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Assaí (ASAI3) abre primeira farmácia e prevê expansão para mais de 250 lojas

Unidade instalada no Assaí Anhanguera terá 10 mil produtos e e-commerce integrado; companhia planeja abrir 25 farmácias até dezembro.

por João Souza
15/07/2026 às 16h29
em Empresas
Assaí (Asai3) Abre Primeira Farmácia E Prevê Expansão Para Mais De 250 Lojas - Gazeta Mercantil - Empresas

O Assaí (ASAI3) inaugura nesta quinta-feira, 16 de julho, sua primeira farmácia dentro da área de vendas de uma loja da rede, na unidade Anhanguera, em São Paulo. A entrada no varejo farmacêutico ocorre quatro meses após a sanção da lei que autorizou a instalação desse tipo de operação em supermercados e integra a estratégia da companhia de ampliar sua participação nos gastos dos consumidores, aproveitar o fluxo mensal de aproximadamente 40 milhões de clientes e criar novas fontes de receita sobre uma estrutura imobiliária já existente.

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A farmácia do Assaí começa a funcionar com cerca de 10 mil SKUs, sigla utilizada para identificar diferentes itens em estoque, entre medicamentos, produtos de higiene, cuidados pessoais, saúde e bem-estar. A unidade também nasce integrada ao comércio eletrônico, inicialmente pelo sistema de compra digital com retirada na loja. As entregas ao consumidor serão acrescentadas em uma segunda etapa.

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A primeira operação servirá como teste para um plano de expansão em escala nacional. O Assaí pretende inaugurar aproximadamente 25 farmácias até o fim de 2026. Cinco ou seis unidades devem começar a operar ainda em julho, enquanto outras três estão previstas para agosto.

A administração calcula que o modelo possa ser levado a mais de 250 endereços. O potencial equivale à maior parte das 313 lojas mantidas atualmente pela companhia em 24 estados e no Distrito Federal.

“Estamos muito voltados para aumentar a nossa participação nos gastos do cliente”, afirmou o CEO do Assaí (ASAI3), Belmiro Gomes. A farmácia do Assaí passa a compor um grupo de iniciativas que inclui serviços financeiros, produtos de marca própria, canais digitais, eletropostos e serviços relacionados a saúde e bem-estar.

Nova lei abriu espaço para operação direta dos supermercados

A expansão tornou-se possível após a sanção da Lei nº 15.357, de 20 de março de 2026, que alterou a legislação de controle sanitário de medicamentos. A norma permite que farmácias e drogarias funcionem dentro da área de vendas dos supermercados, desde que estejam instaladas em um ambiente delimitado, segregado e exclusivo para a atividade farmacêutica.

Antes da mudança, supermercados podiam receber farmácias operadas por terceiros em espaços comerciais independentes. A nova legislação permite que a operação seja realizada diretamente pelo varejista, sob a mesma identidade fiscal, ou por meio de contrato com uma farmácia devidamente licenciada.

A autorização não libera a exposição de medicamentos nas gôndolas convencionais do supermercado. A farmácia do Assaí deverá manter separação funcional completa em relação às demais áreas, cumprir exigências de armazenamento, ventilação, iluminação, controle de temperatura, umidade e rastreabilidade, além de assegurar assistência farmacêutica durante todo o período de funcionamento.

A presença de um farmacêutico legalmente habilitado é obrigatória em todo o horário de atendimento. Medicamentos sujeitos a controle especial também devem permanecer sob procedimentos específicos de dispensação, pagamento e transporte dentro do estabelecimento.

A lei ainda autoriza a contratação de plataformas digitais para a venda e a entrega dos produtos, desde que as regras sanitárias sejam integralmente preservadas. Essa previsão sustenta a estratégia de integrar a farmácia do Assaí ao comércio eletrônico desde a abertura da primeira unidade.

Rede aposta em fluxo de 40 milhões de clientes por mês

O principal argumento econômico da companhia está na possibilidade de utilizar ativos e despesas que já fazem parte da operação do atacarejo. A farmácia do Assaí será instalada dentro de lojas que já contam com aluguel, segurança, iluminação, estacionamento, sistemas de pagamento e fluxo recorrente de consumidores.

“O aluguel já está aqui. A despesa de IPTU está aqui. A despesa de segurança está aqui”, disse Belmiro Gomes ao explicar a lógica do projeto. Segundo o executivo, a utilização da estrutura existente permite reduzir parte dos custos fixos normalmente enfrentados por uma drogaria independente.

Essa vantagem, contudo, não significa que a farmácia do Assaí funcionará sem despesas adicionais. A companhia terá de investir em adaptações físicas, licenças, sistemas próprios, contratação de farmacêuticos, treinamento de equipes, controle de estoque e formação de capital de giro.

A expectativa é que a diluição de determinados custos permita oferecer preços competitivos sem recorrer a uma política agressiva de descontos. O diretor de Operações e Novos Negócios, Sérgio Leite, afirmou que o grupo pretende competir principalmente por eficiência operacional.

“O balcão já está aqui, o funcionário já está aqui, a iluminação já está aqui. Isso nos permite ter uma operação muito eficiente e oferecer preços competitivos”, declarou.

A empresa também aposta na recorrência do consumo farmacêutico. Diferentemente de compras emergenciais, que tendem a ser realizadas na drogaria mais próxima de um hospital, consultório ou residência, medicamentos para doenças crônicas e tratamentos prolongados costumam ser adquiridos de forma planejada.

O foco da farmácia do Assaí estará justamente nesse tipo de demanda. A companhia pretende associar a reposição de medicamentos de uso contínuo à compra periódica de alimentos, produtos de limpeza e itens para pequenos comerciantes.

Segundo a administração, uma pesquisa interna mostrou que 78% dos clientes consultados teriam intenção de comprar medicamentos no Assaí. O levantamento foi utilizado para dimensionar a aceitação inicial do projeto, mas o desempenho efetivo dependerá de fatores como preço, disponibilidade, confiança, atendimento farmacêutico e conveniência.

Farmácias entram na estratégia de diversificação do Assaí

O lançamento ocorre enquanto o Assaí (ASAI3) procura ampliar receitas complementares ao negócio alimentar sem comprometer a redução do endividamento. A companhia encerrou o primeiro trimestre de 2026 com faturamento bruto de R$ 20,6 bilhões, crescimento de 1,7% na comparação anual.

A margem Ebitda ajustada permaneceu em 5,5%, com Ebitda de aproximadamente R$ 1 bilhão. A alavancagem financeira, medida pela relação entre dívida líquida acrescida dos recebíveis descontados e Ebitda, caiu de 3,15 vezes no primeiro trimestre de 2025 para 2,52 vezes em março de 2026.

A abertura da farmácia do Assaí ocorre, portanto, em um momento no qual a administração busca equilibrar expansão, rentabilidade e disciplina de capital. O grupo reduziu o ritmo de abertura de grandes lojas após um ciclo acelerado de conversões e investimentos, passando a direcionar parte dos recursos para iniciativas que utilizam a rede existente.

Ao fim do primeiro trimestre, o Assaí mantinha 775 unidades de serviços instaladas em suas lojas, crescimento de 21% em um ano. Esse conjunto inclui operações capazes de gerar receita adicional, aumentar a circulação de consumidores ou tornar cada endereço mais completo.

A própria companhia reconheceu que os investimentos em farmácias, marcas próprias, serviços financeiros e novos negócios contribuíram para o aumento das despesas com vendas, gerais e administrativas no primeiro trimestre. Esses gastos chegaram a R$ 2,1 bilhões, avanço de 2,7% em relação ao mesmo período de 2025.

Para os acionistas do Assaí (ASAI3), a farmácia do Assaí será avaliada pela capacidade de gerar vendas incrementais sem pressionar excessivamente despesas, estoques e investimentos. A simples abertura de unidades não garante criação de valor caso a operação exija descontos elevados, apresente baixa produtividade ou aumente a complexidade do capital de giro.

Por outro lado, uma implantação bem-sucedida pode melhorar o aproveitamento dos imóveis, elevar a frequência de visitas e ampliar a receita obtida por cliente. O varejo farmacêutico também oferece demanda menos ligada à sazonalidade dos alimentos, embora esteja submetido a forte concorrência e regulação.

Estoque de 10 mil itens amplia a complexidade operacional

A primeira farmácia do Assaí terá um portfólio superior ao encontrado em muitas drogarias convencionais, segundo a companhia. Os cerca de 10 mil SKUs incluem diferentes fabricantes, apresentações, dosagens e categorias relacionadas à saúde e ao bem-estar.

Um sortimento dessa dimensão aumenta a capacidade de atender prescrições e compras planejadas, mas exige gestão rigorosa. Medicamentos possuem prazos de validade, condições específicas de armazenamento e padrões de rastreabilidade distintos dos produtos normalmente vendidos por um atacarejo.

A companhia também precisará ajustar o estoque de cada farmácia do Assaí ao perfil demográfico e de consumo das regiões atendidas. Embora os tratamentos farmacêuticos sejam semelhantes em todo o país, renda, cobertura de planos de saúde, perfil etário e presença de concorrentes podem alterar a demanda de cada unidade.

Sérgio Leite avalia que o consumo de medicamentos apresenta maior uniformidade regional do que o mercado alimentar. “A molécula usada para tratar pressão alta é a mesma em São Paulo e no Nordeste”, afirmou o executivo ao defender a possibilidade de replicação do modelo.

A padronização pode acelerar a implantação, reduzir custos de projeto e facilitar a negociação com fornecedores. Ainda assim, cada farmácia do Assaí dependerá de licenciamento sanitário, registro nos órgãos competentes e disponibilidade de profissionais habilitados.

A necessidade de manter farmacêuticos durante todo o horário de funcionamento ganha relevância em lojas com jornadas extensas. A contratação e a organização das escalas podem representar uma das principais despesas operacionais do projeto, especialmente em localidades com menor oferta de profissionais.

Assaí disputará cliente com redes nacionais e drogarias regionais

A entrada do Assaí (ASAI3) amplia a competição em um mercado ocupado por grandes redes nacionais, grupos regionais, farmácias independentes e plataformas digitais. Os concorrentes tradicionais possuem programas de fidelidade, bases de dados, serviços clínicos, aplicativos e estruturas logísticas já consolidadas.

A farmácia do Assaí chega com uma proposta diferente: aproveitar o tráfego do atacarejo e associar a compra de medicamentos à visita que o consumidor já faria para abastecer sua residência ou seu negócio.

O modelo tende a ser mais competitivo nas compras planejadas, sobretudo para medicamentos de uso contínuo, higiene pessoal, vitaminas e produtos de bem-estar. Nas situações de urgência, localização e velocidade de atendimento continuarão favorecendo drogarias de bairro ou estabelecimentos próximos a centros médicos.

O Assaí também terá de construir credibilidade em um segmento no qual a relação entre consumidor e farmacêutico exerce papel relevante. A marca é amplamente reconhecida no varejo alimentar, mas ainda não possui histórico na dispensação de medicamentos.

A administração pretende posicionar a farmácia do Assaí como um espaço de saúde e não apenas como uma área de conveniência. O desempenho dessa estratégia dependerá do atendimento, do sortimento, da disponibilidade dos medicamentos e da capacidade de integrar as lojas físicas aos canais digitais.

O clique e retire estará disponível desde a inauguração da unidade Anhanguera. A entrega em domicílio será implementada posteriormente, após a adaptação dos processos logísticos e sanitários.

A presença digital será determinante para competir com redes que realizam entregas rápidas e utilizam dados de consumo para oferecer descontos personalizados. O Assaí poderá explorar sua própria base de clientes, mas terá de observar as regras de proteção de dados e os limites relacionados ao tratamento de informações de saúde.

Expansão para 250 lojas dependerá do desempenho das primeiras unidades

A previsão de abrir 25 farmácias em menos de seis meses indica que a companhia pretende testar o projeto em ritmo acelerado. As primeiras unidades deverão fornecer informações sobre vendas por metro quadrado, ticket médio, composição do estoque, recorrência de compras e custo de atendimento.

Esses indicadores determinarão a velocidade da expansão para mais de 250 lojas. A administração poderá ajustar o tamanho dos espaços, o número de SKUs e o perfil das equipes antes de levar a farmácia do Assaí a diferentes regiões.

A seleção dos endereços também será relevante. Lojas com maior fluxo de famílias, consumidores recorrentes e acesso facilitado tendem a oferecer melhores condições para a implantação inicial. Unidades próximas a redes farmacêuticas consolidadas podem enfrentar uma disputa mais intensa por preço e fidelidade.

Do ponto de vista financeiro, investidores acompanharão o investimento necessário por farmácia do Assaí e o prazo de retorno do capital aplicado. Também serão observados os impactos sobre estoques, fornecedores, despesas operacionais e margem Ebitda.

A redução da alavancagem continua sendo uma das prioridades da companhia. Por isso, a expansão das farmácias terá de ocorrer sem reverter o avanço registrado na geração de caixa e no endividamento.

O projeto pode representar uma avenida relevante de crescimento se a empresa conseguir combinar escala, tráfego e infraestrutura existente. Caso a produtividade fique abaixo do previsto, a velocidade de abertura poderá ser revista antes que o modelo alcance a maior parte da rede.

Farmácias passam a integrar nova fase de crescimento do Assaí

A inauguração na Anhanguera marca a entrada efetiva do Assaí (ASAI3) em um setor diferente do atacarejo tradicional e inaugura o primeiro teste prático da legislação sancionada em março.

Com a previsão de abrir cerca de 25 unidades até dezembro, a farmácia do Assaí deixa de ser um projeto isolado e passa a ocupar espaço na estratégia corporativa da companhia. O objetivo é transformar o fluxo de clientes e os imóveis já instalados em novas fontes de receita, sem abandonar a disciplina financeira adotada após o ciclo de expansão da rede.

O potencial de mais de 250 farmácias coloca o projeto entre as principais iniciativas de diversificação do grupo. A confirmação dessa escala, porém, dependerá dos resultados obtidos nos primeiros meses e da capacidade de competir com empresas que operam há décadas no varejo farmacêutico.

A unidade Anhanguera será o ponto inicial dessa avaliação. A evolução das vendas, das margens e da frequência de compra mostrará se a farmácia do Assaí poderá se tornar uma operação relevante para a companhia ou permanecer como um serviço complementar dentro das lojas.

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