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Arma de Bolsonaro é apreendida em blitz no DF e caso chega a Moraes

Armamento registrado em nome do ex-presidente estava com sargento do Exército, que disse levá-lo para manutenção.

por Carlos Menezes
16/06/2026 às 11h14
em Política
Arma De Bolsonaro É Apreendida Em Blitz No Df E Caso Chega A Moraes - Gazeta Mercantil - Política

A Polícia Civil do Distrito Federal informou oficialmente o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, sobre a apreensão de uma arma registrada em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante uma blitz da Polícia Militar no Pistão Norte, em Taguatinga, na noite de segunda-feira, 15 de junho. O armamento estava com um sargento do Exército Brasileiro ligado ao Gabinete de Segurança Institucional, que disse aos policiais que havia retirado a arma para manutenção.

O caso foi comunicado a Moraes na manhã desta terça-feira, 16 de junho, no âmbito da Execução Penal 169, processo relacionado à prisão do ex-presidente. A arma foi apreendida e encaminhada à Polícia Civil, que deverá analisar a documentação apresentada pelo militar, a regularidade do transporte e as circunstâncias da posse do armamento.

Leia também: Jair Bolsonaro no STM: Ministro requisita histórico militar completo do ex-presidente.

Segundo as informações registradas pela ocorrência, o sargento foi abordado durante fiscalização de rotina e levado à 21ª Delegacia de Polícia, no Pistão Sul, em Taguatinga. No local, apresentou documentação referente ao porte funcional e informou que o armamento pertenceria a Bolsonaro.

Arma estava com sargento do Exército

O militar foi identificado como Estácio Leite da Silva Filho, sargento do Exército Brasileiro e ligado ao Gabinete de Segurança Institucional. Ele estava com a arma no momento da abordagem feita pela Polícia Militar do Distrito Federal.

Leia também: Ministro do STF determina entrega de vídeo deletado por Bolsonaro e impõe multa diária.

De acordo com o relato apresentado aos policiais, o armamento teria sido retirado temporariamente para reparo. O sargento afirmou que a arma apresentava pane mecânica e que o problema estaria relacionado ao percussor, peça responsável por acionar o disparo.

Ainda segundo a versão do militar, a retirada teria ocorrido na segunda-feira, 15 de junho, e a devolução ao proprietário estava prevista para esta terça-feira, 16 de junho, após a conclusão do conserto.

Apesar de o sargento ter apresentado porte funcional, a situação chamou atenção dos policiais porque o armamento estava registrado em nome de terceiro. Diante disso, a arma foi apreendida, e o caso foi encaminhado para análise da Polícia Civil.

PCDF comunica Alexandre de Moraes

A comunicação a Alexandre de Moraes foi feita pela Polícia Civil do Distrito Federal depois da abertura do boletim de ocorrência. O envio ocorreu no âmbito da Execução Penal 169, processo que trata da situação penal de Jair Bolsonaro.

A medida tem relevância porque Bolsonaro está sob supervisão judicial no STF. Qualquer fato envolvendo bens, circulação, segurança, comunicação ou eventuais descumprimentos de restrições pode ser levado ao relator responsável pela execução penal.

Até o momento, não há informação de prisão em flagrante do militar. A apuração deverá se concentrar na documentação apresentada, na autorização para transporte, na origem da retirada da arma, na finalidade alegada de manutenção e na eventual necessidade de comunicação prévia às autoridades responsáveis pelo controle da execução penal.

O caso ainda está em apuração e pode ter novos desdobramentos após análise da PCDF e eventual manifestação de Moraes.

Militar disse que armamento estava quebrado

O sargento afirmou aos policiais que a arma apresentava uma pane de simples solução e que havia sido retirada para reparo. Segundo o depoimento relatado, o problema estaria no percussor.

A versão apresentada pelo militar será analisada pela Polícia Civil. A investigação deverá verificar se o transporte da arma por terceiro era regular, se havia autorização específica para a retirada, se a documentação apresentada era suficiente e se houve alguma violação às normas de controle de armamento.

O ponto central não é apenas a existência do porte funcional do militar, mas o fato de o armamento estar registrado em nome de Bolsonaro e ter sido encontrado fora da posse direta do proprietário, em deslocamento durante uma blitz de rotina.

A apuração também deverá esclarecer se a suposta manutenção foi formalmente documentada e se a retirada da arma respeitou os procedimentos exigidos para esse tipo de situação.

Caso ocorre durante prisão de Bolsonaro

Jair Bolsonaro cumpre prisão após condenação pelo STF a 27 anos e três meses. Segundo informações publicadas sobre a execução penal, a condenação envolve crimes como organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado ao patrimônio público e deterioração de patrimônio tombado.

O ex-presidente chegou a ficar custodiado na Superintendência da Polícia Federal e, posteriormente, foi transferido para uma Sala de Estado-Maior do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal. Depois, por questões de saúde, passou ao regime de prisão domiciliar, com monitoramento por tornozeleira eletrônica e restrições de comunicação.

Nesse contexto, a apreensão de uma arma registrada em seu nome ganha dimensão judicial. Ainda que o armamento estivesse com um militar que alegou manutenção, o fato foi comunicado a Moraes por estar ligado à execução penal do ex-presidente.

A decisão sobre eventuais providências caberá ao ministro, caso entenda haver necessidade de esclarecimentos adicionais, manifestação da defesa, manifestação da PGR ou diligências complementares.

Polícia apura regularidade do transporte

A Polícia Civil deverá apurar as circunstâncias da posse e do transporte da arma. Entre os pontos que podem ser analisados estão a documentação apresentada pelo sargento, a condição funcional do militar, a autorização para transportar armamento registrado em nome de terceiro e a compatibilidade da versão de manutenção com os registros formais existentes.

O caso também pode envolver órgãos militares, caso seja necessário verificar a vinculação do sargento ao GSI e eventuais regras internas sobre deslocamento, guarda e manutenção de armamentos.

Até que a apuração seja concluída, não há indicação pública de crime atribuído a Bolsonaro ou ao militar. O caso está em fase de análise administrativa e policial.

A cautela jurídica é necessária porque a apreensão, por si só, não significa responsabilização penal automática. A investigação deverá definir se houve irregularidade, falha documental, descumprimento de regra administrativa ou situação regular devidamente comprovada.

Episódio cria novo foco de atenção no STF

O envio do boletim de ocorrência a Moraes torna o episódio mais sensível politicamente. O ministro é relator de processos ligados a Bolsonaro e tem sido responsável por decisões relevantes envolvendo a execução penal do ex-presidente.

O fato de uma arma registrada em nome de Bolsonaro ter sido apreendida fora de sua posse direta, em abordagem de rotina, deve ampliar a atenção sobre o controle de bens e objetos vinculados ao ex-presidente durante o cumprimento da pena.

Para o STF, a questão imediata será avaliar se o episódio exige providências no âmbito da execução penal. Para a Polícia Civil, o foco será esclarecer as circunstâncias práticas da apreensão.

O caso ocorre em uma semana já marcada por julgamentos e movimentações envolvendo integrantes da família Bolsonaro no Supremo. A repercussão política tende a ser elevada, embora o desfecho jurídico dependa da documentação e da análise das autoridades.

Investigação ainda está em andamento

A ocorrência permanece em apuração. A PCDF deverá analisar os documentos apresentados pelo sargento e esclarecer se o transporte da arma estava regular. O boletim já foi encaminhado ao STF, e Moraes poderá determinar novas diligências se considerar necessário.

Por ora, o fato confirmado é que uma arma registrada em nome de Jair Bolsonaro foi apreendida durante blitz no DF, estava com um sargento do Exército ligado ao GSI, e o militar afirmou que levava o armamento para manutenção.

O caso deve seguir sob acompanhamento da Polícia Civil e do Supremo, em razão da execução penal envolvendo o ex-presidente.

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