A Aura Minerals Inc. (Nasdaq: AUGO; B3: AURA33) aprovou a distribuição de aproximadamente US$ 60,4 milhões em dividendos com base nos resultados do segundo trimestre de 2026. O pagamento corresponderá a US$ 0,72 por ação ordinária da mineradora e a US$ 0,24 por Brazilian Depositary Receipt (BDR) negociado na B3.
Terão direito ao provento os investidores registrados como acionistas ou detentores de BDRs ao encerramento do pregão de 18 de agosto de 2026. Para os titulares de ações ordinárias, o pagamento será realizado em dólares em 28 de agosto.
Os investidores brasileiros que possuem AURA33 deverão receber os recursos por volta de 8 de setembro, em reais. O valor definitivo dependerá da taxa de câmbio utilizada na conversão, que será informada pela companhia antes do pagamento.
A diferença entre o dividendo por ação e o valor destinado aos investidores brasileiros decorre da proporção dos recibos: uma ação ordinária da Aura Minerals corresponde a três BDRs negociados na B3.
Valor em reais dependerá da cotação do dólar
Como referência, a Aura utilizou no comunicado a cotação de R$ 5,1047 por dólar, registrada no fechamento de 4 de agosto. Com base nos procedimentos de conversão apresentados pela companhia, o valor ilustrativo seria de aproximadamente R$ 1,217770 por BDR.
Esse montante não representa, contudo, o pagamento definitivo. A quantia em reais será ajustada de acordo com a taxa de câmbio aplicável na véspera da conversão e divulgada posteriormente pela mineradora.
A companhia informou ainda que não haverá retenção de imposto na fonte por parte da Aura no momento do pagamento. A declaração se refere à retenção realizada pela própria empresa e não elimina eventuais procedimentos tributários ou operacionais aplicáveis ao investidor no Brasil.
O dividendo aprovado supera o valor mínimo estabelecido pela política de remuneração aos acionistas da Aura Minerals. Pelas regras da companhia, a distribuição trimestral pode ser calculada a partir de 20% do EBITDA ajustado do período, descontados os investimentos de sustentação e as despesas de capital destinadas à exploração mineral.
A decisão final sobre o pagamento e o montante distribuído permanece sob responsabilidade do conselho de administração.
Distribuição ocorre após primeiro semestre recorde
O novo dividendo foi anunciado após a Aura Minerals encerrar o primeiro semestre de 2026 com produção recorde para o período.
Entre janeiro e junho, a mineradora produziu 157.574 onças equivalentes de ouro, conhecidas pela sigla GEO. O volume representou crescimento de 27% em relação às 124.120 GEO produzidas no primeiro semestre de 2025.
A expansão foi impulsionada principalmente pelo início da produção comercial de Borborema, pela incorporação da Mineração Serra Grande ao portfólio da companhia e pelo avanço operacional da mina de Almas.
A produção do segundo trimestre, isoladamente, alcançou 75.437 GEO. O resultado ficou 8% abaixo do registrado entre janeiro e março, mas superou em 18% o volume produzido no segundo trimestre do ano anterior.
A redução na comparação trimestral refletiu principalmente menores teores de minério em Apoena, Borborema e Mineração Serra Grande, dentro do sequenciamento previsto nos planos de lavra de cada unidade.
Em contrapartida, Aranzazu e Almas apresentaram evolução no período. A produção de Almas atingiu 16.130 GEO, avanço de 2% sobre o primeiro trimestre e de 25% na comparação anual, beneficiada pelo aumento do volume processado durante a expansão da planta.
Receita cresce 76% no segundo trimestre
A receita líquida da Aura Minerals somou US$ 335,97 milhões no segundo trimestre de 2026. O montante representou crescimento de 76% em relação aos US$ 190,44 milhões registrados no mesmo período de 2025.
Na comparação com o primeiro trimestre deste ano, entretanto, a receita recuou 12%. A queda refletiu a redução das vendas e a diminuição do preço médio realizado do ouro em relação aos três primeiros meses de 2026.
No primeiro semestre, a receita líquida chegou a US$ 718,57 milhões, mais que o dobro dos US$ 352,24 milhões obtidos entre janeiro e junho de 2025.
O preço médio realizado do ouro alcançou US$ 4.304 por onça no segundo trimestre, avanço de 35% em um ano. No primeiro semestre, a média foi de US$ 4.566 por onça, alta de 53% na comparação anual.
O preço médio realizado do cobre ficou em US$ 6,09 por libra no trimestre, crescimento de 41% sobre o mesmo período de 2025.
EBITDA ajustado alcança US$ 440,5 milhões no semestre
O EBITDA ajustado da Aura Minerals atingiu US$ 196,66 milhões no segundo trimestre, alta de 85% em relação ao mesmo intervalo do ano passado. Na comparação trimestral, o indicador caiu 19%.
A margem EBITDA ajustada ficou em 59%, ante 56% no segundo trimestre de 2025 e 64% nos três primeiros meses de 2026.
No acumulado do primeiro semestre, o EBITDA ajustado chegou a US$ 440,53 milhões, crescimento de 135% na comparação anual. A margem avançou de 53% para 61%.
O lucro líquido contábil somou US$ 217,69 milhões no segundo trimestre, aumento de 129% sobre os três primeiros meses do ano e de 2.572% em relação ao mesmo período de 2025.
Parte relevante desse resultado, porém, decorreu de ganhos contábeis sem efeito imediato sobre o caixa, relacionados à marcação a mercado de instrumentos de proteção para o preço do ouro.
Desconsiderando esses efeitos, o lucro líquido ajustado foi de US$ 97,41 milhões. O indicador recuou 11% em relação ao primeiro trimestre, mas avançou 164% na comparação anual.
Custos de produção avançam
Apesar da melhora das receitas e do resultado operacional em relação a 2025, a Aura Minerals apresentou aumento dos custos por onça produzida.
O custo caixa consolidado atingiu US$ 1.513 por GEO no segundo trimestre, alta de 32% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 2% sobre o primeiro trimestre.
O custo total de sustentação, conhecido como AISC, alcançou US$ 1.985 por GEO. O indicador avançou 37% em um ano e 9% na comparação trimestral.
A Mineração Serra Grande teve impacto relevante sobre o aumento. A companhia direcionou investimentos à infraestrutura subterrânea e à mudança do método de lavra da unidade, elevando temporariamente os custos.
Sem o efeito da Serra Grande, o AISC consolidado teria sido de US$ 1.653 por GEO no segundo trimestre, segundo os cálculos apresentados pela Aura.
No primeiro semestre, o AISC ficou em US$ 1.906 por GEO. A companhia manteve a projeção de encerrar 2026 com custo entre US$ 1.720 e US$ 1.865 por GEO, incluindo a operação da Serra Grande.
Fluxo de caixa sustenta dividendos e investimentos
O fluxo de caixa operacional da Aura Minerals totalizou US$ 111,95 milhões no segundo trimestre, crescimento de 40% em relação ao mesmo intervalo de 2025.
O fluxo de caixa livre recorrente foi de US$ 80,23 milhões, avanço anual de 33%, mas queda de 15% na comparação com o primeiro trimestre.
A redução trimestral ocorreu em meio à diminuição do EBITDA, ao crescimento dos investimentos e ao aumento das perdas realizadas com instrumentos de proteção do preço do ouro.
Os investimentos totais somaram US$ 84,32 milhões no segundo trimestre, alta de 91% sobre os três primeiros meses do ano e de 68% em relação ao segundo trimestre de 2025.
A dívida líquida encerrou junho em US$ 168,03 milhões, equivalente a 0,21 vez o EBITDA ajustado dos últimos 12 meses. O aumento trimestral foi influenciado pelo pagamento de dividendos, pela recompra de ações e pelos investimentos em projetos de expansão.
Aura mantém guidance de produção para 2026
A Aura Minerals manteve a projeção de produzir entre 340 mil e 390 mil GEO em 2026.
Após entregar aproximadamente 158 mil GEO no primeiro semestre, a companhia precisa produzir entre 182 mil e 232 mil GEO nos últimos seis meses do ano para alcançar o intervalo projetado.
A administração espera um desempenho operacional mais forte no segundo semestre, sustentado principalmente pelas minas de Aranzazu, Apoena, Borborema e Serra Grande.
O planejamento considera a recuperação dos teores de minério em determinadas unidades, o avanço da produção de Borborema e a evolução dos trabalhos subterrâneos na Serra Grande.
A companhia também continua executando projetos destinados a elevar sua capacidade anual de produção para mais de 600 mil GEO.
Projetos de expansão avançam
No projeto Era Dorada, na Guatemala, os trabalhos de movimentação de terra alcançaram 60% de conclusão até o fim do segundo trimestre. O empreendimento permanece dentro do cronograma informado pela mineradora.
Os investimentos acumulados em Era Dorada chegaram a US$ 15,3 milhões até junho. A Aura também iniciou a mobilização das obras civis e a fabricação de equipamentos com prazos mais longos de entrega.
Em Almas, a companhia avança no projeto de expansão da capacidade de processamento para 3 milhões de toneladas de minério por ano.
Na mina de Borborema, a Aura está concluindo estudos de engenharia destinados a avaliar um novo aumento de capacidade.
Na Mineração Serra Grande, os trabalhos estão concentrados na infraestrutura subterrânea e no desenvolvimento primário. A expectativa da administração é preparar a operação para um aumento mais expressivo da produção a partir de 2027.
A companhia também incorporou as áreas de Serrinhas e Pé Quente aos estudos do projeto Matupá, em Mato Grosso.
Programa de recompra pode chegar a US$ 200 milhões
Além dos dividendos, a Aura Minerals mantém um programa de recompra de ações ordinárias e BDRs no valor de até US$ 200 milhões.
O programa foi aprovado pelo conselho de administração em junho e poderá permanecer em vigor até 18 de junho de 2027 ou até que o limite financeiro seja atingido.
As recompras poderão ocorrer no mercado ou por meio de operações privadas negociadas pela companhia. O conselho poderá revisar, suspender ou encerrar o programa antes do prazo estabelecido.
A Aura calcula que a remuneração proporcionada aos acionistas por dividendos e recompras correspondeu a aproximadamente 4,3% nos últimos 12 meses, de acordo com a metodologia apresentada pela própria mineradora.
A distribuição de US$ 60,4 milhões anunciada nesta quarta-feira ocorre, portanto, em um período marcado pela combinação de crescimento da produção, preços mais elevados dos metais, aumento dos investimentos e pressão sobre os custos operacionais.










