151,7 milhões segue integralmente as práticas contábeis utilizadas no formulário trimestral.
O desempenho mostra uma empresa que manteve crescimento das vendas, expandiu a rede física e avançou no comércio eletrônico, mas ainda enfrenta pressão sobre as despesas operacionais. Os gastos com pessoal de lojas, marketing, fretes e novas unidades cresceram mais rapidamente do que a receita e limitaram a expansão da rentabilidade.
Receita bruta supera R$ 1 bilhão
A receita bruta, já descontadas as devoluções, somou R$ 1,071 bilhão no trimestre, aumento de 10,5% na comparação anual. A companhia atribuiu o resultado principalmente às vendas de joias, relógios e ao crescimento do canal digital. No primeiro semestre, a receita bruta alcançou R$ 1,823 bilhão, alta de 11,8%.
A categoria de joias, responsável por aproximadamente metade das vendas, registrou faturamento de R$ 539,8 milhões, expansão de 11,9%. As vendas da linha Life cresceram 5,6%, para R$ 364,2 milhões, enquanto relógios avançaram 18,2%, para R$ 151,5 milhões. Acessórios e serviços tiveram receita de R$ 16 milhões, 9,4% acima do segundo trimestre de 2025.
Segundo a Vivara, o calendário de feriados e os jogos da Copa do Mundo reduziram o fluxo de consumidores nos shopping centers onde está concentrada a maior parte de suas operações. A administração estimou um impacto negativo de 2 pontos percentuais sobre as vendas. Sem esse efeito, o crescimento da receita bruta teria atingido 12,5%.
As vendas nas mesmas lojas físicas cresceram 5,9%, abaixo dos 11% observados um ano antes. Quando incluído o comércio eletrônico, o indicador de vendas em mesmas lojas ficou em 8%. A empresa calcula que, desconsiderados os efeitos de calendário, o avanço combinado das lojas físicas e digitais teria alcançado 10%.
Comércio eletrônico cresce 21,2%
O canal digital apresentou o maior crescimento entre os canais de venda da Vivara. A receita alcançou R$ 153,5 milhões, alta de 21,2% em relação ao segundo trimestre do ano anterior. As lojas físicas, por sua vez, faturaram R$ 916,2 milhões, crescimento de 9,1%.
As compras realizadas pelo aplicativo representaram cerca de um terço das vendas digitais, ante participação de 17% no mesmo trimestre de 2025. A companhia relacionou o avanço à nova versão do aplicativo e ao aumento das operações integradas entre os canais digitais e as lojas.
As vendas classificadas como OMS, iniciadas pela internet e faturadas ou entregues pelas unidades físicas, responderam por 57% do comércio eletrônico. Um ano antes, essa proporção era de 32%. O crescimento desse modelo permite que a rede utilize o estoque das lojas para atender pedidos digitais, reduzindo o prazo de entrega e ampliando a disponibilidade dos produtos.
A expansão digital ocorreu ao mesmo tempo em que a empresa elevou as despesas de marketing em 24,5%, para R$ 39,2 milhões. Os recursos foram destinados principalmente às campanhas do Dia das Mães, Dia dos Namorados, eventos de marca e mídia voltada à conversão de vendas pela internet.
Margem bruta resiste à alta dos metais
O lucro bruto atingiu R$ 597,7 milhões, crescimento de 8,8%. A margem bruta ficou em 71,7%, uma redução de 0,5 ponto percentual em relação aos 72,2% registrados no segundo trimestre de 2025. No primeiro semestre, a margem avançou de 70,4% para 70,9%, o maior nível já registrado pela companhia para o período.
A Vivara afirmou que a combinação de diferentes metais, os ajustes de preços, a renovação das coleções e o reaproveitamento de matérias-primas ajudaram a limitar os efeitos da valorização do ouro e da prata. A empresa também aumentou a participação de joias de prata e de peças que combinam prata e ouro, produtos que apresentam custos e margens distintos das joias produzidas integralmente em ouro.
O custo dos produtos vendidos avançou 11,3%, para R$ 234,7 milhões, ritmo superior ao aumento da receita líquida. A alta foi parcialmente compensada pela queda de 26,4% nas despesas da fábrica, que recuaram para R$ 7,8 milhões após ganhos de produtividade e redução de retrabalho.
A companhia também registrou R$ 73,4 milhões em receitas de subvenção tributária, crescimento de 8,2%. A operação do centro de distribuição no Espírito Santo gerou R$ 18 milhões em créditos no trimestre e compensou parcialmente a redução dos benefícios relacionados à produção em Manaus.
Despesas avançam acima da receita
As despesas operacionais, sem depreciação e amortização, totalizaram R$ 393 milhões, alta de 10,9%. Elas passaram a representar 47,2% da receita líquida, ante 46,6% no mesmo trimestre de 2025. O aumento acima da receita explica parte da redução da margem Ebitda.
As despesas com vendas cresceram 13,8%, para R$ 326 milhões, e atingiram 39,1% da receita líquida. Os gastos com pessoal aumentaram 20,2%, para R$ 157,8 milhões, refletindo principalmente o crescimento da rede física e a contratação de equipes para as unidades inauguradas.
As despesas com aluguéis e condomínios subiram 12,9%, para R$ 64,7 milhões. Os gastos com fretes avançaram 30,2%, para R$ 15,5 milhões, influenciados pelas transferências de mercadorias entre lojas e pela reorganização dos estoques após a entrada em operação do centro de distribuição do Espírito Santo.
As despesas gerais e administrativas apresentaram comportamento mais controlado. O valor cresceu 1%, para R$ 61,8 milhões, e recuou de 8% para 7,4% da receita líquida. A queda de 13,9% nos gastos com serviços profissionais, para R$ 21,7 milhões, ajudou a compensar o aumento das despesas com pessoal, uniformes e materiais para as lojas.
A empresa informou que o novo programa de incentivo de longo prazo gerou uma despesa de R$ 1,4 milhão em junho. A partir do terceiro trimestre, o impacto trimestral deverá aumentar para aproximadamente R$ 4,2 milhões, quando passarão a ser reconhecidos três meses completos do plano.
Ebitda cresce, mas perde margem
O Ebitda atingiu R$ 205,4 milhões, crescimento de 4,9%. Como a receita avançou em ritmo superior, a margem Ebitda recuou de 25,7% para 24,7%. A diferença mostra que parte do crescimento comercial foi absorvida pelo aumento dos custos de expansão e das despesas de venda.
Em uma base comparável, que exclui efeitos de subvenções e itens considerados pontuais pela administração, o Ebitda cresceu 7,5%. A margem comparável ficou em 24,8%, ante 25,1% no segundo trimestre do ano passado.
No acumulado do primeiro semestre, o Ebitda somou R$ 302,1 milhões, alta de 2,6%. A margem, entretanto, caiu de 22,7% para 21,1%. O lucro líquido gerencial do semestre recuou 11,9%, para R$ 242,6 milhões, e a margem líquida diminuiu de 21,2% para 17%.
O desempenho semestral demonstra que o crescimento das vendas ainda não foi integralmente convertido em lucro. A companhia intensificou a abertura de lojas, aumentou os investimentos comerciais e enfrentou efeitos tributários e financeiros que pesaram mais sobre os primeiros três meses do ano.
Dívida líquida cai para R$ 140,9 milhões
A Vivara encerrou junho com dívida bruta de R$ 557,5 milhões e R$ 416,7 milhões em caixa e aplicações. A dívida líquida ficou em R$ 140,9 milhões, redução de R$ 105,7 milhões em relação ao primeiro trimestre e de R$ 186,7 milhões na comparação anual.
A relação entre dívida líquida e Ebitda acumulado em 12 meses recuou para 0,18 vez. O indicador havia ficado em 0,32 vez no primeiro trimestre, 0,21 vez no encerramento de 2025 e 0,45 vez em junho do ano passado.
A geração de caixa operacional gerencial somou R$ 147,3 milhões no trimestre, equivalente a 71,7% do Ebitda. Depois dos investimentos, a geração de caixa livre atingiu R$ 123,4 milhões. O valor ficou abaixo dos R$ 168,4 milhões apurados no segundo trimestre de 2025, período beneficiado por antecipações de recebíveis de cartões.
Pelo critério contábil das demonstrações financeiras, o caixa líquido gerado pelas atividades operacionais foi de R$ 132,1 milhões, ante R$ 192,7 milhões um ano antes. No semestre, o caixa operacional líquido cresceu 89,8%, para R$ 92,4 milhões.
Rede alcança 520 pontos de venda
A Vivara inaugurou 17 lojas durante o segundo trimestre, sendo quatro da marca Vivara e 13 da Life. No primeiro semestre, foram abertas 22 unidades, mais que as 12 inaugurações registradas no mesmo intervalo de 2025.
A companhia encerrou junho com 520 pontos de venda, distribuídos entre 272 lojas Vivara, 237 lojas Life e 11 quiosques. Em 12 meses, a rede ganhou 51 unidades, com maior concentração da expansão na marca Life.
As lojas Life faturaram R$ 242 milhões no trimestre, alta de 15,8%, impulsionadas pelas 45 unidades inauguradas em 12 meses. A receita das lojas da marca Vivara cresceu 6,9%, para R$ 668,9 milhões.
A expansão elevou os investimentos. O Capex total alcançou R$ 23,8 milhões, aumento de 40,3%. Desse montante, R$ 14,4 milhões foram destinados a novas lojas e R$ 6,7 milhões a reformas e manutenção.
Redução dos estoques continua no foco
Os estoques totalizaram R$ 1,538 bilhão no encerramento do trimestre, alta de 2,8% em relação a junho de 2025, mas queda de 0,8% frente ao primeiro trimestre. Os produtos acabados representavam R$ 1,088 bilhão, enquanto as matérias-primas somavam R$ 397,7 milhões.
O número de dias de estoque caiu de 670 para 582 na comparação anual. A redução de 88 dias ocorreu apesar da elevação do custo médio dos metais preciosos e do aumento da rede de lojas.
A administração relaciona a melhora à redução das compras, ao menor ritmo de produção e à transferência de peças entre unidades. Essa estratégia libera capital de giro, mas também reduz parte das receitas tributárias relacionadas à atividade da fábrica de Manaus.
A Vivara encerrou o trimestre com crescimento de dois dígitos da receita bruta, avanço do comércio eletrônico e menor alavancagem. O principal ponto de atenção permanece na conversão das vendas em rentabilidade, diante do crescimento das despesas comerciais e da redução das margens Ebitda e líquida.








