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Asundexian reduz risco de segundo AVC em 26% e oferece nova alternativa para sobreviventes

por Adriana Soares
06/02/2026 às 14h53
em Saúde
Asundexian Reduz Risco De Segundo Avc Em 26% E Oferece Nova Alternativa Para Sobreviventes - Gazeta Mercantil

Nova pílula reduz risco de segundo AVC em 26% e promete transformar tratamento de sobreviventes

Uma nova pílula diária demonstrou reduzir em 26% a ocorrência de novos Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs) isquêmicos em pacientes que já passaram por um primeiro evento, segundo dados apresentados na International Stroke Conference (ISC), realizada em Nova Orleans, Estados Unidos, pela Associação Americana do Coração (American Heart Association). O medicamento, chamado Asundexian, representa a primeira alternativa terapêutica significativa em décadas para pacientes em risco de repetição de AVC.

A droga está agora sendo encaminhada para avaliação de agências reguladoras internacionais e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), passo necessário para definir a possibilidade de uso em larga escala no Brasil. Até o momento, não há previsão oficial para o pedido de registro no país.


Risco elevado de segundo AVC e lacuna histórica no tratamento

Pacientes que sobrevivem a um AVC isquêmico enfrentam alto risco de um segundo episódio. Estudos médicos indicam que 1 em cada 4 sobreviventes de AVC sofre uma nova ocorrência, o que mantém a preocupação constante de neurologistas e profissionais de saúde.

Até o surgimento do Asundexian, as opções terapêuticas eram limitadas. A Aspirina, introduzida há mais de 50 anos, e a terapia P2Y12, desenvolvida há cerca de duas décadas, eram os principais recursos para prevenção. Christoph Koenen, líder de desenvolvimento global da Bayer, ressalta que o novo medicamento não apenas reduz significativamente o risco de segundo AVC, mas também minimiza o risco de sangramentos, uma complicação comum em anticoagulantes e antiplaquetários.

O mecanismo de ação do Asundexian controla a coagulação do sangue, mantendo a proteção do paciente sem aumentar complicações hemorrágicas, essencial para quem apresenta vulnerabilidade vascular.


Perfil dos pacientes e indicações do medicamento

O Asundexian é indicado para pacientes que sofreram AVC isquêmico não-cardioembólico, ou seja, episódios causados por bloqueios nos vasos sanguíneos e não por problemas cardíacos, como arritmias. Pacientes com mini-AVC, também conhecido como acidente isquêmico transitório (AIT), também podem se beneficiar.

Durante o AIT, o fluxo sanguíneo cerebral é interrompido temporariamente, causando sintomas como perda de movimentos de um lado do corpo, vertigens intensas ou dificuldades de fala, mesmo que exames de imagem não detectem alterações. Pacientes com histórico de AIT têm risco elevado de sofrer um AVC completo, tornando a prevenção uma prioridade.

O tratamento deve ser diário e contínuo, em conjunto com medicamentos antiplaquetários como a Aspirina, garantindo proteção prolongada para sobreviventes de AVC.


Resultados do estudo internacional

O estudo que avaliou o Asundexian envolveu 12,3 mil participantes de 37 países, incluindo 13 centros no Brasil, que recrutaram voluntários que haviam passado por AVC isquêmico não-cardioembólico. A pesquisa comparou o efeito do medicamento com placebo, iniciando o tratamento nas primeiras 72 horas após o evento, período crítico para prevenir recorrência.

Mike Sharma, professor de neurologia na Universidade de McMaster, Canadá, e investigador principal do estudo, destacou que anticoagulantes anteriores apresentavam alto risco de sangramentos, dificultando o uso prolongado. O Asundexian conseguiu equilibrar a prevenção de novos AVCs com segurança hemorrágica, representando avanço significativo na área.

Sheila Martins, chefe da neurologia do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, e vice-presidente da Rede Brasil AVC, reforça que o início precoce do medicamento é crucial. “Se o paciente começar a usar a pílula apenas no terceiro dia, ele poderia sofrer um AVC nas 48 horas iniciais. O tratamento imediato garante proteção desde a primeira dose”, explica.


Impacto potencial para saúde pública no Brasil

O AVC é uma das principais causas de morte no Brasil. Estatísticas apontam que uma pessoa morre a cada seis minutos devido a complicações relacionadas a AVC. Entre os fatores de risco mais comuns estão hipertensão, diabetes, obesidade, colesterol elevado, tabagismo e sedentarismo.

Especialistas destacam que o controle rigoroso de pressão arterial e colesterol, aliado a mudanças no estilo de vida, continua sendo ferramenta central na prevenção de novos AVCs. Sheila Martins recomenda pressão arterial abaixo de 13 por 8, idealmente abaixo de 12 por 8, e uso de estatinas para pacientes com histórico de AVC, complementando a proteção oferecida por medicamentos como o Asundexian.


Segurança e eficácia do Asundexian

O Asundexian é classificado como anticoagulante oral de nova geração, desenvolvido para reduzir eventos trombóticos sem aumentar sangramentos graves. A análise mostrou que pacientes tratados apresentaram 26% menos novos AVCs isquêmicos em comparação ao grupo que recebeu placebo, com perfil de segurança compatível com o uso prolongado.

A droga também oferece benefícios para quem apresenta fatores de risco cardiovasculares adicionais, incluindo hipertensão, diabetes tipo 2 e histórico de eventos isquêmicos. Por ser administrada em doses diárias fixas, facilita adesão ao tratamento e planejamento de cuidados a longo prazo.


Caminho regulatório e expectativas futuras

O Asundexian passará por avaliação de agências internacionais para definir segurança, eficácia e diretrizes de uso. No Brasil, a Bayer planeja submeter o pedido à Anvisa, etapa crucial para disponibilizar o medicamento à população.

A chegada do fármaco representa uma mudança de paradigma na prevenção secundária de AVC, oferecendo alternativa inovadora para milhões de pacientes que atualmente dependem de tratamentos mais antigos e limitados.


Desdobramentos para pacientes e sistema de saúde

A introdução do Asundexian pode reduzir significativamente a carga hospitalar relacionada a AVCs recorrentes, diminuindo internações e complicações neurológicas graves. A combinação com antiplaquetários e manejo de fatores de risco crônicos poderá gerar impactos positivos na qualidade de vida de pacientes e familiares, além de reduzir custos assistenciais.

Especialistas alertam, no entanto, que seguimento médico contínuo, controle rigoroso de pressão arterial e colesterol, além de hábitos de vida saudáveis, continuam sendo essenciais para prevenir novos episódios. O medicamento não substitui acompanhamento clínico, mas complementa estratégias preventivas já existentes.


Perspectiva científica e próxima etapa de implementação

O desenvolvimento do Asundexian demonstra avanço científico relevante, resolvendo lacunas deixadas por décadas sem inovação no tratamento de prevenção secundária de AVC. A participação de milhares de voluntários em múltiplos países conferiu robustez estatística aos resultados, aumentando a confiança da comunidade médica internacional.

A expectativa é que, após aprovação regulatória, o medicamento seja incorporado a protocolos clínicos, transformando a abordagem de prevenção de segundo AVC e estabelecendo nova referência em segurança e eficácia terapêutica.

Tags: anticoagulante oralAsundexianAVC isquêmicoAVC não-cardioembólicoBayerInternational Stroke Conferencenovo medicamento AVCprevenção segundo AVCsaúdetratamento AVC Brasil

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