As ações da WEG (WEGE3) receberam duas elevações de recomendação nesta segunda-feira, 27 de julho, depois que o balanço do segundo trimestre de 2026 reforçou a percepção de que a fabricante de equipamentos elétricos atravessou a fase de menor crescimento e poderá acelerar receitas nos próximos trimestres. Bradesco BBI e JPMorgan passaram a recomendar a compra dos papéis, enquanto o Itaú BBA manteve avaliação positiva e elevou o preço-alvo, apoiado na recuperação sequencial do resultado, na manutenção das margens e na expansão da capacidade produtiva.
A reação inicial foi forte. As ações da WEG chegaram a avançar 5,44% nas primeiras negociações, a R$ 48,49, figurando entre as maiores altas do Ibovespa. O movimento perdeu força ao longo da manhã e, por volta das 11h40, os papéis eram negociados a R$ 46,10, perto da estabilidade.
A devolução de quase todo o ganho mostrou que, apesar da melhora na avaliação dos bancos, o mercado ainda procura sinais mais consistentes de retomada. A companhia entregou um trimestre operacionalmente sólido, mas a receita e o lucro permaneceram abaixo dos números registrados um ano antes.
O que mudou na leitura dos analistas não foi apenas o desempenho entre abril e junho. O balanço trouxe elementos que sustentam uma possível inflexão: crescimento da receita externa em dólares, retomada de equipamentos industriais, carteira saudável de projetos de infraestrutura elétrica e avanço de investimentos destinados a ampliar a produção no Brasil e no exterior.
Bradesco BBI vê potencial de 30% para as ações da WEG
O Bradesco BBI elevou a recomendação das ações da WEG de neutra para compra e aumentou o preço-alvo de R$ 48 para R$ 60. O novo valor representa potencial de valorização de 30,5% em relação ao fechamento de R$ 45,99 registrado na sexta-feira, 24.
Na avaliação do banco, a WEG reúne uma combinação mais favorável entre perspectivas de longo prazo, melhora do ritmo operacional no curto prazo e preço de mercado menos exigente do que em outros momentos. A companhia negocia, segundo os cálculos do BBI, a cerca de 27 vezes o lucro estimado para os 12 meses seguintes, ligeiramente abaixo da média histórica e de fabricantes globais comparáveis.
O múltiplo permanece elevado em relação à maior parte das empresas industriais da Bolsa. No caso da WEG, porém, o mercado costuma atribuir um prêmio à ação pela capacidade de crescimento, presença internacional, baixo endividamento e retorno elevado sobre o capital investido.
A mudança de recomendação indica que o BBI considera mais equilibrada a relação entre risco e retorno. O banco estima que o crescimento anual da receita poderá alcançar 11% no quarto trimestre de 2026, avançar para 17% em 2027 e permanecer próximo de 16% em 2028.
Essa trajetória dependerá da entrada em operação de novas linhas de produção, do aumento das entregas e do ganho de escala em negócios ligados à eletrificação, redes de energia, motores industriais e infraestrutura para data centers.
JPMorgan passa a recomendar compra e fixa alvo de R$ 56
O JPMorgan também elevou a recomendação das ações da WEG de neutra para compra. O preço-alvo foi definido em R$ 56, equivalente a um potencial de valorização de 21,8% sobre o fechamento da sessão anterior.
A revisão reforçou a mudança de percepção sobre a velocidade de crescimento da companhia. Após uma sequência de resultados que provocaram ajustes negativos nas projeções, os bancos passaram a avaliar que as estimativas podem começar a subir novamente à medida que a produção adicional seja incorporada às operações.
O Itaú BBA, que já recomendava compra, elevou o preço-alvo de R$ 48 para R$ 50. O potencial calculado sobre o último fechamento é de 8,7%, inferior ao projetado por Bradesco BBI e JPMorgan, mas acompanhado de uma visão mais favorável sobre a direção dos resultados.
Para o BBA, o período mais fraco da WEG ficou para trás. A expectativa é que o crescimento, atualmente entre um dígito alto e dois dígitos baixos em determinadas linhas, retorne gradualmente à faixa de 15% a 20% a partir do segundo semestre de 2026.
As projeções não representam garantia de valorização. Preços-alvo dependem de premissas sobre crescimento, câmbio, margens, investimentos, custo de capital e demanda, e podem ser revistos quando essas condições mudam.
Balanço mostra recuperação sequencial, mas queda anual
A WEG registrou lucro líquido de R$ 1,56 bilhão no segundo trimestre, queda de 2,1% em relação ao mesmo período de 2025. Na comparação com os três primeiros meses de 2026, houve crescimento de 7%.
O resultado ficou próximo das expectativas do mercado. Mais importante para os analistas foi a capacidade de preservar a rentabilidade mesmo diante da combinação entre custos mais altos de matérias-primas, valorização do real e tarifas de importação nos Estados Unidos.
O Ebitda, indicador que mede o desempenho operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, alcançou R$ 2,21 bilhões. O valor caiu 2,1% na comparação anual, mas avançou 5,2% sobre o primeiro trimestre.
A margem Ebitda ficou em 21,8%, 0,3 ponto percentual abaixo do segundo trimestre de 2025 e 0,4 ponto abaixo dos três primeiros meses do ano. Embora tenha recuado, o nível foi considerado resiliente diante das pressões sobre custos e do ciclo de investimentos em expansão.
A receita operacional líquida totalizou R$ 10,14 bilhões, retração de 0,6% em 12 meses e avanço de 7,1% na comparação trimestral. Os números confirmam que a companhia ainda não retomou o crescimento anual consolidado, mas indicam recuperação em relação ao início do ano.
Mercado externo cresce 14,7% em dólares
O desempenho internacional foi um dos principais pontos positivos do balanço. A receita externa somou R$ 6,17 bilhões, crescimento de 2,3% em reais sobre o segundo trimestre de 2025.
Em dólares, o avanço foi mais expressivo: 14,7%, para US$ 1,22 bilhão. A diferença ocorreu porque a valorização do real reduziu o valor contábil das vendas internacionais quando convertido para a moeda brasileira.
A cotação média do dólar utilizada pela companhia caiu de R$ 5,67 no segundo trimestre de 2025 para R$ 5,05 entre abril e junho de 2026. Ajustada pelas aquisições recentes e medida nas moedas locais, a receita externa cresceu 11,8%.
A América do Norte respondeu por metade das vendas internacionais e apresentou crescimento de 20% em dólares. A Europa avançou 16,3%, enquanto a região da Ásia-Pacífico cresceu 7,1%.
A diversificação geográfica reduz a dependência da atividade econômica brasileira e protege parcialmente a WEG em períodos de desaceleração doméstica. Ao mesmo tempo, aumenta a exposição da companhia a variações cambiais, políticas comerciais e custos de produção em diferentes países.
Motores industriais e data centers sustentam expansão
A área de Equipamentos Eletroeletrônicos Industriais, responsável por 51,4% da receita da WEG, apresentou melhora relevante no mercado interno. As vendas domésticas do segmento cresceram 16,5% em relação ao segundo trimestre de 2025.
A companhia destacou maior demanda por equipamentos de ciclo curto, como motores elétricos de baixa tensão e redutores, além de evolução nas vendas de motores de alta tensão e painéis de automação. O setor de papel e celulose teve participação importante nas entregas de equipamentos de maior porte.
No exterior, a receita da divisão industrial cresceu 1,9%. A demanda permaneceu favorável na Europa e nos Estados Unidos, principalmente nos segmentos de óleo e gás e em sistemas de ventilação e refrigeração destinados a data centers.
A expansão da infraestrutura de inteligência artificial exige centros de processamento com alto consumo de energia, sistemas de resfriamento e fornecimento elétrico confiável. A WEG participa dessa cadeia com motores, geradores, transformadores e outras soluções de energia.
No segmento de Geração, Transmissão e Distribuição de Energia, as vendas externas avançaram 5,8%. A companhia registrou bom volume de entregas de equipamentos para reforço das redes elétricas americanas e de geradores da Marathon destinados à energia de reserva de data centers.
Ausência de novos projetos solares pressiona mercado brasileiro
O principal ponto fraco do trimestre permaneceu concentrado na divisão de energia no Brasil. A receita doméstica de Geração, Transmissão e Distribuição caiu 22,9% em comparação com o segundo trimestre de 2025.
A redução foi provocada principalmente pela ausência de novos projetos de geração solar centralizada em 2026. A demanda por equipamentos destinados à geração distribuída permaneceu, mas não foi suficiente para compensar a queda dos grandes contratos.
Em sentido contrário, as entregas de transformadores de grande porte e subestações avançaram, impulsionadas por projetos ligados aos leilões de transmissão. A WEG também informou que mantém uma carteira saudável em geradores, transformadores e compensadores síncronos.
A recuperação da divisão dependerá da conversão dessa carteira em receita e da entrada de novos projetos de infraestrutura. Esse processo pode ocorrer de maneira irregular, porque equipamentos de grande porte possuem ciclos de produção e entrega mais longos.
Tarifas dos EUA entram no centro das projeções
As tarifas de importação aplicadas pelos Estados Unidos constituem o principal risco de curto prazo apontado pelos bancos. A própria WEG reconheceu que as cobranças já afetaram a margem bruta no segundo trimestre, ao lado do aumento do custo de matérias-primas, especialmente o cobre.
A margem bruta encerrou o período em 33,2%, abaixo dos 33,7% registrados um ano antes. Na comparação com o primeiro trimestre, contudo, houve aumento de 1,6 ponto percentual.
Para o Itaú BBA, o efeito das tarifas deverá ser acompanhado nos meses seguintes, especialmente quanto à possibilidade de isenções, reembolsos, alterações na carga efetiva e eventuais impactos sobre a demanda dos clientes.
O Bradesco BBI também considera as tarifas um obstáculo para as margens no segundo semestre. O banco avalia, porém, que parte da pressão pode ser compensada por ganhos de escala, repasses de preços e aumento da produção nas novas instalações.
A presença industrial da WEG nos Estados Unidos e em outros países reduz, mas não elimina, os riscos comerciais. O impacto final depende da origem de cada produto, da cadeia de componentes e da capacidade de redirecionar a fabricação entre unidades.
Investimentos de R$ 794,9 milhões preparam nova capacidade
A WEG investiu R$ 794,9 milhões no segundo trimestre em modernização, expansão produtiva, máquinas, equipamentos e licenças de software. Do total, 44,5% foram destinados ao Brasil e 55,5% às operações internacionais.
No mercado brasileiro, os recursos foram direcionados à ampliação da produção de equipamentos de transmissão e distribuição, à modernização das fábricas de motores de baixa tensão e ao aumento da capacidade de equipamentos de grande porte em Jaraguá do Sul, em Santa Catarina.
No exterior, a companhia avançou nas expansões das fábricas de transformadores no México, na Colômbia e nos Estados Unidos, além de investir no aumento da capacidade produtiva na China.
O ciclo de investimentos pressiona despesas no curto prazo, porque novas estruturas exigem contratação de pessoal e custos de preparação antes de atingir o volume planejado. Quando a utilização das fábricas aumenta, a alavancagem operacional pode elevar receitas e diluir despesas.
Essa é uma das bases da projeção mais otimista dos bancos. A aceleração esperada para 2027 e 2028 pressupõe que a capacidade adicional seja ocupada por encomendas e que a demanda por infraestrutura elétrica permaneça aquecida.
Caixa líquido e ROIC sustentam prêmio da ação
A WEG encerrou junho com caixa líquido de R$ 3,74 bilhões, acima dos R$ 2,65 bilhões registrados no fim de 2025. A posição financeira permite financiar a expansão sem elevar de forma relevante o risco de endividamento.
O retorno sobre o capital investido atingiu 33,6%, crescimento de 0,7 ponto percentual em 12 meses. O indicador é acompanhado de perto porque mede a capacidade da empresa de gerar resultados a partir dos recursos aplicados em suas operações.
Mesmo com o aumento do capital empregado em fábricas e ativos produtivos, a companhia preservou o ROIC em patamar elevado. A combinação entre rentabilidade, caixa líquido e diversificação internacional ajuda a explicar por que as ações da WEG negociam com múltiplos superiores aos de outras empresas industriais.
Os investidores também acompanham os gastos em pesquisa, desenvolvimento e inovação. No primeiro semestre, a WEG destinou R$ 736,2 milhões a essas atividades, o equivalente a 3,8% da receita acumulada no ano.
Revisões positivas elevam exigência para os próximos balanços
As novas recomendações retiram parte do pessimismo que se acumulou após trimestres de desaceleração, mas também aumentam a exigência sobre as próximas divulgações. Para justificar os preços-alvo entre R$ 50 e R$ 60, a WEG terá de transformar investimentos e carteira de pedidos em crescimento efetivo.
O mercado deverá observar a recuperação da receita doméstica, a utilização das novas fábricas, o comportamento das margens e o efeito das tarifas dos Estados Unidos. A evolução da demanda por transformadores, motores industriais, equipamentos para redes elétricas e soluções destinadas a data centers também será determinante.
O segundo trimestre não marcou uma retomada completa: receita, Ebitda e lucro ainda recuaram na comparação anual. O balanço, entretanto, apresentou crescimento sequencial, expansão internacional em moedas constantes e manutenção de retornos elevados.
A tese dos bancos é que esses sinais antecipam uma fase mais forte a partir do segundo semestre. A volatilidade das ações nesta segunda-feira mostrou que o mercado recebeu a revisão com interesse, mas ainda exige comprovação nos números antes de incorporar integralmente o cenário de aceleração ao preço da WEG (WEGE3).










