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Ações da Prio (PRIO3) sobem após balanço com prejuízo e mercado aposta em crescimento

por João Souza
11/03/2026 às 12h35
em Negócios
Prejuízo No 4T25 Contrasta Com Produção

Fonte: divulgação/Prio

Ações da Prio (PRIO3) sobem mesmo após prejuízo no balanço e mercado aposta em crescimento da petroleira

As ações da Prio (PRIO3) registravam forte valorização nesta quarta-feira (11) após a divulgação dos resultados financeiros do quarto trimestre de 2025. Apesar de a companhia ter reportado prejuízo no período, investidores e analistas concentraram a atenção no desempenho operacional robusto da petroleira e nos projetos de expansão que devem sustentar crescimento nos próximos anos.

Por volta do meio-dia, os papéis da empresa avançavam cerca de 3,5%, negociados próximos de R$ 60,97, refletindo uma leitura positiva do mercado sobre os fundamentos da companhia.

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A reação positiva ocorre mesmo diante de um resultado líquido negativo no trimestre, impulsionado principalmente por fatores contábeis e cambiais. Analistas destacam que o núcleo operacional da empresa apresentou evolução consistente, com aumento da produção, crescimento das vendas e redução relevante de custos operacionais.

Prejuízo contábil não muda percepção do mercado

No quarto trimestre de 2025, a Prio registrou prejuízo líquido de US$ 185 milhões, revertendo o lucro de US$ 92 milhões obtido no terceiro trimestre do ano passado.

Leia também: Cosan (CSAN3) reduz prejuízo no 1º trimestre, mas dívida mantém pressão sobre ações.

O resultado negativo foi influenciado por dois fatores principais. O primeiro foi o forte aumento das despesas de depreciação, consequência direta da aquisição de uma participação adicional no campo de Peregrino. O segundo fator foi o impacto da desvalorização do real frente ao dólar, que elevou despesas contábeis relacionadas a impostos diferidos.

Apesar desse efeito na última linha do balanço, analistas avaliam que o resultado operacional da empresa permaneceu sólido e dentro das expectativas do mercado.

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Relatórios de bancos e corretoras destacam que a companhia conseguiu expandir a produção e reduzir custos, elementos considerados fundamentais para sustentar o crescimento da geração de caixa no médio prazo.

Ebitda cresce mesmo com petróleo mais fraco

Um dos principais indicadores acompanhados pelo mercado, o Ebitda ajustado, permaneceu praticamente em linha com as projeções de analistas.

No trimestre, o lucro operacional ajustado da companhia alcançou US$ 324 milhões, representando crescimento de cerca de 7% em relação aos US$ 303 milhões registrados no terceiro trimestre.

Mesmo em um ambiente de preços de petróleo menos favoráveis, a companhia conseguiu ampliar resultados operacionais graças a dois fatores-chave: aumento significativo do volume vendido e queda no custo de extração.

Analistas destacam que a estratégia da petroleira de otimizar ativos maduros e ampliar a produção tem mostrado resultados consistentes.

Receita cresce com avanço da produção

A receita líquida da companhia totalizou US$ 589 milhões no quarto trimestre, representando crescimento de 4% em relação aos US$ 567 milhões registrados no trimestre anterior.

Na comparação anual, o avanço foi ainda mais expressivo. Frente ao quarto trimestre de 2024, quando a receita havia somado US$ 521 milhões, a alta chegou a 13%.

O principal motor desse crescimento foi o aumento do volume de petróleo comercializado, impulsionado pela expansão da produção e pela incorporação de novos ativos.

A produção média da Prio atingiu 128 mil barris por dia, um aumento relevante em relação ao trimestre anterior.

Esse crescimento refletiu principalmente a aquisição de uma participação adicional de 40% no campo de Peregrino, além da retomada de operações em determinados ativos que estavam temporariamente paralisados.

Desconto maior no preço do petróleo

Apesar do avanço nas vendas, a receita ficou ligeiramente abaixo das estimativas de parte do mercado. O principal motivo foi o aumento do desconto aplicado ao preço do petróleo vendido pela companhia em relação ao Brent.

No quarto trimestre, esse desconto médio chegou a US$ 7,4 por barril, contra US$ 3,6 no trimestre anterior.

Analistas explicam que essa diferença foi influenciada pela maior participação do petróleo pesado proveniente do campo de Peregrino no mix de produção da companhia.

Esse tipo de petróleo costuma ser negociado com preços inferiores ao Brent, referência internacional do mercado.

Redução de custos fortalece eficiência

Se por um lado o preço médio realizado foi menor, por outro a companhia conseguiu avançar significativamente em eficiência operacional.

O lifting cost, indicador que mede o custo de extração por barril, apresentou forte queda no período.

No quarto trimestre, o custo médio ficou em US$ 12,5 por barril, contra US$ 17,4 no trimestre anterior.

A redução foi impulsionada principalmente pela diluição de custos fixos com o aumento da produção, uma estratégia que tem sido central no modelo de negócios da empresa.

Analistas consideram que essa queda nos custos foi um dos pontos mais positivos do balanço.

Com produção maior e custos menores, a companhia consegue proteger margens operacionais mesmo em cenários de petróleo mais barato.

Depreciação pressiona resultado final

Embora a operação tenha apresentado evolução consistente, o lucro líquido foi impactado pelo aumento das despesas contábeis.

A depreciação total da empresa somou US$ 306 milhões no quarto trimestre, representando alta de 52% em relação aos US$ 201 milhões registrados no trimestre anterior.

Esse crescimento está diretamente ligado à incorporação da participação adicional no campo de Peregrino, ativo adquirido da Equinor em operação concluída recentemente.

Com a ampliação do portfólio de ativos, os encargos contábeis associados também aumentam, o que afeta temporariamente o resultado líquido.

Analistas ressaltam, no entanto, que esse tipo de impacto não compromete necessariamente a geração de caixa da companhia.

Investimentos aumentam com novos projetos

Outro ponto que chamou a atenção no balanço foi o aumento dos investimentos realizados pela companhia.

O capex da Prio totalizou cerca de US$ 252 milhões no quarto trimestre, concentrado principalmente em projetos de desenvolvimento de campos e melhorias operacionais.

Entre os principais destinos desses investimentos estão:

  • Desenvolvimento do campo Wahoo
  • Atividades de expansão em Peregrino
  • Operações nos campos de Polvo
  • Intervenções em Albacora Leste

Esses projetos fazem parte da estratégia da companhia de ampliar gradualmente sua capacidade de produção nos próximos anos.

Fluxo de caixa próximo da estabilidade

Com o aumento dos investimentos no trimestre, o fluxo de caixa livre da companhia ficou próximo de neutro.

Embora isso possa parecer negativo em um primeiro momento, analistas apontam que esse movimento reflete uma fase de expansão operacional da empresa, com foco em projetos que devem gerar retorno nos próximos ciclos de produção.

Em empresas do setor de petróleo, é comum observar períodos de maior investimento seguidos por ciclos de geração mais robusta de caixa.

Dívida cresce após aquisição estratégica

A dívida líquida da Prio também registrou aumento relevante no período.

No final do quarto trimestre, o endividamento líquido da companhia chegou a US$ 4,3 bilhões, crescimento de cerca de US$ 1,5 bilhão em relação ao trimestre anterior.

A elevação está diretamente relacionada à aquisição da participação adicional no campo de Peregrino, considerada uma das operações mais relevantes da estratégia recente da empresa.

Apesar da alta da dívida, a alavancagem financeira subiu apenas marginalmente, passando de 2,0 vezes para 2,3 vezes dívida líquida/Ebitda.

Esse movimento foi parcialmente compensado pelo crescimento do resultado operacional da companhia.

Analistas destacam que o nível de alavancagem permanece dentro de patamares considerados administráveis para empresas do setor de petróleo.

Campo de Wahoo é o principal catalisador

O principal ponto de atenção do mercado agora está voltado para o início da produção do campo de Wahoo, projeto considerado estratégico para a expansão da Prio.

Analistas avaliam que o primeiro óleo do campo pode representar um importante salto na produção da companhia.

O projeto é visto como um dos maiores catalisadores de valor no curto prazo, com potencial de elevar significativamente a capacidade produtiva da empresa.

A expectativa do mercado é que a entrada em operação de Wahoo impulsione o crescimento da produção e amplie a geração de caixa nos próximos trimestres.

Mercado mantém visão positiva para PRIO3

Apesar do prejuízo reportado no quarto trimestre, as principais instituições financeiras seguem otimistas com as perspectivas da companhia.

Diversas casas de análise mantêm recomendação de compra para as ações da Prio, destacando fatores como:

  • crescimento consistente da produção
  • eficiência operacional crescente
  • potencial de geração de caixa
  • novos projetos de expansão

O consenso entre analistas é que a estratégia de aquisição e revitalização de campos maduros continua sendo um diferencial competitivo da companhia.

Com novos projetos entrando em operação e ganhos de escala na produção, o mercado aposta que a empresa pode seguir ampliando margens e geração de caixa nos próximos anos, sustentando o interesse dos investidores nas ações PRIO3.

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