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Câmara aprova PEC do Sistema Único de Assistência Social com piso de 1% da RCL

por Antônio Lima - Repórter de Economia
29/04/2026 às 09h55 - Atualizado em 14/05/2026 às 16h55
em Economia, Destaque, Notícias
Camara Dos Deputados - Gazeta Mercantil

O Novo Paradigma Fiscal do Bem-Estar: PEC do Sistema Único de Assistência Social e a Rigidez Orçamentária

O cenário fiscal brasileiro ingressou, nesta terça-feira, 28 de abril de 2026, em uma fase de redefinição estrutural com a aprovação, em segundo turno pela Câmara dos Deputados, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece um piso permanente para o Sistema Único de Assistência Social. O texto, que agora segue para o crivo do Senado Federal, representa uma vitória histórica para as frentes de proteção social, ao mesmo tempo em que acende alertas nos gabinetes técnicos do Ministério do Planejamento devido à elevação da rigidez do Orçamento Geral da União.

A medida obriga a União, os Estados e os municípios a destinarem, de forma vinculada, no mínimo 1% de suas Receitas Correntes Líquidas (RCL) para o financiamento de políticas públicas de assistência. Trata-se da constitucionalização do suporte financeiro a uma rede que, até então, dependia de negociações orçamentárias cíclicas. Para o governo, o desafio foi equilibrar a necessidade política de expandir o Sistema Único de Assistência Social com a realidade de um arcabouço fiscal sob constante escrutínio.

O Papel de Bruno Moretti e a Flexibilidade Interpretativa

A aprovação no primeiro turno, ocorrida no início de abril, serviu como um prelúdio para uma negociação intensa de bastidores liderada pelo ministro do Planejamento, Bruno Moretti. O governo federal, embora favorável ao mérito da proteção social, buscou tempo adicional para refinar o texto redacional. A principal preocupação residia na classificação estrita do que constitui “política de assistência social.

Sob a articulação de Moretti, o escopo das ações passíveis de serem incluídas no cálculo do piso foi ampliado. Esta mudança é estratégica: ao permitir que um conjunto maior de ações governamentais — como programas de capacitação e certas transferências de renda — seja contabilizado dentro do percentual de 1%, o governo ganha a flexibilidade necessária para manejar o Orçamento sem ferir o novo preceito constitucional. Sem essa interpretação ampliada, o Sistema Único de Assistência Social poderia drenar recursos de outras áreas vitais, criando um desequilíbrio setorial insustentável no longo prazo.

A Transição Gradual: O Escalonamento da Pressão Fiscal

Um dos pontos de maior fricção durante a tramitação na Câmara foi a aplicabilidade imediata da nova regra. Estados e municípios, representados por fortes frentes municipalistas, exerceram pressão para evitar um choque fiscal súbito. O texto original previa que os entes subnacionais aplicassem o percentual integral já na promulgação da emenda, o que geraria uma crise de liquidez em cerca de mil municípios brasileiros, especialmente os de pequeno porte.

A solução encontrada foi a extensão da regra de transição gradual para todos os entes federativos. O cronograma aprovado define um escalonamento de quatro anos para a implementação total do piso do Sistema Único de Assistência Social:

  • Primeiro ano: 0,3% da Receita Corrente Líquida;

  • Segundo ano: 0,5% da Receita Corrente Líquida;

  • Terceiro ano: 0,75% da Receita Corrente Líquida;

  • Quarto ano em diante: 1,0% da Receita Corrente Líquida.

Esse modelo de progressão permite que as prefeituras e governos estaduais reorganizem suas prioridades financeiras. Embora a maioria dos municípios já execute gastos acima de 1% com assistência, a institucionalização do piso retira a margem de manobra discricionária dos prefeitos, obrigando-os a manter o nível de investimento mesmo em períodos de queda de arrecadação.

Impacto de R$ 36,3 Bilhões: As Contas do Ministério do Planejamento

Os números projetados pelo governo para a implementação desta PEC evidenciam a magnitude do compromisso assumido. Considerando o escalonamento que se inicia em 2027, o impacto fiscal acumulado em quatro anos será de R$ 36,3 bilhões. No primeiro ano, o gasto adicional em relação ao que já está empenhado no Orçamento para o Sistema Único de Assistência Social será de R$ 2,2 bilhões.

A curva de gastos, no entanto, torna-se íngreme nos anos seguintes. Em 2028, a elevação será de R$ 5,96 bilhões; em 2029, o montante adicional salta para R$ 11,138 bilhões. No ápice da transição, em 2030, a União precisará desembolsar R$ 17 bilhões extras para alcançar o piso de 1%. Este cenário impõe uma reflexão profunda sobre as fontes de receita e a necessidade de reformas administrativas que compensem a perda de flexibilidade do gasto público.

A Constitucionalização da Renda Mínima e a Segurança Jurídica

Para além dos percentuais, a PEC traz um avanço civilizatório ao constitucionalizar a garantia de renda mínima às famílias em situação de vulnerabilidade. Ao inserir esse direito no corpo da Constituição, o legislador blinda programas de transferência de renda contra flutuações ideológicas de governos futuros. O Sistema Único de Assistência Social deixa de ser apenas uma política de governo para se tornar uma política de Estado indissociável.

Essa blindagem jurídica oferece segurança para os beneficiários, mas exige do setor público uma eficiência administrativa sem precedentes. A gestão dos dados do Cadastro Único e a fiscalização da aplicação desses recursos passam a ser ferramentas centrais para evitar que o aumento do gasto resulte em ineficiência. A assistência social passa a ter o mesmo status jurídico e orçamentário que a Saúde e a Educação, completando o tripé da seguridade social previsto desde 1988, mas nunca totalmente financiado de forma vinculada.

Desafios para Estados e Municípios de Pequeno Porte

O impacto da PEC não é uniforme pelo território nacional. Mil municípios, em sua maioria localizados em regiões com baixa atividade econômica e alta dependência do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), terão que realizar ajustes drásticos. Para essas localidades, o Sistema Único de Assistência Social é frequentemente o principal balizador da economia local, mas o financiamento obrigatório pode pressionar os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

O escalonamento foi o oxigênio necessário para evitar uma onda de rejeição de contas pelas cortes de fiscalização. No entanto, o desafio estrutural permanece: como manter um piso de 1% em municípios onde a RCL é volátil? A solução passará, invariavelmente, por um repasse mais robusto e equânime por parte da União, que detém a maior parte do bolo tributário. A PEC, ao estabelecer o piso, também força um novo debate sobre o pacto federativo e a divisão de responsabilidades.

O Debate sobre a Eficiência do Gasto Público Social

Críticos da proposta argumentam que a criação de novos pisos constitucionais engessa excessivamente a gestão das contas públicas. Com mais de 90% do Orçamento da União já comprometido com despesas obrigatórias, a inclusão do Sistema Único de Assistência Social nesse rol reduz a capacidade do governo de realizar investimentos em infraestrutura, essenciais para o crescimento econômico que, em última análise, sustenta a arrecadação.

Por outro lado, os defensores da medida — incluindo economistas heterodoxos e frentes de assistência — sustentam que o gasto social possui um efeito multiplicador. Famílias assistidas pelo Sistema Único de Assistência Social tendem a consumir integralmente esses recursos no mercado local, estimulando a economia regional e reduzindo custos futuros em segurança pública e saúde. A PEC, portanto, não seria um gasto, mas um investimento em capital humano e estabilidade social.

O Próximo Passo: A Tramitação no Senado Federal

Com a aprovação na Câmara, a PEC agora entra em território senatorial. A expectativa é que o Senado mantenha a espinha dorsal do texto, dado o amplo acordo federativo alcançado após as modificações de Bruno Moretti. No entanto, os senadores podem aprofundar o debate sobre as fontes de custeio, especialmente em um cenário de busca pelo déficit zero.

O papel das comissões técnicas do Senado será fundamental para avaliar se o escalonamento proposto é suficiente ou se serão necessários mecanismos de compensação fiscal adicionais. O Sistema Único de Assistência Social ganha fôlego novo, mas sua sustentabilidade dependerá da harmonia entre a política fiscal e as demandas sociais. A tramitação deve ocorrer em rito célere, dado o caráter prioritário conferido pelo Executivo e pela cúpula do Congresso.

Vigilância Fiscal em Tempos de Expansão de Direitos

O desfecho desta votação na Câmara dos Deputados encerra um ciclo de incertezas para os gestores da assistência social. O Brasil avança na consolidação de uma rede de proteção que é referência internacional. Contudo, a Gazeta Mercantil ressalta que a vigilância fiscal deve ser redobrada. A criação de obrigações permanentes em um ambiente de receitas variáveis é uma equação que exige equilíbrio fino.

A institucionalização do Sistema Único de Assistência Social sob a égide constitucional é o reconhecimento de que a pobreza no Brasil exige soluções estruturais e não paliativas. O sucesso desta PEC não será medido apenas pelo volume de recursos transferidos, mas pela capacidade do Estado brasileiro em transformar esse repasse mínimo de 1% em redução efetiva da desigualdade e promoção da dignidade humana. O futuro das contas públicas e o destino da população vulnerável estão, agora, irrevogavelmente ligados.

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Segundo A Versão Divulgada Pela Fintech, A Azara Capital Teria Adquirido A Naskar E Outras Empresas Do Grupo, Como 7Trust E Next, Assumindo A Responsabilidade Por Tratativas Voltadas Ao Ressarcimento Dos Clientes. O Caso, Porém, Passou A Levantar Questionamentos Sobre A Própria Azara Capital. A Empresa Não Apresenta Em Seu Site Nomes De Presidente, Diretores, Sócios Ou Responsáveis Pela Gestão. A Página Informa Um Endereço Em Miami, Nos Estados Unidos, Mas A Localização Indicada Aparece Associada Ao Ocean Bank, Banco Comercial Independente Da Flórida. Em Buscas Por “Azara Capital” Em Plataformas De Geolocalização, Não Há Indicação Clara De Sede Própria Da Companhia. Além Disso, A Presença Digital Da Empresa É Recente. O Perfil Da Azara Capital No Instagram Teria Sido Criado Há Poucos Meses E, Até A Manhã Desta Quinta-Feira, Contava Com Apenas Três Publicações. Após A Repercussão Da Suposta Compra Da Naskar, O Perfil Passou Por Alterações, Incluindo Arquivamento De Postagem, Mudanças Na Biografia, Remoção De Contas Seguidas E Bloqueio De Comentários. Naskar Deixou Investidores Sem Acesso Ao Aplicativo A Crise Da Naskar Começou Após A Fintech Não Realizar O Pagamento Mensal De Rendimentos Previsto Para 4 De Maio. Clientes Tentaram Contato Com Os Sócios Da Empresa Para Entender O Motivo Do Atraso, Mas, Segundo Relatos Reunidos No Texto-Base, Não Obtiveram Resposta. A Situação Se Agravou Quando O Aplicativo Da Naskar, Usado Pelos Investidores Para Acompanhar O Patrimônio Aplicado, Deixou De Funcionar Em 6 De Maio. Desde Então, Clientes Passaram A Relatar Dificuldade Para Acessar Informações Sobre Seus Saldos, Rendimentos E Eventual Cronograma De Devolução. A Naskar Atuava Há 13 Anos Captando Recursos De Clientes Com Promessa De Retorno De 2% Ao Mês, Patamar Muito Superior Ao Praticado Em Produtos Financeiros Tradicionais. Pela Estrutura Divulgada Aos Investidores, A Empresa Recebia Valores E Se Comprometia A Administrar O Patrimônio Dos Clientes, Pagando Rendimentos Mensais. O Modelo Atraiu Investidores De Diferentes Regiões Do País. A Crise, No Entanto, Expôs Riscos De Estruturas Privadas De Captação Com Promessa De Retorno Recorrente E Elevado. Quando Pagamentos Deixam De Ser Feitos, A Relação Entre Empresa E Cliente Rapidamente Passa Do Campo Comercial Para O Judicial E Regulatório. Segundo O Texto-Base, Os Valores A Serem Devolvidos Ou Ao Menos Esclarecidos Aos Clientes Superam R$ 900 Milhões. A Naskar, Por Sua Vez, Afirmou Que A Transação Com A Azara Capital Seria Uma “Operação Estratégica Voltada À Reorganização Das Atividades E À Continuidade Do Suporte Aos Investidores”. Azara Capital Não Informa Diretoria Nem Estrutura Operacional Um Dos Principais Pontos De Atenção É A Falta De Informações Institucionais Detalhadas Sobre A Azara Capital. O Site Da Empresa Não Informa Quem Ocupa Cargos De Comando, Quais São Os Responsáveis Pela Operação, Qual É A Estrutura Societária Ou Quais Executivos Responderiam Pelo Processo De Aquisição Da Naskar. Em Uma Operação Que Envolveria Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão E A Assunção De Passivos Com Milhares De Investidores, A Ausência De Dados Públicos Sobre Governança Amplia A Incerteza. Para Investidores E Credores, A Identificação Dos Responsáveis Pela Empresa É Elemento Básico Para Avaliar Capacidade Financeira, Histórico, Experiência E Responsabilidade Sobre Compromissos Assumidos. Outro Ponto Citado No Texto-Base Envolve O Endereço Físico Informado Pela Azara Capital. A Localização Indicada Em Miami Aparece Associada Ao Ocean Bank, Não A Uma Sede Própria Identificável Da Empresa. Buscas Por “Azara Capital” Em Aplicativos E Sites De Geolocalização Também Não Retornariam Resultados Consistentes. A Ausência De Presença Consolidada Em Plataformas Públicas Não Comprova, Por Si Só, Irregularidade. Ainda Assim, Em Uma Transação De Grande Porte Envolvendo Investidores Prejudicados, A Falta De Dados Verificáveis Aumenta A Necessidade De Esclarecimentos. A Reportagem Também Aponta Que A Azara Capital Não Aparece Como Regulada Ou Cadastrada Em Órgãos De Fiscalização Americanos Como A Securities And Exchange Commission E A Financial Industry Regulatory Authority. Essas Informações São Relevantes Porque A Empresa Se Apresenta Como Sediada Nos Estados Unidos E Vinculada Ao Mercado Financeiro. Perfil Em Rede Social Passou Por Mudanças Após Repercussão A Presença Da Azara Capital Em Redes Sociais Também Entrou No Centro Das Dúvidas. O Perfil Da Empresa No Instagram Teria Sido Criado Há Poucos Meses E Exibia Poucas Publicações Até A Divulgação Da Suposta Transação Envolvendo A Naskar. Durante A Quinta-Feira, Após O Nome Da Empresa Ganhar Repercussão, Foram Observadas Mudanças No Perfil. Uma Publicação Que Mencionava “Capital Rápido Para Negócios Imobiliários” Teria Sido Arquivada. A Conta, Que Seguia 18 Perfis, Deixou De Seguir Todos Eles. A Opção De Comentários Nas Publicações Também Foi Bloqueada. O Perfil Da Empresa Não Teria Conta Correspondente No Linkedin, Plataforma Normalmente Usada Por Instituições Financeiras, Gestoras E Empresas De Serviços Corporativos Para Apresentar Equipe, Histórico, Área De Atuação E Estrutura De Negócios. As Alterações Nas Redes Sociais Não Significam, Isoladamente, Irregularidade. No Entanto, Em Um Contexto De Crise Envolvendo Quase R$ 1 Bilhão Em Recursos De Investidores, Mudanças Rápidas Em Canais Públicos De Comunicação Tendem A Reforçar A Pressão Por Transparência. Para Os Clientes Da Naskar, A Principal Preocupação É Saber Quem Assumirá A Responsabilidade Pelos Valores Aplicados, De Onde Virão Os Recursos Para Eventual Devolução E Qual Será O Prazo Real Para O Início Dos Pagamentos. Douglas Silva De Oliveira Aparece Ligado À Azara Segundo A Apuração Mencionada No Texto-Base, O Empresário Douglas Silva De Oliveira Se Apresentava Como Responsável Pela Azara Capital. Em Perfil Pessoal No Instagram, Ele Declarava Ser Fundador E Diretor Da Instituição, Mas A Informação Teria Sido Retirada Horas Após A Divulgação Da Transação Envolvendo A Naskar. Douglas Silva De Oliveira Consta Como Administrador E Sócio-Administrador De 11 Empresas Brasileiras, Sediadas No Distrito Federal E Em Diferentes Estados. Várias Dessas Companhias Têm Capitais Sociais Milionários, Segundo Os Dados Citados No Texto-Base. A Ligação Entre Douglas, Azara Capital E Naskar Passou A Ser Observada Com Mais Atenção Justamente Pelo Tamanho Da Operação Anunciada. A Suposta Compra De Uma Fintech Em Crise, Com Milhares De Investidores Aguardando Reembolso, Exige Comprovação De Capacidade Financeira E Clareza Sobre A Estrutura Jurídica Da Transação. A Naskar Informou Que A Azara Capital Passaria A Ser Responsável Pelo Contato Com Clientes Interessados Em Saber Quando Terão Seu Dinheiro De Volta. A Fintech Também Afirmou Que As Tratativas Para Devolução Começariam A Partir Da Semana Seguinte Ao Anúncio. Até A Última Atualização Do Texto-Base, Representantes Da Azara Capital Não Haviam Respondido A Tentativas De Contato Por Telefone, Whatsapp E E-Mail. Operação Envolveria Naskar, 7Trust E Next A Transação Anunciada Pela Naskar Não Se Limitaria À Gestora. Segundo A Empresa, A Azara Capital Teria Adquirido Também Outras Duas Companhias Do Grupo: 7Trust E Next. O Objetivo Declarado Seria Reorganizar As Atividades, Consolidar Informações Operacionais, Revisar Processos Existentes E Avançar Na Liquidação Com Investidores. O Valor Informado Para A Operação É De Aproximadamente R$ 1,2 Bilhão. A Cifra É Próxima Ao Montante Que Precisa Ser Devolvido Ou Explicado Aos Cerca De 3 Mil Clientes Da Fintech. Esse Alinhamento Entre Valor Da Transação E Passivo Estimado Aumenta A Importância De Documentação Verificável. Em Operações De Aquisição, Especialmente Quando Há Passivos Relevantes E Clientes Prejudicados, É Essencial Diferenciar Anúncio De Intenção, Assinatura De Contrato, Transferência Efetiva De Controle E Execução Financeira. Sem Esses Elementos, Investidores Seguem Expostos À Incerteza. A Naskar Disse Que Os Próximos Passos Envolveriam Continuidade Do Processo De Circularização, Consolidação De Informações Operacionais, Revisão Técnica Dos Processos E Liquidação Com Os Investidores. Circularização É Um Procedimento Usado Para Confirmar Saldos, Obrigações E Dados Junto Às Partes Envolvidas. Na Prática, Esse Processo Pode Ser Decisivo Para Definir Quanto Cada Investidor Tem A Receber, Quais Contratos Serão Reconhecidos, Qual A Ordem De Pagamento E De Que Forma Eventuais Divergências Serão Tratadas. Promessa De Rendimento De 2% Ao Mês Elevou Risco Da Operação A Naskar Construiu Sua Base De Clientes Oferecendo Retorno De 2% Ao Mês. Em Termos Financeiros, Esse Patamar Representa Uma Remuneração Elevada, Especialmente Quando Comparada A Alternativas Tradicionais De Renda Fixa E Produtos Bancários Regulados. Promessas De Retorno Acima Do Mercado Não Significam Automaticamente Fraude Ou Irregularidade, Mas Exigem Explicação Robusta Sobre Estratégia, Risco, Liquidez, Garantias E Fonte Dos Ganhos. Quanto Maior A Rentabilidade Prometida, Maior Tende A Ser A Necessidade De Transparência. No Caso Da Naskar, Os Clientes Aplicavam Recursos Esperando Receber Rendimentos Mensais. O Exemplo Citado No Texto-Base Mostra Que Um Investimento De R$ 1 Milhão Geraria Pagamento Mensal De R$ 20 Mil. Essa Previsibilidade De Fluxo Ajudou A Atrair Investidores, Mas Também Ampliou O Impacto Quando Os Pagamentos Foram Interrompidos. Durante Anos, Segundo Relatos, A Empresa Teria Funcionado Sem Grandes Problemas Para Os Clientes. A Quebra Do Padrão De Pagamentos No Início De Maio, No Entanto, Foi Suficiente Para Desencadear Uma Corrida Por Informações E Colocar A Empresa Sob Forte Pressão. Além Da Falta De Pagamento, A Interrupção Do Aplicativo Agravou O Cenário. Sem Acesso Ao Sistema, Investidores Ficaram Sem Uma Ferramenta Direta Para Verificar Patrimônio, Rendimentos E Movimentações. Caso Coloca Governança Da Suposta Compradora Sob Pressão A Suposta Compra Da Naskar Pela Azara Capital Poderia Representar Uma Alternativa De Reorganização Para A Fintech, Mas A Falta De Informações Públicas Sobre A Compradora Dificulta A Avaliação Da Operação. A Ausência De Executivos Identificados No Site, O Endereço Associado A Outro Banco, O Perfil Recente Em Rede Social E A Falta De Cadastro Aparente Em Órgãos Reguladores Americanos Formam Um Conjunto De Pontos Que Exigem Esclarecimento. Para Os Investidores, O Fator Central Continua Sendo A Devolução Dos Recursos. Qualquer Solução Dependerá De Cronograma, Comprovação De Caixa, Validação Dos Saldos E Formalização Das Responsabilidades Assumidas Pela Empresa Que Teria Comprado A Naskar. Para O Mercado Financeiro, O Caso Reforça O Debate Sobre Estruturas De Captação Privada, Fintechs Que Operam Fora Do Circuito Tradicional De Instituições Reguladas E Promessas De Rentabilidade Recorrente Acima Dos Padrões De Mercado. A Crise Também Pode Aumentar A Pressão Sobre Distribuidores, Intermediários E Empresas Que Apresentaram A Naskar A Investidores. Em Disputas Desse Tipo, Clientes Frequentemente Buscam Responsabilizar Todos Os Agentes Que Participaram Da Oferta, Recomendação Ou Operacionalização Dos Contratos. Enquanto A Azara Capital Não Apresentar Informações Verificáveis Sobre Sua Estrutura, Seus Executivos, Sua Autorização Regulatória E Sua Capacidade Financeira, A Suposta Aquisição Tende A Permanecer Cercada Por Dúvidas. O Desfecho Do Caso Dependerá Menos Do Anúncio Da Compra E Mais Da Comprovação De Que Há Recursos, Governança E Instrumentos Jurídicos Suficientes Para Devolver O Dinheiro Dos Investidores. - Gazeta Mercantil
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